• No results found

ORIGINALS MUST BE USED

In document TR-04-91.pdf (24.95Mb) (sider 96-104)

:to private consultant companies

ORIGINALS MUST BE USED

No Projeto Pedagógico do curso, a estrutura curricular está organizada em objetivos, competências e habilidades. O uso do termo “competências” demonstra a sintonia com os princípios do neoliberalismo presentes na política e documentos oficiais.

Esse item demanda uma atenção às “competências e habilidades” que compõem o perfil esperado do pedagogo egresso deste curso, no cotejo com a matriz curricular e com as áreas de formação previstas na Resolução n. 01.

O Quadro 12, a seguir, sintetiza as “competências e habilidades” indicadas no PPC, do seguinte modo:

39 Segundo o Decreto n. 5.622 de dezembro de 2005, em seu Capítulo II, Artigo 3º dispõe a obrigatoriedade da

inserção da LIBRAS como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério em nível médio e superior, incluindo o curso de Pedagogia.

158

Quadro 12: Análise das competências e habilidades previstas no Projeto Pedagógico

Formação Geral: identificar as tendências do conhecimento do mundo atual; enfrentar um ambiente em

constante transformação, na perspectiva de uma atuação pedagógica consciente.

Educação Infantil: compreender o uso das

atividades lúdicas; organizar processos educativos (eixos do RCNEI)40; considerar as “competências”

infantis.

Ensino Fundamental: garantir a aprendizagem de

diferentes áreas do conhecimento para o ensino.

Docência: analisar diferentes materiais e recursos com fins didáticos; conceber, realizar e analisar

situações didáticas; analisar o percurso da aprendizagem escolar dos alunos com destaque às características cognitivas; utilizar recursos das tecnologias de informação e comunicação dinamizando o processo educacional.

Gestão Escolar: coordenar o paradigma institucional e curricular da escola; coordenar a missão e as

diretrizes pedagógicas da escola; articulação entre o desenvolvimento da escola e o plano pedagógico; orientar as ações pedagógicas nas escolas; gerir equipes de forma participativa; promover trabalho coletivo; favorecer a formação contínua; promover o “empreendedorismo”; agregar valores à instituição; agir com características de um empreendedor; trabalhar em equipes multidisciplinares; gerar e apresentar propostas novas; apresentar habilidades “projetivas”.

Educação Não Formal: orientar as ações pedagógicas em outros espaços em que haja a função educativa;

atuar na organização da comunidade fortalecendo lideranças.

Pelas informações reunidas no Quadro 12, é possível observar:

 A preponderância das atribuições relativas à gestão escolar comparativamente à área da docência, sobretudo, em relação à etapa do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano);

 No que tange ao campo da docência, destacam-se os saberes didáticos, no aspecto técnico, a ênfase nos recursos tecnológicos;

 O uso de verbos e termos alinhados aos princípios da lógica econômica e do conceito das “escolas eficazes”, apontado por Pérez Gómez (2001), tais como: competências infantis (no nível da Educação Infantil), gerir, agregar valores, empreendedorismo41, desenvolver habilidades projetivas. Este último, conforme texto do Projeto refere-se a: “(...) criatividade, iniciativa, percepção, liderança, integração ao meio, criticidade e capacidade empreendedora” (São Paulo, Projeto Pedagógico, p. 31);

Em contrapartida, verbos como “refletir, decidir, criticar, promover, inovar, construir” sequer são referenciados, do mesmo modo como foi observado no texto das atribuições da Resolução n. 01/2006. Os verbos que prevalecem no texto do PPC foram: “coordenar, gerir, preparar”. Curiosamente, a única vez que apareceu o verbo “enfrentar” foi no sentido de conhecer a realidade para compreendê-la e não para transformá-la, se assim, se conceber, no âmbito do trabalho coletivo e reflexivo, necessário. Ou para que haja um

40 RCNEI – Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil. 41 Esse termo aparece três vezes.

159 enfrentamento que produza um tipo de mudança a favor dos interesses políticos e econômicos, isto é, um tipo de transformação que não provoque mudanças significativas nas bases dos modelos instituídos e na estrutura organizacional das escolas;

As referências ao campo da educação não formal são equivalentes, quantitativamente, ao campo da formação geral, ao passo que, esta última deveria se sobressair por agregar conhecimentos de diferentes áreas basilares para a formação do pedagogo, na perspectiva docente. Dentre estas áreas chama atenção os saberes oriundos das áreas da Sociologia, Filosofia e Antropologia, praticamente, desconsideradas.

Os aspectos aqui elencados corroboram com as postulações de Pérez Gómez (2001) que apontam como perfil esperado do profissional da educação eficiente. Lê-se eficiente, o “bom executor de tarefas”, “o professor-gestor”, estando, sob esse prisma formativo, em plena consonância aos princípios neoliberais de: eficiência e flexibilidade. Nesse novo perfil, a gestão se coloca como eixo balizador da função docente.

Nessa reconfiguração, assim como a educação se reifica sob o jugo das leis do livre mercado, o docente se:

[...] transforma num gestor de políticas, estratégias e táticas orientadas não apenas no sentido de acomodar os processos de ensino e de aprendizagem às exigências mutáveis do mercado, como também no sentido de organizar a oferta de seu produto de maneira mais adequada para sua venda rentável. Entre as exigências imediatas desta nova função gerencial, está a redução de custos sem prejudicar a qualidade aparente, requerida pela demanda (PÉREZ GÓMEZ, 2001, p. 183).

Para este autor, esse modelo formativo, forjado tanto no texto dos documentos legais quanto institucionais, ao limitar-se à dimensão técnica ou à gestão administrativa, converte o professor “(...) num fantoche ingênuo ou cínico, a serviço de forças externas (administração, políticos, clientes ou capital) que sufocam sua iniciativa em demandas contraditórias” (PÉREZ GÓMEZ, 2001, p. 184). Ou seja, a formação de um profissional “adaptável” às demandas e solicitações institucionais.

Esses elementos trazem dados acerca das características da cultura formativa do curso, marcada pelo controle burocrático e verticalizado. Nesse ínterim, cabe mencionar que o Projeto Pedagógico, ao referir-se à Matriz Curricular especifica, graficamente, a preponderância do campo da docência (70%) sobre o da gestão (30%), considerando a carga horária das disciplinas. Isso reflete uma intenção formativa clara do pedagogo na IES,

160 expressa no currículo, entretanto esta não se coaduna aos objetivos, competências e habilidades indicadas no mesmo documento.

In document TR-04-91.pdf (24.95Mb) (sider 96-104)