4.1 Analyse av de syv elementene
4.1.5 Organisasjonsstruktur og system
Desde o século XIX,os debates sobre a Teoria da Evolução não se restringiram apenas ao meio acadêmico, mas têm sido levados também às igrejas, parlamentos e instituições ou órgãos governamentais de educação. No caso das igrejas, é clara a oposição de várias denominações religiosas á Teoria da Evolução porque esta seria contrária à criação divina.
Segundo Freire-Maia (1985) existem diferenças entre concepções fixistas e criacionistas: são as idéias fixistas que se opõem ao evolucionismo, pois pressupõem que as espécies sejam fixas e imutáveis. Então, “evolucionismo e fixismo são teorias científicas antagônicas que podem igualmente se assentar sobre a idéia da criação” (FREIRE-MAIA, 1985, p.2029). Freire-Maia definiu quatro linhas ideológicas sobre a evolução: 1. criacionistas-fixistas estritos: Deus criou todos os seres vivos, desde o início, e não houve mudanças evolutivas; 2. criacionistas-semifixistas: Deus criou as espécies animais e vegetais selvagens e estas permaneceram fixas até hoje. A partir de ancestrais selvagens e pelo trabalho do homem, surgiram os animais domésticos e as plantas cultivadas. Nesta categoria o autor inclui os fundamentalistas e aqueles que adotam o criacionismo científico; 3. Evolucionistas materialistas: a matéria sempre existiu ou surgiu por acaso; a evolução ocorre
pela ação de fatores naturais, sem necessidade de uma intervenção divina; 4. criacionistas- evolucionistas: a matéria foi criada por Deus com propriedades evolutivas; nessa linha, “a evolução representa a série de acontecimentos que decorreram pela ação de fatores naturais, em conseqüência daquelas potencialidades. Deus está presente na origem e no destino de tudo” (FREIRE-MAIA, 1985, p.2030). A distinção entre as duas últimas linhas ideológicas é profunda, porém limita-se à esfera filosófica e religiosa. Ambas aceitam a teoria evolucionista como formulada atualmente, sem nenhuma alteração do ponto de vista científico.
Os Estados Unidos, atualmente, é o país que mantém o maior número de sociedades e institutos com a finalidade de estudar, pesquisar e divulgar o criacionismo, segundo afirma Cunha (2004). Esses organismos estão especialmente concentrados nos estados do Sul, em que a maioria da população professa religiões que patrocinaram os estudos que se opõem ao criacionismo. A Igreja Católica Romana reconheceu a Teoria da Evolução durante o papado de João Paulo II. Segundo Licatti (2005) nos Estados Unidos, no século XX, surgiram associações com o objetivo de pesquisar e divulgar as idéias criacionistas, tais como a Sociedade para Pesquisa da Criação (CRS), no ano de 1963; o Centro para Pesquisas da Ciência da Criação (CSRC), em 1970; e o Instituto para Pesquisa da Criação (ICR), em 1972. No Brasil, a religião adventista é a que mais incisivamente se opõe à Teoria da Evolução e ao seu ensino em sala de aula. A Igreja Adventista mantém no Brasil a Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), que divulga estudos e projetos sobre o criacionismo que atacam diretamente a Teoria da Evolução como ciência.
A Sociedade Criacionista Brasileira (www.scb.org.br), criada em 1972, está aumentando o número de publicações e panfletos anti-evolucionistas distribuídos no país, incluindo a tradução de livros com visão totalmente distorcida da teoria da evolução. (FLORI e RASOLOFOMASOANDRO, 2002; JUNKER e SCHERER, 2002 apud TIDON e LEWONTIN, 2004, p. 124).
Sobre debates e conflitos acerca o ensino da Teoria da Evolução, é emblemático o caso citado por Gould, o Julgamento Scopes, também retratado no filme “O vento será a tua herança”, em que um professor é julgado por infringir a lei Butler, no estado do Tennessee, EUA, em 1925. Tal lei prescrevia punição para qualquer professor que, em qualquer dos níveis de ensino público, ensinar qualquer teoria que requer a história da criação divina do homem tal como é ensinada na Bíblia, e dizer, ao invés disso, que o homem descende de uma ordem inferior de animais” (CICILLINI, 1991).
No estado da Califórnia, em 1968, o California State Board of Education conseguiu a aprovação de uma recomendação que determina o ensino da origem da vida a partir da visão
criacionista de maneira conjunta com o ensino da Teoria da Evolução. Ainda nos EUA, na Carolina do Sul, até bem pouco tempo era proibido mencionar o termo evolução e o nome de Darwin nos livros didáticos oficiais (BOESIGER, 1980).
Em 2002, professores do estado do Kansas, nos Estados Unidos, foram questionados sobre o direito de desrespeitar as crenças religiosas dos estudantes ao ensinarem apenas a evolução biológica como assunto regular dentro da Biologia, deixando de lado teorias alternativas. Ensinar a teoria da evolução de Darwin, segundo argumentaram políticos e defensores do criacionismo, era ensinar somente um lado da história. Algo balanceado seria o ensino do criacionismo de forma conjunta com a teoria da evolução de Darwin como teoria alternativa.
De acordo com Tidon et. al (2003), no Brasil o ensino de evolução não foi combatido com a mesma intensidade em que foi nos EUA, no início do século XX, mas ainda é algo de difícil compreensão pelos alunos e muitas vezes pelos próprios professores, apesar de ser tema de constantes debates.
Nos Estados Unidos, recentemente, novas decisões reacenderam casos semelhantes ao do passado no que tange às restrições ao ensino de evolução. Em 1999 no estado do Kansas, o Kansas State Board of Education resolveu tirar a teoria da evolução do currículo escolar, o que mostrou como os grupos fundamentalistas podem influenciar o ensino.
Em 2002, ainda nos Estados Unidos, o Conselho de Educação do Estado de Ohio permitiu às escolas a inclusão do Intelligent Design (design inteligente, como vem sendo chamado no Brasil) em suas aulas de Biologia (NELSON, 2004; NOGUEIRA, 2003). Segundo Sepúlveda (2004), essa teoria, também denominada Teoria do Planejamento Inteligente, surgiu nos Estados Unidos para reforçar o chamado criacionismo científico e acusar o evolucionismo de dogmatismo, pois “... se apoiando na metafísica materialista, retira Deus das explicações dos fenômenos naturais, desautorizando o criacionismo como explicação alternativa”. Em 2004, houve um fato semelhante aqui no Brasil, com a decisão do governo estadual do Rio de Janeiro de introduzir o ensino do criacionismo nas escolas públicas estaduais (GAZIR, 2004). Essa medida foi tomada com base no Artigo 210 da Constituição Federal de 1988, que permite o ensino religioso, de matrícula facultativa, como disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. Sobre o assunto, o secretário da educação do Estado do Rio de Janeiro, em 2001, afirmou que “a religião, além de questão de fé, é também um ramo do conhecimento” e que a inclusão do ensino religioso na rede pública estadual “traduz a vontade de outros setores que não o governo, pois foi aprovado pela Assembléia Legislativa” (MENDONÇA, 2004, p.3).
Diante do exposto sobre a introdução do ensino do criacionismo no Brasil, fica uma primeira impressão de que grupos políticos estão se utilizando do sistema educacional para conquistar a simpatia de setores religiosos da sociedade. Sua ação não se mostrou muito articulada com organizações que procuram introduzir o chamado “criacionismo científico” nas escolas brasileiras, tal como a Associação Brasileira de Pesquisa da Criação, o que pode ser um indicativo de uma política sem muitas conseqüências sérias para o ensino das Ciências. De qualquer forma, é importante que estejamos sempre atentos às decisões que possam obscurecer o entendimento dos fundamentos da Ciência e de seus principais avanços históricos. É importante ressaltar que as objeções aqui apresentadas ao movimento criacionista não devem ser estendidas para a religião ou para uma visão religiosa da vida. (LICATTI, 2005, p. 27)
O ensino de evolução biológica tem sido dificultado em alguns países e, particularmente no estado do Rio de Janeiro, por fatores religiosos, causando confusão entre o que é conhecimento científico e o que não é. Dessa forma, poderá ocorrer privamento do acesso ao estudo da evolução biológica por parte de alunos da educação básica devido à incapacidade de alguns grupos religiosos em distinguir o conhecimento científico de questões relacionadas à fé religiosa.