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KAPITTEL 6 DRØFTING OG OPPSUMMERING

6.4 Organisering av tjenester

Os primeiros casos de aids no país ocorreram sobretudo nas grandes metrópoles brasileiras (BRITO; CASTILHO; SZWARCWALD, 2001). Fortaleza, Capital cearense, além de ser uma das maiores cidades do país, localiza-se em região litorânea, sendo o turismo uma importante fonte de emprego e de rápido crescimento não somente na Capital, mas em todo o Ceará (CORIOLANO,1998). Como se afirma, o litoral do Estado vem cedendo o espaço outrora destinado às atividades tradicionais dos pescadores para os equipamentos turísticos e para a apropriação de territórios para espetáculos do turismo cearense (CORIOLANO; VASCONCELOS, 2007).

Se por um lado o turismo muda a configuração espacial das cidades e alavanca seu desenvolvimento econômico, por outro a apropriação de cidades para práticas turísticas pode ocasionar difusão de agravos, como o HIV/aids, justificando os achados da distribuição espaço-temporal do presente trabalho. Regiões turísticas enfrentam dificuldades para ações preventivas e de saúde, em especial no tocante a doenças sexualmente transmissíveis, como o HIV/aids, em virtude do grande contingente de pessoas que visitam essas localidades, em períodos de alta estação do ano, feriados e em datas comemorativas, e que muitas vezes não são atingidas por ações pontuais para práticas preventivas de saúde. Conforme divulgado, o turismo se constitui em uma atividade que tem impacto na saúde das cidades anfitriãs (BELLENZANI; BLESSA; PAIVA, 2008). Estudo realizado em uma cidade do litoral menciona tal problema, e aponta o aumento do número de casos de aids associado à grande rotatividade de pessoas em períodos específicos do ano, sobremodo na época de carnaval (OLIVEIRA et al., 2009). Isso também é verificado no presente estudo, porquanto não somente em Fortaleza, mas em outras regiões cearenses foram observados aglomerados de alta incidência da aids em municípios distribuídos ao longo da orla marítima. Nas regiões do

Jaguaribe e no Noroeste do Estado, onde também se identificaram clusters de alta incidência, estão localizadas importantes áreas turísticas, com destaque para Aracati e Jijoca de Jericoacoara.

Ainda quanto ao turismo, outra prática relacionada a visitações de estrangeiros em cidades atrativas do país e associada à disseminação da aids, também se faz necessário citar o turismo sexual, que alarga o risco e a vulnerabilidade à infecção pelo HIV/aids. Consoante Piscitelli (2005), a Capital cearense é vista como uma das cidades centrais do turismo sexual internacional do país. Embora muito difundida no mundo contemporâneo, tal prática não pode ser vista somente como segmento da atividade turística, mas como uma das suas lesivas deformações, e sua ocorrência reflete sérios problemas na sociedade (BEM, 2005). O turismo constrói um panorama sexual ímpar, marcado pela desigualdade socioeconômica, pelo imaginário subjetivo das relações e por comportamentos de risco isentos de práticas preventivas e de cuidados à saúde (BELLENZANI; BLESSA; PAIVA, 2008). Assim, urge desenvolver ações preventivas mais enfáticas, com pactuação entre cidades visitadas e regiões de onde advém os turistas. Para tanto, estabelecimento de políticas públicas que envolvam o setor saúde e outros setores relacionados ao turismo poderia reduzir a disseminação da aids na região Nordeste.

Conforme se depreende ao se analisar aglomerados de processos em saúde em território definido, as cidades não são autossuficientes, pois constantemente se relacionam com seus vizinhos e com espaços mais longínquos, por meio das várias opções disponíveis hoje de comunicação e transporte, que reduzem as distâncias (BRASIL, 2006). Esse é um dos conceitos básicos das análises espaciais e é constatado claramente pela expansão geográfica de processos de adoecimento. Convém ressaltar ainda o seguinte: nos últimos anos, houve no país a redução de processos migratórios de longa distância, a intensificação de fluxos de retorno, da migração intrametropolitana e o aumento de movimentos migratórios de curta distância e intrarregionais, bem como crescimento de movimentos pendulares (BAENINGER, 2000). Neste prisma, evidenciam-se, por exemplo, o retorno de nordestinos das grandes metrópoles brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro, para suas cidades de origem; bem como a migração de pessoas das grandes cidades do Nordeste, como a Capital cearense, para localidades vizinhas de menor porte e para municípios da região Metropolitana. Tal movimentação de pessoas entre as regiões pode incrementar a difusão de agravos, sobretudo da aids.

Um dos aglomerados de aids identificados no presente estudo localiza-se ao redor da Capital do Estado cearense. Em corroboração aos achados, Oliveira e colaboradores (2009)

justificam o crescimento da aids em municípios próximos a Fortaleza pelo fato da população dessas cidades estar em contínuo contato com a Capital cearense, onde se verifica o maior número de casos. Grupos populacionais em constante interação dentro do espaço geográfico podem adotar comportamentos semelhantes com consequente risco para o HIV (ROTHENBERG et al., 2005). Uma maior interação entre diferentes grupos populacionais, sem as devidas ações de saúde para prevenção e cuidado e que acompanhem a expansão do espaço físico, pode acrescentar risco de contágio de doenças entre comunidades.

Pode-se afirmar: o processo migratório é fator predisponente para disseminação do HIV/aids. Entretanto, redes de comunicação que interligam grupos vulneráveis de diferentes pontos do país também se revelam como fator de propagação da aids (BARCELLOS et al., 2004). A expansão da epidemia do Sul e Sudeste para o Norte do país coincide com eixos de comunicação e transporte interestaduais (BARCELLOS et al., 2004). Esse fenômeno, provavelmente também atinge a região Nordeste.

Como identificado, um dos clusters verificado no presente estudo, com altas taxas de aids, situa-se entre o Ceará e o Piauí. Nesta área estão localizadas importantes vias de transporte e de interligação entre as localidades, das quais se cita a BR-222, que começa na Capital cearense e percorre todo o Estado, até chegar aos municípios piauienses. Ainda foi encontrado aglomerado da distribuição espaço-temporal próximo a fronteira entre o Ceará e Estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Pesquisa realizada em hospital de referência do país aponta como fator de risco para o HIV/aids algumas atividades profissionais, dos quais é citada a atividade laboral de caminhoneiro (PINHEIRO et al., 2012). Corroborando os achados, estudo realizado no semiárido nordestino ressalta a aids como importante problema de saúde pública na região, de modo particular, para populações vulneráveis, sendo intensificada pelo trânsito de caminhoneiros (SAMPAIO et al., 2011).

Ao se tratar do HIV, limites geopolíticos, culturais e econômicos das fronteiras adquirem somente caráter simbólico (MOSER; TRAEBERT; SOUZA, 2008). A circulação de pessoas nestas áreas forma novas redes socioeconômicas e novos comportamentos sexuais, os quais podem se constituir em fator de vulnerabilidade para a aids. Assim, reafirma-se a necessidades de pactuações intermunicipais e estaduais, com fins de estabelecer estratégias de prevenção e controle do HIV/aids que considerem as regiões migratórias e de fronteiras e a formação de novas relações interpessoais e entre grupos que interferem na disseminação da doença.