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2. THEORY

2.6. RADON EXPOSURE

2.6.2. OUTDOOR RADON EXPOSURE

Algumas passagens do Antigo Testamento atestam o lava-pés presente na cultura do Israel antigo como costume de higienização, acolhida do hóspede e de preparação para a refeição. Exemplos significativos estão presentes em Gn 18,4; 19,2; 24,32; 43,24; Jz 19, 16-21; 1Sm 25,41.

Gn 18:4

lhmfqh,tw dh. u[dwr kai. niya,twsan tou.j po,daj u`mw/n kai. katayu,xate

u`po. to. de,ndron

Tragam água e lavem os vossos pés e refresquem-se sob a árvore

Gn 19:2a

kai. ei=pen ivdou, ku,rioi evkkli,nate eivj to.n oi=kon tou/ paido.j u`mw/n kai.

katalu,sate kai. ni,yasqe tou.j po,daj u`mw/n E disse: senhores desçam a casa de vosso servo e hospedais e laveis

os vossos pés

Gn 24:32

eivsh/lqen de. o` a;nqrwpoj eivj th.n oivki,an kai. avpe,saxen ta.j kamh,louj

kai. e;dwken a;cura kai. corta,smata tai/j kamh,loij kai. u[dwr ni,yasqai

toi/j posi.n auvtou/ kai. toi/j posi.n tw/n avndrw/n tw/n metV auvtou/

O homem chegou a casa e descarregou os camelos e deu–lhes palha e

comida e água para lavar os pés dele e de seus homens

Gn 43:24

kai. h;negken u[dwr ni,yai tou.j po,daj auvtw/n kai. e;dwken corta,smata

toi/j o;noij auvtw/n

E trouxe-lhes água para lavar os pés dele e deu comida para os seus

Jumentos

Jz 19:21

kai. eivsh,gagen auvto.n eivj th.n oivki,an auvtou/

kai. pare,balen toi/j u`pozugi,oij auvtou/ kai. evni,yanto tou.j po,daj auvtw/n kai. e;fagon

kai. e;pion

Ele então o fez entrar para a sua casa

e trouxe para perto (deu abrigo) aos jumentos dele. Lavaram os seus pés e comeram e beberam.

1 Sm 25:41

kai. avne,sth kai. proseku,nhsen evpi. th.n gh/n evpi. pro,swpon kai. ei=pen

ivdou. h` dou,lh sou eivj paidi,skhn ni,yai po,daj tw/n pai,dwn sou

E levantou e prostou sobre a terra o rosto e disse: tua escrava é

serva para lavar os pés dos teus servos

Em Gn 18,4, o gesto significa e cumpre objetivamente a função de receber, como hóspedes, os homens que chegam à tenda de Abraão - um serviço de acolhimento, repouso sob a árvore e cuidados para a refeição que foi oferecida logo em seguida (18,5s).

Gn 19,2a refere-se ao mesmo costume. Ló recebe os dois anjos à porta da cidade de Sodoma e os convida como hóspedes para permanecerem em sua casa e assim oferece-lhes o serviço da lavagem dos pés. O sentido é gesto de gentileza ao hóspede peregrino que acaba de chegar.

O texto seguinte, Gn 24,32 trata do contexto em que Labão recebe o servo de Abraão e seus demais homens em sua casa e os acolhe com o mesmo costume que se devia prestar aos hóspedes, oferecendo-lhe pousada, comida, abrigo aos camelos, bem como o lava-pés a ele e aos outros que o acompanhavam.

A mesma função e significado aparecem em Gn 43,24 na passagem que antecede o retorno e o reencontro dos filhos de Jacó com José no Egito. O contexto é de acolhida, hospedagem dos irmãos na casa de José e preparação para a refeição que ocorrerá ao meio dia (Gn 43,24-25). Hospitalidade é central na passagem de Jz 19,21. O texto é de extrema complexidade, pois reflete um momento de transição do

tribalismo para a realeza israelita; condensa uma crítica contundente às cidades: elas não só não acolhem como não são mais capazes de oferecer hospitalidade ao compatriota em trânsito e, além disso, submetem a todos a uma realidade de violência extrema principalmente dirigida às mulheres (Jz 19,11-30). O narrador chega a testemunhar o caráter inédito da violência contra a mulher: “Jamais aconteceu ou se viu coisa semelhante desde o dia em que os israelitas subiram da terra do Egito até hoje” (Jz 19,30). O lava-pés, nesse contexto, ganha um significado profundo de manifestação da hospitalidade, ao mesmo tempo em que o gesto antecede partilha de comida e bebida entre todos. Não está claro quem lava os pés dos hóspedes, apenas que os pés de todos eles (o homem com seus servos e concubina) foram lavados. O verbo (ni,ptw) está no indicativo aoristo da voz média, terceira pessoa do plural (evni,yanto), indicando apenas que “foram lavados”, não necessariamente por eles mesmos, mas talvez por servos do anfitrião.

Todas as citações revelam funções básicas de higienização do hóspede ou convidado que se prepara para o repouso e/ou para a refeição. O que elas fazem é acrescentar novos significados com base nesta função básica determinada pela cultura. O lava-pés, por exemplo, em ambiente ritual, existe na tradição israelita e também é atestada nos textos do Primeiro Testamento. Porém, só os retomaremos no momento da análise sociorreligiosa. O fato mais importante, por ora, é esse substrato cultural em que o lava-pés é gesto ordinário vivido em ambiente doméstico e cuja função é a higiene dos pés em primeiro lugar e simbolicamente torna-se regra básica para o anfitrião que acolhe seu hóspede ou convidado, sobretudo em contexto que antecede a refeição.

Esses elementos estão subentendidos em Jo 13,1-17 com destaque especial para o contexto da refeição. O problema já anotado no capítulo anterior é o fato inesperado do lava-pés colocado não antes, mas durante a refeição (13,2). Com essa informação destacada pelo narrador, as funções objetivas da higiene ou da preparação para a refeição, pressupostas culturalmente já não estão mais em primeiro plano, ou pelo menos não é o foco principal do significado que se quer dar ao evento. Ao menos assim parece querer conduzir o leitor quando o narrador apresenta seus personagens principais, tanto Jesus quanto Pedro, e os fazem admitir que algo para além dessas funções básicas, deve ser considerado no gesto do lava-pés.

De qualquer modo, qualquer que seja o novo significado que se queira dar para um gesto como o do lava-pés, depende da interlocução com o dado cultural, o

que obrigatoriamente é ponto de partida, seja para aquilo que dele se pretende afirmar, romper ou questionar, ou mesmo para aquilo que se pretenda apresentar como novo e alternativo, como sem dúvida é o caso de Jo 13, 1-17. Aliás, só se percebe o novo e alternativo quando se tem o antigo e o comum como padrão de comparação.