Chapter 1 Problem Statement
1.2 Overall objectives of the study
Na pergunta sobre, quais os principais fatores que contribuem para os resultados escolares dos alunos e quais os fatores internos considerados mais importantes, o coordenador E3 disse, acerca dos fatores internos, que os resultados apresentados na escola são fruto das “baixas expetativas” quanto ao futuro que os alunos têm e também considerou que os interesses dos alunos são “divergentes” dos interesses da escola. Para além disso, o mesmo respondente, admitiu que existe pouco empenho no estudo por parte dos alunos e
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que, para além disso, estes não têm métodos de estudo e, da parte do agrupamento falta-lhes a oferta educativa para os alunos com mais dificuldades. Atendendo aos dados obtidos na resposta a esta questão e comparando-os com as respostas analisadas anteriormente para o grupo em que se consideraram os resultados do agrupamento ao longo dos últimos anos é interessante verificar que a tendência manifestada de resultados positivos é aqui, claramente, posta em causa. Mas, sublinhemos que esta é ainda a observação traçada a uma resposta do presente grupo de análise, mas que, ainda assim, vai de encontro à opinião, que também foi manifestada pelo coordenador E7. Este respondente disse que os fatores que contribuem para os atuais resultados escolares dos alunos são “a falta de “bases” dos alunos, associada à falta de empenho e de estudo” (E7).
À parte os respondentes E3 e E7 todos os outros inquiridos apontaram as mais-valias que o agrupamento oferece e que são motivo para explicar os resultados, sendo que, um número maior dos respondentes sublinhou as aulas de apoio e o representante dos alunos se referiu ao facto dos professores terem o cuidado de criar um e-mail por turma já que, de acordo com este registo este procedimento constitui mais um elemento de aproximação dos alunos às novas tecnologias e torna os processos de estudo mais interessantes:
“aposta numa dinâmica de apoio aos alunos, de promoção de momentos de preparação intensiva para as provas de avaliação externa” (E2);
“é o chamado reforço a português que nos anos sujeitos a exame se usa para… para treinar, resolver exames… nacionais, que já tenham sido aplicados.”(E4);
“os professores dão muitos apoios individualizados aos alunos com necessidades educativas, de preferência da equipa do ensino especial. Acho que esta escola tem uma política para o sucesso e de acompanhamento sistemático dos alunos com mais dificuldades” (E5);
“a atuação dos professores é bastante importante, a forma como eles interagem connosco... os meios que nos facilitam utilizar, criaram um e-mail por turma, por vezes, para nos facilitar a… a aprendizagem, utilizando novos meios…”(E9).
O respondente E1, que, recordemos é o Diretor do agrupamento, sublinhou que o fator mais importante é o trabalho em sala de aula e a preparação técnica do docente: “é de relevar o trabalho em sala de aula, a forma como esta se organiza, e a forma como o professor lidera a turma, a exigência e preparação pedagógica do docente”. De acordo com esta opinião os resultados parecem então assentar no trabalho diário e de base que deve ser levado a cabo dentro dos estabelecimentos de ensino.
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A diversidade de opiniões recolhidas junto dos respondentes, a que se junta ainda a opinião veiculada pelo representante dos país e encarregados de educação, que aponta para a falta de método de estudo dos alunos também numa clara alusão ao facto dos resultados registados não serem os esperados, dá-nos conta de que dentro do agrupamento os vários responsáveis não afinam pelo mesmo diapasão no que concerne às estratégias que melhor contribuem para a obtenção de bons resultados. Esta opinião é ainda fortificada com a afirmação do respondente E3 que afirmou que se denota a “falta de oferta educativa para alunos com mais dificuldades.” (E3).
1.1.9 A influência do diretor e das lideranças intermédias
O grupo de informações recolhidas a partir do conjunto de questões que aferiam acerca das questões de liderança e de liderança intermédia e que verbalizamos da seguinte forma: “Considera que a ação do Diretor pode influenciar de modo significativo o desempenho de uma escola? Se sim, como? Pode apresentar exemplos. E as lideranças intermédias? Enquanto líder intermédio, considera-se corresponsável pelos resultados do departamento que lidera? Considera-se orgulhoso desses resultados? Considera que as lideranças intermédias neste agrupamento é devidamente valorizado?”, revelou-se uma profícua fonte de informação que importa dividir para analisar convenientemente.
Começamos pelas respostas obtidas à primeira questão, onde, seis dos respondentes se referiram diretamente ao Diretor do agrupamento, sendo que um deles foi o próprio Diretor. De uma forma direta e concreta apenas dois dos respondentes reconheceram que a ação do Diretor influencia de modo significativo e positivo os resultados obtidos pelo agrupamento. Os restantes reconheceram que a mesma influencia mas não lhe sublinharam o caráter de benefício, não tendo, também negado o mesmo.
É interessante notar que, a resposta obtida pelo próprio Diretor a esta primeira questão, uma vez que este coloca as características dos alunos na linha da frente dos fatores que influenciam os resultados ao invés dos seus próprios contributos e ações profissionais. De acordo com este respondente “o que mais influência os resultados escolares, por esta ordem, são: as características dos alunos, o desempenho dos docentes, a liderança da organização” (E1), ou seja, antes da ação do Diretor o que mais influencia os resultados são os alunos e os docentes, sendo que é importante que o Diretor proporcione condições de aprendizagens aos alunos e aos docentes. Neste entremeio o papel do Diretor deve ser, segundo a sua própria opinião, o de “levar os colaboradores ao alinhamento com os objetivos traçados” (E1). Em face da resposta registada junto deste responsável podemos dizer que o papel do Diretor é um papel mediador.
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A opinião de outros respondentes não foi totalmente coincidente com a que agora analisamos, mas, como já referimos, dois deles, apontaram que a intervenção do Diretor não só é determinante como tem sido bastante positiva nesse sentido. Foi o caso do presidente do Conselho Geral (E2) que classificou a atuação do atual Diretor de extremamente eficaz justificando-se com as seguintes palavras: “a sua capacidade de liderança, de diálogo e de cooperação entre pares tem contribuído substancialmente para a obtenção de bons resultados. Tem sabido fazê-lo muito bem através da sua capacidade de diálogo, de compreensão, de incentivo, de disponibilidade e de apoio”.
Também a resposta do Coordenador do departamento de matemática foi no mesmo sentido mas, neste caso concreto, registamos o facto de se fazer uma divisão entre os resultados internos e os resultados externos, sendo que fica a ideia de que o Diretor tem conseguido bons resultados do ponto de vista interno mas que as suas ações já não se refletem de forma tão positiva no que toca aos resultados dos exames nacionais.
A análise ao conteúdo de resposta do Coordenador do grupo de línguas, revela, em primeira instância alguma indecisão, pois que se denota que este responsável hesitou bastante ao longo do discurso empreendido e a resposta à primeira questão do grupo acerca da influência do diretor nos desempenhos da escola assentou a sua tónica na temporalidade, no tempo que o diretor leva no exercício do cargo. Segundo este respondente é a antiguidade que confere autoridade e crédito ao diretor uma vez que, por via deste facto, ele pode dizer as coisas “reiteradamente” (E4).
Esta última opinião foi de encontro à resposta do respondente E5, Coordenador do grupo das ciências sociais e humanas, que também afirmou que o Diretor ocupa o seu cargo há bastante tempo. “Ele é diretor aqui há muitos anos. Conhecemos o que ele pensa, o que ele quer para o agrupamento… as ideias dele principais e obviamente que uma grande maioria da escola, não quer dizer que pense exatamente como ele… mas, como conhece claramente o pensamento dele, tenta que a sua atuação vá no sentido que ele quer” (E5). Conforme se pode aferir a opinião do respondente E5 não valida totalmente as ações do Diretor na medida em que do seu discurso transparece a ideia de que nem todos os responsáveis pensam exatamente como ele pensa, mas que, como lhe conhecem as ideias tentam guiar-se por elas, por forma a que prevaleça o sentido de unidade e de respeito pelas autoridades instituídas. Para além disso este respondente deixa sobressair a ideia de que o facto de terem objetivos concretos a cumprir condiciona as suas ações.
Os restantes dois respondentes deram como positiva a atuação do Diretor sendo que o coordenador dos diretores de turma valorizou o facto de se realizarem muitas reuniões, que incentivam o valor do diálogo: “Tem liderado nesse sentido, tem proposto reuniões constantemente com esse intuito” (R6).
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Tal como verificado no referencial teórico os dados obtidos e analisados apontam para a relevância que a liderança adquire na atualidade valorizando-lhe as práticas e reconhecendo que as mesmas são susceptíveis de influenciar, no caso observado, positivamente, o trabalho dos professores e das lideranças intermédias (Barber, 2007; Leithwood, Harris e Hopkins, 2008; Bolívar, 2009a).
Já no que diz respeito à questão relacionada com as lideranças intermédias e na avaliação global das respostas obtidas sublinhamos duas ideias principais que se mostram coincidentes: o facto dos diretores intermédios terem perdido poderes, afirmado pelo coordenador E5, e a falta de valorização destes mesmos diretores, apontado pelo coordenador E6.
O coordenador E5, que reitera a perda de poderes dos diretores intermédios, como vimos, e afirma, que se perderam os conselhos pedagógicos em detrimento da valorização dada à autoridade do Diretor: “aqui há uns anos atrás o coordenador tinha, no conselho pedagógico uma voz, que representava o seu departamento. Agora não é bem assim, porque os coordenadores do departamento estão ligados ao Diretor”(E5).
1.1.10 Diferencial entre os resultados da avaliação interna e os resultados da avaliação externa