A distribuição da população nas zonas urbanas pode ser visualizada na Figura 38, produzida a partir dos dados do ultimo censo do IBGE. Nessa Figura 38, observa-se como a população urbana concentra-se mais no território segundo as seguintes faixas: de 401 a 500 pessoas, de 501 a 700 pessoas, de 701 a 1000 pessoas e de 1001 a 1.391 pessoas por setor censitário. Pode-se notar que o centro urbano tem menor número de habitantes apesar de ser um dos locais da cidade com melhor infraestrutura. E, na última faixa, tem o maior número de pessoas por setor censitário, sendo essa região a concentração dos grandes bairros populares exceto a região noroeste ao lado da faculdade UNICEP.
121 Figura 38 -Distribuição do número de pessoas por setor censitário de
São Carlos conforme censo de 2010.
122 Para uma análise mais detalhada da população da cidade, identificou- se a densidade demográfica e sua relação com os setores censitários. A partir do mapa anterior (Figura 38) foi possível gerar a informação de densidade demográfica em cada setor censitário utilizando a área de cada setor, conforme mostrado na Figura 39.
A região Sul da área urbana é composta por loteamentos populares de baixa densidade, apesar das moradias populares apresentarem um maior número de moradores por unidade de moradia, a densidade média do setor ainda é de uma ocupação espraiada, bem baixa, como mostra a Figura 39, ou seja, nesta região sul da malha urbana a densidade demográfica calculada para cada setor censitário mostrou-se a mais baixa: de 0 a 3 hab/ha. Tal análise também foi influenciada pela grande área do setor censitário ver Figura 39.
Na Figura 39 os vazios urbanos (glebas) estão ocupando áreas de baixa densidade demográfica, próximas à extremidade do limite urbano. O centro urbano de São Carlos possui poucas glebas e uma densidade demográfica média, porém considerada baixa para um centro de cidade, a densidade demográfica dessa região central é aproximadamente de 91 hab/ha.
Ao analisar o mapa de densidade demográfica (Figura 39) com o de vazios urbanos do ano 2016 de São Carlos, percebe-se que na região norte da área urbana os vazios (glebas) estão localizados nos setores censitários de baixa densidade demográfica (0 a 30 hab/ha), e que nenhuma gleba está localizada no setor censitário com densidade acima de 120 hab/ha. As faixas intermediárias têm poucas glebas inseridas no setor censitário correspondente à faixa de 31 a 60 hab/ha.
O centro urbano em 2010, tem uma densidade demográfica baixa, mas isso está mudando com o passar dos anos. Vários lotes residenciais unifamiliares ocupados estão sendo demolidos para se tornarem empreendimentos verticais.
O próximo censo provavelmente mostrará uma nova dinâmica da área urbana mais adensada.
123 Figura 39 - Densidade Demográfica da área urbana de São Carlos-SP com
vazios urbanos (glebas)
124 A bibliografia consagrada sobre o custo da urbanização de Mascaró (1987 apud BAZOLLI, 2007) indica o custo médio das redes urbanas e as descreve em função da densidade demográfica. Os valores, em dólares, estabelecidos pelo autor em 1977, são referência na proporção do custo da urbanização e densidade. A redução dos custos para implantar a rede urbana é em decorrência do aumento da densidade habitacional, conforme mostrado no Quadro 5. Segundo o autor o custo para implantação de infraestrutura para a densidade de 600 habitantes por hectare é de aproximadamente 100 mil dólares, praticamente 10% somente a mais do que o valor para atender metade dessa densidade (91 mil para 300 hab/ha). E no caso do custo por habitação, este diminui sensivelmente com o aumento da densidade podendo custar até 763 dólares por unidade para densidade de 120 domicílios/ha, ou seja, 6 vezes mais baixo.
Quadro 5 - Custo médio das redes urbanas em função da densidade.
*Em dólares – ano base 1977.
125 Este quadro reforça a importância dos planos diretores tratarem da questão do adensamento das áreas habitadas e, acima de tudo, ocupar os vazios urbanos visando à redução e a otimização dos custos da infraestrutura urbana.
O espraiamento urbano onera a gestão pública urbana uma vez que impacta a cidade com o aumento dos custos em transporte público, com o distanciamento entre infraestrutura e zonas de ocupação periférica entre outros.
Nas diretrizes dos Planos Diretores de Desenvolvimento Urbano devem ser apontadas as zonas de novas ocupações objetivando crescimento compacto da área urbana além de avaliar zonas de infraestrutura disponíveis necessárias à demanda para se ter uma cidade mais compacta.
Em São Carlos, verificou-se que as localidades dos vazios urbanos estão em áreas de baixa densidade demográfica. Dessa forma, além de ocupar os vazios urbanos, é necessário aumentar a densidade demográfica nessas localidades para, assim, diminuir em escala o custo de expandir a infraestrutura.
Está analise visa orientar as políticas públicas para a regulação do mercado imobiliário, em especial em São Carlos, compreendendo primeiramente a importância de diminuir a retenção de terras em toda área urbana provida de infraestrutura. Somente o uso e ocupação e o adensamento dos vazios pode diminuir o custo dos cofres públicos para levar infraestruturas em loteamentos longínquos ou fora do perímetro urbano. A infraestrutura que está servindo as glebas ou lotes vazios é pago pelo setor público através de taxas e impostos, ou seja, onerando toda a população. Planejar uma cidade mais conectada e compacta sem vazios urbanos (especulativos) é otimizar o custo da infraestrutura, que resulta em uma melhor qualidade de vida da população, pois a infraestrutura estará próxima e será para todos. A conectividade de toda infraestrutura ao uso do solo vai buscar ter áreas com usos diversos de forma a diminuir o deslocamento.
Vale lembrar que pode acarretar em outros problemas ambientais que são passiveis de ser estudados, tratados e solucionados ou minimizados. Apesar de polemico, o tema da densidade ideal necessita de analise local e
126 adaptações socioculturais para que seja tratado como política urbana, assim o objetivo deste estudo é colaborar nesta discussão.
Hoje São Carlos é uma cidade heterogênea na questão social e espacial. Sua segregação entre região Norte e Sul permanece cada vez mais reforçada pelo perfil de ocupação. Nesta analise temos como base as informações da sessão “caraterização de São Carlos” e os dados produzidos na tese. São Carlos caracterizou-se na região norte urbana com habitação de condomínios fechados, boa infraestrutura e renda da população alta, salvo poucas exceções. Os vazios urbanos especulativos estão localizados próximo de condomínios fechados e em áreas providas de infraestrutura. A região Sul, também apresenta grandes vazios urbanos, porém com ocupação diferenciada caracterizando-se pelo entorno com ocupação de conjuntos habitacionais de baixa renda, com infraestrutura deficitária e problemas de drenagem.
Mesmo os objetivos definidos no Plano Diretor de 2005 não foram suficientes para minimizar tais contrastes. Faz-se necessário, portanto, planejar e aplicar o que foi planejado em todas as áreas temáticas como transporte público, áreas de habitação social dentro da manha urbana, saúde, educação e habitação em diferentes classes sociais em todas as regiões da cidade. É preciso também conter o avanço da área urbana sobre a rural e induzir o desenvolvimento urbano para o adensamento responsável e sustentável sem ocupar áreas ambientais e APPs. Faz-se necessário planejar uma cidade homogenia à partir do conhecimento do atual meio urbano e da demanda social complementando com estudos da capacidade e suporte no meio urbano e proteção e preservação ambiental. Assim o espaço urbanizado produzirá uma cidade mais homogênea, proporcionado qualidade de vida, aproveitamento da infraestrutura construída e valorizando áreas ambientalmente protegidas.
7.2.2 População e Vazios Urbanos nas Zonas Urbanas do PDSC-2005