De acordo com consenso da conferência de Amsterdã de 1996, a osteoporose é definida como uma doença caracterizada por baixa massa óssea e deterioração da
microarquitetura do tecido ósseo, levando a uma redução da resistência mecânica e a uma fragilidade aumentada. Sob o ponto de vista clínico, a osteoporose está associada ao risco aumentado de fraturas vertebrais e dos ossos longos. Devido ao alto custo dos tratamentos de saúde relacionados a tais tipos de fratura, é importante identificar os indivíduos com risco aumentado para futuras fraturas [7]. Alguns autores preferem sintetizar o conceito de osteoporose como uma “[...] doença esquelética sistêmica que se caracteriza por baixa massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, com consequente aumento da fragilidade óssea e susceptibilidade de fraturas” [22].
A osteoporose é uma das doenças ósseas mais comuns no ocidente. À medida que o tratamento e a prevenção progridem, há a necessidade da avaliação exata da perda ocorrida e o mapeamento do risco de fratura para ajudar a decidir quais pacientes necessitam de tratamento ou medidas preventivas [23]. O tipo de osteoporose mais frequente, dada a sua ocorrência populacional, é a osteoporose pós-menopáusica, ou do Tipo I, que acomete mulheres após a cessação de suas menstruações. O fator hormonal, neste tipo de osteoporose, responde por sua gênese. Estima-se, hoje, que dentre as mulheres da raça branca, uma em quatro desenvolvem a doença. No Brasil, estima-se que 30% de mulheres acima dos 45 anos (cerca de 5 milhões) apresentam osteoporose e, dessas, quase a metade sofrerá fraturas e, aproximadamente, 200 mil morrerão como consequência última das fraturas osteoporóticas [24]. As fraturas de vértebras e punho (Colles) são as mais comuns neste tipo de osteoporose e levam, com muita frequência, a deformidades e limitações laborativas intensas em uma fase extremamente produtiva da vida. A osteoporose senil, ou do Tipo II, acomete tanto mulheres como homens após os 65 anos e, no caso das mulheres, pode somar-se aos danos esqueléticos produzidos na pós-menopausa. A fratura do colo femoral é característica desta enfermidade, a qual conduz cerca de 20 a 25% dos pacientes acometidos a óbito nos primeiros 6 a 12 meses pós-fratura [24]. Dos restantes, 50% adquirem sequelas orgânicas e funcionais que irão acompanhá-los pelo resto da vida, levando a limitações funcionais e laborativas graves, bem como perda parcial ou total da independência e da auto-estima. A osteoporose secundária responde por cerca de 20% dos diágnósticos e afeta homens e mulheres em iguais proporções [24].
As principais causas da osteoporose são outras doenças de cunho reumático, endócrino, ortopédico ou neurológico, além do uso de vários medicamentos de forma prolongada, tais como corticóides, citostáticos, anticonvulsivantes, hidróxido de alumínio, dentre outros [24]. No grupo de risco para a osteoporose pode-se enquadrar as mulheres da raça branca, de pequena envergadura física, com antecedentes familiares de osteoporose,
menopausa precoce (natural ou cirúrgica), com passado de privação de leite na dieta, consumo excessivo de café (cafeína) e etilistas [24]. De acordo com Frisoli Júnior [25], outros elementos decorrentes do envelhecimento também atuam como adjuvantes na gênese da perda de massa óssea, entre os quais destacam-se: absorção deficiente de cálcio, alterações hormonais e baixa atividade física, que direta ou indiretamente, acabam alterando a remodelação óssea. No estômago, o envelhecimento pode causar atrofia da mucosa gástrica, com consequente aumento do pH. Estima-se que isto ocorra em cerca de 20% a 50% dos idosos, entre a sexta e a sétima década de vida. Como o cálcio necessita de meio ácido para ser absorvido, esses pacientes podem apresentar deficiência em sua absorção. Do ponto de vista hormonal, os problemas começam justamente com a diminuição da absorção intestinal de cálcio, causada pela deficiência na produção e ação da vitamina D. Paralelamente, a remodelação óssea é afetada pela falta de outros hormônios, como os gonadais e os suprarrenais, o pelos fatores de crescimento. Entretanto, com o envelhecimento, tanto os homens como as mulheres sofrem perda na produção de outros hormônios e citocinas que interferem na remodelação óssea, propiciando o desenvolvimento da osteoporose. A interleucinas-1 e 6 são potentes estimuladoras da atividade osteoclástica. Seus níveis sofrem discreta elevação em alguns idosos, aumentando o processo de reabsorção óssea. Em mulheres ooforectomizadas ou menopausadas, os níveis de interleucina-6 estão aumentados, em decorrência da diminuição na produção do estradiol, que inibe a secreção desta interleucina pelos osteoblastos. A diminuição da atividade física é importante na gênese da osteoporose e como fator de risco para quedas e fraturas. A correlação entre pacientes acamados, história de imobilidade ou diminuição da atividade física tem relação direta com a queda da massa óssea.
A osteoporose é um fator presente em mais de 1,5 milhões de fraturas registradas a cada ano nos Estados Unidos [26]. A Ásia, África e América Latina são regiões que apresentarão maior aumento no número de idosos até 2050. O número de homens, acima de 50 anos, duplicará, chegando a triplicar em certos países e regiões desses continentes. Com o aumento da população idosa, a prevalência de doenças crônicas e degenerativas como Alzheimer, osteoporose e acidentes vasculares cerebrais, também aumentará, fazendo com que os gastos com tratamento dessas doenças e suas consequências cresçam de forma geométrica [25]. Assim, à medida que a população envelhece, o número de fraturas tende a aumentar, bem como a mortalidade relacionada a essas fraturas. Apesar de ser uma importante causa de mortalidade e morbidade, a osteoporose é tardiamente percebida e pouco tratada. Mesmo considerando que a densitometira óssea por feixe de raios X de dupla energia ofereça
um método disponível para avaliar a densidade óssea e que diversas formas terapêuticas existam, a osteoporose ainda não é tratada na extensão em que se faz necessária [27].