Para que a aprendizagem aconteça, é importante que o professor auxilie o aluno a ativar sua atenção, lembrando que a manutenção dela depende do próprio êxito das atividades de aprendizagem. Para que uma aprendizagem seja considerada significativa, é preciso que o sujeito que quer aprender processe ativamente e de forma relevante o material de aprendizagem (PORTILHO, 2006).
Hoje, educador e educando têm papéis bem diferentes dos tradicionais, pois o educador não é mais a fonte principal de educação, mas facilitador do processo de aprendizagem que deve estimular o aprendente a ter postura ativa, sensível e reflexiva durante o processo de construção do conhecimento. Para uma aprendizagem significativa, é importante uma pedagogia diferenciada que considere a individualidade de cada aprendente com seus potenciais e dificuldades e que esteja voltada a construção de sentidos, abrindo, assim, caminhos para a transformação e não para a reprodução acrítica da realidade social.
Nessa ação é fundamental o uso da subjetividade e o desenvolvimento de práticas vivenciais que facilitem o aprendizado e contribuam com a formação de seres humanos responsáveis que respeitem a si próprios e aos outros com consciência social e ecológica, de modo que possam atuar com liberdade no contexto pessoal e profissional.
Para Sampaio (2010), é preciso redirecionar o olhar para os nossos educandos, tentando enxergá-los de forma individualizada, como um todo, inseridos em um contexto social e espiritual. Cabe ao professor considerar as habilidades e atitudes incorporadas no cotidiano a partir de ambientes envoltos por sentimentos, emoções e afetos, por meio de
práticas pedagógicas que partam de situações e/ou realidades apresentadas pelos educandos (experiências prévias, dos seus imaginários ou de situações vividas) possibilitando a criatividade, a ludicidade, a sensibilidade e a reflexão histórico vivencial.
A incorporação do saber se dá pela busca por respostas às inquietações do educando no tocante ao aprimoramento, ampliação e transformação do conhecimento que ele já detém. Para tanto, o professor deve retirar e associar os conteúdos dados partindo do cenário já conhecido do educando. Quando se parte do conhecimento prévio do educando, tem-se a possibilidade de desenvolver uma aprendizagem significativa. Para isso, são necessários alguns componentes específicos como: situações problemas que geram desafios e hipóteses críticas/reflexivas; imaginação; discernimento para a busca de alternativas e contextualização da situação (SAMPAIO, 2010). Para isso, o educando deve ser um participante ativo do processo de aprendizagem. No processo de participação ativa, o educando deve expressar-se como protagonista do ato de aprender, atuando não mais como um mero expectador, completamente receptivo e passivo às aulas, esperando que o professor, como o único detentor do conhecimento, venha lhe transmitir a verdade sobre o saber.
Na Educação Biocêntrica, o educando participa ativamente das aulas, expondo o seu ponto de vista, direcionando os caminhos para ampliação do conhecimento. Ao professor, no seu papel de facilitador do processo de compreensão do mundo, cabe o desenvolvimento de estratégias que permitam a abertura de espaço para o aluno aparecer, expressar o que sabe e o que aprendeu, sendo o protagonista da sua vida. Ser protagonista é dar voz à sua existência, é participar da formação do conhecimento que explica e fundamenta sua vida (GONSALVES, 2012). Nessa direção, é importante que o professor parta de situações e/ou realidades apresentadas pelos educandos. Esse processo propiciará maior interesse e facilitará a expressão da criatividade, da ludicidade, da sensibilidade e da reflexividade histórica/vivencial (SAMPAIO, 2010).
Gonçalves (2009) corrobora, destacando que são conteúdos da escola: expressão da identidade (potenciais genéticos), renovação orgânica; harmonização do inconsciente vital; afetividade integradora, criatividade, inovação existencial e artística; expansão da consciência (ética); percepção da unidade cósmica; desenvolvimento da inteligência afetiva e da razão crítica e prazer de viver. Os alunos constroem, descobrem, transformam e ampliam seus próprios conhecimentos. Esta mesma autora relata que “prender é um processo que o aluno faz em si, não é algo que um professor faz para ou por ele” (GONSALVES, 2009, p. 27), As novas informações servem para ativar suas estruturas cognitivas, vivenciais e viscerais, pois a
ativação se dar na mente, nas experiências e no corpo. “O papel do professor consiste em criar situações de aprendizado para que os alunos possam construir significados a partir dos novos
materiais estudados” (GONSALVES 2009, p. 28).
A escola deve estar organizada para agregar valores aos alunos, buscando potencializar suas aptidões e talentos. É importante o desenvolvimento de vivências pedagógicas que estimulem a expressão dos potenciais genéticos dos indivíduos. Toro (2006) descreve potenciais genéticos como sendo a nossa identidade biológica. São potenciais natos dos seres humanos que devem ser estimulados na escola, pois o processo de criação, as intolerâncias e negligências acabam por inibi-los. São classificados como potenciais genéticos, na concepção de Rolando Toro (2002):
- Vitalidade: capacidade de manter o equilíbrio, homeostase e harmonia biológica. Trata-se de autorregulação orgânica para enfrentar o mundo com disposição e alegria;
- Sexualidade: capacidade de sentir prazer e desejo pela vida, indo desde o prazer sexual até o prazer pela mínimas coisas do cotidiano;
- Criatividade: capacidade de renovação aplicada à própria vida por meio de impulsos de inovação existencial e artística;
- Afetividade: capacidade de cuidar, de dar proteção, de aceitar o diferente sem discriminação, de ter empatia e sentir a necessidade de amor, solidariedade e compaixão;
- Transcendência é a capacidade experimentar os estados de expansão da consciência, de ir além e identificar-se com o cosmos.
Para Toro (2008), os potenciais genéticos devem ser considerados como os elementos norteadores das práticas educativas. É necessário transformar a escola em um espaço de vitalidade que estimule o prazer pela vida, criando condições para a inovação criativa, para a expressão do afeto e a transcendência, em um sentimento de íntima vinculação com a natureza e com o próximo.