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Organoleptic evaluation of Cordia africana jam samples

4. Results and Discussion

4.4. Organoleptic evaluation of Cordia africana jam samples

Segundo Almeida Filho (1997), a palavra “disciplinar” é de origem latina

(discipulus) e inicialmente é usada para designar aquele que seguia um mestre (magister) em sua formação religiosa. Posteriormente, esse sentido ampliou-se para o domínio intelectual e artístico, e determinou os seguidores de uma escola ou grupo.

Então, o termo disciplina aparece para traduzir o ato de aprender, de instruir-se, e depois passa a referir-se a uma iniciação específica, uma doutrina, um método de ensino e, posteriormente, ao ensino-aprendizado em geral.

Quando surgem as primeiras Universidades, no século XIV, disciplina passou a significar um corpo de conhecimento que definia um conteúdo particular.

A palavra disciplina, segundo o Dicionário de Língua Portuguesa (FERREIRA, 2004, p. 689), possui o significado de: “ordem que convém ao funcionamento regular duma

organização (militar, escolar, etc)”; “relações de subordinação do aluno ao mestre ou ao instrutor”; “qualquer ramo do conhecimento (artístico, científico, histórico, etc.)”.

Em outro dicionário (CARVALHO, 1945, p.399) constatamos que disciplina refere- se a: “qualquer ramo de conhecimento”; “relação de submissão de quem é ensinado para com

aquele que ensina” e ainda, “obediência e autoridade. Casanova (2006) diz que o termo tem uma “relação direta” com a divisão do trabalho intelectual e, relacionando-se com o termo “faculdade”, aquele apresenta as divisões do saber na Universidade.

Santomé (1998) acrescenta que uma disciplina pode ser considerada como “uma

maneira de organizar e delimitar um território de trabalho, de concentrar a pesquisa e as

experiências dentro de um determinado ângulo de visão” (p.55) e diz respeito a um objeto de

estudo, conceitos e métodos específicos. Notamos aqui um viés recortado da realidade, apenas uma parte de um determinado objeto ou fenômeno.

Enquanto verbo, o termo disciplina também envolve o ato de “disciplinar-se”. Assim,

consideramos que este conceito está intimamente relacionado ao entendimento de autoridade e defronteira bem estabelecida.

Ressaltamos também que o antônimo de disciplina é a indisciplina, ou seja, o

“procedimento, ato ou dito contrário à disciplina; desobediência, desordem, rebelião”

(FERREIRA, 2004, p.1102). Porém, se procurarmos um antônimo para a produção de conhecimento, poderíamos considerar o termo interdisciplina, “comum a duas ou mais

Sobre o assunto Muria (2009) e Boulding (citado por Casanova, 2006) nos alertam

que romper com o trabalho “disciplinar” não é, portanto, realizar um trabalho indisciplinado

ou pouco rigoroso, mas realizar o trabalho interconectado. Os autores salientam ainda a importância em mantermos a “disciplina intelectual” para que busquemos o rigor, a clareza e a exatidão do ato de fazer ciência.

O termo disciplina pode ser considerado sob dois enfoques: um relativo ao modo como o conhecimento é produzido (epistemológico) e outro, relativo à maneira como ele é organizado no ensino (pedagógico) (LÜCK, 2007). A autora cita Ander-Egg que defende que

disciplina é um conjunto de conhecimentos específicos, com características próprias, que tem como “elementos básicos a referência e o estudo de objectos de uma mesma natureza. É um conhecimento que permite ao homem uma visão ordenada, parcelada da realidade a partir de especificidades (op. cit., p. 38).

Thiesen (2008, p. 548) entende disciplina como o “espaço de organização,

sistematização e socialização dos conhecimentos parciais produzidos no âmbito de uma ciência, para fins de ensino e pesquisa”.

Enquanto “sentido de ciência”, Japiassú (1976, p. 61) considera o termo como a “progressiva exploração científica especializada numa certa área ou domínio homogêneo de estudo...” que deverá “estabelecer e definir suas fronteiras constituintes...”, e “determinar seus objetos, seus métodos, seus conceitos e teorias”. A compartimentalização do conhecimento

aparece em nome da exigência metodológica em demarcar cada objeto particular, tornando-o propriedade particular desta ou daquela disciplina.

É devido ao “enfoque epistemológico disciplinar que actualmente a humanidade

possui um verdadeiro mosaico constituído de um acervo de conhecimento deslumbrante e

estonteante dada a sua diversidade” (LÜCK, 2007, p.38).

Seguindo os estudos de Santomé (1998), observamos que desde o início do século XIX, devido à transformação social causada pela industrialização e pelo fortalecimento do capitalismo, a diferenciação do conhecimento em inúmeras disciplinas, foi consequência da divisão de trabalho dentro do processo de produção.

Importante destacar que as disciplinas no âmbito acadêmico estão em constante

transformação por causa das “contingências que modelam e condicionam a mentalidade e os ideais dos homens e mulheres que constroem e reconstroem os conhecimentos” (op.cit., p.59).

Apesar destas modificações, a atitude simplificadora levou à dificuldade de comunicação entre os especialistas e os campos de conhecimento que estudam um mesmo objeto, o que dificulta a compreensão mais próxima e fidedigna da complexa realidade.

O conhecimento compartimentalizado dificulta a visão e as relações do conhecimento com o contexto em que está inserido, bem como aquele incluso nos processos

metodológicos que incentivam a reprodução e não a construção de conhecimentos. “A

disciplina, ao estabelecer princípios de certeza, não apenas cria barreiras intelectuais entre uma área e outra, mas, também uma segurança inadequada e fictícia no trato das questões pedagógicas.” (MURIA, 2009)

Ainda que tímidas, na Idade Moderna iniciam-se as reflexões que “buscavam a

unidade e a diferença do saber científico” (CASANOVA, 2006, p.15). O autor destaca os

esforços empreendidos pela Antropologia, História e Sociologia neste caminho, porém, é somente na atualidade que as discussões de superação da especialização exacerbada prevalecem. O advento da produção industrial uníssono à progressiva divisão de trabalho manual e intelectual favoreceu o surgimento de novas disciplinas dentro de cada disciplina, cujo produto gerou especialistas num aspecto particular do problema.

Essencialmente, a disciplina busca a atomização do conhecimento à unidade mínima de análise, isola o fenômeno e distancia o observador do objeto estudado, para garantir a objetividade, com a crença de que a produção do conhecimento é considerada independente

uma da outra. O que esquecemos é que “quanto mais se desenvolvem as disciplinas do

conhecimento, diversificando-se, segundo um processo de inflação galopante, mais elas

perdem o contacto com a realidade humana” (GUSDORF, 1975, p. 21). E ainda, “o

conhecimento especializado pode conduzir a uma falta de percepção do contexto em que tal

conhecimento foi produzido” (D´AMBRÓSIO, 1997, p. 76).

Para assumir a realidade em toda sua complexidade é preciso ter uma “visão da

realidade que transcenda os limites disciplinares e conceituais do conhecimento”

(OLIVEIRA, 1989, p.07). Ampliam-se os debates em prol de temas como cidadania, preservação ambiental, ética e solidariedade, chega-se o “momento de uma nova epistemologia que não seria somente uma reflexão sobre cada ciência em particular, separada

do resto” (GUSDORF, 1975, p.15).

Não defendemos a paralisação da pesquisa científica específica, mas, como afirma

Gusdorf (1975, p. 24) “precisamos obter que o homem da especialidade queira ser, ao mesmo tempo, um homem da totalidade”.

A ideia não é negligenciar a disciplina, mas criticar a redução que pode levar ao tecnicismo e, este, às consequências do individualismo, competitividade e não ter o cuidado com temas globais (meio ambiente, cidadania, dentre outros). A disciplinarização nos cursos de formação poderá conduzir a profissionais passivos que digerem informação e são incapazes de refletir e produzir conhecimentos (MACEDO, 2002).

Na segunda metade do século XX, no campo das pesquisas acadêmicas emergiram discussões sobre a conectividade entre as disciplinas e, de fato, é no campo das ciências humanas e sociais que aquelas aparecem com maior força. Sommerman (2006) enfatiza que inicialmente surgiram os termos multidisciplinares e pluridisciplinares para então, advir os termos que hoje ganham mais notoriedade: inter e transdisciplinaridade.

Domingues et al (2001, p.14) esclarecem três questionamentos que passaram a ser constantes e ampliaram o debate:

1. A busca pelos intelectuais, artistas, técnicos e cientistas por uma abordagem assimétrica, conflitante, aberta do acaso;

2. A tentativa de aproximação através de núcleos, grupos de estudos e pesquisas mais abrangentes;

3. O interesse na articulação e unificação do conhecimento, porém, respeitando conteúdos e especialidades.

Ao alicerçar nosso pensamento na base epistêmica da TC, buscamos superar a fragmentação e a linearidade, tanto do processo quanto da produção de conhecimento pertinente ao futuro profissional. Há, portanto, terreno propício para instalar-se o diálogo entre ciências ora distantes: as ciências humanas, naturais, exatas, filosóficas e a arte.

Ao interagir umas com as outras, as disciplinas poderão enriquecer as práticas pedagógicas, e permitira comunicação de ideias e a integração mútua de conceitos, favorecer a atitude para contextualizar, relacionar e globalizar, e fundamentar um enriquecimento mútuo entre a cultura tradicional e a cultura científica (MOTTA, 2008). Essa nova forma de lidar com os conhecimentos das diferentes áreas foram tratados por inter e transdisciplinar. E são sobre esses termos que refletiremos a seguir.