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In document Pionerdykkerne iNordsjøen NOU (sider 51-63)

Como é conhecido, no Renascimento verifica-se um grande desenvolvimento cultural e científico, onde são recriadas as Academias. O termo academia tem origem na Grécia antiga,521 tendo surgido novamente com o reaparecimento do platonismo durante meados do século XV. Este ressurgimento deveu-se, em parte, à influência dos Gregos

521 Cf. Cedenza, Christopher 2010. Academy. Grafton, Anthony; Most, Glenn W. & Settis, Salvatore, The

Classical Tradition, Cambridge, The Belknap Press of Harvard University Press, p. 1.

Fig. 18 N. Dorigny, a partir de Carlo Maratta

Academia

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eruditos, que se instalaram em Itália entre 1438 e 1439, com o objectivo de negociar uma unificação entre as igrejas Grega e Romana.522

As Academias do século XV, em Itália, foram espaços de encontro de homens eruditos, onde discutiam sobre assuntos de interesse literário, filosófico e científico. Este género de encontros foram recriados no século XVI pelos artistas italianos, com o objectivo de promover a aprendizagem de um modo intelectual e pelo debate de ideias superando a aprendizagem apenas baseada nos livros.523

Num discurso à Academia de Belas Artes, realizado em Madrid e publicado em 1766, Raphael Mengs definiu o termo Academia como sendo uma assembleia constituída por homens, entendidos em arte e ciência.524 Este conjunto de pessoas têm a função de investigar factos verídicos e de estabelecer regras que conduzam ao progresso. Raphael Mengs afirmou também a diferença que existe entre as academias e as escolas onde os professores leccionam as áreas científicas e as artes. Realçou o facto das Belas Artes terem as suas regras fundadas na razão e na experiencia através das quais pretendem atingir os seus fins com a perfeita imitação da natureza. No seu discurso esclarece que todas as Academias de arte tiveram o seu início sendo escolas comuns, mas que posteriormente se transformaram em Academias ou sociedades de professores que organizam conferências e reuniões para promovem regras e directrizes, com o objectivo de obter algum mérito artístico e paralelamente uma maior protecção para as artes.525

522 Cf. Pevsner, Nikolaus 1982. Las Academias de Arte – Passado y Presente, Madrid, Ediciones Cátedra,

p. 17. Sobre Academias e Associações, pode consultar-se Campbell, J. Patricia 2004. Academies and Associations. Boström, Antonia, The Encyclopedia of Sculpture, vol. 1, New York - London, Fitzroy Dearborn, pp. 5-10; Cedenza, Christopher 2010. Academy. Grafton, Anthony; Most, Glenn W. & Settis, Salvatore, The Classical…, op. cit., pp. 1-3.

523

Cf. Wine, Humphrey 1996. Academy. Turner, Jane, The Dictionary of Art, vol. 1, New York, Grove Ed., p. 101.

524

Cf. Harrison, Charles; Wood, Paul & Gaiger, Jason 2000. A Discourse upon the Academy of Fine Art at Madrid. AAVV, Art in Theory - 1648-1815 An Anthology of Changing Ideas, Oxford, Blackwell Publishing, p. 641.

525 Cf. idem, ibidem, pp. 641-642. Sobre a academia pode ler-se Arruda, Luísa d´Orey Capucho 1999.

Francisco Vieira Lusitano (1699-1783). Uma Época de Desenho, 2 vol., Faculdade de Belas Artes da

Universidade de Lisboa, Dissertação para Obtenção do Grau de Doutora em Belas Artes, Texto Policopiado, pp. 125-127; Lisboa, Maria Helena 2007. As Origens das Academias de Arte e o Saber Académico. As Academias e Escolas de Belas Artes e o Ensino Artístico (1836-1910), Colecção Teses, Lisboa, Edições Colibri-IHA/Estudos de Arte Contemporânea-Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Universidade Nova de Lisboa, pp. 416-427; Rodrigues, Francisco de Assis 1875. Diccionario…, op. cit., pp. 15-17.

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O grande desenvolvimento destes espaços quando direccionados para o ensino artístico, teve a finalidade de dar formação a todos os que se interessassem pelas artes, aperfeiçoando conhecimentos e formando o gosto. A Academia, tornou-se um

modelo a seguir para todos os interessados em aprender e ampliar os seus

conhecimentos.

Da formação das primeiras academias, existem registos da existência de uma academia fundada por Leonardo da Vinci (1452-1519), em Milão, por volta do ano de 1490,526 embora não seja seguro que tenha sido uma academia artística.

O Grão Duque da Toscana Cosimo I de´ Médici (1519-1574) funda em Florença, no ano de 1563, a primeira academia oficial denominada de Accademia del Disegno,527 sob a orientação de Giorgio Vasari528. Esta importante Accademia del Disegno é considerada

a primeira das academias de arte modernas.529 Trata-se de uma Academia de ensino

artístico, onde se aprendia Geometria e Anatomia, dando-se particular importância à

arte do Desenho, nomeadamente à temática da representação.530 A aprendizagem do

Desenho era realizada segundo o ensinamento dos professores eleitos, e através do contacto com o trabalho de outros artistas exteriores à Academia.531

Alguns anos mais tarde, o pintor Federico Zuccari (1542-1609) assume a presidência da nova academia de Roma, a Accademia di S. Luca, fundada no ano de 1593.532 Uma maior exigência pedagógica é pedida na academia de Federico Zuccaro, onde se pretende dar mais importância aos temas teóricos, devendo estes ser ensinados com rigor. Relativamente às disciplinas práticas, é realçado por este pintor a importância do

desenho do natural.533 O modelo de aprendizagem instituído por Federico Zuccaro vai dar maior destaque à Academia, apresentando uma grande evolução relativamente à Academia de Giorgio Vasari.534

526

Cf. Wine, Humphrey 1996. Academy. op. cit., p. 102.

527 Cf. idem, ibidem, p. 102. 528

Giorgio Vasari foi um pintor, arquitecto e historiador italiano. A sua obra Vidas dos Artistas constitui talvez a primeira história de arte europeia. Foi um grande coleccionador de desenhos, que utilizou como fonte para escrever as suas biografias. Através dos desenhos dos artistas, analisava o processo criativo dos autores e o seu valor relativo, defendendo sobretudo a escola Florentina onde, segundo ele, tinha nascido o verdadeiro Desenho.

529

Cf. Pevsner, Nikolaus 1982. Las Academias…, op. cit., p. 43.

530 Cf. idem, ibidem, p. 57 531

Cf. Wine, Humphrey 1996. Academy. op. cit., p. 102.

532

Cf. idem, ibidem, p. 102.

533 Cf. Pevsner, Nikolaus 1982. Las Academias…,op. cit., p. 48. 534

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Com este ressurgimento das academias e das escolas de arte, juntamente com a necessidade de dar formação artística, a prática do Desenho veio a tornar-se uma disciplina indispensável e estruturante. A disciplina do Desenho foi entendida como um meio para adquirir conhecimento, uma forma de pensamento:

"O Renascimento viu desenvolver-se a noção de que desenhar é pensar e de que através do desenho pode aceder-se aos planos do conhecimento e da reflexão."535

1.1. Desenho

O Desenho536 é uma arte que atingiu a sua maior expressão no período do Renascimento italiano. Esta arte é entendida como um meio de expressão, através do qual, e com a utilização de meios riscadores, se definem formas sobre um suporte bidimensional. A sua definição teve ao longo dos tempos várias interpretações podendo ser entendido também como um acto de fazer linhas numa superfície, ou ainda, como uma construção de linhas que definem formas por um contorno. Trata-se de uma atitude de intervir sobre uma superfície, que pode ser resultado de uma primeira ideia ou pensamento que surge, ou que regista o que momentaneamente se observou. No desenho utilizam-se variados meios, como o carvão, o lápis de grafite, os pincéis, as pontas de metal, pastel, sanguínea, sobre o suporte de papel, que por vezes é preparado

Na Europa, o ensino do Desenho foi uma constante ao longo de séculos, sendo uma prática das antigas oficinas de arte e depois nas escolas e academias. Os alunos, os

535 Markl, Alexandra Reis Gomes 2011. As Cópias…,op. cit., p. 53. 536

Sobre o Desenho pode consultar-se: Bossi, Luigi 1821, Introduzione allo Studio…, op. cit.; Bussagli, Marco 2012. Comment Regarder le Dessin – Histoire, Évolution et Techniques, Trad. de Todaro Tradito, Paris, Éditions Hazan; Jombert, Charles-Antoine 1784. Méthode pour Apprendre…, op. cit.; Langle, Ségolène Bergeon & Currie, Pierre 2009. Principes d´Analyse Scientifique – Peinture & Dessin.

Vocabulaire Typologique et Technique, 2 vols., Paris, Éditions du Patrimoine/ Centre des Monuments

Nationaux; Leymarie, Jean 1979. History of an Art…, op. cit.; Meder, Joseph 1978. The Mastery…, op. cit.; Molina, Juan José Gómez 2006. Las Lecciones del Dibujo. 4ª Edição, Madrid, Ediciones Cátedra; Molina, Juan José Gómez 2005. Los Nombres del Dibujo, Madrid, Ediciones Cátedra; Petherbridge, Deanna 2011. The Primacy of Drawing – Histories and Theories of Practice, 2ª ed., London, Yale University Press / New Haven and London; Pignatti, Teresio 1982. O Desenho – de Altamira a Picasso, 2ª ed., Trad. de Maria Helena Grembecki, São Paulo, Livros Abril; Sciolla, Gianni Carlo 1991. Il Disegno -

Forme, Tecniche, Significati, Milano, Instituto Bancario San Paolo di Torino e Amilcare Pizzi Editore;

Winckelmann, Giovanni 1783. Storia delle Arti del Disegno Presso Gli Antichi, 3 vols., Roma, Stamperia Pagliarini.

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discípulos dos grandes mestres praticavam o Desenho, desenvolvendo as suas

capacidades copiando estampas, copiando desenhos de grandes mestres,537

desenhando estátuas e desenhando o modelo vivo.538

A partir do Renascimento, o desenho ganhou maior importância e atingiu a sua autonomia conseguindo destacar-se das restantes artes, foi reconhecido e valorizado como uma arte de entre outras artes liberais.539

De facto, o desenvolvimento significativo da produção artística que surge no Renascimento vem valorizar a arte do Desenho, dando-lhe importância e autonomia. O Desenho torna-se uma ferramenta estruturante e fundamental, de grande valor, permitindo aos artistas do Renascimento recorrem a esta arte para estudar e projectar toda a sua actividade artística:

"Aprender a desenhar em Roma é pois a chave que dá acesso a todas as artes. Quem sabe desenhar bem poderá pretender não somente ser pintor, mas também escultor e arquitecto."540

A arte do Desenho veio portanto a adquirir a sua importância e valorização, apresentando-se ao serviço das artes e da ciência. O período que antecedeu o Renascimento, condicionava o desenho a uma prática restringida ao acto de copiar, cópias que tinham o intuito de se obterem outros exemplares de um mesmo documento. Faziam-se álbuns541 de desenhos que constituíam reportórios de formas e ideias para copiar, assim como as ilustrações das sagradas escrituras, eram ilustradas com o recurso a desenhos com cor.542

No início do Renascimento, alguns artistas destacaram-se pelo seu trabalho inovador, e como exemplo mais significativo pela sua obra de desenho, referimos Antonio Pisanello543 (1395–1455). O artista italiano mostra os primeiros sinais de uma mudança

537

Cf. Leymarie, Jean 1979. History of an Art…, op. cit., p. 33.

538 Cf. idem, ibidem, p. 31. 539

Cf. idem, ibidem, p. 17.

540

Deswarte-Rosa, Sylvie 2011. Aprender a Desenhar em Roma no Século XVI. Facciate Dipinte -

Desenhos do Palácio Milesi, Lisboa, Ministério da Cultura/ Museu Nacional de Arte Antiga, p. 40.

541 Um álbum é um livro encadernado, onde se pode desenhar e pintar temas diversos e apontar

pensamentos. A denominação de álbum também se aplica aos pequenos livros em branco, que os viajantes têm para nele desenharem e escreverem o que mais os marcou. Cf. Rodrigues, Francisco de Assis 1875. Diccionario…, op. cit., p. 27.

542

Cf. Leymarie, Jean 1979. History of an Art…, op. cit., p. 3.

543

Antonio Pisanello foi um pintor e medalhista do início do Renascimento italiano. Sobre Antonio Pisanello, pode consultar-se: Flaten, Arne R. 2004. Pisanello (Antonio di Puccio Pisano) ca. 1395-1455

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perante o entendimento que se tinha do Desenho. Do seu trabalho ficou-nos um

Álbum constituído por desenhos de variados temas: os costumes da época, os modelos

nus, estudos diversos para pinturas, simples estudos para posteriores desenvolvimentos.544 Os temas, iniciados e desenhados por Pisanello, relacionam-se com os novos conceitos da Renascença, baseados numa “[…] reformulação de uma perspectiva de vida, centrada sobre ideias humanistas e sobre a observação da realidade, herdeira da Antiguidade em toda a sua grandeza filosófica e histórica.”545 O Renascimento italiano veio alterar o modo tradicional como o Desenho era entendido, atribuindo-lhe uma nova função, dando-lhe uma nova aplicação.546 Os diferentes estudos, das diferentes áreas, científicas ou artísticas, são ilustrados com base no Desenho, mas acima de tudo, as três grandes artes, a Arquitectura, a Escultura e a Pintura, tinham o Desenho como base estrutural, tudo seria pensado, estudado e projectado através do Desenho.

O artista Giorgio Vasari apresentou no período do Maneirismo a definição do seu entendimento sobre o Desenho, afirmando que esta arte é parente das três artes Arquitectura, Escultura e Pintura. O desenho tem a sua origem no intelecto, considerando tratar-se de uma forma ou ideia que se tem de todos os corpos existentes na natureza, embora seja também uma arte que conhece a proporção de todas as partes e das partes em relação ao todo.547

Adiante veremos como Francisco de Holanda define o Desenho.

Uma definição de desenho surge na publicação Dell´Arte di Vedere Nelle Belle Arti del

Disegno Secondo i Principii di Sulzer e di Mengs, do autor Federigo Foscari, explicando

o valor do Desenho na época no Neoclássico afirmando que o Desenho seria uma arte de dar a cada objeto a sua verdadeira medida e proporção, permitindo a realização de formas com contornos diferentes, para corrigir as atitudes e expressões das figuras em qualquer situação.548

pp. 1292-1294; Pignatti, Teresio 1982. O Desenho…, op. cit.; Pollard, J. G. 1996. Antonio Pisanello. Turner, Jane, The Dictionary of Art, vol. 24, New York, Grove Ed., pp. 861-864; Hill, George F. 1965.

Drawings by Pisanello, New York, Dover Publications.

544

Cf. Pignatti, Teresio 1982. O Desenho…, op. cit., p. 16.

545 Idem, ibidem, p. 16. 546

Cf. Leymarie, Jean 1979. History of an Art…, op. cit., pp. 16-17.

547

Cf. Maclehose, Louisa S. (trad.) 1960. Vasari…, op. cit., p. 205.

548 Cf. Foscari, Federico 1798, Dell Arte di Vedere nelle Belle Arti del Disegno Secondo i Principii di Sulzer e

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Na mesma época, Joaquim Machado de Castro tem um conceito semelhante da arte do Desenho. Define-a como uma arte que é capaz de representar o visível e o que é invisível. Não faz qualquer referência à temática das proporções, dando destaque à capacidade de representar:

“[…] Não ha objecto visível que deixe de poder ser assumpto desta quasi miraculosa Prenda. E he tal o seu poder (ou atrevimento) que se arroja a configurar mesmo objectos invisíveis, e totalmente espirituais, e imaginários como: Anjos, Virtudes, Vicios, &.a”549

No século XIX Francisco de Assis Rodrigues (1760–1829), define no seu Diccionario

Technico e Historico de Pintura, Esculptura, Architectura e Gravura o termo Desenho:

“[…] arte de representar por meio de lápis, da penna ou do pincel, sem côres, todos os objectos naturaes ou artificiaes que se nos offerecem á vista ou á phantasia: arte primitiva, que precedeu á pintura, á esculptura, á architectura e á gravura, que é o fundamento e a base d´ellas, e que por isso se denominam Artes

do desenho.” 550

Uma perspectiva contemporânea do Desenho, permite concluir, dando maior consistência à definição do Desenho, considerando um termo que se refere tanto ao ato de fazer linhas sobre uma superfície como o produto desse trabalho manual. Um desenho é definido menos pelo seu grau de acabamento ou apoio do que pelos seus meios de comunicação e vocabulário formal, caracterizando-se também pela manipulação da linha, forma, valor e textura, com ênfase na linha, mais do que na cor.551

549

Castro, Joaquim Machado de 1937. Dicionário…, op. cit., p. 39.

550

Rodrigues, Francisco de Assis 1875. Diccionario…, op. cit., p. 138.

551 Cf. Jacoby, Beverly Schreiber 1996. Drawing. Turner, Jane. The Dictionary of Art, Vol. 9, New York,

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1.2. Anatomia

O desenho de anatomia tornou-se uma prática constante a partir do Renascimento. As academias e escolas de arte dedicaram-se e implementaram o estudo do corpo humano, dentro de uma perspectiva científica e artística.

A necessidade de estudar o corpo humano, a sua constituição interna, o seu funcionamento e as suas formas, levam artistas e alunos a estudarem nas escolas e academias, a partir de modelos e por vezes a partir de cadáveres.

Durante este processo de estudo, eram produzidos desenhos com rigor, que ilustravam as diferentes fases de estudo do corpo humano,552 constituindo no final uma sequência de desenhos com interesse científico e pedagógico.553

Estes estudos de anatomia, através do desenho, valorizavam socialmente e intelectualmente os artistas, pelo facto de ilustrarem o corpo humano nos seus

552

Cf. Joly, Morwena 2008. La Lesson d´Anatomie: Les Corps des Artistes de la Renaissance au

Romantisme, Paris, Éditions Hazan, p. 39.

553

Cf. idem, ibidem, p. 43.

Fig. 19 Michelangelo Buonarroti

Estudo de Homem Esfolado

in La Lesson d´Anatomie: Les Corps des

Artistes de la Renaissance au Romantisme, p. 81

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manuais e tratados de anatomia, vindo posteriormente a constituir uma fonte de informação sobre o corpo humano. Por estes motivos referidos, o Desenho adquire outro entendimento, começando a ser mais valorizado pela utilidade que lhe é dado pelos artistas, tornando-se uma base de trabalho fundamental para os mesmos.

Os estudos de anatomia que se desenvolvem no Renascimento foram iniciados por Leonardo da Vinci. É de grande valor todo o trabalho que este artista italiano realizou sobre o corpo humano, e que se tornou reconhecido no campo da arte e da ciência, tendo ficado a sua obra em originais dispersos por coleções internacionais. O estudo do corpo humano através do desenho deve-se ao facto de Leonardo da Vinci considerar o Desenho como um método de investigação.554

Uma obra de grande importância para o estudo da anatomia humana foi o livro De

Humanis Corporis Fabrica de Andreas Vesalius (1514-1564).555 Estre tratado de anatomia constituiu uma fonte de informação necessária para o conhecimento da anatomia do corpo humano, quer pelo texto, quer pelo importante conjunto de imagens sobre o corpo humano. Estas imagens foram realizadas segundo desenhos feitos a partir de dissecações do corpo humano.556

A necessidade de estudar a anatomia do corpo humano constituía uma estrutura sólida para mais tarde se saber desenhar a figura humana nua. O grande objectivo era conhecer aprofundadamente a constituição do corpo humano, estudando a sua estrutura óssea e todo o conjunto dos músculos, quer os músculos mais profundos, quer os músculos de superfície. Leonardo da Vinci deu importância à constituição do corpo humano, como ilustram os seus valiosos desenhos, e também à anatomia do movimento.557

O estudo do corpo humano obedecia à passagem por várias etapas, ou níveis de aprendizagem. O desenho do esqueleto era a primeira fase deste método de ensino. Pretendia-se que os alunos soubessem desenhar o esqueleto, para posteriormente

554

Joly, Morwena 2008. La Lesson d´Anatomie…, op. cit., p. 17.

555 Sobre esta obra pode consultar-se Rifkin, Benjamin A. e Ackerman, Michael J. 2006. L´Anatomie

Humaine: Cinq siècles de sciences et d´art. Paris, Éditions de La Martinière, pp. 68-81; Vesalii, Andrea

1997. De Humani Corporis Fabrica – Libri Septem, trad. Avelino Domínguez García e Florentino Fernández Gonzaléz, Ediciones Doce Calles / Ebrisa.

556

Cf. Descargues, Pierre e Binet, Jacques-Louis 1980. Dessins et Traités d´Anatomie. Paris, Ed. Chêne, pp. 26-28.

557 Ver Huard, Pierre 1968. Léonard da vinci: Dessins Anatomiques, Anatomie Artistique Descriptive et

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desenharem o conjunto dos músculos que envolve toda a estrutura óssea. Os diferentes músculos dividiam-se em dois grupos distintos: os músculos mais profundos e os músculos de superfície. E dentro desta divisão, era frequente desenhar primeiro os músculos mais profundos e posteriormente estudar os que se encontram à superfície, permitindo compreender a anatomia humana, no entanto, dava-se sempre maior importância aos músculos de superfície.558

In document Pionerdykkerne iNordsjøen NOU (sider 51-63)