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Ao longo do ano letivo, cada criança organiza todo o trabalho desenvolvido num dossiê que a acompanhará até à transição para o ano subsequente.

Deste modo, e fundamental perceber-se que este documento é construído no dia a dia da criança, na sala de atividade e com a orientação da Educadora que a acompanha. Na verdade, o início do ano é pautado pela organização da capa com o autorretrato da criança e uma página introdutória com o registo gráfico de escolha livre. Tais elementos servirão para que a criança construa e reflita acerca do seu trabalho.

A dinâmica da construção deste documento é orientada pela Educadora em comum com as crianças. Logo, no início do dia, em grande grupo, após o acolhimento, as crianças dirigem-se para as mesas de trabalho e em pequenos grupos são incitados a redigirem o nome completo, a localidade e a data. Sequencialmente, a Educadora interage com as crianças no sentido de as motivar a responder à questão que servirá de base para o sumário do dia “O que vamos fazer hoje?”. Perante a interrogação, as crianças debatem o trabalho a desenvolver, nomeadamente “escrever”, “desenhar” e “brincar”. É importante salientar que, embora a planificação da Educadora esteja previamente elaborada, todo o trabalho a desenvolver vai de encontro às necessidades e aos interesses das crianças, todavia as mesmas já estão familiarizadas com a rotina de trabalho diária. Assim, a componente da escrita é concluída com a redação de uma frase inventada por cada criança ou pelo grupo. Esta frase será escrita no quadro da sala e copiada por cada criança, fazendo, de seguida, a representação icónica da mesma (Figura 1).

A intencionalidade deste trabalho pressupõe que a criança se familiarize com a escrita e o ritmo de trabalho, visto que a introdução às frases do método “Ensinar é Investigar” deverão decorrer a partir do final do mês de setembro.

No final de cada período, é feita uma avaliação qualitativa de modo a aferir a aquisição de conteúdos de cada criança, com a realização de uma ficha escrita de Figura 1 – Redação de uma frase inventada por cada criança ou pelo grupo.

avaliação. Também neste momento são realizadas atividades alusivas à época natalícia. Todos estes elementos constam do dossiê individual da criança (Figura 4).

No início do segundo período, as frases tornam-se mais complexas e as crianças desenvolvem maior autonomia, quer na escrita, quer na leitura, pois, através do quadro silábico que foram construindo na sala de atividades, a consolidação de conteúdos é realçada por cada uma. Aqui, o método “Ensinar é Investigar” torna-se mais presente, pois as crianças refletem entusiasmo na descoberta de palavras novas e na construção de novas frases, utilizando os vocábulos aprendidos e apreendidos, tendo contribuído, para tal evolução, a oralidade e análise constantes em sala.

As crianças vão progredindo à medida a que o ano letivo decorre, sabendo que estas competências do domínio da Linguagem Oral e Abordagem à Escrita são cruciais para o seu desenvolvimento. Porém, a prática pedagógica pressupõe, ainda, o Figura 2 – Trabalhos realizados pelas crianças (5anos).

desenvolvimento de atividades do domínio da Matemática, refletindo-se estas também no dossiê individual do aluno (Figura 4).

A representação icónica das frases é também um procedimento fundamental na aquisição dos conteúdos, por conseguinte cada página do dossiê é ilustrada de acordo com a frase estudada.

Figura 4 – Desenvolvimento de atividades do domínio da Matemática. se escolhe o local, se marca a entrevista e se esboçam os primeiros

No término do ano letivo, cada criança deverá ter o seu dossiê completo com os registos dos trabalhos realizados, finalizando o seu documento com uma representação gráfica da festa de finalistas da qual fez parte (Figura 6).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O crescente reconhecimento da importância que assume a motivação educacional na relação educadora-criança conduz à necessidade de alterações curriculares, tomada de consciência e de um conhecimento efetivo por parte daqueles que veiculam o processo de ensino-aprendizagem.

A introdução da prática pedagógica com vista à inovação curricular altera a representação conservadora que sustem o sistema de ensino tradicional no âmbito da Educação Pré-Escolar. Para trás fica a figura da educadora construída segundo uma imagem de alguém que cuida e brinca que, a todo o momento, se mostra aos encarregados de educação numa perspetiva cuja principal função é assumir o papel de progenitor na sua ausência. A figuração construída segundo a ideologia de Ensino Pré- Escolar ajudou bastante na formação da imagem da educadora como uma espécie de cuidadora, isto é, alguém com dotes e dons excecionais sem que necessitasse de cumprir qualquer processo de planificação pedagógica e curricular que orientasse o desenvolvimento da sua prática. Mas essa figuração fazia parte mais do imaginário da sociedade e menos das suas competências profissionais, nomeadamente, na arte de ensinar as mais diversas áreas. Atualmente, perceber o trabalho intrínseco da educadora é, também, estar inserido no meio em que a mesma se move, é uma preocupação que o Encarregado de Educação não descuida, facto corroborado através da publicação do Decreto-Lei n.º 241/2001, de 30 de Agosto, cujo perfil do Educador de Infância tem por “ base a dimensão de desenvolvimento do ensino e da aprendizagem”, sendo que “A formação do educador de infância pode, igualmente, capacitar para o desenvolvimento de outras funções educativas” (2001, p.3).

Assim, à educadora é exigida uma postura assertiva, direccionada e flexível, objetivada, mas, ao mesmo tempo, de partilha. Há vários propósitos na sua forma de explorar conhecimentos, que se regem pelas OCEPE e através das quais se fundamenta o trabalho prático diário. Sequencialmente, cabe à Educadora de Infância objetivar a sua intervenção profissional, exigindo-se que reflita sobre as conceções e os valores subjacentes às finalidades da sua prática, o papel profissional, a imagem de criança, o que valoriza nas crianças, o que sabem e o que fazem e no modo como aprendem. Esta intencionalidade permite atribuir sentido à sua ação. Ter um propósito,

saber o porquê do que faz e o que pretende alcançar. Logo, na rotina diária existem momentos que são dedicados e planificados pela educadora (atividades de pequeno e grande grupo) e momentos da iniciativa das crianças (planear, fazer e rever):

 No Tempo de Acolhimento, é o período das boas-vindas, as crianças partilham experiências pessoais e conversa-se sobre os planos para o dia: quais as atividades que se vão desenvolver e a estruturação do trabalho e tarefas diárias;

 O Tempo de Pequeno Grupo é destinado à exploração de materiais e à resolução de problemas numa atividade planificada com um objetivo particular, mediante as necessidades e interesses individuais e de grupo. As crianças são encorajadas a fazer escolhas, a tomar decisões e a colaborar com pequenos grupos de colegas;

 No Tempo de Grande Grupo organizam-se atividades música e movimento, jogos de linguagem e dramatizações de histórias e acontecimentos. É um momento privilegiado para o desenvolvimento de competências no domínio da linguagem;

 A Hora do Conto é inteiramente dedicada às histórias e tem como objetivo promover o gosto pela leitura e saber ouvir, desenvolvendo competências estruturantes para a linguagem oral e escrita;

 No Tempo de Planear, Fazer e Rever cada criança decide o que vai fazer e partilha as ideias com o grupo. Executa o seu plano de trabalho e, posteriormente, partilha e discute aquilo que fez.

Tais procedimentos leva o Encarregado de Educação a valorizar a Educadora pelo tempo de dedicação à sua criança, por isso que na sala de atividades se estabelece uma compreensão mútua que, em momento algum, é questionada pelos pais.

Através da metodologia “Ensinar é Investigar”, os pais conhecem e valorizam o processo de inovação curricular implementado na Escola privada em estudo. Todavia, e tal como abordado ao longo da dissertação, no Capítulo IV, torna-se pertinente aferir que esta metodologia apresenta-se ambígua numa primeira abordagem, uma vez que não é comummente aceite a inovação sem que esteja previamente comprovado o seu sucesso. Tradicionalmente, a apreensão torna-se evidente por se tratar de uma mudança no processo de ensino-aprendizagem, sendo que o papel da Educadora deve veicular o progresso das competências que cada

criança adquire. Porém, a reticência inicial por parte dos Encarregados de Educação atenua-se no momento em que percebem que a Educadora de Infância se identifica, mostrando conhecimento da metodologia e flexibilidade na implementação da prática pedagógica. Todo o trabalho prévio é minuciosamente planificado, ainda que possam surgir alterações de acordo com o ritmo e com a motivação do grupo das crianças. O método pedagógico “Ensinar é Investigar”, é desenvolvido nos grupos etários de cinco anos. Contudo, a consecução deste modelo é possível pela existência de um plano de intervenção educativa devidamente estruturado e articulado com os grupos etários dos anos anteriores. A abordagem do método é planificada e desenvolvida com o acompanhamento e a monitorização de dois professores do primeiro ciclo, em reuniões semanais de articulação e de reflexão dialógica.

Efetivamente, o presente estudo mostra que existe a possibilidade de inovação curricular no processo de ensino-aprendizagem e que o mesmo se torna exequível, desde que esta se manifeste através da descoberta e haja espontaneidade no desenvolvimento das experiências válidas. Este método de caráter construtivo e dialético, de descoberta e investigação, leva a criança à construção do seu próprio conhecimento pelo que esta, ao ser orientada num processo de exploração de experiências, vai desenvolvendo naturalmente um percurso de aprendizagem emergente da leitura e escrita. Assim, partindo de jogos, lengalengas, cantilenas e histórias, as crianças são levadas a refletir sobre as vivências e a sistematizá-las, de um modo intencional e orientado, resultando deste processo uma abordagem integradora, integral e plena do desenvolvimento da linguagem oral e abordagem à escrita, da matemática, do conhecimento do mundo e do domínio das expressões.

Após análise dos resultados, é perceptível que o envolvimento das crianças nas atividades propostas torna-se a fundamento de todo o carácter motivacional das aprendizagens que cada criança adquire na respectiva faixa etária. Assim, acreditamos que a metodologia “Ensinar é Investigar” é responsável pela aquisição de novos conteúdos, contribuindo para que o trabalho previamente desenvolvido possa ter continuidade nos anos subsequentes.

Segundo a bibliografia consultada, os nossos resultados vão globalmente ao encontro do esperado. No entanto, destaca-se uma situação pontual mais relevante, que pode ser explicada pelo facto de os Encarregados de Educação se sentirem

expectantes, numa fase primária, porém, após perceção do desenvolvimento de todo o processo, reconhecem, no mesmo, a informalidade da prática pedagógica, processada através de uma componente lúdica.

Para finalizar este estudo, compreendemos que o mesmo poderia ser complementado com a aplicação de questionários a alguns atores da Escola privada do concelho de Braga, por exemplo, os Coordenadores de Departamento curricular ou aos Encarregados de Educação, considerados como “informantes privilegiados”, que nos ajudariam enriquecer esta pesquisa. Assim, a presente investigação não esgota todas as possibilidades de pesquisa em função desta problemática. Outras serão possíveis aplicando, eventualmente, o mesmo modelo noutro contexto, ou aprofundando a análise através do recurso à triangulação de informação obtida por outras técnicas de recolha e análise de dados.

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