3.5 TPM key aspects
3.5.3 Overall Equipment Effectiveness (OEE)
Ao constatarmos que, no processo da investigação, a reflexão crítica foi predominante, enfocamos que ela foi exercida na perspectiva da construção de uma atividade educativa emancipatória, cuja vivência desse processo se constituiu em uma tarefa complexa visto que nos deparamos com resistências advindas de significados sócio e historicamente construídos.
No âmbito dos processos de formação, os aportes teóricos se integraram às práticas das partícipes (professora de História e pesquisadora) de modo reflexivo, consistindo em um repensar ações pedagógicas na dinamicidade de um exercício de aprofundamento para a promoção e início de uma nova práxis.
Assim, foi necessário uma postura reflexiva, apoiada nas práticas da professora de História, enfatizando o pensar sobre a sua formação como elemento crítico-reflexivo. As trocas advindas, tanto das divergências como dos pontos de vista em comum, promoveram uma reflexão crítica do fazer pedagógico atinente ao saber-fazer, ao porquê do fazer e como fazer na busca da melhoria das atividades docente e discente.
Esse saber-fazer possibilitou à professora uma reconstrução de ações para criar em sala de aula contextos que permitiram ao aluno: aprimorar suas interpretações de textos de história e desenvolver sua consciência histórica crítica num compartilhamento de ideias saberes e fazeres.
No andamento da investigação atuamos com os seguintes tipos de reflexão: crítica, técnica e prática. Evidenciamos que a maioria dos momentos foi dedicada à reflexão crítica, vivenciada de forma enriquecedora à nossa formação e desenvolvimento.
Com o diálogo, fizemos avançar sentidos enunciados, oportunizamos o compartilhamento de significados e promovemos discussão de experiências de ensino e de aprendizagem, criando espaços/tempos para as manifestações de opiniões, contradições e interações.
A reflexão crítica marcada pelo trabalho coletivo, ações não hierárquicas, apoio mútuo, objetivos e motivos comuns nos possibilitaram o desempenho de papéis e possibilidades de participação diferenciados num respeito às autonomias para exposições de compreensões, como instrumento de desenvolvimento das atividades.
Assim, com a geração de momentos dialógicos, vislumbramos a complexidade e singularidade das atividades docente e discente. Contribuíram para isso os textos e os recursos utilizados no processo formativo.
A reflexão crítica, vivida no percurso da investigação, foi imprescindível no alcance dos objetivos deste trabalho. Para que a produção de conhecimentos ocorresse na interatividade, oportunizamos à professora de História momentos de compartilhamento de ideias nas Reuniões, nos Ciclos de Estudos Reflexivos, nos Planejamentos e nas Discussões Analíticas de Aulas.
Nossa atuação, na perspectiva dessa reflexão, desenvolveu-se em um contexto que primou pela confiança e consideração às colocações do outro e pelo foco no processo de ensino e de aprendizagem da História, alicerçado em um diálogo criador de condições necessárias à condução de ações educativas individuais e coletivas.
Compartilhamos significados durante os estudos de fundamentação teórica e, também, polemizamos questões envolvendo o mapa da atividade que requereu ter a escrita de algumas de suas ações, convertidas em perguntas, para facilitar a compreensão dos alunos.
Criamos condições para que a docente se engajasse no diálogo, ouvindo e sendo ouvida, ocasião em que conflitos afetivos e cognitivos puderam ser revelados e superados, como o vivenciado naquele momento complexo, durante a elaboração do plano de aula acerca da carta de Anita, quando a professora demonstrou inquietação, receios e dúvidas.
Durante as discussões analíticas de aulas, também promovemos reflexões em torno de experiências de ensino e de aprendizagem para que a formação do educando acontecesse, sem perder de vista o sentido histórico da realidade valorizando, portanto, o passado e o presente e vislumbrando o vir a ser do homem e da história.
A reflexão crítica, por nós vivenciada, expressa uma síntese entre metodologia e operacionalização num movimento dialético revelador de uma prática de intervenção na qual a teoria e a prática foram pensadas e utilizadas na construção de um processo reflexivo e crítico.
Construímos contextos propiciadores dessa reflexão, com potencial didático, organizados por questões e preocupações de todos em que o agir profissional esteve pautado no conhecimento teórico e nos determinantes da prática.
Na última reunião, dialogando com Dulce sobre as nossas atuações, no percurso investigativo, percebemos um pouco mais a existência dessa reflexão como demonstramos em alguns trechos que extraímos do nosso diálogo:
Da Paz: – Às vezes, após realizar um encontro com você, eu ficava me perguntando: Será que eu fiz a minha ideia prevalecer sobre a de Dulce? Será que eu soube escutá-la adequadamente? Orientei direito?! Pensava até que ponto eu estava colaborando... Porque tudo precisava ser dialogado, refletido, acordado...
Dulce: – Você fez o que tinha que fazer. A gente planejou lá em casa, dialogando. Às vezes você aceitava muito mais as minhas colocações do que eu as suas... E nas aulas quietinha e na hora que era solicitada, também falava....
Da Paz: – Eu precisava deixar você ir caminhando, não me colocando à sua frente. Orientar, mas também, saber esperar o desfecho de sua desenvoltura na compreensão, na escrita e na atuação em sala de aula. E você conseguiu realizar o que era necessário. Mesmo assim, tive preocupações em desenvolver esse trabalho...
Dulce: – Pois! Quem mais se preocupou fui eu [risos nossos]. Você querendo fazer a coisa acontecer direitinho e eu ficava: Meu Deus, como é que vai ser esse trabalho?! Como vão ser essas aulas?! Será que eu vou ter condições de desenvolver esse trabalho?!
Da Paz: – Eu acreditava que você iria fazer bem, que o trabalho daria certo. Dulce: – E agora o que é que você acha?
Da Paz: – Deu certo! Eu só analisei uma pequena parte do material. Mas, eu sei, pelas aulas a que assisti, pelo que eu vi acontecer, pelo andamento do trabalho, pelas discussões e reflexões que tivemos. Vejo, de uma forma geral, que deu certo e penso que eu consegui trabalhar bem com você, com vocês... E você conseguiu, também... Assim como os alunos. [Silêncio].
O exposto nos revela que vivenciamos: o diálogo, a reflexão crítica, acordos, o não se colocar à frente da outra, o orientar da partícipe pesquisadora e também o saber esperar, de ambas, a sua vez de se expressar. Isso abriu perspectivas para desenvolvermos um processo pedagógico e de pesquisa plural visando a um avanço coletivo.
Esse trabalho consciente pressupôs esforço, vontade e a criação de condições para o envolvimento na construção de uma nova prática que se mostrou autônoma, visto que a docente passou a desenvolver em outras turmas o trabalho que desenvolvemos no 8o ano.
Vivenciamos oportunidades de interagir, de aprender, de refletir sobre o nosso processo de formação criando bases no sentido de melhor compreender e desenvolver a prática de ensinar e de aprender, de participar de situações desafiadoras, de questionar e refletir criticamente acerca de si e dos fenômenos circundantes. Assim, realizou-se mais um dos nossos diálogos:
Da Paz: – Dulce, eu gostaria de destacar a sua capacidade de discutir as questões, de ajudar nos impasses. Quanto às etapas, existentes no plano de aula, no início você trocava a sequência e certa vez esqueceu uma delas. Mas, isso faz parte do processo de aprendizagem.
Dulce: – É! Isso ocorreu nas primeiras aulas porque eu fiquei nervosa... Porque é difícil você dar aula com alguém lhe observando, você pode ter 30 anos de experiência em sala de aula. Mas, acho que colaborei um pouquinho... Fiz o que pude...
Da Paz: – Já penso que você colaborou muito...
Dulce: – Foi isso tudo! Para mim, colaborei um pouco. Sei que as aulas contribuíram para o aluno melhorar na interpretação de textos de história e o mapa da atividade foi bom. Mas, a gente sabe que eles não têm, ainda, aquela apropriação mais consistente. Agora o tempo, também foi pouco e duas aulas são poucas...
Da Paz: – Também concordo. Duas aulas por semana, ainda mais separadas com um intervalo29 no meio...
Dulce: – Eram quinze minutos para voltarmos. Foi negativo isso: pouco tempo com uma quebra no meio. Mas, que contribuiu?! Contribuiu! E pretendo continuar trabalhando dessa forma. Estou feliz. Todo professor fica feliz quando vê que seu trabalho teve resultado. A gente esquece até o stress que tem em sala de aula [risos nossos].
Atuamos em um espaço/tempo dedicado à expressão de ideias e compartilhamento de significados, no encorajamento a ouvir e ser ouvido, nos questionamentos e promoção de condições para que a formação tanto docente como discente ocorresse. Foram vários os momentos em que os alunos atuaram em grupos compartilhando ideias e criando polêmicas quanto às suas ações estarem ou não escritas de forma procedente. Nessas ocasiões, solicitavam a reflexão da professora, assim como nos momentos de socialização das interpretações do que produziam nos grupos.
Esses momentos, tanto de discussões em grupos como de socialização das interpretações realizadas, foram ricos ainda no exercício do ouvir e do ser ouvido, embora em algumas ocasiões fosse preciso a intervenção da professora porque os discentes queriam falar, todos, simultaneamente.
29 Havíamos falado com a diretora, no início do ano letivo, para que colocasse as aulas de História juntas, e sem o intervalo entre elas. Nossa solicitação foi atendida, com relação ao 9o ano, porque planejávamos fazer esse trabalho nesse ano de ensino. Só que, como explicitamos neste trabalho, isso não foi possível. Então, ao resolvermos ir para o 8o ano, não conseguimos alteração no horário, porque implicava alterações em horários de outros professores que tinham compromissos de trabalhos em outras instituições.
Nessas interações e produções dos alunos, o sentido histórico da realidade era evidenciado, como demonstramos nas análises dos portfólios, aparecendo uma valorização do passado e do presente.
A reflexão crítica revelou-se, portanto, imprescindível na obtenção do resultado que tivemos, pois treze (13) dos catorze (14) alunos30 envolvidos na pesquisa, afirmaram que as aulas contribuíram para o aprendizado da interpretação de textos de história, dos quais, onze (11) afirmaram que foi muita essa contribuição.
A reflexão crítica vivenciada constituiu-se em uma experiência propiciadora de autonomia, de respeito mútuo, de desenvolvimento das capacidades dos partícipes, de concretização de um pensamento teórico e de um envolvimento sistematizado e adequado às situações concretas e práticas que envolveram a interação nas atividades docente, discente e de investigação. Contribuiu, portanto, para o alcance dos resultados que apresentamos no capítulo seguinte acerca da apropriação pelo aluno, do 8o ano do Ensino Fundamental, da interpretação de textos de história e do seu processo de desenvolvimento da consciência histórica crítica.