6. Drøfting av funn
6.2 Organisasjonsendring og ansattes tilhørighet til NTNU
O caminho traçado até aqui dá conta de uma visão mais abrangente das influencias presentes no social a respeito da relação educação com as mídias, mas como elas se materializaram? Como se constituíram no cotidiano da escola?
Analisando algumas imagens do Arquivo Público do Estado de São Paulo36, podemos perceber que as diferentes concepções de educação e utilização dos meios se mesclam.
Imagem 1 - Álbum da Escola Normal sem data
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo
36
Disponível em <http://www.arquivoestado.sp.gov.br/educacao/galeria.php>. Acesso em: 17 maio 2011.
Imagem 2 - Classe do Grupo Escolar de Duartina - Bauru. Relatório de 1933
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo
A primeira foto selecionada mostra um grupo de meninas, elas estão sentadas enquanto uma aluna aponta algo num álbum seriado posicionado na lateral esquerda, à frente do grupo sob a supervisão atenta da professora. A sala está disposta com aproximadamente 40 crianças enfileiradas, todas com os rostos voltados na direção do quadro e com os braços cruzados sobre o peito. No canto inferior, em destaque dois vasos de flores ornamentam a sala.
Na foto seguinte a sala masculina, na qual os alunos estão também enfileirados, à direita, em pé o professor e um aluno em frente ao quadro. Em destaque o quadro de giz, a esquerda um mapa do Brasil e próximo ao professor um álbum seriado. Embora o ângulo da foto não proporcione uma visão mais detalhada, é possível perceber a mesma relação de simetria entre as posições de professor e aluno como também o mesmo sentido de ordenação dos corpos.
Considerando que as fotos são posadas, ou seja, elas formam um arranjo visual que demonstram uma intencionalidade, podemos perceber que as salas estão ordenadas de modo a evidenciar a disciplina a posição hierárquica entre professor e aluno como elementos fundamentais na organização do ensino. Além disso, ficam evidentes alguns indícios da questão de gênero em se tratando de salas masculinas e femininas, na vestimenta e na forma como a sala está organizada.
As imagens evidenciam aquilo que os professores julgam ser o que melhor representa suas práticas de acordo com a sua concepção de educação e dentro dela a função dos meios parece ser a de demonstração, de portadores de um conteúdo a ser incorporado pelo aluno. Desse modo as coleções de quadros e de objetos que compõem os laboratórios teriam um sentido demonstrativo/simulativo,
mais alinhado com uma concepção de educação baseada na transmissão, ou na educação bancária como diria Freire, como se pode constatar nas imagens abaixo:
Imagem 3 - Aplicação: Quadros de observação e de associação. Bauru/ Relatório de 1933
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo
Imagem 4 - Escola Normal Livre Anexa ao Colégio dos Anjos. Botucatu. Laboratório. Relatório de 1940
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo
Ao mesmo tempo, há registros nos quais os alunos são apresentados realizando atividades de simulação da vida adulta que se aproximam mais das vertentes escolanovistas e supõem a autonomia dos alunos. Nas imagens abaixo, o foco deixa de ser o professor, pois são retratados apenas alunos. Embora as fotos também possam ter sido posadas, os corpos estão mais soltos, mais descontraídos, as expressões menos graves, com a integração entre meninos e meninas no mesmo
espaço, indicando que a autonomia das crianças é mais desejável e valorizada que os preceitos da ordem e da disciplina.
Imagem 5 - 3º Grupo Escolar de Itapetininga. Relatório de 1943
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo
Imagem 6 - Grupo escolar de Itararé. Relatório de 1936
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo
Interessante ainda observar a incorporação de cinema e rádio já em 1933, como podemos perceber nas fotos a seguir. A primeira retrata a presença dos equipamentos na biblioteca da escola e a segunda mostra uma audiência coletiva na qual o mesmo rádio está na sala de aula, é o elemento central manuseado pela professora e provavelmente o diretor da escola com as alunas não mais enfileiradas, mas dispostas ordenadamente em volta do aparelho. A mesa forrada com uma toalha e enfeitada com um vaso de flores e ao fundo o quadro de giz e vários cartazes com gravuras completam o ambiente.
Imagem 7 - Grupo Escolar Dr. Cardoso de Almeida: Biblioteca, rádio e cinema - Botucatu. Relatório de 1933
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo
Imagem 8 - Grupo Escolar Dr. Cardoso de Almeida: Uma audição de rádio. Botucatu-Relatório de 1933
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo
A partir desses registros é possível inferir que havia na cena pedagógica brasileira práticas que tanto se alinhavam a uma concepção mais hierarquizada colaborando para uma concepção dos meios como portadores de conteúdos e ambientes com mais flexibilidade. Embora ainda ordenados, nesses ambientes a autonomia das crianças era mais incentivada numa perspectiva que mais se aproxima da elaboração conjunta que da transmissão de conhecimento.
Se por um lado as diferentes nomenclaturas se referem a determinadas visões de mundo em disputa acabam por direcionar/legitimar ações sociais, individuais e coletivas que no seu conjunto vão refletir um tipo de organização social. Por outro é justamente a luta que dá a possibilidade de mudança e transformações em direção à emancipação. É preciso considerar que no âmbito da relação entre estudo das mídias e educação os sentidos atribuídos às diferentes nomenclaturas se mesclam na prática educativa dos professores articuladas a outras fontes de sentido, como, por exemplo, as grandes correntes teóricas educacionais que orientam as práticas e a organização escolar.
Desse modo, eventualmente, a educadora ou educador pode se apropriar de uma nomenclatura alinhada com um projeto social mais desigual, mas pode acontecer de articular esse entendimento com outros conhecimentos mais direcionados a um projeto social mais justo, isso porque não há uma única possibilidade de ação, é nas contradições que as brechas de atuação emancipatória podem aparecer. É por isso que a atividade crítica se faz necessária como nos alerta Freire, pois ao desvendar as relações de submissão expressas por determinados usos sociais de certas expressões, as pessoas poderão atuar de forma mais segura no sentido de emancipar-se delas e de enxergar outras relações possíveis ou mesmo de ser capaz de inventá-las.