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1. INTRODUKSJON

1.3 B OSETTERE PÅ V ESTBREDDEN

Os contratos de trabalho caracterizam-se por serem de longo prazo. As relações de trabalho não

são uma interacção de um período entre estranhos, mas um conjunto de interacções entre parceiros. Os

trabalhadores têm, então, a possibilidade de construir uma reputação com o objectivo de receber salários

mais elevados.

Gächter e Falk (1999) conduziram sessões experimentais para analisar o impacto da

reciprocidade em conjunto com os incentivos estratégicos de interacções repetidas entre parceiros no

cumprimento dos contratos. Para esse efeito, mantiveram os mesmos pares de trabalhadores e empresas

(determinados exogenamente) durante dez períodos (dez repetições do jogo de duas fases), o que era de

conhecimento comum dos sujeitos. Passa a existir uma história comum aos sujeitos. Como forma de

controlar os efeitos das repetições foi realizado outro tratamento em que um par de sujeitos que interagia

durante um período nunca se voltaria a agrupar nos restantes nove. Refira-se, ainda, que para analisar os

efeitos da experiência adquirida pelos sujeitos, Gächter e Falk realizaram sessões com sujeitos com

experiência94.

A teoria dos jogos mostra que interacções repetidas com os mesmo sujeitos podem criar

incentivos que não estão presentes quando não existem essas repetições. Especificamente, com

interacções infinitamente repetidas os sujeitos podem acordar num contrato incompleto que domine em

93

Para perceber a formação de expectativas no momento da escolha do nível de esforço questionaram-se os trabalhadores sobre o nível de recompensa ou punição esperado. As empresas não eram informadas sobre estas expectativas.

94

Alguns sujeitos que participaram nos tratamentos com e sem história comum, após concluírem os primeiros dez períodos, foram informados que iriam repetir o jogo mais dez períodos, tendo, desta forma, a experiência dos dez primeiros.

termos de Pareto o contrato de equilíbrio de Nash95. O mesmo pode acontecer com repetições finitas,

como demonstraram Kreps et al. (1982)96. Com efeito, num jogo de troca de ofertas sem conhecimento

comum de que todos os indivíduos são racionais e egoístas, os trabalhadores (mesmo que egoístas) podem

construir uma reputação de serem recíprocos, porque, deste modo, podem obter salários elevados das

empresas. Como consequência, a relação entre salário e esforço tem de ser pelo menos igual à das sessões

experimentais sem interacções repetidas, embora no último período reverta para valores idênticos. Prevê-

se este revertimento, porque os benefícios de longo prazo da reputação deixam de existir no último

período e passam a ser inferiores aos custos de esforço de curto prazo (tal como já tinha sido argumentado

anteriormente). Por conseguinte, no último período só os sujeitos recíprocos mantêm o seu nível de

esforço.

Os resultados das sessões experimentais mostram que não há diferenças entre os salários

oferecidos nos tratamentos com e sem história comum. No entanto, o nível de esforço é superior no

tratamento com história comum em todos os períodos, menos no último, em que se aproxima dos níveis

do tratamento sem história comum, tal como previsto. A correlação entre salário e esforço é, também,

superior com a repetição das interacções com os mesmos sujeitos. A partir desta correlação, Gächter e

Falk determinam ao nível individual (de cada trabalhador) uma proporção significativa de sujeitos

recíprocos, robusta entre os diferentes desenhos experimentais (cerca de 50%)97, e uma proporção não

negligenciável de sujeitos racionais que imitam a reciprocidade (20%)98, 99.

Os resultados são robustos à experiência e aprendizagem dos sujeitos, pois mantêm-se os

comportamentos recíprocos quando participam sujeitos com experiência, havendo mesmo tendência para

o aumento do nível de esforço. Se existir algum efeito da aprendizagem, esse efeito é, então, de tornar os

sujeitos mais recíprocos.

95 Pelo teorema de Folk (Gibbons, 1992: 89 e Pontes, 1999: 76-79) sabe-se que desde que o parâmetro de desconto seja tal que a retaliação não seja negligenciável, todo o pagamento, resultante de uma combinação de estratégias, que domine em termos de Pareto o pagamento do equilíbrio de Nash, pode ser sustentado como um equilíbrio perfeito num jogo repetido infinitamente.

96

Kreps et al. (1982) demonstram que se não existir informação comum que todos os agentes são racionais e egoístas, mesmo os agentes egoístas podem ter um incentivo para imitar estratégias cooperativas em jogos repetidos finitamente como o dilema do prisioneiro.

97

Por sujeitos recíprocos Gächter e Falk (1999: 13) entendem os sujeitos que têm um coeficiente de correlação de Spearman entre esforço e salário positivo e que escolhem um nível de esforço estritamente superior ao mínimo no último período. O coeficiente de correlação de Spearman é uma medida de correlação que será descrita mais à frente. 98

Por sujeitos que imitam a reciprocidade entende-se os sujeitos que têm um coeficiente de correlação de Spearman entre salários e esforço positivo, mas que no último período escolhem o nível de esforço mínimo.

99

Para uma análise dos efeitos das características da personalidade dos sujeitos em diferentes contextos sociais vide Kirchler, Fehr e Evans (1996).

Neste espírito, Falk, Gächter e Kovács (1999), também, conduziram sessões experimentais na

Hungria, em que se mantinham os mesmos pares durante a sessão experimental100. Refinaram a análise

anterior ao permitirem que os trabalhadores, para além de responderem aos incentivos estratégicos das

repetições, reagissem a incentivos sociais, como a aprovação ou desaprovação social101. Este desenho é

uma aproximação à realidade, pois as interacções não ocorrem num vácuo, mas enquadradas num

contexto social.

Foram criados outros dois tratamentos distintos. No primeiro, designado por face a face, os dois

sujeitos encontraram-se antes de conhecerem as regras do jogo, não lhes sendo permitido comunicar

verbalmente ou com comentários escritos. De acordo com Bohnet (1997 citado por Falk, Gächter e

Kovács, 1999: 261), o abandono do anonimato permite o controlo social e, consequentemente, a maior

orientação do comportamento pelas normas sociais102. No segundo tratamento, designado por pressão

social, para além dos procedimentos do tratamento face a face, os sujeitos têm a informação que, após o

último período, podem comunicar e discutir sobre a sessão experimental com o seu parceiro.

Os dois tratamentos descritos são formas parcimoniosas de introduzir a interacção social e

permitir o seu controlo. Com estes procedimentos evita-se que os jogadores comuniquem durante a

sessão, que levaria à coordenação para obter determinados salários e níveis de esforço e não permitiria

investigar as consequências da aprovação ou desaprovação social isoladamente. Como se referiu na

secção 3.1., as experiências têm esta vantagem de permitir isolar os factores que se pretende estudar.

Os resultados da experiência mostram que os salários são iguais nos quatro tratamentos

conduzidos por Falk, Gächter e Kovács: sem história comum, com história comum, face a face e com

pressão social. Todavia, em relação aos níveis de esforço existem diferenças entre tratamentos. As

repetições dos jogos com os mesmos pares de sujeitos provocam um aumento dos níveis de esforço em

relação ao tratamento em que os pares não são os mesmos durante a sessão experimental, mas sem o

100

Refira-se que neste tratamento foi concedido um benefício ao trabalhador (subsídio de desemprego) no caso de rejeição da proposta salarial, enquanto a empresa permanecia com ganhos nulos.

101

Olson (1965) salientou o potencial dos incentivos selectivos, que incluem os incentivos da aprovação social, para induzir os indivíduos a cooperar. Também Offer (1997) mostra que uma grande parte da produção é governada por uma economia onde o reconhecimento e consideração conduzem as interacções. Reconhece que no contexto do mercado de trabalho o comportamento pode basear-se na troca de bom desempenho pela aprovação social.

102

Gächter, Fehr e Kment (1996: 543) apontam vários efeitos da identificação dos parceiros de troca: permite formar melhores expectativas sobre as respostas dos oponentes; pode desencadear normas intrínsecas para a cooperação; e, por fim, tornar relevante as preferências pela aprovação ou desaprovação social.

efeito de fim de jogo verificado nas sessões experimentais conduzidas por Gächter e Falk (1999)103. No

tratamento face a face os níveis de esforço são superiores aos do tratamento com história comum, mas a

diferença é estatisticamente insignificante. De forma semelhante, os níveis de esforço do tratamento com

possibilidade de comunicação após a sessão experimental não foram estatisticamente diferentes dos

escolhidos no tratamento face a face e por consequência do com história comum104. Pode, então, concluir-

se que acrescentar os incentivos da repetição do jogo com os mesmos sujeitos aumenta a propensão para

cooperar. Contudo, acrescentar incentivos de aprovação não aumenta os níveis de esforço em relação ao

obtido com a história comum dos sujeitos. Falk, Gächter e Kovács (1999: 274-275) tentam explicar os

resultados com o argumento dos efeitos da repetição do jogo com os mesmos pares serem bastante

significativos, não possibilitando efeitos extra da aprovação ou desaprovação social.

Para além de estudar os incentivos sociais, é importante estudar se incentivos explícitos,

também, facilitam o cumprimento dos contratos.