4. PLANSTATUS
4.1 Overordnede føringer og gjeldende planstatus
Todo esse itinerário acerca da organização temática da RH completa-se com o exame da produção historiográfica impressa em suas páginas. Como bem sublinhamos anteriormente, essa avaliação possibilitará constituir uma primeira caracterização das culturas historiográficas presentes nessa revista. Sem dúvida, essa abordagem analítica permite delinear, de forma mais nítida, o lugar que a historiografia dos Annales ocupou nesse periódico especializado. Assim, com o intuito de responder a essa expectativa, sistematizamos em uma tabela as diversas temáticas que foram abordadas no âmbito do conhecimento histórico mais especificamente. Tal procedimento, que se apoiou na apreciação feita em torno das publicações, viabilizou a classificação desses trabalhos de cunho historiográfico em oito
103 SCHADEN, Egon. O estudo do índio brasileiro – Ontem e hoje. In: Revista de História, ano III, vol. V, n° 12. São Paulo, 1952, p. 385-402; _______. Os primitivos habitantes do território paulista. In: Revista de História, ano V, vol. VIII, n° 18. São Paulo, 1954, p. 385-406; _______. O problema indígena. In: Revista de História, ano XI, vol. XX, n° 42. São Paulo, 1960, p. 455-460; FERNANDES, Florestan. Considerações sobre um comentário à ocorrência de termos tupis em “A organização social dos tupinambá”. In: Revista de História, ano I, vol. I, n° 2. São Paulo, 1950, p. 253-258.
104 FIGUEIREDO, Nuno Fidelino de. O estudo da conjuntura econômica (Notas históricas e metodológicas). In:
Revista de História, ano IV, vol. VI, n° 13. São Paulo, 1953, p. 157-180; HUGON, Paul. Doutrinas econômicas e
História econômica. In: Revista de História, ano VIII, vol. XV, n° 32. São Paulo, 1957, p. 261-274. É importante ressaltarmos que este último colaborador também integrou a Missão Francesa responsável por ajudar a fundar a
FFCL-USP. O professor Hugon, que chegou ao Brasil durante o ano de 1939, permaneceu entre os paulistas até
o ano de 1971. Ao longo desses mais de trinta anos, o mesmo esteve à frente da cadeira de Economia Política e História das Doutrinas Econômicas, onde contribuiu não apenas na formação de jovens discípulos, mas também para a fundação da Faculdade de Ciências Econômicas da USP (PINHO, 1994, p. 326).
diferentes campos: História do Brasil (25,3%), História Geral (18,37%), História da América (17,77%) Teoria e Metodologia da História (16,57%), Crítica Historiográfica e Documental (9,94%), Arrolamentos e Inventários de Documentos (3,31%), Ensino de História (2,11%) e
Diversos (6,63%) (Tabela 9). Para obtermos esses dados, classificamos essas colaborações
dos autores de acordo com critérios que levaram em consideração os temas, as temporalidades e as características ou as formas dessas publicações situadas no campo do conhecimento histórico.
TABELA 9
REVISTA DE HISTÓRIA (1950-1960)
DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHOS NA ÁREA DE HISTÓRIA
Publicações com temas na área de História
Freqüência %
História do Brasil 84 25,3
História Geral 61 18,37
História da América 59 17,77
Teoria e Metodologia da História 55 16,57
Crítica Historiográfica e Documental 33 9,94
Arrolamentos e Inventários de Documentos 11 3,31 Ensino de História 7 2,11 Diversos 22 6,63 Total 332 100
Fonte: Revista de História
Como os dados relativos à história geral e do Brasil serão tratados mais detalhadamente adiante, voltaremos nossas atenções para os trabalhos situados no campo da
História da América, que obteve um número até razoável de publicações. Esse índice de
colaborações explica-se, no momento em que examinamos, brevemente, os autores e os conteúdos discutidos, em cada um dos textos catalogados nesse segmento. Observando tais aspectos, podemos constatar que as publicações nessa área do conhecimento histórico relacionam-se, diretamente, com uma série de controvérsias calorosas que ocuparam as páginas da RH durante toda a sua primeira década de circulação. Essas polêmicas que, na grande maioria dos casos, giraram em torno das mais diversas questões relacionadas ao navegador Américo Vespúcio, envolveram diferentes colaboradores. Muitos desses eram historiadores americanistas, nascidos nos mais distintos países e especialistas nesse assunto.
Os principais dentre esses foram o brasileiro Thomaz O. M. de Souza, o italiano Giuseppe Caraci e o argentino Roberto Levillier, responsáveis por publicarem o maior número de colaborações acerca dessa contenda105.
Dentro desse mesmo segmento, destacaram-se, também, pela quantidade de artigos publicados, autores como o português Alexandre G. da Naia, que ofereceu contribuições sobre assuntos relacionados ao navegador Cristovão Colombo, assim como sobre outros temas de interesse para a história da América106. Ainda nesse domínio, não podemos deixar de ressaltar os trabalhos apresentados por colaboradores franceses como Marie Helmer, Gabriel Debien e Marcel Bataillon, que se propuseram a discutir os mais diversos temas concernentes à história do nosso continente107. Confrontando o nome destes últimos, com a lista dos integrantes da missão francesa, pudemos perceber que apenas M. Bataillon lecionou na
FFCL-USP, na condição de professor visitante, durante o ano de 1953. Sem dúvida, tanto a
sua colaboração quanto a dos demais franceses não deixam de ser mais um indicativo da forte presença que a cultura historiográfica francesa manifestou em relação à revista e ao meio cultural paulista.
Em relação às publicações que contemplaram as dimensões teóricas e metodológicas
da história, devemos destacar, inicialmente, a grande diversidade de temas e abordagens
contempladas pelos colaboradores, que se dedicaram a estudar não apenas os aspectos teóricos e metodológicos, mas também se empenharam na elaboração de estudos historiográficos. Estes últimos, por sua vez, caracterizaram-se pelo fato de tratar diferentes temáticas, a partir de análises preocupadas em discutir um autor, um conjunto de obras
105
Diante da impossibilidade de citarmos todos os trabalhos apresentados por esses autores, resolvemos indicar somente algumas referências com o intuito de ilustrar os nossos apontamentos: SOUZA, Thomaz Oscar Marcondes de. A propósito de Americo Vespucci. In: Revista de História, ano IV, vol. VI, n° 14. São Paulo, 1953, p. 481-482; ______. Amerigo Vespucci e a prioridade do descobrimento do Brasil. In: Revista de História, ano V, vol. VIII, N° 18. São Paulo, 1954, p. 253-272; CARACI, Giuseppe. A propósito de Américo Vespucci. In: Revista de História, ano III, vol. V, n° 11. São Paulo, 1952, p. 189-194; ______. Amerigo Vespucci e um moderno crítico argentino. In: Revista de História, ano III, vol. V, n° 12. São Paulo, 1952, p. 311-352; LEVILLIER, Roberto. A propósito de Vespúcio. Crítica ou sabotagem? In: Revista de História, ano IV, vol. VII, n° 16. São Paulo, 1953, p. 383-426; _________. Mundus Novus. A carta de Vespúcio que revolucionou a Geografia. In: Revista de História, ano IX, vol. XVI, n° 33. São Paulo, 1958, p. 103-148.
106 NAIA, Alexandre Gaspar da. As concepções geográficas de Cristóbal Colon. In: Revista de História, ano V, vol. IX, n° 19. São Paulo, 1954, p. 201-210; _____. A gênese do equívoco colombiano. Um Colombo “corsário” e um Colombo “lanério”. In: Revista de História, ano V, vol. IX, n° 20. São Paulo, 1954, p. 351-370; _____. Os filhos de Cristóbal Colon perante os mistificadores colombianos. In: Revista de História, ano VIII, vol. XV, n° 31. São Paulo, 1957, p. 61-78; _____. Quem foi o primeiro descobridor do Rio da Prata e da Argentina? Interpretação e correção de fatos e documentos. In: Revista de História, ano XI, vol. XX, n° 41. São Paulo, 1960, p. 65-84.
107 HELMER, Marie. Comércio e contrabando entre Bahia e Potosi no século XVI. In: Revista de História, ano IV, vol. VII, n° 15. São Paulo, 1953, p. 195-212; DEBIEN, Gabriel. As grandes plantações de São Domingos nos últimos anos do século XVIII. In: Revista de História, ano VI, vol. XI, n° 23. São Paulo, 1955, p. 135-162; BATAILLON, Marcel. Novo Mundo e fim do mundo. In: Revista de História, ano V, vol. VIII, n° 18. São Paulo, 1954, p. 343-352.
historiográficas, ou mesmo um determinado aspecto característico de uma obra ou da história da historiografia. Dentre as colaborações que centraram as suas observações em torno da vida e da obra dos historiadores, encontram-se as discussões elaboradas por Rosendo S. Garcia, Mafalda P. Zemella e Virgilio C. Filho108. O historiador carioca Hélio Viana também contribuiu para esses debates quando publicou um artigo comentando o Tratado da Terra do Brasil, de Pero de Magalhães Gandavo109. Dentro dessa mesma linha de estudos historiográficos, inserem-se os trabalhos apresentados por José H. Rodrigues e Cephas R. Siqueira, que buscaram para examinar determinadas facetas da obra de historiadores como Capistrano de Abreu, Afonso Taunay, Jaspers e Toynbee110.
Todas essas discussões historiográficas foram, ainda, seguidas de uma série de publicações que abordaram seus respectivos temas a partir do enfoque da história da
historiografia. Nesse contexto, as colaborações que privilegiaram analisar a história geral da
historiografia, não deixaram de ser consideradas por autores como Tito L. Ferreira e José Van Den Besselaar. Em seus trabalhos, ambos oferecem uma visão ampla da historiografia ocidental, que é discutida, sobretudo, sob a ótica européia. Dentro dessa orientação, os autores e as obras clássicas foram discutidos, a partir de um recorte temporal que considerava a escrita da história da antiguidade até os tempos contemporâneos. Naturalmente, a reflexão em torno desse tema possibilitou abrir o debate para as questões teóricas e metodológicas, dimensões fundamentais que não podem ser desconsiderados em nenhum estudo de história da historiografia111.
No interior desse mesmo campo, porém, sob um ângulo diferente, colaboraram ainda diversos autores. Todos eles não deixaram de apresentar textos sobre assuntos específicos, que tinham por objetivo discutir determinados aspectos relacionados à historiografia de países como Itália, Brasil e Portugal. Assim, enquanto Francisco Isoldi se preocupou com as
108 GARCIA, Rosendo Sampaio. José Toríbio Medina, o historiador da América. In: Revista de História, ano IV, vol. VI, n° 13. São Paulo, 1953, p. 223-231; ZEMELLA, Mafalda P. Capistrano de Abreu, o historiador e o homem. In: Revista de História, ano V, vol.VIII, n° 17. São Paulo, 1954, p. 3-16; CORRÊA FILHO, Virgílio. João Lúcio de Azevedo. Historiador luso-brasileiro. In: Revista de História, ano VI, vol. XI, n° 24. São Paulo, 1955, p. 425-432.
109 VIANA, Hélio. A primeira versão do “Tratado da Terra do Brasil”, de Pero de Magalhães Gandavo. In:
Revista de História, ano IV, vol. VII, n° 15. São Paulo, 1953, p. 89-96.
110
RODRIGUES, José Honório. Novas cartas de Capistrano de Abreu. In: Revista de História, ano VIII, vol. XV, n° 31. São Paulo, 1957, p. 79-92; RODRIGUES, José Honório. Afonso Taunay e o revisionismo histórico. In: Revista de História, ano IX, vol. XVII, n° 35. São Paulo, 1958, p. 97-106; SIQUEIRA, Cephas R. A dogmática cristã e a continuidade da História em Jaspers e Toynbee. In: Revista de História, ano IX, vol. XVII, n° 36. São Paulo, 1958, p. 393-404.
111 FERREIRA, Tito Lívio. Historiografia e Senso Histórico. In: Revista de História, ano II, vol. III, n° 7. São Paulo, 1951, p. 3-14; BESSELAAR, José Van Den. Introdução aos estudos históricos. In: Revista de História, ano V, VI, VII, VIII, IX, vol. IX, X, XI, XII, XIII, XIV, XV, XVII, n° 20, 21-22, 23, 24, 26, 27, 28, 29, 31, 35. São Paulo, 1954, 1955, 1956, 1957, 1958, p. 407-494, p. 439-536, p. 185-240, p. 499-534, p. 491-528, p. 183- 228, p. 413-510, p. 121-220, p. 135-228, p. 149-238.
sociedades e institutos históricos italianos, Astrogildo R. de Mello e Pedro M. Campos avaliaram os estudos históricos elaborados no Brasil112. Da mesma forma, os portugueses Fidelino de Figueiredo e Vitorino de M. Godinho ofereceram, também, trabalhos que expunham uma série de formulações concernentes à historiografia portuguesa113. Em relação a todos esses trabalhos, parece-nos preciso mencionar o lugar que os autores brasileiros reservaram, no âmbito da historiografia brasileira, para a FFCL-USP e a RH. De acordo com os seus respectivos pontos de vista, o suporte impresso e a instituição referida tiveram um papel importantíssimo na renovação da historiografia em nosso país.
Mello (1951, p. 386-387), por exemplo, não tem dúvidas em colocar a revista e a Faculdade entre os periódicos e as instituições culturais responsáveis por reorientar os estudos históricos no Brasil. Já Campos (1954, p. 495-497), além de destacar esses mesmos apontamentos, ressaltou a contribuição que os professores E. Coornaert, F. Braudel e J. Gagé ofereceram para o desenvolvimento de uma moderna produção historiográfica brasileira. Sem dúvida, essa tendência em acentuar a importância desses aspectos para a historiografia nacional pode ser compreendida quando atentamos para o fato de que ambos os historiadores não apenas formaram-se em meio às primeiras turmas da USP, mas também ocuparam lugar entre os membros da comissão de redação da revista (Apêndice C). Essas articulações, a bem da verdade, demonstram o quanto a RH reservou um espaço para discursar sobre si, bem como sobre a instituição à qual se encontrava vinculada. Inegavelmente, tal constatação não pode deixar de ser vista como mais um indicio, que nos permite precisar novamente o lugar social dessa publicação.
No que se refere às discussões de teoria, a primeira coisa sobre a qual devemos chamar atenção, diz respeito ao lugar de destaque ocupado pela historiografia dos Annales em meio a esses debates. Como bem podemos perceber, analisando os trabalhos preocupados com essa dimensão, as principais formulações teóricas e metodológicas expressas por aquele movimento foram veiculadas diretamente por L. Febvre e F. Braudel, historiadores que exerciam um papel de liderança dentro do grupo dos Annales. Em suas respectivas publicações, ambos os autores prescreveram alguns dos principais ensinamentos que alicerçam essa concepção historiográfica. Nessas condições, a história-problema, a
112 ISOLDI, Francisco. As Sociedades Históricas na Itália. In: Revista de História, ano I, vol. I, n° 4. São Paulo, 1950, p. 547-550; MELLO, Astrogildo Rodrigues de. Os Estudos Históricos no Brasil. In: Revista de História, ano II, vol. II, n° 6. São Paulo, 1951, p. 381-390; CAMPOS, Pedro Moacyr. O estudo da História na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. In: Revista de História, ano V, vol. VIII, n° 18. São Paulo, 1954, p. 491-504.
113 FIGUEIREDO, Fidelino de. Historiografia portuguesa do século XX. In: Revista de História, ano V, vol. IX, n° 20. São Paulo, 1954, p. 333-350; GODINHO, Vitorino de Magalhães. A historiografia portuguesa: Orientações, Problemas, Perspectiva. In: Revista de História, ano VI, vol. X, n° 21-22. São Paulo, 1955, p. 3-22.
interdisciplinaridade e a dialética presente-passado/ passado-presente – proposições fundamentais dentro do programa definido pelos Annales – foram difundidas com o intuito de criticar a historiografia metódica tradicional, conhecida por centrar suas análises no factual e na figura dos grandes homens. Como veremos de forma mais acurada em outro momento do capítulo, esses importantes colaboradores franceses imprimiram outras orientações teóricas e metodológicas relevantes ao longo dos seus trabalhos. L. Febvre, por exemplo, chamou atenção para as pesquisas em grupo, enquanto Braudel fez interessantes apontamentos acerca da história total e da longa duração114.
Todavia, todos esses preceitos estabelecidos pelos dois mestres franceses também foram veiculados por outros colaboradores empenhados em discutir as mais diversas questões teóricas concernentes ao conhecimento histórico. Embora tenha sido considerada nos trabalhos elaborados por Vitorino de M. Godinho e José Van Den Besselaar115, a perspectiva historiográfica dos Annales foi, na verdade, bastante difundida na publicação apresentada por Eduardo d’Oliveira França. Em suas reflexões sobre a função cultural da história116, tal comentador não apenas expõe, mas também comunga com as mesmas proposições teóricas e metodológicas explicitadas pelo movimento annaliste. Os mesmos postulados disseminados nas colaborações de L. Febvre e F. Braudel foram retomados por esse historiador uspiano, que se apoiou nessas formulações para definir o seu posicionamento teórico e criticar a historiografia metódica tradicional. É importante salientarmos, ainda, que os conteúdos referentes à historiografia dos Annales apareceram em outras duas publicações, impressas em 1956, por F. Braudel e Eurípedes S. de Paula, pouco tempo depois da morte de L. Febvre. Ambos os trabalhos – que não tratavam, especificamente, de aspectos teóricos, pois se aproximavam bastante dos formatos de obituários ou necrologias – ofereceram uma série de informações historiográficas interessantes acerca da vida e da obra do fundador dos
Annales117.
114 BRAUDEL, Fernand. As responsabilidades da História. In: Revista de História, ano III, vol. IV, n° 10. São Paulo, 1952, p. 257-274; FEBVRE, Lucien. François Simiand. Da teoria à realidade econômica. In: Revista de
História, ano IV, vol. VI, n° 14. São Paulo, 1953, p. 393-406; ______. A vida das palavras e a História. In: Revista de História, ano IV, vol. VII, n° 15. São Paulo, 1953, p. 133-138; BRAUDEL, Fernand. Por uma
economia histórica. In: Revista de História, ano IV, vol. VII, n° 16. São Paulo, 1953, p. 343-350. Ambos os trabalhos de Febvre foram publicados, originalmente, na revista dos Annales, em 1930. As publicações de Braudel, por sua vez, são fruto de uma conferência, pronunciada na FFCL-USP (Responsabilidades da História) e de um artigo (Por uma economia histórica), impresso, originalmente, na Revue Économique, em 1950.
115
GODINHO, Vitorino de Magalhães. Op. Cit., nota 113; BESSELAAR, José Van Den. Op. Cit., nota 108. 116 FRANÇA, Eduardo d’Oliveira. Considerações sobre a função cultural da História. In: Revista de História, ano II, vol. III, n° 8. São Paulo, 1951, p. 253-270.
117 BRAUDEL, Fernand. Lucien Febvre (1878-1956). In: Revista de História, ano VII, vol. XIII, n° 28. São Paulo, 1956, p. 409-410; PAULA, Eurípedes Simões de. Lucien Febvre (1878-1956). In: Revista de História, ano VII, vol. XIII, n° 28. São Paulo, 1956, p. 411-412.
Contudo, pudemos observar que nem todos os colaboradores alinharam-se ou difundiram as concepções teóricas dos Annales. Esse é o caso, por exemplo, do professor Alfredo E. Júnior que, em sua publicação, afirma não ter “a menor dúvida que a história é ciência, pois tem leis, se repete e é exata nas relações de causa e efeito” (ELLIS JÚNIOR, 1952, p. 349). Para ilustrar sua postura cientificista, o autor utiliza um conjunto de fatos históricos, que são lidos com o intuito de demonstrar a validade dessa concepção historiográfica. Não é difícil deduzir que esse posicionamento teórico – fruto da crença na possibilidade de extrair, dos fatos históricos, leis com a precisão da matemática e a exatidão da química – aproximou-se mais das orientações expressas pela historiografia tradicional, e menos do ponto de vista renovador definido pelo programa dos Annales118. Todas essas discussões teóricas, por sua vez, foram complementadas, também, pelos trabalhos de Pedro M. Campos, que se preocupou em analisar a noção de história presente nas obras de escritores como Schiller e Hermann Hesse119.
Finalmente, concluiremos a avaliação acerca desses dados, comentando os textos que se preocuparam com a dimensão metodológica do conhecimento histórico. De antemão, é possível dizermos que, praticamente, todas essas publicações foram impressas na sessão intitulada Questões Pedagógicas. A única exceção, em relação a essa distribuição, foi a colaboração expressa por Francisco Isoldi, que, em suas reflexões sobre a epigrafia, orientou os leitores acerca do estudo das inscrições antigas forjadas em matérias resistentes, tais como pedra, metal, argila ou qualquer outro tipo de material dessa natureza120. As demais discussões, elaboradas por Enrico Schaeffer e Álvaro da V. Coimbra, foram estampadas nessa sessão reservada para debater os temas ligados ao ensino, sobretudo, ao ensino de história. Assim, enquanto Schaeffer tratou de oferecer importantes noções sobre genealogia, Coimbra contribuiu com interessantes lições sobre a numismática121. Esse último trabalho, particularmente, originou-se de uma série de cursos ministrados para os alunos de história da
118 ELLIS JÚNIOR, Alfredo. História Ciência. In: Revista de História, ano III, vol. IV, n° 10. São Paulo, 1952, p. 349-378.
119 CAMPOS, Pedro Moacyr. Schiller e a História. In: Revista de História, ano VIII, vol. XV, n° 32. São Paulo, 1957, p. 397-408; ______. Hermann Hesse e a História. In: Revista de História, ano IX, vol. XVII, n° 36. São Paulo, 1958, p. 289-312.
120
ISOLDI, Francisco. A epigrafia. Síntese geral. In: Revista de História, ano III, vol. IV, n° 9. São Paulo, 1952, p. 89-106.
121 SCHAEFFER, Enrico. Noções de Genealogia Científica. In: Revista de História, ano XI, vol. XXI, n° 44. São Paulo, 1960, p. 487-514; COIMBRA, Álvaro da Veiga. Noções sobre Numismática. In: Revista de História, ano VII, VIII, vol. XII, XIII, XIV, XV, n° 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32. São Paulo, 1956, 1957, p. 241-276, p. 529- 550, p. 229-266, p. 511-532, p. 221-276, p. 449-534, p. 229-254, p. 491-538; _______. Noções de Numismática Ibérica. In: Revista de História, ano IX, vol. XVI, XVII, n° 33, 34, 35, 36. São Paulo, 1958, p. 223-248, p. 449- 504, p. 239-276, p. 515-591; _______. Noções de Numismática Brasileira. In: Revista de História, ano X, vol. XVIII, XIX, n° 37, 38, 39, 40. São Paulo, 1959, p. 201-242, p. 445-480, p. 215-272, p. 509-548.
FFCL-USP. Examinando a nota de rodapé responsável por abrir todas essas publicações de
Coimbra, é possível constatar que o diretor da RH imprimiu essa volumosa colaboração por dois motivos: primeiro, pelo seu ineditismo no Brasil, segundo, pelo fato de ser de “grande interesse para o conhecimento dos nossos alunos” (PAULA, 1956, p. 241) 122.
Passando para os trabalhos classificados como críticas historiográficas e documentais, devemos chamar atenção, inicialmente, para a diversidade dos assuntos tratados. Grande parte dos livros e documentos submetidos à crítica abordou temas e conteúdos variados, relacionados tanto com a história geral quanto com a história do Brasil. A história e a historiografia do continente americano, por exemplo, foi avaliada, até com certa freqüência, nas críticas historiográficas elaboradas por colaboradores como Roberto Levillier e Giuseppe