A realização deste trabalho permitiu, para além da aplicação de conhecimentos adquiridos ao longo do Curso de Mestrado em Engenharia Agronómica, ter um contacto directo com práticas usadas na Lezíria de Vila Franca de Xira com diferentes tecnologias.
Em relação à opção cultural constatou-se que a Lezíria de Vila Franca de Xira tem condições climáticas adequadas para proporcionar elevadas produtividades, pois as temperaturas verificadas tanto em 2007 como ao longo de trinta anos satisfazem as exigências da cultura ao longo do ciclo cultural.
No que se refere à preparação e tipo de sementeira apesar das razões evocadas para o recurso à sementeira directa seja apenas de carácter económico, o agricultor para a execução deste sistema de produção deveria fazer uma análise sob o ponto de vista técnico para responder concretamente aos seguintes problemas, antes de concretizar uma decisão técnica:
• Caracterização física do solo, mais concretamente para verificar se há compactação;
• Teor em matéria orgânica;
• Possibilidade de erodibilidade;
• Possibilidade de recorrer a um semeador com capacidade para a sementeira directa;
• Existência de herbicidas que combatem eficazmente as infestantes;
Face às caracterizações efectuadas, somos da opinião que sob o ponto de vista técnico os dois sistemas de produção são possíveis e não afectam a produtividade final. Os solos não apresentam compactação e as infestantes são possíveis de controlar, apesar de serem de ano para ano mais difíceis de combater devido às resistências que vão adquirindo sobre os produtos químicos. Portanto, chegamos à conclusão que as características físicas do solo permitem que tal opção possa ter êxito.
Consideramos que, nos dois sistemas de mobilização houve gastos excessivos. Na sementeira directa questionamo-nos se é preciso o uso de tantos produtos fitofármacos para combater as infestantes e no sistema de mobilização convencional consideramos que houve um excesso de mobilização, nomeadamente nas passagens com grades.
Ao observar o desenvolvimento dos dois tipos de mobilização, verificou-se que na parcela de mobilização tradicional a emergência das plantas foi mais rápida e homogénea, enquanto na sementeira directa houve maior dificuldade de emergência devido à palha da campanha anterior deixada na parcela e também devido às dificuldades no combate às infestantes o que constitui uma barreira para a passagem de luz e à própria emergência. O controlo das infestantes, na sementeira directa, exige do agricultor um maior
63 acompanhamento na fase inicial da cultura e uma atenção especial de ano para ano, pois as infestantes vão ganhando resistências aos herbicidas ao longo do tempo.
Para a fertilização não foram efectuadas análises de solos. As doses aplicadas, tanto dos macronutrientes principais como dos micronutrientes necessários à cultura, foram de acordo com o que é normalmente utilizado pelos agricultores da Lezíria, verificando-se um excesso de azoto e zinco e carência em magnésio. Neste factor de produção o agricultor não foi eficiente porque houve um excesso de nutrientes, principalmente de azoto. Como pudemos verificar as necessidades de azoto, para uma produção esperada de catorze toneladas, são de 300 Kg por hectare e foram aplicados nas duas parcelas cerca de 400 Kg. Considerando que há uma disponibilidade de azoto a partir da matéria orgânica, que neste caso o teor de matéria orgânica é de 2,81%, que multiplicando pela área (ha), pela espessura do solo (30 cm), pela taxa de mineralização da matéria orgânica (2%), pelo teor de azoto na m. O. (5%) e pelos meses de permanência da cultura no solo ainda vai haver uma disponibilidade de cerca de 70 Kg de azoto. Portanto, podemos concluir que era necessário aplicar 230 unidades de azoto e foram aplicadas 400 unidades, o que se verifica um excesso de 170 unidades.
Na condução da rega a parcela de sementeira directa apresentou melhores resultados no que diz respeito a esta operação. Foram utilizados 503 mm de água em toda a campanha de rega, sendo apenas desperdiçados 24,5 mm, obtendo-se uma eficiência de rega de 95,1%, enquanto na parcela de sementeira convencional foram utilizados 590 mm de água, com uma perda de 77,7 mm a que corresponde uma eficiência de 86,7%. Em ambos os casos as culturas tiveram sempre em conforto hídrico, uma das preocupações da condução da rega.
Se juntarmos a precipitação de 176,6 mm caídos durante o ciclo cultural, a parcela de sementeira directa tem um total de água aplicada de 679,6 mm e na parcela de sementeira tradicional é de 766,6 mm, valores que estão no intervalo das necessidades apontadas para estas produções nestas condições climáticas.
Pode-se concluir que, no que diz respeito à rega, o modelo apresentado aos agricultores da Lezíria é uma ferramenta de apoio à gestão da rega que conduz a uma maior eficácia na utilização de água.
Para finalizar, o novo método de tratamentos aéreos através de helicóptero tem grande interesse principalmente no sistema de sementeira directa na medida em que se pode fazer a aplicação de glifosato, quando não for possível entrar no solo com tractor, aumentado o tempo disponível para a sementeira. Para os dois sistemas tem vantagens em caso de urgência, isto é, quando ocorre algum problema com o pivot e seja preciso tratar rapidamente.
64 Finalmente o estudo económico leva-nos a afirmar que a sementeira directa tem a ligeira vantagem, ainda que as condições observadas não nos permitam fazer esta afirmação com rigor, pois era necessário mais repetições e porque houve usos excessivos dos factores de produção. No caso, o aumento do custo com herbicida foi inferior ao custo com mobilização tradicional.
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