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Por ser este um estudo de desenho qualitativo abordamos, brevemente, nesta seção, a pesquisa qualitativa.

Davis (1995) e Lazaraton (1995) observam que os pesquisadores em Lingüística Aplicada têm cada vez mais se interessado por estudos qualitativos. Nesse tipo de pesquisa, a preocupação central é tentar compreender o comportamento humano a partir da referência do próprio indivíduo, por meio da utilização de questionários e entrevistas orais (Larsen-Freeman e Long, 1991; Nunan, 1992). O estudo qualitativo, conhecido como naturalista ou interpretativo, não considera a aprendizagem como um fenômeno isolado, mas inserido nos contextos sócio-culturais em que ela ocorre (Davis, 1995).

Nesse sentido, de acordo com Lazaraton (1995), uma das qualidades inerente à pesquisa qualitativa é a capacidade de descrever rica e minuciosamente os contextos observados, seja a sala de aula, a escola, a comunidade, dentre outros.

André (1995) e Bogdan e Biklen (1998), por sua vez, consideram a pesquisa qualitativa como um termo mais geral, o qual envolve diversas modalidades de pesquisa que compartilham certas características. Fazem parte desse paradigma, por exemplo, a pesquisa etnográfica, a pesquisa-ação e o estudo de caso, utilizado nesta investigação.

De forma sucinta, a pesquisa qualitativa pode ser caracterizada, de acordo com Bogdan e Biklen (1998), como: 1) naturalista: o contexto figura como a fonte direta dos dados. Em outras palavras, para o pesquisador, as ações só podem ser compreendidas se forem observadas no contexto onde estão acontecendo; 2) descritiva: os dados são detalhados minuciosamente nos registros e transcrições; 3) processual: a pesquisa qualitativa centra-se mais no processo do que no produto. Assim, o foco da pesquisa em sala de aula, por exemplo, direciona-se a atividades,

procedimentos e interações cotidianas; 4) indutiva: a análise dos dados ocorre de maneira indutiva; e, 5) significativa: há a preocupação com as perspectivas dos participantes, ou seja, interessa saber o significado que os participantes da investigação conferem às suas ações.

Tendo discorrido brevemente acerca da pesquisa qualitativa, nos ocupamos, na seção seguinte, do estudo de caso por ser esta pesquisa um exemplo do mesmo.

3.1.1. Estudo de caso

Esta pesquisa configura-se como um estudo de caso. Segundo André (1995, p. 49), um estudo de caso refere-se a um "estudo aprofundado de uma unidade em sua complexidade e em seu dinamismo próprio, fornecendo informações relevantes para tomada de decisão".

Johnson (1992) e Nunan (1992) definem estudo de caso em termos de “unidade de análise”, podendo essa unidade ser tanto um indivíduo, um aluno ou um professor, uma entidade ou população quanto uma turma, uma escola ou uma universidade.

A unidade de análise utilizada neste estudo foi composta por duas professoras de inglês em pré-serviço que ministram aulas em um Centro de Extensão de uma universidade pública da região sudeste do Brasil, o que permite classificá-lo como um estudo de “multi-casos”, conforme caracterização proposta por Bogdan e Biklen (1998) e Nunan (1992), por se ocupar do estudo de mais de um indivíduo.

De acordo com Merriam (1988, p. 16) apud Nunan (1992, p. 77), “estudos de casos são particulares, descritivos, heurísticos e dependem de um raciocínio indutivo ao lidar com várias fontes de dados”29. Também, segundo autores como Nunan (1992), André (1995) e Telles (2002), a

preocupação maior está na compreensão e na descrição do processo do que nos seus resultados. Sobre essa questão da descrição do processo, André (1995) ressalva que o pesquisador precisa investir muito tempo e atenção para que possa retratar coerentemente a realidade da unidade sob investigação e se relacionar com os participantes sem que a complexidade e a dinâmica natural dessa unidade sejam prejudicadas de alguma forma.

Yin (1984) apud André (1995, p. 51), lembra ainda que estudos de caso têm como foco de interesse “um fenômeno contemporâneo que esteja ocorrendo em uma situação de vida real”.

Allwright e Bailey (1991), Brown e Rodgers (2002) e Telles (2002), por sua vez, destacam um aspecto importante quanto à questão da generalização dos resultados obtidos em um estudo de caso. Segundo esses autores, os resultados dessa modalidade de pesquisa, de modo geral, não podem ser generalizados, já que em estudos de caso não se trabalha com numerosas quantidades de informações. Entretanto, ressalvam Allwright e Bailey (1991) e Telles (2002), esses resultados podem inspirar questões em outros trabalhos e proporcionar aos docentes e/ou outros indivíduos

29 “Case studies are particularistic, descriptive, and heuristic and rely heavily on inductive reasoning in handling

momentos de reflexões a respeito de “seus próprios contextos de trabalho e salas de aula” (Telles, 2002, p. 110).

Segundo Johnson (1992), existem ainda outras características importantes relativas aos estudos de caso que devem ser consideradas: 1) naturalistas: os dados são coletados em ambiente natural; 2) descritivos: descrevem um fenômeno, podendo, entretanto, ir além dessa descrição e prover interpretação de um contexto ou de uma cultura; 3) longitudinais: envolvem longos períodos de observação, embora muitos estudos de caso tenham duração curta; e, 4) qualitativos: embora os estudos de caso sejam, primeiramente, qualitativos, estes podem conter a quantificação de alguma informação. Uma pesquisa realizada conforme o paradigma qualitativo permite que os dados sejam coletados a partir das observações feitas pelo pesquisador, os quais são posteriormente analisados e interpretados a fim de se obter um melhor entendimento acerca do fenômeno investigado (Larsen- Freeman e Long, 1991). A pesquisa qualitativa, conforme já mencionado, possibilita ainda, de acordo com Seliger e Shohamy (1989) e Nunan (1992), uma visão naturalista e não controlada do objeto sob análise.

Nesse sentido, esta pesquisa se caracteriza como um estudo de caso por preencher plenamente todas as características acima mencionadas: 1) é qualitativa, pois teve como preocupação principal investigar as crenças de professoras de língua inglesa em pré-serviço sobre falantes de inglês e de suas respectivas culturas, e não a preocupação em medir e quantificar dados; 2) é naturalista, uma vez que os dados foram coletados em ambiente natural, à medida que ocorria o ensino; 3) é de caráter longitudinal, já que envolveu períodos de observação, embora nesta pesquisa esse período tenha sido de curta duração (3 meses), dada a limitação temporal de uma dissertação de mestrado; e, 4) é descritiva, pois descreveram-se os fenômenos observados.