Neste texto é possível verificar duas oposições, a relevância e a irrelevância dos acontecimentos e o progresso e a miséria. A imprensa, nesta matéria busca um objetivo, o suicídio indígena, o valor conhecido, estando a mídia em disjunção com o objeto de valor, sob o risco de serem sancionados negativamente pelo manipulador destinador – sociedade.
Pode se ter um percurso gerativo – “O Progresso” – busca o objeto – suicídio indígena – a fim de adquirir um valor – informação – ou até o sujeito indígena que busca um objeto modal – suicídio – com o intuito de alcançar os valores de ação para mudar a história indígena.
Um sujeito que age pelo dever de saber, afim de adquirir a competência do fazer, pois acredita ter o poder e o saber para fazer. Uma tentativa de enaltecer o jornal “O Progresso”, pois o mesmo já tem feito isso a algum tempo, reforçado pela foto antiga, “O Brasil virou, finalmente, ás vistas para aquilo que este diário sempre alertou”. A foto mostra um índio que praticou suicídio numa mata a poucos quilômetros de Dourados, com o argumento sancionamento positivo em relação ao jornal. Dessa forma, as letras finas em negrito indicam a noticia que em “O Progresso” foi bastante discutida a ponte de se cansar, não estando mais em uma relação de tensão.
Quanto a esta ação de abordar o conteúdo suicídio - questão indígena – o sujeito destinador acaba sancionando positivamente o jornal “O Progresso” por querer fazer e ter tido o poder para fazer a discussão temática.
O sujeito destinador procura manipular o sujeito imprensa por meio da intimidação e da provocação, deixando indícios de uma sanção negativa, caso isso não ocorresse.
Uma narrativa que no nível lingüístico euforiza a trágica situação indígena, objeto da manchete e a tomada de decisão do jornal “O Progresso”, em abordar a temática na imprensa antes dos demais meios de comunicação. “Ao longo dos anos “O Progresso” vem acompanhando a trágica situação das diversas tribos indígenas que habitam a reserva silvícola, a poucos quilômetros de Dourados”. E, “o problema dos suicídios entre os índios da reserva de Dourados, a maior do país com 3519 hectares e também a mais populosa com cerca de 7600 habitantes e que concentra índios de origem terena, guarani e kaiowá – nunca foi tão discutido como atualmente e continua tendo repercussão”.
O jornal “O Progresso” que busca a Imprensa nacional e provoca uma ação neste baseada no querer, a qual leva-o a buscar o suicídio indígena conferindo ao jornal “O Progresso” o valor reconhecimento por destacar esse assunto a um bom tempo na região de Dourados.
A fim de reforçar o seu êxito enquanto meio de comunicação, o sujeito destinador implícito, “O Progresso” busca a imprensa “Fantástico, O Globo, os jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Folha de londrina, Revista Veja, TV Gazeta”, meios de comunicação de prestígio para garantir que está repercutindo, ou seja, continua, tendo em vista, estar o Jornal “O Progresso”, a bom tempo discutindo essa temática. Tanto é que, ao lado da foto, há um comentário em que o enunciador busca o próprio jornal “O Progresso” como interlocutor de respeito, pois vem ao lado os anos acompanhando a trágica situação indígena, o que se argumenta por intermédio da foto e do comentário.
O discurso está em terceira pessoa, uma não pessoa, o que gera objetividade e distanciamento em relação aos fatos. Essas pessoas: Índio, imprensa e o jornal são vozes transplantadas para enunciação, construção do texto em auto-promoção do jornal “O Progresso”.
Quanto há menção à imprensa e as ações dela referentes aos indígenas verifica-se o uso de um tempo suposto “para realizar”, “deve ser enfocado”, “vai publicar”, “deve enviar”, marcando a ação da imprensa externa, mas quando remete ao jornal “O Progresso”, temos na expressão “nunca foi tão discutido como atualmente e continua tendo repercussão a nível nacional”, ou seja, já teve e tem, mas não se terá.
Tem-se ainda “amanhã”, neste final de semana”, anunciando uma temporalidade que marca distanciamento e objetivo pelo seu aspecto atemporal em relação ao momento de referência.
Na participação de “O Progresso” temos expressões temporais do tipo: Ao longo dos anos, ‘O Progresso’ vem acompanhando”, o que denota estar, lado a lado, participação contínua e sempre; e, “este diário sempre alertou”, o que reforça essa
ação contínua de estar dia-a-dia, “cerca de dois anos” prova, argumento de objetividade, dado mediante a foto, o que também reforça a autoridade no trato à temática pela expressão “de lá pra cá”, como se estivesse acompanhando os casos.
No próprio jornal “O Progresso”, a primeira página abaixo, ocupa o centro à esquerda de unidade noticiosa e no próprio texto de “O Progresso” “,a expressão ao longo dos anos...”, objetividade, simulacro de verdade.
Outro espaço que se convém mencionar é o da imprensa nacional, “grande grau de importância”, além da “maior e mais populosa reserva indígena de Dourados”, recursos indicadores de distanciamento e objetividade e “na mata”, que além de ser presente pela própria foto, remete ao espaço onde os indígenas vivem, que os sufoca.
Quanto a recursos, tem-se a foto, imagem/flagrante com valor documental do acontecimento, capaz de promover a atenção, a curiosidade e tensão, estratégia de arrebatamento que se promove a atenção, a curiosidade e tensão, estratégia de arrebatamento que se completa com a presença da imprensa nacional e se sustenta com o comentário do interlocutor “O Progresso” para falar de si mesmo, numa estratégia de objetividade.
No aspecto tipográfico, verifica-se que há uma diferença entre a narrativa referente à vinda da imprensa nacional que utiliza outra letra, enquanto o lide da foto utiliza-se de uma num tom mais grave.
Analisando o título ainda percebe-se a imparcialidade, a objetividade e o distanciamento: “Suicídio entre índios”.
A Foto com um índio pendurado em uma arvore, suicídio, utilizando-se de letras finas – menor tensão, tendo em vista estar o jornal alertando e não obtendo atenção, ou seja, provocando ação das autoridades. Utiliza-se da estratégia de arrebatamento e um discurso com suas próprias reportagens, as quais abordaram esta questão.
Os verbos empregados estão no tempo presente, continua repercutindo, e na forma verbal gerúndio, o que denota uma ação que se prolonga, podendo também funcionar como uma estratégia de sustentação da notícia.