Nesse ponto, procura-se sugerir medidas ou estratégias metodológicas que possam melhorar a interação professor e aluno no contexto ensino e aprendizagem, além de dinâmicas que possam germinar e possibilitar um relacionamento com qualidade. Para tanto, pautou-se em alguns pressupostos de autores renomados como, Piaget (1996), Wallon (1978) e Vygotsky (1997), este último reconhecido como o teórico do ensino como processo social.
Baseando-se no pressuposto de que o ser humano é inconcluso, incompleto e inacabado e necessitam de dimensões diversas como podemos citar a biológica, cognitiva, afetiva e sociocultural, e estas se desenvolvem por meio das inter-relações, é que se entende que devido à relevância dessas dimensões é que várias abordagens de ensino e a aprendizagem eclodiram, algumas teorias abordam a escola, o aluno, o professor e o ensino- aprendizagem de forma diferenciada. Mas todas partem de que o conhecimento também se desenvolve a partir das interações sociais.
A existência de várias teorias, no que diz respeito ao ensino e à aprendizagem podem perfeitamente conviver entre si respeitando e buscando a melhor forma de ensinar. Portanto, utilizar as diversas abordagens de ensino pode ser uma proposta que permita o professor passear nesse universo de contribuições importantes para que os alunos aprendam com estímulo e internalizem com mais facilidade e prazer. Educar é um fenômeno humano, histórico, multidimensional que exige ações educativas que priorize todas as dimensões, tal como a humana, a técnica, a cognitiva, a emocional, a sociopolítica e a cultural. Mesmo que o
professor escolha apenas algumas dimensões e busque enfoques diferentes, o entendimento e seleção prévia das abordagens farão com que o professor ensine com mais segurança e sabendo o que quer de seu aluno, bem como, este aprenderá e realizará atividades com mais êxito.
Aprendizagem na visão piagetiana é um processo construtivo constante. O aluno nessa visão tem a competência de (re) criar e experimentar autonomamente evidenciando o seu autodesenvolvimento. Os erros decorrentes desses experimentos fazem parte da aprendizagem e, portanto, do crescimento educacional.
Em Vygotsky (1989) a aprendizagem é contínua. É um processo social que é mediado pelo outro. O professor é um parceiro, que facilita a troca e compartilha as experiências por meio do signo, diminuindo assim a sensação de isolamento que o aluno sente quando executa qualquer atividade individualmente. Nesse contexto, o aluno torna-se ativo, ou seja, vai buscar a cooperação, a participação, a interação e será ainda encorajado a arriscar e a enfrentar as incertezas que possam vir no mundo da aprendizagem, visto que a aprendizagem se dá por meio do desenvolvimento real (o conhecimento que o aluno já possui), desenvolvimento potencial e mediador (o conhecimento que ainda não é capaz de executar sozinho) e desenvolvimento proximal (e a distância entre o conhecimento prévio e o que vai aprender com ajuda do outro). Então, o erro não demonstra incapacidade, todavia o conteúdo precisa ser estimulado e reforçado.
Na concepção de Vygotsky (1989) é justamente pela convivência que a inteligência se desenvolve, pois, segundo ele, quando o outro se ausenta o homem não pode se autorreconhecer como homem. (REGO, 1995). Partindo-se dessa premissa, pode-se afirmar que a educação é uma ação colaborativa e que o homem é um ser inter-relacional. Logo, desenvolver competências interrelacionais geram mais oportunidade para o aluno dialogar com o conhecimento, refletir sobre ele, compreendê-lo, reconstruí-lo e interligá-lo, porque com essas práticas em sala de aula o aluno se sente mais capaz do que ele imagina.
No ponto de vista de Wallon (1978) a formação cognitiva, afetiva e social é uma necessidade interna e fundamental para a formação integral do indivíduo e é a escola o ambiente propício para que ocorra o desenvolvimento, ou seja, ver o aluno em sua totalidade: cabeça, corpo e emoções. Pensar o aluno como um ser que possui dimensões como a afetividade, (emoção é orgânica e atua no desenvolvimento humano), o movimento, (caráter pedagógico é a organização do espaço), a inteligência (desenvolvimento intelectual dentro de
uma cultura humanística), e a formação do eu como pessoa (aprende a referencia e a negação do outro), e ainda trazê-las para a sala de aula torna-se muito relevante.
A interação entre grupos oportuniza o reconhecimento de si mesmo e do outro. Nestas interações podem vir várias pulsões do consciente e inconsciente que interferem na aceitação do outro como professor, além de emanar sentimentos, emoções e desejos que vão implicar no ensino e, consequentemente, na aprendizagem.
É interessante destacar que na interação professor e aluno, ambos são dispostos frente a frente e é nesse momento que estes irão se autorreconhecer e aceitar a si mesmos, bem como o outro, e por esta razão necessitam ser valorizados mutuamente evitando, assim, resistência à aprendizagem. O professor vai se sentir mais prestigiado e o aluno considerar-se incluso e apto a coadjuvar com o professor e com os outros alunos. E uma boa relação com os seus pares só trará beneficio para todo o grupo. Nessa premissa, assim se posiciona Freire (2005, p.78): “O educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também é educado”.
Pensar o ensino e aprendizagem no âmbito da interação é desenvolver uma educação mais prazerosa e construir um ambiente mais saudável e disponível à troca de experiências que efetivamente serão aprendidas e internalizadas de forma real.
Baseando-se em Freire (2002) quando afirma que ensinar não é transpor conhecimento, mas criar possibilidadesou oportunidades para a sua própria produção ou a sua construção. Assim o professor pode ter um meio através do lúdico de proporcionar essa construção e a produção do conhecimento pelos alunos.
O professor em suas práticas educativas deve permitir e oportunizar um contato mais próximo para que haja progressivamente a independência do outro e ainda garantir um ambiente que colabore com a qualidade do ensino e aprendizagem, pois estes não se constituem em ambiente adverso. Portanto, garantir um ambiente saudável com interação entre professor e aluno e alunos\ alunos são de suma importância.
A prática deve promover atividades diferenciadas que podem até ultrapassar o espaço de sala de aula. Desenvolver atividades que motivem a troca de ideias, dinâmicas de grupos, fóruns, seminários interativos, discussões, trabalhos em grupos, enfim, atividades que o aluno possa se expor no ambiente, isso fará com que ele (aluno) desenvolva autonomia, autoestima, confiança e respeito por si e pelo outro, além de promover a interação e desenvolvimento sociocultural.
A minha concepção a respeito das interações sociais são das melhores possiveis e acho que é atraves da interação que podemos debater os problemas e encontrar soluçoes para os mesmos e isso vai nos dar segurança de que estamos com um professor em que se pode confiar.
O ambiente de aprendizagem é importante, pois é o espaço que flui e concretiza o ensino. Não se está aqui enfatizando o espaço físico, mas uma atmosfera educacional. Esse ambiente deve ser dinâmico e construído, objetivando a organização, a intenção e vontade para que o ensino e aprendizagem aconteçam de forma plena.
O ensino, aprendizagem e o conhecimento são expectativas tanto dos professores quanto dos alunos. Portanto, focalizar o entrosamento de ambos, pode perfazer uma estrada harmoniosa, evidenciando o crescimento e mostrando até o perfil de modo de vida desses alunos. Por conseguinte, a aprendizagem e o conhecimento são de interesse de todos, que consciente ou inconscientemente, participam do processo em busca de um caminho harmônico de convivência e crescimento. Para corroborar com esse pensamento, parafraseia- se Moreira (2007) quando aponta que esse ambiente é preliminarmente preparado para permitir a aprendizagem e que isso se dá a partir da interação entre professor e aluno em contato com outros que podem ser os materiais utilizados para ajudar na promoção do ensino.
Assim sendo, a definição de medidas e estratégias é fundamental, pois viabilizará o comprometimento de todos que interagem nesse processo, fazendo assim com que todos os envolvidos possam se sentir parte importante e integrante dessa construção de conhecimento, evitando que o professor exerça a função única de elaborador da aula.
Convocar os alunos a selecionar os temas, principalmente do mundo deles, pesquisar sobre os mesmos, problematizando-os, conhecendo-os, investigando-os e analisando-os criticamente, buscando soluções de formas variadas.
Sempre observando que o ensino e a aprendizagem no (PROEJA) apresenta especificidades. Esses alunos não são de ensino regular. Foram excluídos do processo educacional por vários motivos. Entretanto desejam e necessitam de uma nova oportunidade de inserção. Eles já apresentam um extenso conhecimento que advém de suas práticas e interações sociais. Um conhecimento de mundo assistemático, mas que é de suma importância para sala de aula. Logo, propõe-se um atendimento diferenciado e direcionado nas práticas educativas nessa modalidade de educação. Aulas que busquem a colaboração de todos e façam surgir ideias, experiências, definições e (re) conceitos de temas já vivenciados por eles, objetivando a reflexão e contribuição acerca do conhecimento que agora será com mais propriedade. Portanto, uma aprendizagem de conhecimento mais sistematizada.
O verdadeiro sentido do (PROEJA) é ensinar a conhecer, fazer, conviver, enfim, ser um cidadão que enfrente as adversidades, que leia o mundo com sua própria criatividade, que solucione problemas inerentes aos tempos modernos. Ou seja, clarear e instigar a sair da posição de passividade e passar para ver a vida com criticidade e criatividade.
Propõe-se um “novo” tipo de professor que ensina com mais inspiração que ver com um olhar de descoberta o que esta ensinando, pelo fato de inovar em sua própria prática aula. Que não seja mais o professor que apenas conta, explica e demonstra os temas a serem aprendidos, mas que inspira e permite o aluno a participar na construção da aula, que integre os conteúdos de forma mais prática, visto que, esse aluno tem experiências vividas que irão ajudar no fazer em sala. Provocar e problematizar os temas para que aluno se sinta saciado ao resolvê-los, utilizar os erros como forma de aprendizado para que o aluno avance no processo ensino-aprendizagem. Que renove as aulas e aprenda a conviver com as incertezas do novo, pois se é humano e imperfeito, mas inteligível e com grande capacidade para descobrir, perceber, conhecer, compreender, assimilar; criticar e compartilhar com o próximo.
Estimular os alunos a serem questionadores e criativos, contribuir para que eles quebrem paradigmas, sejam investigadores. Corroborando para isso, propõe-se a organização dos currículos de forma mais prática e selecione conteúdos de maneira que promovam a ligação com outras disciplinas. Aproximando ciência e tecnologia, mas também com uma percepção e concepção mais humana com fim de formar cidadãos éticos e reflexivos, além da formação técnica.
Um diferente olhar na forma de educar, melhorando a compreensão acerca da educação e no papel do aluno e professor como cidadão. Buscar práticas que desenvolvam a reflexão crítica e o discernimento dos juízos de valor. Abandonar modelos prontos, a divisão de conhecimento, a memorização. Convidar o aluno a investigar para construção do outro e novo conhecimento, isto é aprender a aprender, pensar e intervir na realidade de forma própria.
A interação tem por principio básico a reciprocidade e perpassa em todas as dimensões da sociedade. Com essa afirmativa tenciona-se com essa pesquisa uma educação mais eficaz, apontando o dialogo e afetividade como alternativas para um convívio mais harmonioso no contexto educacional.