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In document Verdi- og måldokument 2019 – 2020 (sider 147-158)

Falámos no PNL e nos objectivos que norteiam as práticas e as escolhas de obras de recepção Infantil.

Neste início de século XXI a multiculturalidade é um tema presente nas escolas, cujos frutos são uma mais valia. Cabe, assim ao professor seleccionar obras cujos temas remetam para as diferenças, para a presença do outro, para os olhares sobre o outro.

Numa sociedade onde as crianças diariamente convivem, na escola, na rua, no jardim e no seu bairro, com outras crianças de diferentes raças, povos diversos, provenientes de distintos países do mundo, o sistema de ensino tem todo um trabalho a desenvolver, no sentido de promover a socialização das crianças, valorizando as diferentes culturas que chegam às escolas (Balça, 2003).

O multiculturalismo surge ligado não só a questões sociais ou mesmo racial, mas também a questões de ordem sexual, linguística, religiosa e social. É através da literatura infantil e juvenil que se pretende promover uma educação multicultural, junto das crianças e dos jovens.

Para Leite e Rodrigues (2000), uma sociedade, onde se assiste ao fenómeno da globalização é à mobilidade das populações, exige uma escola que seja capaz de recontextualizar os seus conteúdos e as suas estratégias de ensino, de forma a reconhecer e a valorizar a diversidade cultural.

Assim, uma educação multicultural deve proporcionar aos alunos o desenvolvimento de competências e atitudes, a aquisição de conhecimentos e a promoção de valores universais, que possibilitem participar em pleno na sociedade plural, democrática e livre onde os direitos humanos são uma realidade.

Leite e Rodrigues (2000) apostam numa “educação inter/multicultural crítica”, seguindo de perto os estudos de Cortesão e Stoer, em que as crianças de diferentes grupos sociais e culturais são educadas para um “bilinguismo cultural”. A escola deverá promover nas crianças a capacidade de distinguir entre a sua perspectiva e a perspectiva do outro, uma vez que o conhecimento do outro, da sua cultura, dos seus costumes, das suas regras de conduta permitirá que elas ignorem diferenças e tenham atitudes positivas para com os pares (Balça, 2003).

A atitude do professor é um factor capital na promoção de uma educação multicultural na escola. Assim, Marco (2000) assinala que, para se fomentar na escola uma educação multicultural, é imprescindível um professor intercultural. O professor intercultural é aquele que encara a diversidade cultural como fonte de riqueza para o processo de ensino-aprendizagem.

O professor multicultural é aquele que promove nos seus alunos o conhecimento e a reflexão crítica e contextualizada, a partilha e a valorização, a compreensão, a aceitação activa da diversidade. A escola deverá promover valores como o respeito pelo outro, o direito à diferença, a tolerância e a solidariedade entre as crianças e entre as mais variadas culturas, presentes no seu seio, contribuindo igualmente para que estes valores se estendam à família e a todos as instituições, que consigo colabora, (Balça, 2003).

Aliás , a Lei de Bases do Sistema Educativo consagra, quer nos Princípios Gerais quer nos Princípios Organizativos, disposições que apontam para o fomento de uma educação multicultural, com garantia do direito à diferença, como a consideração e a valorização dos diferentes saberes e culturas, como afirmação da igualdade de oportunidades para ambos os sexos, apostando-se deste modo claramente numa educação para a cidadania.

Também o Decreto-Lei nº 6/2001 confirma as mesmas disposições, considerando como formação transdisciplinar, no âmbito do ensino básico, a educação para a cidadania.

Porém, em relação ao Currículo Nacional do Ensino Básico:15, notamos que não há uma referência precisa à promoção de uma educação multicultural. No entanto, podemos perspectivá-la nas entrelinhas. De facto, um dos princípios e valores orientadores do currículo do ensino básico é justamente o respeito e a valorização da diversidade dos indivíduos e dos grupos quanto às suas pertenças e opções.

O professor, do 1º ciclo do Ensino Básico, deve ter conhecimento e consciência de todo um trabalho de fomento de uma educação multicultural que já se fez em contexto de educação pré-escolar (com o auxílio da literatura infantil), que os seus alunos trazem para a sala de aula e que deve ser continuado.

A promoção de uma educação multicultural entre crianças das nossas escolas, passa, em grande medida, pela utilização de textos literários de recepção infantil e juvenil, quer na prática pedagógica em contexto de sala de aula, quer noutros projectos ou noutras actividades, que decorrem em redor da leitura e do livro, promovida pela biblioteca de turma, da escola, pelos clubes de leitura…

A literatura infantil e juvenil desempenha um papel fundamental no fomento de uma educação multicultural. As mensagens veiculadas nos textos para crianças promovem a aquisição de novos saberes, nomeadamente relacionados com

distintas culturas, com outras realidades e com novos valores, auxiliando a criança na construção do conhecimento e na compreensão da diversidade do mundo que a rodeia.

Para Garcia (2000), a literatura infantil é um bom meio, para dar a conhecer à criança pessoas e culturas diferentes da nossa, atitude que deve ser transmitida no sistema de ensino.

Leite e Rodrigues (2000) afirmam que os contos podem desempenhar um papel marcante numa educação intercultural. Segundo as autoras, as crianças identificam-se como as personagens dos contos, personagens estas que se movem em diversos contextos, que apresentam personalidades distintas, diferentes valores e comportamentos.

Os livros multiculturais, segundo Leite e Rodrigues (2000), são obras que revelam atenção na valorização e no respeito pela diversidade de culturas, apresentando algumas delas intenções pedagógicas.

Para Dearden (1995), o fundamental é formar um leitor multicultural e os livros para crianças, em geral, podem contribuir para a formação desse leitor. Este leitor multicultural caracteriza-se por ser um leitor com a possibilidade de ver o mundo sob diversas perspectivas, que é capaz de reconhecer e valorizar as diferenças, de ser sensível às riquezas da sua cultura e da cultura do outro, em suma, que aceita o outro.

Assim, o professor tem pela frente uma tarefa diferente mas aliciante. Tem de se libertar do livro único, do manual escolar e saber seleccionar textos literários que possa promover uma educação multicultural entre os alunos, estejam de acordo com a faixa etária, com o nível de desenvolvimento cognitivo, com o nível de competência leitora e até com gostos literários dos seus alunos.

Na verdade, cremos que a utilização de textos literários de recepção infantil e juvenil pela escola poderá levar as crianças a valorizar a diversidade, a aperceberem-se que o mundo é composto pela diferença e de que todas as pessoas fazem parte de um todo, que interage harmoniosamente.

O livro de literatura infantil e juvenil revela-se um importante recurso pedagógico para a promoção de uma educação multicultural que a escola não pode ignorar.

Capítulo II : O Estudo

A nossa parte prática é composta pelo estudo da narrativa da obra o “Nabo Gigante “ de Alexis Tolstoi, cuja proposta pedagógica será desenvolvida com os alunos da nossa Escola. Para além da Língua Portuguesa, a obra serviu uma perspectiva de transversalidade, abrangendo o Estudo do Meio, a Matemática e a Expressão Plástica.

Todavia, antes de iniciarmos a exploração da narrativa supracitada, procedemos à contextualização da mesma através de alguns passos que explicaremos.

Porém, apresentaremos ainda a ligação do estudo com o projecto curricular de Turma.

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