A p a rtir d o m o m e n to e m q u e se vira m d ia n te d e u m leq u e d e p ossib ilid a d es d e u so d e m a teria is, a s cria n - ças com eçaram a rejeitar o u so restrito d o b arro, b u s- ca n d o a lt e rn a t iva s p a ra su a s p ro d u çõ e s p e sso a is.
Mércia esta va sa tisfeita , p o is p erceb eu q u e leva ra o s a lu n o s a a m p lia r o u so d e m a te ria is e m su a s p ro - d u çõ e s. Ma s a in d a n ã o tra b a lh a ra u m a q u e stã o ta m - b é m le va n t a d a n o se m e st re a n t e rio r: p o r q u e o s a r- tista s rep etia m cen a s d o d ia -a -d ia n o b a rro ? Ou seja ,
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Conhecim ent o social e pr ocesso individual Pr ogr am a 4
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p e it o d o su je it o cr ia d o r, t a n t o n a p e rsp e ct iva d o a r- tista p ro fissio n a l co m o n a p ersp ectiva d ela s p ró p ria s, co m o a p re n d ize s.
Nã o h o u ve u m a re p ro d u çã o p a ssiva d o co n h e ci- m e n to, u m a có p ia d o s tra b a lh o s a n a lisa d o s. Oco rre u d e fato u m a m u d an ça d e atitu d e d os alu n os d ian te d e seu p ró p rio fa zer a rtístico.
A se rie d a d e co m q u e e n ca ra va m su a s p ro d u çõ e s – fa ze n d o e sco lh a s, t o m a n d o d e cisõ e s e re la cio n a n - d o a s in fo rm a çõ es reco lh id a s co m o q u e p ro cu ra va m d e se n vo lve r n a s o ficin a s – re ve la u m m o vim e n to a u - tô n o m o e o u sa d o d e cria çã o.
Na perspectiva do trabalho com projetos, a aquisição da cultura acum ulada socialm ente não se dá a partir de u m m o vim e n to de su bstitu ição o u ju stapo sição . É s e m p re u m p ro c e s s o de re c o n s tru ç ão , n o qu al a fun ção do pro fe sso r co n siste e m po ssibilitar a cria- ção de um cam po de com preensão com um na sala de aula e em apresentar instrum entos para am pliar esse e spaço de co n he cim e n to partilhado .
A p ro fesso ra Mércia co n segu iu p ro m o ver u m a ex- p e r iê n c ia d e a p r e n d iza ge m c o m s e n t id o p a r a s e u s a lu n o s p o rq u e fo i ca p a z d e o b se rva r e a n a lisa r o d e - se m p e n h o e a a t it u d e d e le s n a o ficin a d e Art e s e in - ter vir p a ra a m p lia r esse o lh a r, fo rn ecen d o n ovo s ele- m e n t o s p a ra q u e d e se n vo lve sse m a co m p re e n sã o.
O p r o je t o n ã o s e r e s t r in giu a d a r u m m o d e lo p ro n to p a ra se r co p ia d o, n e m se lim ito u a u m a sé rie d e o ficin a s d e a rgila e b a rro. Os a lu n o s lid a ra m co m a q u estão d a d iversid ad e cu ltu ral, en ten d eram m elh or o co t id ia n o d a s p e sso a s d e vá ria s re giõ e s b ra sile ira s e a p ren d era m a u tiliza r n ova s técn ica s e n ovos m a te- ria is e m su a s p ro d u çõ e s.
Tu d o isso tran scorreu d en tro d e u m con texto com sign ifica d o, se m se r d e fo rm a fra gm e n t a d a o u a rt ifi- q u e a s c r ia n ç a s a m p lia r a m s u a s p o s s ib ilid a d e s d e
criação n as oficin as d e Artes. Passaram a u tilizar u m a sé rie d e re cu rso s – p a n o s, se rra ge m , t in t a s n a t u ra is, p a p éis, vid rilh os –, e n ã o só o b a rro. Con stru íra m u m se n tid o m a io r p a ra se u tra b a lh o, q u e n ã o m a is se li- m it o u a co n fe ccio n a r o b je t o s a m a ssa n d o b a rro, m a s p assou a p rocu ra r retratar, p or m eio d a arte, asp ectos d a vid a co tid ia n a .
As lições da exper iência
Na e xp e r iê n c ia d a e sc o la Le o n a rd o D a Vin c i h á e le - m e n t o s q u e le va m a re fle t ir c o m o, e m u m p ro je t o , s e e n t r e la ç a m o c o n h e c im e n t o s o c ia l e o p r o c e s s o i n d i vi d u a l d o s a lu n o s . O t r a b a lh o c o m p r o je t o s p e r m it e e s t a b e le c e r o c o n t a t o d o s a lu n o s c o m o c o n h e c i m e n t o a c u m u l a d o p e l a h u m a n i d a d e a o lo n go d o s s é c u lo s . N o c o n t a t o c o m e s s e c o n h e c i- m e n t o, n o e n t a n t o, n ã o p o d e o c o r r e r u m a p o s t u ra p a s s iva : é in d is p e n s á ve l q u e s e ja c r ia d o u m e s p a - ç o d e d iá lo go c o m a c u lt u r a a c u m u la d a .
A relação estab elecid a en tre as p rod u ções artísticas d as crian ças e a p rod u ção social d a arte, p or exem p lo, fo i fu n d a m en ta l. Ma s n ã o teria o m esm o sen tid o se a exp eriên cia tran scorresse fora d o con texto, sem q u e as cria n ça s p u d e sse m a rt icu la r e sse co n h e cim e n t o co m su as rep resen tações d a arte p op u lar.
Co n side rar a e sco la co m o e spaço cu ltu ral sign ifica criar po ssibilidade s para qu e o alu n o participe , de form a crítica, da reelaboração pessoal da cultura acu- m ulada pela hum anidade.
Na exp eriên cia relatad a, o con tato com p rod u ções d e a r t is t a s p o p u la r e s r e c o n h e c id o s n a c io n a lm e n t e p ossib ilitou às crian ças am p liar seu rep ertório d e m a- teria is e d esen vo lver su a ca p a cid a d e d e refletir a res-
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p ro fe sso ra Lú cia t a m b é m se p re o cu p a co m a l- gu m a s q u e s t õ e s r e la c io n a d a s c o m o e n vo lvi- m en to coletivo d a escola e com as m u d an ças q u e isso a ca rreta :
Com o en volver tod os os alu n os n o trabalh o? E se al- gu m n ão se in teressar, com o fazer? Qu al o p ap el d o gru p o d e p rofessores n o p rojeto? Ocorre algu m a m o- d ificação n o u so d o tem p o e d o esp aço escolar?
Da exp eriên cia com o Festival d e Folclore em u m a esco la p ú b lica p o d em o s retira r a lgu n s elem en to s q u e co n t rib u e m p a ra e ssa re fle xã o.
A exper iência vivida
A escola m unicipal da Vila Pinho, em Belo Horizonte, aten- de cerca de m il crian ças e joven s de cam adas p op ulares, na periferia da cidade. No últim o ano realizaram o 2o Fes- tival de Folclore.
Na escola da Vila Pin ho, o folclore n ão é visto apen as com o um a data com em orativa. Mais que um conteúdo abs- trato ou distante, o folclore é en carado com o um saber vivo, presente nos rituais, nas danças, na linguagem , nas expres- sões, n as brin cadeiras e n os costum es alim en tares. Repre- senta tam bém o saber, passado de geração em geração, que dá iden tidade ao grupo social.
Estudar o folclore, n a escola, é estudar os costum es e as tradições p resen tes n a vida cotidian a dos alun os. O 2o
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O TEM PO
E O ESPAÇO N A ESCOLA
cia l. O fa ze r e o co m p re e n d e r se in te gra ra m a u m só p rocesso, n o q u al a ação e a reflexão se d eram d e for- m a o r gâ n ic a . O in d ivid u a l e o c o le t ivo s e co m p le m e n t a ra m e p u d e ra m d a r vid a e cria t ivid a d e a o p ro cesso. Ho u ve u m a rea l in tera çã o en tre a cu ltu - ra a cu m u la d a so cia lm e n t e , a cu lt u ra d o s a lu n o s e a c u lt u r a p r e s e n t e n o c o t id ia n o d o s d ive r s o s gr u p o s so cia is.O trabalho co m pro jeto s traz, co m o um de seus ele- m e n to s ce n trais, a in co rpo ração da plu ralidade de conhecim entos presente na dinâm ica social, transfor- m ando a esco la em espaço de vivências culturais re- ais e sign ificativas.