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nas reformas políticas e no desenvolvimento económico do Magrebe, estão condenadas ao fracasso. O desenvolvimento necessário àqueles desideratos também tem de envolver a literacia, as condições sociais, o acesso à saúde e à justiça, os direitos humanos e outros vectores. E nestas áreas a Europa pode cooperar, com o seu saber, experiência e financiamento, em iniciativas comuns, que possam colmatar as faltas detectadas.
No Sul, registando-se evoluções nesta dimensão, ainda se verifica um elevado grau de iliteracia. Na Argélia só 69,9% da população sabe ler e escrever. Em Marrocos essa percentagem é de 52,3% e na Tunísia é de 74,3% (CENTRAL INTELLIGENCE AGENCY: 2008). Para além disso, também aí se verificam: dispari- dades de tolerância entre géneros humanos, uma distribuição não equitativa da riqueza, dificuldades no acesso às condições básicas de vida, mormente à água potável, ao saneamento, aos cuidados de saúde, etc. Por outro lado, as suas organizações de carácter social são, na maior parte, controladas pelos Estados, e têm uma base marcadamente religiosa, dificultando, por esse facto, o relacionamento com algumas congéneres europeias.
As estratégias centradas nesta dimensão têm de ter em conta o carácter cultural que a envolve. As suas formulações devem ter em conta que as culturas promovem as identidades e que estas se afirmam pelas diversidades, mas “As civilizações culturais não resultam apenas do confronto com os opostos mas também das permutas com os diferentes. As civilizações (…) podem ser lugares de tolerância e intercâmbio positivo entre sociedades abertas.” (MOITA: 2009; 135). Assim, respeitando as diversidades, essas estratégias devem procurar entender e, se possível, aproximar as percepções como cada civilização se vê e observa a outra.
Tais estratégias deverão procurar a implementação e concretização dos “Objectivos de Desenvolvimento do Milénio”, definidos na “Declaração do Milénio” das NU, nomeadamente os da erradicação da pobreza, da promoção da igualdade de géneros e da literacia, do combate à doença e as parcerias com empresas farma- cêuticas para a disponibilização de medicamentos mais baratos (ONU: 2000; 5-6). A UE e outras parcerias de geometria variável, como seja o Diálogo 5+5, podem ter um papel importante sobre a inclusão nas estratégias nacionais, de caminhos para o atingir esses objectivos, sem se imiscuírem naquilo que são assuntos da sobe- rania de cada Estado, mas fazendo recomendações nesse sentido, deixando à opção dos governos desses paí- ses o aceitar, ou não, das mesmas. Contudo, mais do que aquelas organizações, são os países que conhecem a sua própria realidade e, como tal, devem estar interessados em resolver os seus próprios problemas, sendo mais inteligente fazê-lo com a ajuda de quem pode contribuir para esse desiderato.
As OI podem ser, no âmbito desta dimensão, mais interventivas, promovendo fóruns onde possam debater ideias, melhorar a compreensão e as relações entre Estados, como forma de debelar as polarizações e os fun- damentalismos. Podem incentivar o diálogo em fóruns restritos ou mais alargados, como o da “Aliança de Civilizações”. Apesar de todas as críticas que essa iniciativa tem merecido, algumas imerecidas e tendencio- sas, ela constitui uma plataforma que, desde 14 de Julho de 2005, tem procurado aproximar quem, no seio das civilizações, tem percepções diferentes, promovendo o diálogo com vista à compreensão e a aceitação da diferença. No presente essa compreensão e aceitação são essenciais, para o continuar de um processo que
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assegure a concórdia, a cooperação e o desenvolvimento da segurança. Dos países magrebinos, só a Argélia possui um plano nacional para desenvolver esse Aliança (MAE: 2009), mas também muitos dos países oci- dentais ainda não o têm. A sugestão, pela Europa, da elaboração, pelos países magrebinos, de planos dessa ordem, pode ser uma forma de os comprometer num caminho que ajude as relações ente as margens, mas deve ser acompanhada por igual comprometimento por parte dos países do Norte, sob pena de a desconfiança se instalar no seio de um projecto cujos objectivos incidem, principalmente, na confiança.
Outro campo de acção onde essas OI podem ter intervenção é a cooperação na recuperação e manutenção do vasto património cultural arquitectónico existente no Magrebe. Essas iniciativas, sendo elogiáveis, poderão incentivar o turismo cultural, o que poderá contribuir para o desenvolvimento dos países magrebinos.
Em 04/11/2008, na cidade do Vaticano, reuniram-se destacados estudiosos da Santa Sé e do mundo Islâmi- co, com o objectivo de melhorar as relações entre essas duas religiões, diminuir as tendências para as “tenta- ções dogmáticas” e compreender, no respeito mútuo, as crenças de cada um. Essa iniciativa tinha sido antece- dida pelo manifesto “Um Mundo Comum”, assinado por 138 académicos muçulmanos, que convidavam o mundo Cristão ao diálogo (PÚBLICO: 05/11/2005), o que indicia a abertura dos Islamitas a esse tipo de ini- ciativas. E são estas que, também, contribuem para a facilitação do relacionamento e impedem o ostracismo.
As imigrações vindas do Sul, mesmo as ilegais, são vistas por este como oportunidades para o seu desen- volvimento económico. Com algum controlo sobre essas imigrações, a Europa pode contribuir para que a imigração legal seja uma mais-valia para o Sul e para si mesmo, implementando o acordado, em 19/11/2007, na 1ª Reunião da Parceria Euro-mediterrânica sobre Migração, no que diz respeito à formação profissional e linguística e à criação de canais bancários que canalizem as poupanças dos imigrantes para os seus países, mas também outras, como a concessão de micro-créditos para a formação de pequenas empresas, a simplifi- cação da burocracia inerente a essa formação, a informação sobre os mercados e as oportunidades de negócio, etc. Aliás, a Europa poderia estender essas medidas, em especial as do micro-crédito, à iniciativa privada dos magrebinos, voltada para os seus países, criando postos de trabalho e fomentando o desenvolvimento interno, podendo isso ser feito através de instituições bancárias desses próprios países.
A promoção de parcerias entre Universidades já foi neste trabalho exaltada como necessária, para o desen- volvimento educacional e a formação de jovens que possam vir a ser a escol do futuro. Essas parcerias devem ser estendidas à formação de outros níveis, como seja o ensino primário, secundário e técnico, incidindo, não só nas povoações ribeirinhas, mas também nas que estão no interior. A doação de bibliotecas e videotecas a instituições académicas e a outros organismos públicos, poderão auxiliar à libertação dos jovens de uma for- mação tradicional e restrita, podendo-lhes conferir, no futuro, outras amplitudes e horizontes. É, precisamente, para os jovens que o esforço de todas as estratégias deve ser orientado, pois são eles o futuro do Magrebe.