“Bom na verdade assim, né, falando nesse processo de catação né, de catador mesmo, eu iniciei na catação quase que por uma fatalidade familiar, porque na época, em meados de 2003, 2002 ou 2003 eu trabalhava em uma empresa e aí eu resolvi sair da empresa e tava na época desempregado e aí minha sogra trabalhava no antigo lixão da cidade e aí na época de carnaval, tem o carnaval aqui no município, no teatro de Arena, aconteceu uma fatalidade, do meu cunhado ser atingido por tiro lá,veio a falecer e aí nesse período a minha sogra que trabalhava no lixão, ela ficou logicamente abalada pela morte do filho e não
59 conseguiu mais por um bom tempo ir no lixão trabalhar pela questão da perda do filho e aí eu desempregado resolvi arriscar, fazer a vez dela, uma vez que ela não tava podendo ir e aí resolvi num belo dia lá, falei: não, eu vou lá no seu lugar, tal. Mais carregado pelo lado sentimental da coisa, assim, emocional e aí fui conhecer o trabalho dela no lixão tal e ao mesmo tempo trabalhar pra dar uma força naquele momento lá, que, a renda dela vinha exclusivamente do lixão e acabei indo pro tal lixão. E aí iniciei o trabalho lá junto, tinha lá umas vinte pessoas e aí tudo muito estranho porque nunca tinha feito isso e fiquei uma semana e aí senti que realmente ela tava bem ruim, não ia voltar naquele instante lá, eu resolvi ficar mais um bom tempo.”
A percepção de si mesmo
E aí nesse período era interessante porque era a primeira vez que os catadores do antigo lixão, ia ter uma relação mais aprofundada com a população até enquanto tava no lixão era pessoas extremamente invisíveis lá, quase ninguém sabia, que tinha pessoas trabalhando no lixão, até porque a gente percorria a distância da nossa casa até o lixão, aproximadamente vinte quilômetros por dia e aí ficava num local bem afastado da cidade, até porque o lixão é num local afastado e voltava pra casa todo dia noite. Então atravessava a cidade meio que quase que invisível mesmo, ninguém sabia qual era a atividade que a gente exercia.
E aí também nesse período de dificuldade, ela mãe solteira, com as dificuldades dela. E eu perdi também depois a minha mãe muito nova. Então aí nesse período a gente teve que criar uma força extra, porque já vinha de uma situação que ela tava conduzindo a família meio que sozinha, e aí ela faleceu muito nova também e aí a gente, eu, particularmente tive que ter uma força a mais, mas o interessante é que, não consigo identificar se era liderança pro negócio em si, acho que não, na época. Mas assim, eu percebo que eu era meio rodeado de amigos assim que, que eu percebo que até hoje, que o pessoal naquela época tinha um certo respeito com o tipo de diálogo que a gente tinha. E também partir por esse caminho mesmo, mãe solteira, não tendo pai, num partir
60 pra outro caminho que não fosse o caminho da legalidade, do negócio e aí dentro do ambiente escolar, aí sim. Não sei, não é prepotência nada, mas eu acho que, dentro do grupo da escola eu acho que eu já era reconhecido ali como uma pessoa meio que de referência mesmo. Ah, vamo fazer isso, vamo fazer aquilo. Não sei se isso tem alguma interferência no que a gente alcançou hoje, falando da atividade de catação, mas sei lá, pode até ser que, tinha alguma coisinha lá, algo a mais aí que serviu pra depois conduzir esse processo que é um processo complicado, é difícil né, eu acho que, são pessoas abençoadas que conseguem conduzir esse processo aí e fazer uma cooperativa, de fato sair do papel e virar uma coisa real né. Por que se... o acreditar teve que partir da gente, porque embora as pessoas, queriam dar uma força, ajudar, mas não tem como, a cooperativa depende muito do querer das pessoas que estão a frente. Que é ela que conduz o restante do grupo e faz o grupo acreditar que o impossível é possível, entendeu, então... acho que é isso, é, não sei. Devo ter sido escolhido pelo grande lá, ó, é você mesmo que tem que carregar esse fardo, tamo aí
A transformação profissional, a luta política, as conquistas
“E aí nesse período eu comecei a ler questão de formação de cooperativa, como se daria isso, tal. E aí nesse período eu meio que conversei com algumas lideranças que a gente já tinha, algumas lideranças antigas do lixão e aí propus pra eles: ó de uma forma ou de outra não ter como, a gente vai ter realmente que sair daqui e isso foi uma questão legal, a justiça tá falando que não pode mais, então a gente precisa ver o que a gente vai fazer porque esse momento é chegado e eu acho que a gente tem... na época tinha três meses, porque o lixão encerraria no finalzinho do ano e aí chamei esses líderes aí e falei: olha, eu tenho estudado sobre cooperativa, o que que cês acham de nesse momento aqui, já que vai encerrar as atividades aqui, da gente conhecer uma cooperativa da nossa região pra sentir como que é, se dá certo, se não dá, pra gente se antecipar a aquilo que a gente já sabe que vai acontecer. E aí a gente visitou uma cooperativa, vizinha nossa aqui, na cidade de Batatais e aí o pessoal, as lideranças, juntamente comigo gostou da ideia, o pessoal passou como funcionava tal, e aí a gente ficou meio com aquela ideia e aí retornou pro lixão e aí boa parte
61 das pessoas que trabalhavam lá imediatamente após a visita procurou o município novamente com essa ideia: ó, uma vez que vai retirar a gente do lixão aqui a gente quer continuar exercendo essa atividade.
Em 2005 a gente conseguiu formalizar de fato a cooperativa e aí iniciou o processo de diálogo com o município, primeiro ponto que foi o local, né, até porque sem o local a gente não conseguia nem trabalhar. A prefeitura tinha já, ao sair o CNPJ e a documentação da cooperativa, ela já enviou esse processo da cooperativa para a câmara municipal e foi aprovada a cessão de uso do local pra gente iniciar o trabalho.
A prefeitura tinha já, ao sair o CNPJ e a documentação da cooperativa, ela já enviou esse processo da cooperativa para a câmara municipal e foi aprovada a cessão de uso do local pra gente iniciar o trabalho.
E aí, ela, a gente conseguiu fazer com que o município doasse uma prensa, porque a gente vendia o material solto e aí não conseguia agregar valor, vendia por um valor pequeno e isso influencia na renda. Então depois de porta em porta, a prefeitura também ajudando na divulgação do trabalho, cedeu além do espaço, um trator com uma carretinha que já era parte, né. E aí conseguiu formalizar um termo de cessão de uso de uma prensa. Isso também deu uma alavancada no ano de 2007, já no início vendeu o material por um preço melhor e aí esse grupo foi se animando cada vez mais.
E aí o valor que a gente conseguiu do projeto BNDS foi de 448 mil reais, que na época possibilitou a construção da sede nossa aqui, com refeitório, escritório, a compra de mais uma prensa, uma esteira e aí o avanço maior foi a compra de um caminhão. Foi o primeiro caminhão nosso, que a gente conseguiu com recurso do BNDES, aí deu pra alavancar ainda mais porque a prefeitura continuou cedendo o trator né, mas aí a gente já tinha um veículo próprio, pra fazer e ampliar a coleta no município.
Então a gente pleiteou esse caminhão junto à FUNASA, porém ele demorou um pouco, o projeto em meados de 2009, 2010, esse caminhão da FUNASA chegou aqui pra gente em 2012. Mas entre 2009 e 2012, na chegada desse
62 caminhão próprio pra cooperativa, a gente recebeu a visita do então secretário estadual do Meio Ambiente, veio conhecer o município aqui e aí resolveu conhecer a estrutura da cooperativa, né e aí por nossa surpresa, após ele conhecer e dialogar com a gente aqui, ele de imediato anunciou pra gente que a secretaria estadual estaria fornecendo um novo veículo pra cooperativa, aí desse vez via convênio com o município né. Então a gente já tinha um caminhão do BNDES, já tinha um caminhão da FUNASA que demorou pra chegar, mas nesse meio veio um caminhão da Secretaria Estadual.
Já em 2013 pra 2014 a cooperativa resolveu iniciar um processo novo também, que foi, uma vez que a cooperativa já tava bem estruturada, já participou de editais públicos e já tinha incentivado outros municípios a pagar pelo serviço, a cooperativa iniciou o trabalho de trabalho em rede dessas cooperativas, pensando que ó, a gente junto vai ter mais força, tanto junto ao município quanto à atividade em si.
E aí a Cooperlol mais uma vez encabeçou esse processo em 2013 e aí em 2013, já com esse processo mas a rede ainda não formalizada, a Cooperlol ousou mais uma vez enviar um edital junto a Fundação Banco do Brasil, através de um edital público, esse contemplava exclusivamente redes de cooperativas, mesmo que elas não estivessem formalizadas, o edital previa que teria que ter uma cooperativa singular, representando as demais cooperativas. E aí pra nossa felicidade a gente conseguiu de novo ser contemplado nesse edital, né. O edital, a princípio prevê a compra de equipamentos junto à FUNASA, que é aquele processo que eu já falei antes que é demorado, ele vem se arrastando desde 2013, mas dentro do projeto é um projeto de nivelamento, aonde vai nivelar as cooperativas pelo menos no quesito equipamentos e a outra parte do projeto é voltada pra consultoria, e esse com a Fundação Banco do Brasil, que prevê no final do projeto um plano de negócios de estruturação da rede, pra ela dar um passo adiante aí, na comercialização, na verticalização do material, na produção de um produto final, oriundo do material que essas cooperativas coletam.
63 A base familiar
A minha, em especial, é que a dificuldade já iniciou desde criança porque, eu não conheci meu pai porque abandonou minha mãe, eu tenho outro irmão na verdade, né. Eu quando ainda muito pequeno, não lembro nem da face do meu pai, na verdade, porque ele abandou o barco e aí a minha mãe teve que toca o barco sozinha. E aí também nesse período de dificuldade, ela mãe solteira, com as dificuldades dela. E eu perdi também depois a minha mãe muito nova. Então aí nesse período a gente teve que criar uma força extra, porque já vinha de uma situação que ela tava conduzindo a família meio que sozinha, e aí ela faleceu muito nova também e aí a gente, eu, particularmente tive que ter uma força a mais (...)
Sua mãe morreu você tinha quantos anos?
Eu tinha, na verdade, já era adolescente, acho que dezesseis pra dezessete anos. Morreu de infarto na verdade.
Você tem quantos irmãos?
Só um, mais velho. E na sua casa, ele também tinha essa capacidade de se virar ou você acha que era mais você? Não, não, meu irmão, desde novinho né, ele é dois anos mais velho que eu, eu estudava e ele desde novinho já pensava em trabalhar. Ele fazia serviço mais assim, braçal né, desde pequeno, então até hoje o foco dele sempre foi esse, hoje ele é metalúrgico, tá até com problema de saúde, teve que operar da hérnia, tá afastado e tal, e ele era mais questão de serviço braçal.
Ele nunca se envolveu com luta sindical?
Não, meu irmão não. Era mais voltado pra questão do trabalho dele mesmo. Ele não era meio que engajado nisso não.
E você já buscava mais estudar?
Por vezes dava uma enganada, não tinha muito a noção da importância do estudo, né, mas assim, estudava sim, fiz o segundo grau completo, nunca repeti
64 de ano, isso aí era bem tranquilo. Até fiz um vestibular assim que acabou o segundo grau mas aí acabou não dando certo.
As dificuldades
(...)o pessoal do lixão tava sendo constantemente ameaçado de ser retirado do local por questão do órgão ambiental, a CETESB, junto com o Ministério Público, a própria Prefeitura, tava iniciando um TAQ para a retirada dos catadores do lixão. E aí os catadores lá, eu fui sentindo que eles estavam se agonizando lá com essa questão de perder o emprego, embora um trabalho complicado, mas era o que eles faziam, sustentava as famílias. (...) e aí em meados de novembro veio uma nova notícia que de ó, o TAC já foi firmado e realmente vocês mais um mês e meio aproximadamente aqui pra encerrar as atividades. Muitas pessoas na época eu me lembro bem que entrou até em depressão porque resistia em sair do lixão porque já tinha um vínculo com aquela atividade, aquela luta, aquela batalha diária. (...) E aí chegou o grande dia realmente, em dezembro, de fato aquilo se concretizou e fez o encerramento das atividades. Nesse meio tempo não deu pra gente fazer a formalização enquanto cooperativa porque teria que formalizar pra prefeitura já tinha sinalizado que ia apoiar a iniciativa, mas precisaria de um documento formal da cooperativa pra fazer a cessão do espaço que hoje a gente ocupa aqui, já há dez anos. Ficou aproximadamente três meses correndo atrás dessa documentação e aí em 2005, de fato, a cooperativa foi concretizada. (...) Então fiquei de 2003 a 2005 também trabalhando no lixão. (...) . Nesse período aí, a cooperativa foi formada por vinte e uma pessoas, que eram todas do antigo lixão. No primeiro mês já houve a desistência de cinco pessoas, porque a renda, é... a primeira venda do material a gente conseguiu dividir entre nós oitenta reais, na época, isso em 2006. E aí no terceiro mês já saiu mais seis cooperados, todos do antigo lixão, porque, embora a gente se esforçasse, a renda não conseguia durante os meses ultrapassar cento e oitenta reais, na época. E aí chegou um ponto crítico, né, a cooperativa que tinha 21, passou a ter 10 pessoas, 11 pessoas e aí a gente fez uma reunião com aqueles que restaram, digamos assim né, do grupo e aí a gente num ponto de decidir se a cooperativa de fato iria continuar, essas pessoas que tavam aí acreditando, né. (...)E aí então a gente iniciou, desse
65 bairro começou fazer em outros bairros e aí a coleta foi aumentando, consequentemente a venda também, durante um ano, a gente, de 180 conseguiu alcançar na época, 300, 350 reais
As referências pessoais
Aí outra coisa também é que em 2010, história com é complicada, porque em 2010 , minha sogra que me fez ir até o lixão e acontecer tudo isso, ela veio a falecer, aqui dentro da cooperativa, porque ela morava aqui, e aí talvez, de tudo isso que a cooperativa conquistou que pra nós aqui é uma questão delicada foi essa perda dela. A cooperativa naquele momento a cooperativa ter conquistado algumas coisas e aí nisso os cooperados tem noção disso, que a cooperativa só existe, hoje eles alegam que a cooperativa só existe por causa dela, porque se eu fui pra lá e conduzi o processo de formação da cooperativa, eu só fui por causa dela, mesmo que por uma fatalidade. Então na verdade é isso né, as coisas acontecem e a gente não tem o poder de mudar né. É assim uma das coisas que a cooperativa fica meio bambeada quando entra nesse assunto assim porque, parte dos catadores do antigo lixão ainda tá aqui, eu e mais outras companheiras. E ela também era um símbolo da cooperativa também, porque, minha sogra era meia porreta também. Digamos assim, não comia nada amanhecido né, então. Mas se ela tivesse aqui, a gente acredita que a cooperativa teria avançado ainda mais, porque, questão de disposição pra trabalhar assim ela é considerada até hoje, mesmo não tando aqui mais como a pessoa que mais trabalhava lá no lixão, passava dias, até posava no lixão e acabou construindo uma residência com o dinheiro do lixão. Então foi uma perda que a gente sente até hoje, é complicado né. Mas aí o bom é que as filhas continua aqui, então, provavelmente a história dela então... dos filhos, pode ser que os netos também vai ingressas na cooperativa, então, o conforto vem daí, né, tem alguém ainda que representa ela.
Sim, porque eu peguei as dores dela e trouxe pra mim, né. Porque também, na época de desempregado eu poderia, novo ainda, procurar um outro emprego, mas não, só fui lá também por respeito a ela, naquela época já entender a dificuldade que era, né, uma mulher encarar o negócio de frente mesmo. E dentro
66 do clube o interessante é que algumas pessoas tinha dentro do lixão, tinha vergonha, não sei se é vergonha, de falar ah eu trabalho lá em tal lugar e ela não, ela desde a época, ela batia no peito que atividade dela era aquela mesmo, é daquilo que ela vivia e ponto final. Então, é a pessoa que mais simboliza aí a alternativa de pegar ... também é por via dela né.
Características pessoais de liderança
E aí nesse período eu comecei a ler questão de formação de cooperativa, como se daria isso, tal. Mas aí nessa época, nessa transição de 2005 pra 2006, eu iniciei o processo de militância junto ao movimento nacional. E foi lá no movimento nacional lá em meados de 2006 que o pessoal já tinha alertado que ó, devido a articulação nossa enquanto movimento, a gente tá dialogando com o governo federal na busca de apoio, aí, pras cooperativas. E aí como 2006 eu fiquei um bom período frequentando as reuniões do movimento e tal,
Então a gente, eu, em particular já tava meio engajado na causa aprofundamento as informações, então eu propus para a cooperativa pra gente participar do edital.
Além disso, em 2005, 2006 na verdade, depois do projeto BNDES, aí sim, eu em particular, fiquei ainda mais militante do movimento e em 2009 eu passei a fazer parte da articulação estadual do movimento, cuidando de uma boa parte de uma região nossa aqui, conhecida como Alta Mogiana e também com alguma influência na região central, com algumas cooperativas lá. Nesse período a gente já entedia bem o que significa o movimento pra categoria.
A minha, em especial, é que a dificuldade já iniciou desde criança porque, eu não conheci meu pai porque abandonou minha mãe, eu tenho outro irmão na verdade, né. Eu quando ainda muito pequeno, não lembro nem da face do meu pai, na verdade, porque ele abandou o barco e aí a minha mãe teve que toca o barco sozinha. E aí também nesse período de dificuldade, ela mãe solteira, com as dificuldades dela. E eu perdi também depois a minha mãe muito nova. Então aí nesse período a gente teve que criar uma força extra, porque já vinha de uma
67 situação que ela tava conduzindo a família meio que sozinha, e aí ela faleceu muito nova também e aí a gente, eu, particularmente tive que ter uma força a mais, mas o interessante é que, não consigo identificar se era liderança pro negócio em si, acho que não, na época. Mas assim, eu percebo que eu era meio rodeado de amigos assim que, que eu percebo que até hoje, que o pessoal naquela época tinha um certo respeito com o tipo de diálogo que a gente tinha. E também partir por esse caminho mesmo, mãe solteira, não tendo pai, num partir pra outro caminho que não fosse o caminho da legalidade, do negócio e aí dentro do ambiente escolar, aí sim. Não sei, não é prepotência nada, mas eu acho que, dentro do grupo da escola eu acho que eu já era reconhecido ali como uma pessoa meio que de referência mesmo. Ah, vamo fazer isso, vamo fazer aquilo. Não sei se isso tem alguma interferência no que a gente alcançou hoje, falando da atividade de catação, mas sei lá, pode até ser que, tinha alguma coisinha lá, algo a mais aí que serviu pra depois conduzir esse processo que é um processo complicado, é difícil né, eu acho que, são pessoas abençoadas que conseguem conduzir esse processo aí e fazer uma cooperativa, de fato sair do papel e virar uma coisa real né. Por que se... o acreditar teve que partir da gente, porque embora as pessoas, queriam dar uma força, ajudar, mas não tem como, a cooperativa depende muito do querer das pessoas que estão a frente. Que é ela que conduz o restante do grupo e faz o grupo acreditar que o impossível é possível, entendeu, então... acho que é isso, é, não sei. Devo ter sido escolhido pelo grande lá, ó, é você mesmo que tem que carregar esse fardo, tamo aí.
5.2.2 – Análise das trajetórias fundamentada na conceituação de