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Grau 1: Superfície radicular sem "smear layer" com abertura total dos túbulos dentinários sem indício de "smear layer" na abertura dos túbulos e exposição de fibras colágenas da dentina.

Grau 2: Superfície radicular sem "smear layer" com abertura total dos túbulos dentinários sem indício de "smear layer" na abertura dos túbulos.

Grau 3: Superfície radicular sem "smear layer" com abertura total dos túbulos dentinários com indícios de "smear layer" na abertura dos túbulos.

Grau 4: Superfície radicular sem "smear layer" com abertura parcial dos túbulos dentinários.

Grau 5: Superfície radicular coberta por "smear layer" com aspecto uniforme, apresentando indícios de abertura dos túbulos dentinários.

Grau 6: Superfície radicular coberta por "smear layer" com aspecto uniforme, sem indícios de abertura dos túbulos dentinários. Grau 7: Superfície radicular coberta por "smear layer" com aspecto

irregular e presença de estrias e/ou depósitos esparsos.

4.6 - Planejamento estatístico

A variável ordinal “grau de smear layer residual” foi avaliada primeiramente levando-se em conta o fator de variação grupo experimental, num total de cinco grupos (solução fisiológica, EDTA 24% Santa Paula, EDTA-T 24% Santa Paula, EDTA 24% Biora e EDTA 24% Biodinâmica), através do teste não paramétrico de Kruskal-Wallis. A análise foi feita para cada um dos modos de aplicação separadamente. A seguir, o fator de variação modo de aplicação foi analisado para cada grupo experimental separadamente, utilizando-se o mesmo modelo estatístico. Para todos os testes foi adotado como nível de significância o valor de 0,05. Desta forma, a hipótese de nulidade (Ho), pela qual todos os tratamentos apresentaram igual capacidade de remoção de “smear layer”, foi aceita quando p>0,05 e foi rejeitada quando p≤0,05. Neste caso, a comparação entre os postos médios das amostras foi efetuada através do teste de Dunn, a fim de se detectar entre quais grupos houve diferenças estatisticamente significantes.

separada, ou seja, primeiramente será apresentada a análise descritiva dos achados relativos a cada um dos grupos experimentais e, posteriormente, a análise estatística dos dados coletados.

5.1 - Análise Descritiva

A análise descritiva refere-se às características observadas nas fotomicrografias que receberam condicionamento químico após a instrumentação manual. Esta análise está apresentada separadamente para os grupos, de acordo com o modo de aplicação.

Grupo I (Solução Fisiológica à 0,9%)

Aplicação passiva: foi possível observar que todas as amostras tratadas exibiram presença de "smear layer" com aspecto uniforme ou irregular, sem indícios de abertura dos túbulos dentinários, correspondendo aos graus 6 e 7 (Figuras. 21, 22 e 23).

Aplicação ativa vigorosa (fricção): foi observado que 2 das amostras apresentaram superfície radicular sem "smear layer", com abertura parcial dos túbulos dentinários correspondendo ao grau 4, enquanto

que as demais, mostraram-se com presença de "smear layer" (graus 5 e 6)(Figuras 24, 25 e 26). Destas, 7 amostras apresentaram indícios de abertura dos túbulos dentinários (grau 5).

Aplicação ativa suave (pincel): todas as amostras apresentaram superfície radicular coberta por "smear layer" (Figuras 27, 28 e 29), sendo 12 amostras com aspecto uniforme, sem indícios de abertura dos túbulos dentinários (grau 6) e 3 amostras com aspecto irregular e presença de depósitos esparsos (grau 7).

FIGURA 19 - Grupo I (solução fisiológica) – aplicação por 01 minuto - (grau 7)

FIGURA 20 - Grupo I (solução fisiológica) – aplicação por 02 minutos - (grau 6)

FIGURA 22 - Grupo I (solução fisiológica) – aplicação por 01 minuto - (grau 5)

FIGURA 23 - Grupo I (solução fisiológica) – aplicação por 02 minutos - (grau 6)

FIGURA 25 - Grupo I (solução fisiológica) – aplicação por 01 minuto - (grau 6)

FIGURA 26 - Grupo I (solução fisiológica) – aplicação por 02 minutos - (grau 6)

Grupo II (EDTA 24% - Farmácia Santa Paula)

Aplicação passiva: Foi observada ausência de “smear layer" em 14 das 15 amostras (Figuras 30, 31 e 32), sendo que 11 amostras apresentaram abertura total dos túbulos dentinários (grau 3) e 3 amostras apresentaram abertura parcial dos túbulos dentinários (grau 4). Observou-se presença de "smear layer" na superfície radicular de 1 amostra (grau 7).

Aplicação ativa vigorosa (fricção): Todas as amostras apresentaram superfície radicular sem "smear layer" com abertura total dos túbulos dentinários (Figuras 33, 34 e 35), dentre estas, 4 amostras apresentaram exposição de fibras colágenas da dentina (grau 1).

Aplicação ativa suave (pincel): Neste subgrupo, todas as amostras também apresentaram superfície radicular sem "smear layer" com abertura total dos túbulos dentinários (Figuras 36, 37 e 38), no entanto, 5 amostras apresentaram exposição de fibras colágenas da dentina (grau 1).

FIGURA 28 - Grupo I I (EDTA 24% Santa Paula) – aplicação por 01 minuto - (grau 3)

FIGURA 29 - Grupo I I (EDTA 24% Santa Paula) – aplicação por 02 minutos - (grau 3)

FIGURA 30 - Grupo I I (EDTA 24% Santa Paula) – aplicação por 02 minutos - (grau 3)

FIGURA 31 - Grupo I I (EDTA 24% Santa Paula) – aplicação por 01 minuto - (grau 2)

FIGURA 32 - Grupo I I (EDTA 24% Santa Paula) – aplicação por 02 minutos (grau 2)

FIGURA 34 -Grupo I I (EDTA 24% Santa Paula) – aplicação por 01 minuto (grau 2)

FIGURA 35 - Grupo I I (EDTA 24% Santa Paula) – aplicação por 02 minutos (grau 1)

Grupo III (EDTA 24% - T - Farmácia Santa Paula)

Aplicação passiva: Foi observada ausência de “smear layer" na superfície radicular, com abertura total dos túbulos dentinários em todas as amostras (Figuras 39, 40 e 41). Dentre essas, 8 amostras apresentaram exposição de fibras colágenas da dentina (grau 1).

Aplicação ativa vigorosa (fricção): Todas as amostras apresentaram superfície radicular sem "smear layer" com abertura total dos túbulos dentinários (Figuras. 42, 43 e 44), correspondendo aos graus 2 e 3.

Aplicação ativa suave (pincel): Todas as amostras apresentaram superfície radicular sem "smear layer" (Figuras 45, 46 e 47). Destas, 13 amostras apresentaram-se com abertura total dos túbulos dentinários (graus 2 e 3), 1 amostra apresentou abertura parcial dos túbulos dentinários (grau 4) e somente 1 amostra apresentou exposição de fibras colágenas da dentina (grau 1) .

FIGURA 37 - Grupo III (EDTA -T 24% Santa Paula) - aplicação passiva 01 minuto (grau 1)

FIGURA 38 - Grupo III (EDTA -T 24% Santa Paula) - aplicação passiva 02 minutos (grau 1)

FIGURA 40 - Grupo III (EDTA -T 24% Santa Paula) - aplicação por 01 minuto (grau 2)

FIGURA 41 -Grupo III (EDTA -T 24% Santa Paula) - aplicação por 02 minutos (grau 2)

FIGURA 43 - Grupo III (EDTA -T 24% Santa Paula) - aplicação por 01minuto (grau 2)

FIGURA 44 -Grupo III (EDTA -T 24% Santa Paula) - aplicação por 02 minutos (grau 3)

Grupo IV (EDTA 24% - Biora)

Aplicação passiva: Foi observada superfície radicular sem "smear layer" com abertura total dos túbulos dentinários em 12 amostras (graus 2 e 3). Em 3 amostras foi observado abertura parcial dos túbulos dentinários (grau 4) (Figuras 48, 49 e 50).

Aplicação ativa vigorosa (fricção): Foi observado ausência de "smear layer" na superfície radicular em todas as amostras (Figuras 51, 55 e 53). Em 10 amostras observou-se abertura total dos túbulos dentinários (graus 2 e 3) e em 4 amostras observou-se abertura parcial dos túbulos dentinários (grau 4). Apenas 1 amostra apresentou exposição de fibras colágenas da dentina (grau 1).

Aplicação ativa suave (pincel): Onze das 15 amostras apresentaram superfície radicular sem "smear layer" com abertura total dos túbulos dentinários e exposição de fibras colágenas de dentina (grau 1) (Figuras 54, 55 e 56). Em 2 amostras foi observada apenas superfície radicular sem "smear layer" com abertura total dos túbulos dentinários (grau 3).

FIGURA 46 -Grupo IV (Biora) - aplicação por 01 minuto (grau 4)

FIGURA 47 - Grupo IV (Biora) - aplicação por 02 minutos (grau 3)

FIGURA 49 - Grupo IV (Biora) - aplicação por 01 minuto (grau 3)

FIGURA 50 - Grupo IV (Biora) - aplicação por 02 minutos (grau 3)

FIGURA 52 - Grupo IV (Biora) - aplicação por 01 minuto (grau 1)

FIGURA 53 - Grupo IV (Biora) - aplicação por 02 minutos (grau 1)

Grupo V (EDTA 24% - Biodinâmica)

Aplicação passiva: Foi observada ausência de "smear layer" na superfície radicular em 8 amostras, sendo que 4 destas apresentavam abertura parcial dos túbulos dentinários (grau 4) (Figuras 57, 58 e 59). Em 6 amostras foram observados a presença de “smear layer” com indícios de abertura dos túbulos dentinários e em 1 amostra foi observada presença de “smear layer” com presença de depósitos esparsos.

Aplicação ativa vigorosa (fricção): neste subgrupo, onze amostras apresentaram superfície radicular sem "smear layer" (Figuras 60, 61 e 62). Destas, oito amostras apresentaram abertura total dos túbulos dentinários (graus 2 e 3), 2 apresentaram abertura parcial dos túbulos dentinários (grau 4) e 1 amostra apresentou exposição de fibras colágenas da dentina (grau 1). Em 4 amostras, foram observados presença de "smear layer" com aspecto uniforme e indícios de abertura dos túbulos dentinários.

Aplicação ativa suave (pincel): Em 14 amostras foi observado ausência de "smear layer" na superfície radicular (Figuras. 63, 64 e 65), sendo que 3 amostras apresentaram abertura parcial dos túbulos dentinários (grau 4) e 2 amostras apresentou exposição de fibras colágenas da dentina (grau 1). A presença de "smear layer" com aspecto uniforme na superfície radicular foi encontrada em 1 amostra (grau 5).

Aplicação passiva

FIGURA 55 - Grupo V (Biodinâmica) - aplicação por 01 minuto (grau 5)

FIGURA 56 - Grupo V (Biodinâmica) - aplicação por 02 minutos (grau 4)

FIGURA 58 - Grupo V (Biodinâmica) - aplicação por 01 minuto (grau 5)

FIGURA 59 - Grupo V (Biodinâmica) - aplicação por 02 minutos (grau 3)

FIGURA 61 - Grupo V (Biodinâmica) - aplicação por 01 minuto (grau 4)

FIGURA 62 - Grupo V (Biodinâmica) - aplicação por 02 minutos (grau 3)

5.2 - Análise Estatística

Na Tabela 2 pode-se observar as hipóteses relativas ao grupo experimental quando analisadas todas as amostras em conjunto (aplicação passiva, aplicação ativa vigorosa (fricção) e aplicação ativa suave (pincel)). O emprego do teste não paramétrico de Kruskal-Wallis resultou num valor de H = 125,83, o qual foi significante e que a ele correspondeu um valor de p< 0,0001 com 4 graus de liberdade. Assim Ho pelo qual todos os grupos experimentais proporcionaram igual remoção de “smear layer” foi rejeitada. A comparação entre postos médios, das amostras demonstrou que os espécimes do grupo controle exibiram grau de “smear layer” residual estatisticamente superior aos demais grupos. Além disso, o grupo Biodinâmica exibiu valores de “smear layer” estatisticamente superior aos dos grupos II, III e IV. Não houve diferenças estatísticas entre os demais grupos testados.

Tabela 2 - Freqüência, mediana e posto médio para o grau de “smear layer” residual segundo o grupo experimental

Grupo experimental n Mediana Posto médio Comparação entre postos médios*

Solução fisiológica 45 6,0 199,33 C

EDTA 24% - Santa Paula 45 2,0 80,05 A

EDTA-T 24% - Santa Paula

45 2,0 70,74 A

EDTA 24% - Biora 45 3,0 85,20 A

EDTA 24% - Biodinâmica 45 3,0 129,60 B

O Grupo I (Solução Fisiológica) não apresentou amostras representativas dos graus 1, 2 e 3, conforme pode ser observado no Gráfico 1. O grupo Biodinâmica apresentou as menores porcentagens para os graus 1 e 2. 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Sol. F isio l. San ta P aula San ta P aula - T Bio ra Grupos Grau 7 Grau 6 Grau 5 Grau 4 Grau 3 Grau 2 Grau 1

GRÁFICO 1 - Distribuição das freqüências dos índices de "smear layer" para os grupos experimentais

Na Tabela 3 observa-se o resultado da análise relativa ao tempo de aplicação. O teste não paramétrico de Kruskal-Wallis resultou em um valor de H = 0.22, não significante porque a ele correspondeu um valor de p = 0,8952 com 2 graus de liberdade. Desta forma, não houve diferenças estatisticamente significantes entre os diferentes tempos de aplicação, quanto à presença de "smear layer" residual.

Tabela 3 - Frequência, mediana e posto médio segundo tempo de aplicação Tempo de Aplicação n Mediana Posto médio

Comparação entre postos médios

1’ 75 3,0 114,31 A

2’ 75 3,0 110,17 A

3’ 75 3,0 114,52 A

*Grupos com letras iguais sem diferença estatisticamente significante entre si.

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%

1 min 2 min 3 min

Grau 7 Grau 6 Grau 5 Grau 4 Grau 3 Grau 2 Grau 1

GRÁFICO 2 - Distribuição de freqüência dos índices de "smear layer" para o tempo de aplicação

Na Tabela 4 observa-se o resultado da análise relativa ao modo de aplicação. O teste não paramétrico de Kruskal-Wallis resultou em um valor de H=7,95, significante porque ele correspondeu um valor de p = 0,018 com 2 graus de liberdade. Desta forma, houve diferenças estatisticamente significantes entre os modos de aplicação passiva e ativa

suave (pincel) (p<0,05), sendo que o modo de aplicação ativa suave (pincel) resultou em menor quantidade de "smear layer" residual em comparação ao modo de aplicação passiva.

Tabela 4 - Freqüência, mediana e posto médio segundo o modo de aplicação

Modo de Aplicação n Mediana Posto médio Comparação entre postos médios Aplicação passiva 75 3,0 129,2 B Aplicação ativa vigorosa (fricção) 75 3,0 109,0 AB Aplicação ativa suave (pincel) 75 3,0 100,7 A

*Grupos com letras iguais sem diferença estatisticamente significante entre si.

0% 20% 40% 60% 80% 100%

Passiva Ativa vigorosa (fricção) Ativa suave (pincel) Grau 7 Grau 6 Grau 5 Grau 4 Grau 3 Grau 2 Grau 1

GRÁFICO 3 - Distribuição de freqüência dos índices de "smear layer" para o modo de aplicação

Na Tabela 5 pode-se observar a hipótese relativa ao grupo experimental quando analisadas apenas as amostras submetidas ao modo de aplicação passiva. O emprego do teste não paramétrico de Kruskal-Wallis resultou em um valor de H = 55.90, o qual foi significante porque a ele correspondeu um valor de p<0.0001, com 4 graus de liberdade. Assim, Ho, pela qual todos os grupos experimentais

proporcionaram igual remoção de “smear layer” quando aplicadas passivamente, foi rejeitada. A comparação entre os postos médios das amostras demonstrou que os espécimes do grupo controle exibiram grau de "smear layer" residual estatisticamente superior aos demais grupos. Além disso, o grupo EDTA-T 24% - Santa Paula apresentou "smear layer" residual estatisticamente inferior aos grupos EDTA 24% Santa Paula e EDTA 24% Biodinâminca. Não houve diferença estatisticamente significante entre os demais grupos avaliados.

Tabela 5 – Freqüência, mediana e posto médio segundo grupo experimental, utilizando-se apenas as amostras submetidas ao modo de aplicação passiva

Grupo experimental n Mediana Posto médio

Comparação entre postos médios*

Solução fisiológica 15 7,0 66,60 C

EDTA 24% - Santa Paula 15 3,0 36,90 B

EDTA-T 24% - Santa Paula 15 1,0 11,20 A

EDTA 24% - Biora 15 3,0 28,63 AB

EDTA 24% - Biodinâmica 15 4,0 46,66 BC *Grupos com letras iguais sem diferença estatisticamente significante entre os postos médios.

Ao se analisar a hipótese relativa ao grupo experimental, utilizando- se apenas as amostras submetidas ao modo de aplicação ativa vigorosa (fricção), o emprego do teste não paramétrico de Kruskal-Wallis resultou em um valor de H = 44.37, o qual foi significante porque a ele correspondeu um valor de p<0.0001, com 4 graus de liberdade. Assim, Ho, pela qual todos os grupos experimentais proporcionariam igual

remoção de “smear layer” quando aplicadas por fricção, foi rejeitada. A comparação entre os postos médios das amostras demonstrou que os espécimes do grupo controle exibiram grau de "smear layer" residual estatisticamente superior aos demais grupos. Além disso, O grupo que empregou EDTA 24% Santa Paula apresentou grau de "smear layer" residual estatisticamente inferior ao do grupo EDTA 24% Biodinâmica, não havendo diferença estatisticamente significante entre os demais grupos testados (Tabela 6).

Tabela 6 – Frequência, mediana e posto médio segundo concentração, utilizando-se apenas as amostras submetidas ao modo de aplicação vigorosa (fricção)

Grupo experimental n Mediana Posto médio Comparação entre postos médios*

Solução fisiológica 15 5,0 66,13 C

EDTA 24% - Santa Paula 15 2,0 18,53 A

EDTA-T 24% - Santa Paula 15 2,0 26,80 AB

EDTA 24% - Biora 15 3,0 35,56 AB

EDTA 24% - Biodinâmica 15 3,0 42,96 B

Na Tabela 7 pode-se observar a hipótese relativa ao grupo experimental quando analisadas apenas as amostras submetidas ao modo de aplicação ativa suave (pincel). O emprego do teste não paramétrico de Kruskal-Wallis resultou em um valor de H = 46.85, o qual foi significante porque a ele correspondeu um valor de p<0.0001, com 4 graus de liberdade. Assim, Ho, pela qual todos os grupos experimentais

proporcionariam igual remoção de “smear layer” quando aplicadas com pincel, foi rejeitada. A comparação entre os postos médios das amostras demonstrou que os espécimes do grupo controle exibiram grau de "smear layer" residual estatisticamente superior aos demais grupos, sem haver diferença estatisticamente significante entre os demais grupos testados. Tabela 7 – Frequência, mediana e posto médio segundo concentração,

utilizando-se apenas as amostras submetidas ao modo de aplicação ativa suave (pincel)

Grupo experimental n Mediana Posto médio Comparação entre postos médios*

Solução fisiológica 15 6,0 68,00 B

EDTA 24% - Santa Paula 15 2,0 24,40 A

EDTA-T 24% - Santa Paula 15 2,0 34,16 A

EDTA 24% - Biora 15 1,0 20,83 A

EDTA 24% - Biodinâmica 15 3,0 42,60 A

Na Tabela 8 observam-se os resultados da aplicação do teste não paramétrico de Kruskal-Wallis e da comparação entre os postos médios (Teste de Dunn) para avaliação da influência do fator modo de aplicação dentro de cada grupo experimental. No grupo Solução Fisiológica, os espécimes tratados com fricção exibiram um grau de "smear layer" residual estatisticamente inferior em relação àqueles tratados com aplicação passiva ou com pincel.

Para o grupo EDTA 24% Santa Paula, ao modo de aplicação passiva resultou em valores estatisticamente superiores de "smear layer" em relação aos modos de aplicação por fricção e com pincel. Por outro lado, no grupo EDTA-T 24% Santa Paula, o grau de "smear layer" residual foi estatisticamente superior para os modos de aplicação por fricção e com pincel, em comparação à aplicação passiva.

Ao analisar-se o grupo EDTA 24% Biora, o modo de aplicação ativa vigorosa (pincel) resultou em menor grau de "smear layer" residual do que os outros modos de aplicação. Por fim, para o grupo EDTA 24% Biodinâmica, o modo de aplicação com pincel mostrou-se estatisticamente superior na remoção de "smear layer" em comparação com o modo de aplicação passiva, não havendo diferenças entre a aplicação passiva e a aplicação por fricção, e entre esta e a aplicação com pincel (Tabela 8).

Tabela 8 – Frequência, mediana, postos médios e valores de H (Kruskal- Wallis) e valores de p segundo modo de aplicação dentro de cada concentração testada

Grupo Experimental Forma de Aplicação n Mediana Postos Médios Valor de H (valor de p) Comparação entre os postos médios Passiva 15 7,0 32,3 B Fricção 15 5,0 11,6 A Solução Fisiológica Pincel 15 6,0 25,1 23,25 B Passiva 15 3,0 35,8 B Fricção 15 2,0 17,0 A EDTA 24% - Santa Paula Pincel 15 2,0 16,2 23,74 A Passiva 15 1,0 16,2 A Fricção 15 2,0 26,0 B EDTA-T 24% - Santa Paula Pincel 15 2,0 26,8 6,94 B Passiva 15 2,0 27,3 B Fricção 15 1,0 27,3 B EDTA 24% - Biora Pincel 15 1,0 14,3 10,52 A Passiva 15 2,0 29,7 B Fricção 15 1,0 21,2 AB EDTA 24% - Biodinâmica Pincel 15 1,0 17,9 7,05 A *Grupos com letras iguais sem diferença estatisticamente significante entre si.

bacteriana. As superfícies radiculares contaminadas pela placa bacteriana abrigam bactérias e endotoxinas (componentes da parede celular de bactérias gram negativas) (ADRIAENS et al., 1988). A ação direta dos produtos bacterianos sobre os tecidos periodontais acaba por ativar a resposta inflamatória do hospedeiro, com perda de inserção de fibras colágenas (SELVIG, 1969) levando assim a uma contribuição indireta para a destruição dos tecidos periodontais (AAP,1999).

A adequada remoção de placa bacteriana e de substâncias tóxicas da superfície radicular contaminada parece ser essencial à regeneração periodontal (WIRTHLIN, 1981), visto que, as toxinas bacterianas penetram no interior do cemento radicular contaminando-o (FINE et al.,1992; DALY et al., 1982). Segundo alguns autores não é necessária a remoção de excessiva quantidade de cemento para obter a eliminação das endotoxinas das superfícies radiculares expostas à doença periodontal, visto que apenas a eliminação dos depósitos de bactérias da superfície radicular seria suficiente para o restabelecimento da saúde periodontal (HUGUES e SMALES, 1986; NYMAN et al., 1986).

A Raspagem e Aplainamento Radicular (RAR) são o principal método mecânico de descontaminação radicular, pois tem como objetivo a remoção de depósitos bacterianos e de endotoxinas da superfície

radicular, proporcionando biocompatibilidade à superfície radicular e assim, tornado-as aptas a receber nova inserção periodontal (BIAGGNI et al., 1998). No entanto, este procedimento periodontal resulta na formação de “smear layer” (EICK et al., 1970; JONES et al., 1972; PASHLEY, 1984).

O “smear layer” é uma camada de debris composto de tecido calcificado inorgânico e material orgânico (processos odontoblásticos, bactérias, toxinas bacterianas e células sangüíneas) (SAMPAIO, 1999). A presença de “smear layer” sobre a superfície radicular pode dificultar a adesão de fibroblastos e inserção conjuntiva, o que retarda o processo de regeneração periodontal (NALBANDIAN e COTE 1982; POLSON et al., 1984), além de obliterar parcial ou totalmente os túbulos dentinários. Estudos sugerem que tanto o “smear layer”, quanto o cemento contaminado trazem efeitos negativos aos tecidos periodontais, inibindo a migração celular e a formação de uma nova inserção (BOYKO et al.,1980; POLSON et al. 1984).

Os agentes empregados para o condicionamento químico têm por função a eliminação do material citotóxico da superfície radicular (WHIRTLIN e HANCOCK, 1980); limpeza da dentina exposta e descalcificação plena da superfície radicular (BRANNSTROM et al., 1980), expondo a matriz colágena do cemento ou dentina (CHAVES et al., 1993), que possibilita maior adesão de fibrina à superfície radicular (WIKESJO et al., 1992).

É sabido que a presença de uma rede inicial de fibrina é considerada um precursor para formação de inserção conjuntiva (POLSON e PROYE, 1983). A matriz extracelular, especificamente o colágeno é um pré-requisito essencial para adesão celular (McCARTHY e TURLEY, 1993). Deste modo, a exposição das fibras colágenas pelo condicionamento com EDTA sobre a superfície de dentina, possibilitaria adesão e proliferação dos fibroblastos (FARDAL e LOWENBERG, 1990) favorecendo o processo de regeneração periodontal com a obtenção de inserção conjuntiva (POLSON e PROYE, 1983).

Blomlöf e Lindskog, 1995b citam que o EDTA é uma substância de pH neutro que em meio aquoso apresenta-se como um quelante divalente de Ca2+, Mg2+, Fe2+ e Pb2+. Esta substância é utilizada em soluções de

infusão para desinfecção e como anticoagulantes em uso laboratorial, pois apresenta a capacidade de remover íons cálcio, podendo inibir o processo de coagulação do sangue (McSHINE et al.,1991).

Dentre as vantagens do condicionamento com o gel de EDTA pode-se citar: 1) apresentar pH neutro, ocasionando menores efeitos adversos de necrose dos tecidos adjacentes (BLOMLÖF e LINDSKOG, 1995a;b); 2) promover superior remoção de “smear layer” (BLOMLÖF, 1996; BLOMLÖF et al. 1996b; BLOMLÖF et al., 1997b); 3) promover superior exposição de fibras colágenas (BLOMLÖF e LINDSKOG, 1995a;b); 4) preservar as fibras colágenas expostas (BLOMLÖF e LINDSKOG, 1995a; BLOMLÖF, 1996; BLOMLÖF et al., 1997a;b;c).

Em estudos comparativos entre o gel de EDTA e outros agentes de condicionamento, foi constatada que o EDTA promove superior remoção de “smear layer” do que o ácido cítrico (LASHO et al., 1983; FARDAL e LOWENBERG, 1990; BLOMLÖF et al. 1996b) e o ácido fosfórico (BLOMLÖF e LINDSKOG, 1995a;b; BLOMLÖF, 1996), sendo ainda observado que estes agentes podem promover dissolução da matriz de colágeno (BLOMLÖF e LINDSKOG, 1995b), causar erosões na superfície da dentina (BLOMLÖF, 1996), além de causar reações de necrose nos tecidos adjacentes, devido ao baixo pH destes (BLOMLÖF e LINDSKOG, 1995a;b; BLOMLÖF, 1996; BLOMLÖF et al, 1996b).

O gel de EDTA 24% tem sido amplamente estudado, tanto em estudos in vitro (BLOMLÖF e LINDSKOG, 1995a;b; BLOMLÖF, 1996; BLOMLÖF et al. 1996b; SAMPAIO, 1999; ZAMAN et al., 2000; PILATTI, 2001; BATISTA, 2002; SAMPAIO et al., 2003) como em estudos in vivo (BLOMLÖF e LINDSKOG, 1995a;b; BLOMLÖF et al. 1996a, MAYFILED et al., 1998; BLOMLÖF, 2000 a;b;). Nos estudos in vitro, ficaram estabelecidas a efetividade deste agente na remoção de “smear layer” e exposição de fibras colágenas. Os estudos in vivo, por sua vez apresentam resultados controversos, visto que alguns autores recomendam o uso do EDTA associado à terapia mecânica (BLOMLÖF et al. 1996b; BLOMLÖF et al. 1997c) e outros autores sugeriram a necessidade de realização de mais trabalhos científicos que possam

comprovar a eficácia deste agente como meio coadjuvante à terapia