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V. Sametingsbygningen i Karasjok: ornamentalt monumental

5. En “svak” arkitektur

5.1 Ornamentalt monumental

GERENCIAMENTO AMBIENTAL NO ÂMBITO DA CIÊNCIA DA

CONSERVAÇÃO

1.1- A Ciência da Conservação no âmbito transdisciplinar das ciências naturais – breve perspectiva histórica e desdobramentos atuais

A Ciência da Conservação, definida como campo de conhecimento transdisciplinar2, é uma concretização relativamente recente (FRANTZ, 2007, p. 40; OLIVEIRA, 2006a, p. 148; ROEMICH e WEINTRAUB, 2010; SOUZA, 2008b). Este trabalho tenta realizar uma delicada mediação dialética entre as disciplinas que se miscigenam nesse campo em formação, apropriando-se de ferramentas comumente utilizadas nas Ciências Exatas de onde busca transpor métodos, linguagens e abordagens para uma área em que atuam profissionais habituados às Ciências Humanas, Sociais Aplicadas e à Arte.

Estudando-se a etimologia da palavra museu, retrocedemos à tradição clássica, em que os sacerdotes responsáveis pelo áditon3 do templo grego, onde era depositado o thesauros

(oferendas, ex-votos, relíquias e objetos de memória), cumpriam tarefas de gestão e inventário, sendo remunerados por este trabalho e se responsabilizando também pela conservação dos objetos.

FRONER (2001) explora os caminhos do desenvolvimento deste campo científico e das profissões que nele vêm atuando e elucida, por meio de apontamentos históricos e filosóficos, como o seu campo e hábito4 vão se tornando mais claros e definidos à medida que coleções privadas e públicas tornam-se mais extensas e organizadas, e constituem-se

2 O termo diz respeito à intercomunicação entre as disciplinas, de modo que resulte uma modificação

entre elas, por meio de um diálogo compreensível. (JAPIASSÚ apud ALVES et al., 2004). Vide como CASSAR e TAYLOR (2004) consideram a abordagem transdisciplinar na Conservação Preventiva. CORREA (2003, p. 137) discorre sobre a necessidade dessa abordagem na investigação museológica.

3

Sala tipicamente encontrada nos templos da Antiguidade Clássica, acessada somente pelos sacerdotes e utilizada para o culto ou colocação de oferendas.

4 Na conceituação de Pierre Bourdieu, o termo campo científico denomina o espaço simbólico, lugar

empírico de socialização, no qual os agentes – dominantes ou novatos – competem e legitimam representações. Já os hábitos se constituem em “sistemas de esquemas gerados de percepção, de apreciação e de ação, que são o produto de uma forma específica de ação pedagógica e que tornam possível a escolha dos objetos, a solução dos problemas e a avaliação das soluções” (BOURDIEU, 1976).

como patrimônio financeiro, determinando a necessidade de pessoas capacitadas para a sua manutenção. A expansão do colecionismo no decorrer do século XVII é considerada um marco relevante neste desenvolvimento. Ele se dá como uma consequência direta da prosperidade econômica e das transformações sociais decorrentes da riqueza acumulada. Para abrigar as coleções, criam-se galerias, gabinetes de curiosidades, estúdios de leitura, salas de antiguidades nos palácios (IMPEY e MACGREGOR, 2013).

No séc. XVIII, a Revolução Francesa e em seguida o período napoleônico consolidam o caráter documental dos monumentos, anexando a eles o conceito “histórico” e a transformação de coleções particulares em museus que passam a guardar um patrimônio “público”. O primeiro traço característico dos museus modernos é a sua permanência, em oposição à transitoriedade das coleções particulares. Também no séc. XVIII, coleções pertencentes à coletividade surgem no seio das universidades, que herdam e passam a ampliar os acervos dos nobres europeus.

FRONER e ROSADO (2008) destacam mudanças ocorridas neste processo, a partir do século XIX:

quando as grandes coleções públicas – museus e bibliotecas – são formadas, os profissionais dessa área se veem confrontados com uma nova responsabilidade perante os acervos. Nesse momento, a linha limítrofe que separava a criatividade do artista e a atitude do restaurador começa a ser mais bem demarcada: o respeito estético e pela originalidade da obra passa a ser uma bandeira de muitos agentes que trabalham com cultura material.

(...) As atividades de restauração intensificaram-se na Europa após o período da Revolução Francesa, das Guerras Napoleônicas e demais conflitos relacionados à construção do Estado Moderno, devido ao vandalismo, à prática do espólio de guerra e aos traslados abruptos. A segunda metade do século XIX concebe duas vertentes antagônicas em relação à prática da restauração: de um lado encontramos Eugène-Emmanuel Viollet-le-Duc e de outro Willian Morris e John Ruskin. (FRONER e ROSADO, 2008, p. 5-6).

As autoras apontam, em sequência cronológica, o surgimento de uma corrente historicista, no séc. XX. Segundo elas, os conceitos de Alois Riegl na obra “O culto moderno aos monumentos”, de 1903 “foram utilizados como base para a prática da profissão, uma vez que é nesse primeiro texto que o respeito ao original e os critérios de seleção a partir da noção de valor são anunciados” (FRONER e ROSADO, 2008, p. 7). O pensamento de Riegl e Camilo Boito estruturou as ideias das décadas de 1930 e 1940, como por exemplo, os escritos de Gustavo Giovannoni, que vão se refletir nos documentos que estabelecem os princípios da restauração concebida como reintegração e conservação, no séc. XX. O Instituto Central de

Restauro, em Roma, o ICOM - Conselho Internacional de Museus e o ICCROM - Centro Internacional para o Estudo da Preservação e Restauração do Patrimônio Cultural, são fundados respectivamente em 1939, 1946 e 1956. Este último, fruto da colaboração entre Paul Philippot e Cesare Brandi, autores que vão influenciar toda uma geração, mantendo a Itália como centro formador de recursos humanos e teorias da restauração durante esse período.

Em 1964 é editada a carta de Veneza, no II Congresso Internacional de Arquitetos, e é fundado o ICOMOS – Conselho Internacional de Monumentos e Sítios, com a proposta de trabalhar a preservação no contexto social e urbano dos monumentos. Esse é o foco dado à Convenção do Patrimônio Mundial que estabeleceu diretrizes globais para a proteção do patrimônio cultural e ambiental da humanidade. A década de 1970 é caracterizada por estudos de suportes materiais e o desenvolvimento de técnicas e exames especiais para análise científica das obras de arte. A essa altura, o Laboratório dos Museus Reais de Berlim (1888) já era quase centenário e alguns laboratórios de pesquisa existentes em museus já contavam algumas décadas de existência: Laboratório de Pesquisa do Museu Britânico – 1920; Museu de Arte Fogg – 1928; Museu de Belas Artes de Boston – 1930; Laboratório de Pesquisa dos Museus da França – 1932; Laboratório Central dos Museus Belgas – 1948; Laboratório de Pesquisa em Conservação do Instituto Smithsonian – 1963 (STANIFORTH, 2013, parte III).

Os anos 80 assistem ao desenvolvimento de estudos de Química aplicada à Restauração. A obra The museum environment, de THOMSON (1986) introduziu uma série de princípios e padrões para o controle ambiental de coleções, pesquisados pela National

Gallery de Londres, desde a 2ª Guerra Mundial (DAVIES e RAWLINS, 2013).

GUICHEN (2009) aponta o livro The conservation of antiquities and works of art, de PLENDERLEITH (1956) como o marco inicial do que nos anos 90 passou a se denominar

Conservação Preventiva. Um marco importante para a consolidação da Ciência da

Conservação foi um seminário internacional promovido pelo ICCRO0M, realizado em Bolonha, em 1999, cujo documento5 resultante conclui que

(...) não é possível pensar sobre a conservação sem a sustentação das ciências naturais. Trabalhos de arte não têm somente valor estético e histórico, mas também uma natureza física que deve ser considerada. Compreendendo as propriedades dos materiais; o macro e o microambiente; o estado de preservação e os processos da deterioração; o desenvolvimento de materiais e de métodos de conservação, a área

passa a consolidar um saber específico. Entretanto, enquanto os papéis dos curadores, conservadores e documentalistas parecem estar estabelecidos, o mesmo não se dá com o dos cientistas da conservação. A definição do termo, a abrangência de atuação e formação tornou-se imprescindível para a ocupação de um espaço social. (FRONER e ROSADO, 2008, p. 19).

Nos anos 2000, o movimento ambientalista, que se iniciou na década de 1970 chega também ao campo da Conservação-Restauração, sendo por vezes denominado, nos trabalhos mais recentes, de “Conservação Verde” (vide seção 2.2).

Na última década, a Ciência da Conservação ganhou o status de instância validadora dos procedimentos de conservação-restauração. Periódicos da área de conservação- restauração dedicaram números especiais a essa temática (GCI, 2005).

OLIVEIRA (2006, p. 148) considera que sem o conhecimento e linguagem científicos não há como montar uma equipe interdisciplinar séria para executá-los. REEDY et. al (1992) classificam os problemas típicos com que lidam os cientistas da conservação, em termos de etapas de estudo e categorias de investigação. Apresentam ainda como os diversos procedimentos do método científico se aplicam à pesquisa em conservação-restauração. CRUZ (2012) discorre sobre o contexto e modelos em que se dão as relações entre as Ciências de um modo geral e a Conservação, destacando as questões a respeito dos bens culturais, que os estudos laboratoriais procuram responder. Essa temática é abordada também por AINSWORTH (2005) e LECHTMAN et al. (2005). ESCOBAR (2013) propõe aperfeiçoar os procedimentos técnico-científicos aplicados à restauração do Patrimônio Cultural por meio de protocolos de identificação, caracterização, investigação, intervenção e difusão, aplicados à preservação de bens culturais imóveis. O grau de especialização atual da Ciência da Conservação pode ser ilustrado pelo número de grupos de trabalho específicos que existem no ICOM-CC (Comitê de Conservação do Conselho Internacional de Museus)6: vinte

e um, entre eles, o de Conservação Preventiva.

Em 2006, o comitê de ciência e tecnologia do parlamento britânico (REINO UNIDO, 2006) propôs um novo termo para denominar um campo científico mais amplo, que inclui e configura uma extensão da Ciência da Conservação: a Ciência do Patrimônio (Heritage Science). Estariam aí contidos todos os aspectos da pesquisa realizada pelos cientistas da conservação, realizada em instituições museais, universidades e institutos de pesquisa, abrangendo não somente os aspectos físico-químicos que dão suporte à Conservação- Restauração, mas também ao acesso, registro e interpretação do Patrimônio Cultural. A Figura 1 procura ilustrar sinteticamente as interfaces entre diversos campos do conhecimento tratados nesta tese.

OLIVEIRA (2006) traça o percurso e as perspectivas futuras da formação científica como base da formação do conservador brasileiro. SOUZA (2011) também apresenta um breve histórico e aborda as relações entre as práticas científicas e a conservação de acervos no contexto nacional.

No Brasil, a partir de 1920, a temática do patrimônio começa a ser considerada politicamente relevante. Já funcionavam os grandes museus nacionais para proteção de bens móveis. Porém, ainda não havia meios para proteção de bens integrados e imóveis. Em 30 de novembro de 1937 é promulgado o decreto-lei nº 25, que cria o SPHAN e regulamenta o instituto do tombamento. Nos anos 50 destaca-se a atuação dos restauradores Edson Motta, no Rio de janeiro, João Rescala na Bahia, Jair Afonso Inácio, em Ouro Preto e Fernando Barreto em Pernambuco. As missões da UNESCO no Brasil nas décadas de 1960 e 1970 geraram um contexto de cooperação internacional que favoreceu a criação, ao final dos anos 70, do PCH – Programa de Cidades Históricas, e a articulação, em nível estadual, de alguns órgãos de proteção do Patrimônio Cultural (LEAL, 2010, 2011; SOUZA, 2008).

Na década de 1980 é fundado na UFMG o CECOR – Centro de Conservação- Restauração de Bens Culturais Móveis, com atuação destacada da profa. Beatriz Coelho, e na Bahia, o CECRE - Curso de Conservação de Monumentos e Sítios Históricos - na UFBA, pelas mãos do Prof. Mário Mendonça. Ambos com apoio do Ministério da Cultura e da UNESCO (COELHO, 2011; OLIVEIRA, 2006; SOUZA, 2008). A Associação Brasileira de Conservadores-Restauradores de Bens Culturais também foi fundada em 1980 e desde então o foco dos debates tem convergido para a regulamentação da profissão, presentemente em discussão no Congresso Nacional. Atualmente o cadastro de cursos do Ministério da Educação registra na área de Conservação-Restauração três cursos de bacharelado (UFMG,

UFRJ E UFPEL) e cinco superiores de tecnologia (IFMG, FTSG, PUCSP, UNESA e UNIEURO) 7.

Nesse contexto, destaca-se a atuação do Laboratório de Ciência da Conservação da UFMG, onde se desenvolveu a pesquisa que embasou esta tese. O LACICOR é coordenado pelo prof. Luiz Souza e vem consolidando sua atuação em duas linhas principais, a saber: análise científica de obras de arte e conservação de bens culturais. Trabalhando com a Especialização desde a fundação do CECOR, nos anos 2000 a Escola de Belas Artes da UFMG consolidou seus programas de mestrado e doutorado na área, vindo a inaugurar, em 2008, o primeiro curso brasileiro a formar conservadores-restauradores em nível de graduação.

1.2- Conservação Preventiva e Gerenciamento de Riscos no âmbito da Ciência da Conservação

1.2.1- Conservação preventiva

A Conservação Preventiva é um dos principais temas da preservação do Patrimônio Cultural. Ela abrange todas as atividades e/ou atitudes que visam evitar, retardar e/ou minimizar a deterioração dos bens culturais. Envolve medidas indiretas, abrangendo questões relativas a: capacitação e gestão de recursos humanos, políticas institucionais de preservação, acondicionamento, exposição, manuseio; transporte, segurança, gerenciamento ambiental (monitoramento e controle das condições climáticas como temperatura, umidade e pureza do ar), controle de pragas, entre outros.

De natureza multi e transdisciplinar, a Conservação Preventiva compreende conteúdos de diversas áreas do conhecimento, ilustradas na Figura 1: (i) Engenharias; (ii) Ciências Sociais Aplicadas (Museologia, Arquitetura e Urbanismo, Administração, Ciência da Informação, Arqueologia); (iii) Ciências Exatas (Física, Química); (iv) Ciências Humanas (História8, Filosofia); (v) Artes; (vi) Ciências Biológicas e da Saúde (Botânica, Microbiologia, Entomologia).

7

Consulta realizada em 25/08/2013.

8 No contexto ilustrado na Figura 1, destaca-se o campo interdisciplinar denominado História da Arte

STANIFORTH (2013) faz um rastreamento das perspectivas históricas do desenvolvimento da Conservação Preventiva, abrangendo aspectos que envolvem teoria e prática no âmbito da Conservação-Restauração e busca explorar as relações entre práticas antigas de conservação e a problemática contemporânea da Sustentabilidade. Para STANIFORTH (2013, p. xiii) o termo preservação implica na “manutenção das coisas como estão”, o que seria, em realidade, impossível, uma vez que as alterações físico-químicas decorrentes do envelhecimento dos objetos são inexoráveis. Já o termo conservação poderia, para Staniforth, ser definido como “administração da alteração” e conservação preventiva como “desaceleração da taxa de alteração, deterioração ou envelhecimento” dos objetos.

Em sua 15ª Conferência Trienal, realizada em Nova Délhi em setembro de 2008, o Comitê de Conservação do ICOM adotou uma resolução9 sobre terminologia para a área de

conservação-restauração, definindo os termos "conservação preventiva", "conservação curativa" e "restauração", conforme abaixo. Cabe enfatizar que os exemplos citados em cada definição não devem ser interpretados de maneira restritiva, podendo aplicar-se a mais de uma delas, em alguns casos.

Conservação: Todas aquelas medidas ou ações que visam à salvaguarda do

patrimônio cultural tangível, assegurando a sua acessibilidade às gerações presentes e futuras. A conservação compreende a conservação preventiva, conservação curativa e a restauração. Todas estas medidas e ações devem respeitar o significado e as propriedades físicas dos bens culturais em questão.

Conservação preventiva: Todas as medidas e ações que tenham como objetivo evitar

ou minimizar deteriorações futuras ou perdas. São realizadas no contexto ou na área circundante ao bem, ou mais frequentemente, um grupo de bens, independentemente da sua idade ou condição. Estas medidas e ações são indiretas - não interferem com os materiais e as estruturas dos bens, não modificam sua aparência. Exemplos: medidas e ações para registro, armazenamento, manipulação, embalagem, transporte, controle das condições ambientais (luz, umidade, poluição atmosférica e controle de pragas) planejamento de emergências, treinamento de pessoal, sensibilização do público, aprovação legal.

Conservação curativa: Todas aquelas ações aplicadas de maneira direta sobre um

bem ou grupo de bens culturais que tenham como objetivo deter os processos de deterioração presentes ou reforçar sua estrutura. Estas ações só se realizam quando os bens se encontram em um estado de fragilidade notável ou estão se deteriorando a um ritmo elevado, podendo se perder em um tempo relativamente breve. Estas ações às vezes modificam o aspecto dos bens. Exemplos: higienização, desinfestação, dessalinização, desacidificação, desidratação, estabilização da corrosão, consolidação.

Restauração: Todas aquelas ações aplicadas de maneira direta a um bem individual e

estável, que tenham como objetivo facilitar sua apreciação, compreensão e uso. Estas ações só se realizam quando o bem já perdeu uma parte de seu significado ou função, por meio de alterações ou deteriorações passadas. Baseiam-se no respeito ao material original. Na maioria dos casos, essas ações modificam o aspecto do bem. Exemplos: Reconstituição, remodelamento, reentelamento, reintegração de perdas.

No Brasil, em termos de esforço coordenado de pesquisa e produção científica na área, merecem menção: o CPBA - Projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos10,

coordenado por Ingrid Beck, que traduziu para o português uma série de cinquenta e três títulos de referência e uma coleção de nove volumes originalmente publicada pela Comissão de Museus e Galerias de Londres e republicada aqui pela Edusp em parceria com a Fundação Vitae, sob o nome de “Museologia: roteiros práticos”. CORREA (2003, p. 138) apontou a incipiência na sistematização da produção dos grupos de pesquisa desta área no Brasil, enfatizando a ausência de autores brasileiros em publicações como as do projeto CPBA ou a coletânea organizada por MENDES et. al (2001). Nesse sentido, cabe destacar o trabalho desenvolvido no LACICOR, que está a frente da rede RECICOR - Rede de Ciências, Tecnologia e Conservação Integrada de Bens Culturais11. Em 2008, o LACICOR produziu para o Departamento de Museus do IPHAN, hoje IBRAM, uma série de dez cadernos técnicos

10

http://www.arqsp.org.br/cpba/

11 http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=0333803W1IXAXR (Acesso em

sobre conservação preventiva12. A atuação do LACICOR na América Latina é destacada por

DARDES e DRUZIK (2000).

A abordagem tradicional da Conservação Preventiva procura evitar, retardar e/ou minimizar a deterioração dos materiais presentes nas coleções. Os processos de deterioração, por sua vez, estão ligados aos mecanismos de atuação de diversas causas, fatores ou agentes

de deterioração que se encontram classificados na literatura específica da área, de maneira

extremamente diversificada, variando os sistemas de classificação em função da origem ou da

natureza dos agentes. Quanto à origem: extrínseca ou intrínseca aos objetos. Quanto à

natureza, as classificações mais abrangentes são: biológicos, químicos e físico-mecânicos. Tais categorias podem ser ampliadas, compreendendo também fatores ambientais, climáticos, antrópicos, arquitetônicos e/ou de infraestrutura, etc. Como referências clássicas sobre os agentes de deterioração e seus mecanismos de atuação, podemos destacar PLENDERLEITH, (1956), THOMSON (1986) e GUICHEN (1983, 1984, 1987, 1998). STANIFORHT (2013) recupera referências textuais anteriores ao séc. XX, de técnicas tradicionais para evitar, bloquear ou responder aos diversos agentes de deterioração.

Esses autores contribuíram para que o enfoque principal da Conservação Preventiva recaísse sobre os fatores ambientais e climáticos, estabelecendo padrões e especificações que se baseiam mais em práticas consolidadas e na capacidade de controle ambiental dos sistemas ativos de climatização, do que nas necessidades dos objetos (BROWN e ROSE, 1996, p. 12; MICHAKSKI, 1994; STANIFORTH, 2007, p. 3).

Posteriormente, outros autores aprofundaram a investigação e questionamento em torno do mecanismo de atuação dos agentes de deterioração, demonstrando a incompletude dos padrões estabelecidos a partir da 2ª metade do séc. XX, diante da complexidade dos problemas de gerenciamento ambiental13. Tais padrões, além de resultarem em maiores custos de operação, também não consideravam adequadamente a diversidade dos edifícios que abrigam coleções, ampliada pela heterogeneidade de climas onde se situam (SMITH, 1999;

12 http://www.lacicor.org/index.php?option=com_content&view=article&id=80&Itemid=57 (Acesso em

19/11/2012).

13 (BRATASZ, 2013b; CASSAR, 1995; ERHARDT e MECKLENBURG, 1994,1995; ERHARDT et

al., 2007; McCORMICK-GOODHART, 1996; MECKLENBURG, 2007a, 2007b; MECKLENBURG et al., 1998; MECKLENBURG e TUMOSA, 1999; MICHALSKI, 1993, 1994, 1996, 2002, 2007, 2011; MICHALSKI e GRATTAN, 2007; PADFIELD, s.d.a, s.d.b, 2013; WEINTRAUB, 2006)

ARTIGAS, 2007). BROWN e ROSE (1996) comentam as origens e alterações nestes padrões, ao longo do séc. XX. Em 2010 o IIC promoveu uma mesa redonda de especialistas para discutir especificamente essa questão14.

A partir dos estudos de Stefan Michalski, o CCI – Instituto Canadense de

Conservação15 propôs agrupar em dez os agentes de deterioração relevantes para a

preservação dos bens culturais, a saber: (i) forças físicas; (ii) roubo e vandalismo; (iii) fogo; (iv) ação direta da água; (v) pestes; (vi) poluentes; (vii) luz (visível, infravermelha e ultravioleta); (viii) temperatura incorreta; (ix) umidade incorreta; (x) dissociação. Essa abordagem veio a configurar um esquema conceitual para a preservação de coleções (MICHALSKI, 1990; STANIFORTH, 2013).

Desde 2003, o CCI, em parceria com o ICCROM e com ICN – Instituto do Patrimônio Holandês (hoje Agência) vem propondo ampliar teoricamente as fronteiras da Conservação Preventiva por meio de um programa conjunto para aplicar metodologias de Gerenciamento de Riscos à preservação do Patrimônio Cultural.

1.2.2- Gerenciamento de riscos

A Gestão de Riscos é uma área de conhecimento tradicionalmente vinculada à Administração de Empresas, particularmente do segmento financeiro, principalmente no que tange a atuação das seguradoras. É vinculada também às Ciências da Saúde (vide Figura 1). A esfera de atuação a que se propõe a metodologia do Gerenciamento de Riscos aplicada à preservação do Patrimônio Cultural é mais complexa que a da Conservação Preventiva, uma vez que busca incorporar rotinas de valoração dos bens culturais em suas análises, bem como