3.4 I NFORMASJONSELEMENTER AV GENERELL KARAKTER
4.2.5 Overgang stoppunkt
42 Professor E qual seria, então, a alternativa?
43 José É preciso equilibrar, né?
44 Professor Equilibrar? Tem uma palavrinha que define isso e que está sendo muito divulgada, ultimamente...
45 José Reciclagem?!
46 Professor Reciclagem é uma delas, mas tem outra...
47 José Sustentabilidade?!
48 Professor Isso mesmo, José, sustentabilidade, mas o que significa isso na prática? Qual a relação dessa palavra com o que estamos discutindo aqui nesse poema?
49 Weberson Ah, sei lá, procurar um lugar mais desabitado pra extrair... porque esses lugares onde se instalam mineradoras, ele acabam com o lugar...
50 Graziele ...com o lugar e com as pessoas também, né? Porque elas acabam ficando doentes... 51 Professor Isso mesmo! E é por isso que na outra vez que nós lemos a Grazi fez essa leitura do pó
de ferro como doença... porque entra no corpo e não passa, não é Grazi, essa leitura que você fez?
52 Graziele É e eu acho que o pulmão dessas pessoas devem ficar bem feio, assim, que nem o de um fumante...
53 Professor Ah, então tai uma questão interessante para vocês pesquisarem, né? Será que acontece isso mesmo?
54 José É, em vez de ficar só no Orkut e MSN, fazer alguma coisa útil... rs
55 Todos Risos ...
56 Professor É isso mesmo, pesquisar sobre doenças causadas pela inalação de pó de ferro... boa idéia, isso deve dar um ótimo artigo de opinião... e também sobre sustentabilidade... vocês mudaram de assunto, né?
78
58 Todos Risos...
59 Professor Eu sei que vocês estão me achando uma aproveitadora de situação...rs... mas é uma boa oportunidade para vocês pesquisarem e conhecerem e aí quem sabe no próximo sábado poderemos nos encontrar para partilhar os resultados das pesquisas...
60 Ingrid Eu acho legal, desde que tenha bolo de novo...rs...
Iniciei o recorte com uma pergunta aberta investigadora reflexiva (Mackay, 2001), no turno 42, considerando as afirmações dos alunos de que é possível progredir sem destruir a natureza: E qual seria, então, a alternativa?
Este tipo de pergunta, normalmente, estimula o aluno a elaborar uma resposta que mostra a compreensão que ele teve sobre o tema em questão e a propor soluções conjuntas. No entanto, o aluno José deu uma resposta que pode ser considerada fechada, para Mackay (op.cit.) se a pergunta não for formulada de modo a estimular comentários adicionais, a tendência é o respondente dar uma resposta objetiva e limitada. O autor completa ainda: “Qualquer pergunta reflexiva pode produzir uma resposta mais fechada.” (p.25), por isso, o aluno José respondeu apenas: É preciso equilibrar, né? E não se preocupou em especificar o que significa na prática “equilibrar”.
Na tentativa de incentivar o aluno e os demais do grupo a refletirem e opinarem sobre o assunto faço outra pergunta reflexiva, no turno 44: Equilibrar? Tem uma palavrinha que define isso e que está sendo muito divulgada, ultimamente...
No turno 45, o aluno José, pensando alto sobre o assunto lança uma hipótese: Reciclagem?!
Eu concordei com o aluno, mas insisti porque espero outro tipo de resposta, como mostra o turno 46: Reciclagem é uma delas, mas tem outra... Dessa vez, o aluno sugere outra palavra: Sustentabilidade?!
Finalmente o José chegou à resposta que eu esperava. No entanto, percebi que, nem o José, nem os demais alunos do grupo tinham clareza do que significa este termo na prática. Constatei este detalhe após fazer a pergunta registrada no turno 48: Isso mesmo, José, sustentabilidade, mas o que significa isso na prática? Qual a relação dessa palavra com o que estamos discutindo aqui nesse poema?
Queiroz (2009) caracterizou este tipo de pergunta como espelhada/revozeada, porque estimula o respondente a falar mais sobre o assunto e formular sua própria resposta (p.111). Porém, para isso, o
79 respondente precisa recorrer à reflexão e conhecimentos prévios sobre o assunto e como disse anteriormente, os alunos não souberam manifestar opinião sobre sustentabilidade. Somente o aluno Weberson, tentou explicar no turno 49: Ah, sei lá, procurar um lugar mais desabitado pra extrair... porque esses lugares onde se instalam mineradoras, ele acabam com o lugar...
A resposta do aluno, mesmo de forma insegura, marcada pela expressão “ah, sei lá”, foi coerente e a resposta dele serviu de mediação para a aluna Graziele se manifestar no turno 50: ...com o lugar e com as pessoas também, né? Porque elas acabam ficando doentes...
Graziele complementou a idéia do aluno Weberson de forma bastante coerente e defendendo a leitura que ela havia feito na primeira vivência de que o “mísero pó de ferro” que não passa seria “doença que não passa”.
Procurei valorizar a leitura construída pela aluna no turno 51: Isso mesmo! E é por isso que na outra vez que nós lemos a Grazi fez essa leitura do pó de ferro como doença... porque entra no corpo e não passa, não é Grazi, essa leitura que você fez?A aluna respondeu de forma reflexiva, no turno 52: É e eu acho que o pulmão dessas pessoas devem ficar bem feio, assim, que nem o de um fumante... procurando relacionar a inalação do pó de ferro com a da fumaça de cigarro.
Motivada pela resposta da aluna, propus aos alunos, mais uma vez, a pesquisa sobre os assuntos, nos turnos 53 e 56: Ah, então tai uma questão interessante para vocês pesquisarem, né? Será que acontece isso mesmo? / É isso mesmo, pesquisar sobre doenças causadas pela inalação de pó de ferro... boa idéia, isso deve dar um ótimo artigo de opinião... e também sobre sustentabilidade... vocês mudaram de assunto, né?
Para Freire (1996) a pesquisa e a curiosidade são importantes passos para o processo de ensino-aprendizagem, pois através delas o aluno poderá aprimorar seus conhecimentos e adquirir autonomia para a construção da leitura e da argumentação. Ao propor a pesquisa, minha intenção era estimular os alunos a serem protagonistas de sua própria aprendizagem e adquirirem autonomia e criticidade para construir suas leituras.
Esta atitude pode evidenciar indícios de um educador preocupado em se desprender do paradigma tradicional, para o qual o professor é o detentor do saber, o que contribui para que o aluno permaneça passivo, e o surgimento de
80 um educador mediador do processo de ensino-aprendizagem, que deseja, entre outras coisas, que o seu aluno seja protagonista da própria aprendizagem, (Freire, 2005).
Os alunos aceitaram a proposta e seguimos a discussão sobre a leitura do texto, mudando o foco para a presença da intertextualidade, como procurarei evidenciar no recorte seguinte.
Recorte 04 – Relacionando informações: conhecimento prévio e