Part II The digital revolution
11.1 Innovation policy instruments
11.1.4 Other key innovation policy
Em janeiro de 2014, no seguimento de um instrumento de avaliação da unidade curricular de Processamento de Sinais Fisiológicos, frequentada no ano letivo de 2011/2012 na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, foi lançado um apelo via e-mail institucional (ver Anexo 1) com o objetivo de reunir voluntários para um estudo de voz telefónica e que reunissem certos requisitos, designadamente, serem gémeos do mesmo género, e serem acompanhados por um familiar próximo, como pai, mãe, irmão, irmã, primo ou prima, com disponibilidade para fazer parte do estudo. Considerando as escassas respostas que se obteve, na altura, lançou-se novo apelo, em junho de 2015, através do mesmo meio de comunicação (ver Anexo 2). Assim, depois de reformulações de agendamento por alguns dos contactos, foi possível reunir 37 indivíduos, concretamente, 20 do género feminino e 17 do sexo masculino. Por razões anatómicas do trato vocal, na Secção 3.5, iremos caracterizar a amostra reunida tendo em conta esta demarcação de géneros. A recolha das amostras de fala foi realizada no edifício de Engenharia Eletrotécnica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, entre novembro de 2015 e março de 2016. Recorremos a um diálogo orientado, construído por nós, e que incluía também, em particular, exercícios de vogais sustentadas assim como a leitura do texto foneticamente equilibrado “O vento Norte e o Sol” [80] (ver Anexo 3).
O objetivo da elaboração de um diálogo orientado é também o de, através de um
corpus previamente definido, identificar tipos de palavras que expõem a identidade
sonora do orador, estando, por isso, relacionadas com a complexidade articulatória. Os temas neutros, como o clima ou a ocupação profissional, o percurso académico e o uso de respostas “sim” e “não”, assim como o abrangimento de vogais sustentadas – facilitando o uso de medidas objetivas [77] (segundo análise acústica convencional) – foram o foco da interação entre o entrevistador e o indivíduo. O interlocutor necessitou de ter aptidão para levar o orador a produzir, de modo natural, os vocábulos que foram considerados essenciais, listados, abaixo. O objetivo era que fossem articulados por todos os falantes do estudo:
Horas; Telefone; Pai / Mãe; Escola + Estudar; Profissional; Vizinho(a); Sim / Não.
Além disso, os oradores gémeos verbalizaram o nome completo, idade, local de nascimento e profissão. Quanto aos familiares próximos, foi imprescindível referirem os nomes dos parentes (gémeos).
O papel de interlocutor foi desempenhado por nós, uma vez que estamos familiarizados com discursos orientados, ou seja, discursos que conduzam o orador para proferir a palavra que se deseja. A título de exemplo, à questão “Que horas são?”, o indivíduo pode responder, imediatamente, “São quatro”, omitindo a palavra “horas”. A função do interlocutor será a de conseguir com que o orador profira, expressamente, “horas”.
Na revisão de bibliografia relacionada com análise de vozes de gémeos, verificámos algumas metodologias no que diz respeito à obtenção de amostras para análise. Fernández [81] recolheu duas gravações, realizadas com duas ou quatro semanas de intervalo, conversas espontâneas semiestruturadas entre os pares de gémeos. Debruyne et al. [45] solicitaram aos oradores que lessem um texto previamente selecionado (“Papa en Marloes”). Lierde et al. [40] estudaram a vogal sustentada /a/, depois de aquecimento vocal. De seguida, analisaram a mesma vogal em “Ik zie een grote <a>” (Eu vejo um grande <a>). De forma similar, Weinrich e Lancia [50] utilizaram a frase “Ich wasche Haku im Garten” (Eu lavo o Haku no jardim) para analisarem /‘vaʃə/. Loakes [82] serviu-se de conversas telefónicas para investigar os encontros consonânticos /str/, /tr/ e /tʃ/, nos dialetos do inglês australiano. Por seu turno, Whiteside e Rixon [9] optaram pela leitura de uma lista de palavras monossilábicas previamente concebida, sendo que os investigadores estariam focados em vocábulos
cuja consoante tivesse pontos de articulação bilabiais, alveolares, velares e glotais (/b d g h/). Loakes [2] optou por conduzir uma entrevista em que o orador argumentava sobre aspetos da vida, como o percurso académico ou a ocupação profissional. De seguida, o voluntário leu uma lista de palavras. Verificou-se, também, um conjunto de tópicos em que os indivíduos escolhiam um sobre o qual deveriam produzir discurso, fundamentando as suas opiniões. Numa segunda sessão, passados meses, tiveram direito a escolher, novamente, um tema. O objetivo era analisar os onze monotongos do inglês australiano, recorrendo às frequências de formante F1, F2, F3 e F4. Os oradores do estudo de Weinrich [43] repetiram as vogais /a i u/ quarenta vezes, em frases diferentes. Weinrich e Fuchs [83] recorreram à articulografia eletromagnética e à eletropalatografia com o objetivo de analisarem o palato dos gémeos na produção de /sʃ/. Künzel [8] optou por pedir aos participantes que lessem a versão em alemão de “O Vento do norte e o vento do sul” e, posteriormente, que se referissem a aspetos da vida, como a ocupação profissional, os hobbies ou o facto de terem um irmão gémeo. Johnson e Azara [84] criaram, da mesma forma, uma lista de palavras. Por seu turno, a leitura de um poema (“I wandered lonely as a cloud”, de William Wordsworth) foi ferramenta de Ariyaeeini [85], assim como a verbalização da data de nascimento de cada indivíduo.
O diálogo orientado conduzido por nós iniciou-se com um cumprimento entre os interlocutores. De seguida, solicitou-se aos oradores que verbalizassem o nome completo, o local e a data de nascimento, assim como a idade, o nome dos pais, do irmão gémeo e do familiar, caso fizesse parte do estudo. Depois, o orador dizia que dia e horas eram, o clima favorito e o estado civil. Com o objetivo de se obterem respostas mais extensas, foram pedidas as definições, para os oradores, do que significam as palavras “namorado” e “vizinho”. Seguidamente, perguntou-se qual a última escola que tinham frequentado, se tinham gostado de estudar, ou não, e pedimos que justificassem. Questionou-se qual a profissão do orador e do irmão gémeo e, em seguimento, o que definia um bom e um mau profissional. Pretendeu-se obter as palavras “não” e “sim”; por conseguinte, questionámos se gostavam de chocolate e de beterraba. Caso o orador respondesse só que “sim” ou que “não” a ambas as perguntas, improvisávamos, utilizando outro alimento. A penúltima parte do diálogo conduzido consistiu em
solicitar que o orador produzisse, sustentadamente, as cinco vogais tónicas13. Para terminar, era lido o texto “O vento norte e o sol”.
Com os oradores que eram menores, foi utilizado o mesmo protocolo. Mudaram- se, apenas, as questões relacionadas com namorados e vizinhos, sendo substituídas por questões sobre os passatempos favoritos e os locais para os quais gostavam de viajar. Do mesmo modo, questionou-se qual era o cargo profissional dos pais e que profissão gostariam de exercer, no futuro (ver Anexo 4).