• No results found

2. CRPD artikkel 19 - Retten til et selvstendig liv og til å være en del av samfunnet

2.1. Ordlyden

O nosso dia-a-dia é marcado por diversas escolhas − algumas mais simples, outras mais complexas, algumas planejadas e outras impulsivas −, que, de alguma forma, nos conduzirão para o futuro. A escolha profissional está entre aquelas que são indispensáveis para a nossa vida, mas que normalmente é considerada como um processo angustiante, marcado por dúvidas e incertezas, e também por um olhar otimista frente à carreira a ser eleita.

Muitos são os fatores que influenciam as pessoas na preferência por uma profissão, desde “características individuais a convicções políticas e religiosas, valores e crenças, situação político-econômica do país, a família e os pares.” (DIANA; OLIVEIRA, 2011).

Na tentativa de conhecer as influências recebidas pelos entrevistados na escolha da docência, investigamos se existiam pessoas em suas famílias que eram professores e/ou formadores de professores. Diante desse fato, constatamos que somente quatro (22%) entrevistados afirmaram não ter nenhum parente que exerce/exerceu a profissão docente. Todos os demais (78%) apontaram pessoas da família que atuam ou atuaram como professores, sendo os mais presentes os tios(as), primos(as) e irmãos(ãs). (TAB. 41).

TABELA 41 − Número de professores nos diferentes níveis de ensino na família (UFU, 2010). Professores na família % Não 4 22% Sim 14 78% -Tios(as) 8 -Primos (as) 6 -Irmãos(ãs) 5

-Pais (mãe, pai, ou ambos) 2

-Cunhados 1

-Avô 1

-Família do marido 1

-Esposa 1

Total 18 25* 100%

*Citado por mais de um participante.

Fonte: Entrevista realizada com os formadores de professores da UFU no ano de 2010.

Diante desse número significativo, os formadores relataram a presença dessa profissão na família em diferentes gerações (avós, tios, primos, irmãos), apontando-a como sendo uma tradição na família:

Esta história, ela faz parte da nossa, pelo lado da minha mãe, da família da minha mãe, o meu avô era professor, foi diretor de escola, todos os irmãos da minha mãe são professores. Essa profissão, ela faz parte do nosso cotidiano. (DI01).

Mas a minha mãe, ela tinha um histórico de professora. Eu tenho vários históricos de professores na minha família. Que ela era alfabetizadora, tinha duas tias que tinha histórico de alfabetização, de trabalhar com alfabetização. [...] Eu tinha uma tia também. [...] Essa tia minha era, tia S., ela era professora mesmo, ligada à prefeitura num distrito ali ligado a P... Ela tinha uma sala de aula onde alfabetizava os meninos da comunidade. E tinha uma tia, que era mulher do meu tio por parte de pai, que também era professora ligada à prefeitura, todas as duas de área rural e que também tinham uma sala de aula na fazenda. (PG15).

Nesses relatos, as influências parecem ter sido construídas principalmente na convivência cotidiana com a profissão docente por meio dos familiares, como podemos ver no depoimento de PG15:

eu fui muito ligada a essa questão da docência. Desde criança, meu sonho de consumo quando era criança, era em época de férias ou final de semana que a gente ia visitar essas tias, a brincadeira predileta era ir para dentro dessas salas de aula, porque eram salas de aulas estruturadas dentro das limitações precárias da época. Mas tinha quadro, tinha giz, tinha carteiras, então era brincadeira mesmo de criança. E em casa, eu me lembro bem, na rua Olegário Maciel onde eu passei minha infância até os quatorze anos, era também minha brincadeira predileta! Eu me lembro muito bem que a minha mãe contava e ria muito, ela achava muita graça, porque eu tinha o meu materialzinho, que eu arrumava de professora, eu me lembro que tinha até

um livrinho, o evangelho, muito bonitinho de capa dura, aquele que distribuía gratuito, e caderninho, caneta vermelha, caneta azul, e eu dava aula para alunos invisíveis lá na área onde lavava roupa. Era um lugar muito pequenininho, mas ali eu punha uma cadeira, enfim, eu simulava toda uma situação.

Quando foram citados parentes considerados mais distantes (tios e primos) pelos entrevistados, estes afirmaram não acreditar na influência daqueles em sua escolha profissional, argumentando que não tiveram contatos cotidianos com essas pessoas: “tenho apenas uma tia, mas muito distante, não é uma pessoa próxima em termos de contato, professora de séries iniciais. (DI02); “tem uma tia, que é casada com meu tio, que mora em um estado longe que ela é professora. É a mais próxima, mas a gente não tem um contato.” (PI18).

Em alguns casos, o participante da pesquisa foi o primeiro de sua família a ser docente, e depois dele outros parentes também foram trabalhar na área da educação. Estes podem ser entendidos como momentos em que o professor assumiu o papel de influenciar as escolhas de seus familiares: “eu fui a primeira na família e depois a minha irmã. Minha irmã alfabetizou durante muito tempo.” (PE11); “na minha família não tem muita tradição, só as gerações depois. Tenho uma prima mais nova que eu, que também é professora, terminou o mestrado agora.” (PE12).

Entretanto, em relação a ter pessoas na família que são formadores de professores, somente uma professora informou que o pai é docente no curso de Matemática de uma universidade pública.

Nessa perspectiva, acreditamos ser o influxo familiar um dos responsáveis pela escolha dos participantes de nossa pesquisa em ser docente e um ponto importante para a sua formação, sendo grande a frequência de professores que “reconhecem ter sido influenciados profissionalmente pela família.” (CUNHA, 1989, p. 81).

Contrariamente a esse dado, a maioria dos entrevistados (10) afirmou que a família não os inspirou na escolha em ser formador de professores, justificando que a escolha havia sido pessoal. Segundo eles, o papel da família foi de incentivá-los a estudar, a escolher uma profissão que lhes trouxesse felicidade, mas sem interferências. Os relatos abaixo exemplificam essa afirmação:

Não. Não teve nenhuma influência. A escolha foi minha mesmo, deliberadamente minha. (DI02).

Não, na escolha nenhuma. Sempre isso foi um incentivo em estudar, mas a carreira você escolhe. (ES14).

Não. A única coisa que eles desejaram para mim era que eu escolhesse uma coisa que eu fosse trabalhar satisfeita todos os dias. (PE12).

Todavia existem aqueles que acreditam na possibilidade de que inconscientemente tenha havido alguma influência familiar na escolha em ser docente.

Na minha escolha? De forma alguma! Pelo menos conscientemente, né? Quem trabalha com inconsciente, sei lá... (riso). (PI17).

Bom, não sei! Talvez inconscientemente, a gente não consegue identificar, mas com certeza, foi essa paixão de querer estar na sala de aula. Acho que, com certeza, vem muito daí! (MP08).

Além da paixão por estar na sala de aula, para os participantes os fatores que contribuíram para a escolha em ser docente foram: a convivência com a irmã que já estava nessa área; a imagem do pai professor com o livro na mão; o pai falar errado; o incentivo da mãe que valoriza muito a profissão e a imagem que possuía da função docente por conta da mãe e das tias professoras:

Eu acho que sim! A minha irmã principalmente, porque ela foi minha professora, então eu via esse cotidiano de professor e de certo modo aquilo, na minha imaginação infantil, acho que aquilo pegou, era uma coisa que me seduzia. Então, acho que se eu for pensar em influência familiar especificamente, ela é “a” influência. (PG14).

Ah, com certeza, porque você vê desde pequenininha, pai com o livro. Então, menino repara muito essa coisa, brincar de escolinha, papel, essas coisas relacionadas mesmo à área, eu sempre gostei muito. Então, com certeza, influenciou. (MP08).

Eu acho que sim, porque quando eu era criança, uma das coisas que me marcava muito era o quanto meu pai falava errado, o quanto ele escrevia errado. (PE11).

Eu acho que tudo influencia. Certamente influenciou, mas não foi uma influência direta porque eu nunca quis ser professora (risos). [...] Sempre foi um problema “seríssimo” porque minha mãe, desde que eu me entendo por gente, ela fala que tinha que fazer magistério. [...] Mas claro que influenciou, eu acho que nem é influência direta que eu poderia dizer, acho que foi incentivo, sempre houve muito incentivo por parte da minha mãe, e assim sempre foi, minha mãe valoriza muito. É uma profissão considerada bonita na minha casa, é uma profissão considerada respeitada apesar de pouco valorizada. (DI01).

O depoimento dessa entrevistada (DI01) nos aponta uma questão importante: sua concepção de que não teria vocação e nem desejo para trabalhar com criança, de não ter nunca

desejado ser docente e que somente se tornou professora “por acaso” e incentivo da mãe que possuía e respeitava essa mesma profissão.

A questão da vocação, muito presente nas explicações sobre as escolhas profissionais dos professores em qualquer nível de ensino, mascaram que isso é também resultado de determinações socioeconômicas e culturais. Dessa forma, não pode ser tratada como uma decisão exclusivamente individual, mas sim relacionada a diferentes fatores como: o prestígio social da profissão, os resultados obtidos na trajetória escolar, o capital escolar, as condições sociais e culturais da família, a oferta educacional e outros. (FURLANI, 1998).

Além desses fatores citados acima, duas professoras apresentaram mais um aspecto que as influenciou na decisão em seguir na carreira do magistério: o envolvimento e a participação de ambas na igreja.

De onde eu mais consigo perceber como marco é da igreja. Eu acho que o querer ser professora era porque eu já me sentia um pouco professora ali, das crianças. Eu acho que quando eu comecei, quando o padre foi me chamar, eu estava ainda me decidindo se eu iria fazer magistério ou não. Aí ele me chamou, pronto! Falei: Vou fazer magistério, adorei cuidar das crianças, ficar tomando conta, gostei muito! Me fez decidir: vou fazer magistério e fui gostando, gostando do curso, aí foi misturando um paralelo: enquanto na igreja eu ia assumindo mais coisas, também na vida, na formação eu fazia magistério, engajava na escola com o movimento estudantil, coisas que me exigiram uma formação mais de liderança e tal. Então, eu organizei vários eventos lá no curso de magistério, participava de representação estudantil dos alunos, estava sempre com a direção da escola, com a orientação, sempre em contato. Isso me ajudou muito! (DI03).

... eu não sei assim responder isso, mas eu acho que a influência grande da minha vida foi, eu fui quase freira, então todo esse período que eu vivi no convento eu tinha uma proposta de viver minha vida lá, de ser freira carmelita, de viver a clausura e tudo mais. [...] No momento de entrar, era o momento que eu tinha que prestar vestibular, acontecia isso na minha vida de adolescente. [...] foi uma escolha muito triste para mim, mas eu não podia abrir mão de estudar, então por isso que eu não fui para aquele caminho. [...] eu era de uma ala da Igreja mais progressista, que via o mundo de uma maneira diferente e que tinha essa missão de formação mesmo das pessoas em geral para conquista de uma vida melhor, de uma vida mais digna. E eu acho que foi essa missão da Teologia da Libertação que me levou a querer o processo de ensinar, porque eu era catequista, porque participava de movimento de jovens, então a gente lia muito, montava muita reunião de grupo, e isso me fez querer cada vez mais essa relação de ensinar alguma coisa para alguém. Então não foi a família, mas acho que foi essa trajetória religiosa. (MP07).

Essa participação em atividades na igreja parece ter sido vivenciada pelas docentes como “um espaço favorável para o desenvolvimento das relações sociais, da formação da personalidade e da identidade docente.” (MISSIO, 2007, p. 135). Percebemos que isso

incentivou nesses indivíduos mudanças comportamentais e de atitudes, o que contribuiu para a formação de valores e de crenças necessárias não somente para a vida, mas também para a profissão docente, haja vista o fato de não ter como separar a pessoa do profissional.

Um docente apontou seu envolvimento e participação no movimento sindical como principal fator contribuinte para sua inserção no magistério: “eu acho que o que contribuiu de alguma forma para ser professor foi a militância no Movimento Socialista, isso foi central!” (PG13). Acreditamos que atuar nessa instância favoreceu a reflexão, por parte do formador de professores, da importância de sua atuação social, de se posicionar em sua maneira de ser e agir na sociedade. Tais fatores são significativos para o professor, pois se referem à “dimensão política do educador.” (MASSETO, 1999).

Houve casos em que apesar de a família não ter sido o influxo pela escolha da profissão, para os docentes ela era o incentivo principal para os estudos.

Tive muito incentivo em relação ao estudo, uma família que não tinha muitos recursos financeiros na época, mas sempre incentivando aos estudos e aí a gente com esse incentivo já começa a perceber que para ser alguém necessita de estudo. (ES04).

Sempre falaram, mais minha mãe, foram sempre muito incentivadores para a gente estudar, para não passar pelo que eles passaram, esse discurso que a gente ouve assim, dessa representação mesmo que a escola tem no contexto geral da sociedade. (PG14).

Diante desse último relato, percebemos que pode acontecer de os pais investirem no processo de escolarização dos filhos na ânsia de evitar que o problema da baixa instrução deles se repita, como é o caso dos progenitores de PG14 que nunca frequentaram formalmente uma instituição escolar. E, por isso, fazem parte de um grupo que possui uma história de não acessibilidade aos conteúdos escolares em função de questões socioeconômicas.

Verificamos que a maioria dos pais considerava importante o ingresso e a permanência dos filhos na escola. Dentre as diferentes maneiras de demonstrar essa concepção estão: 1) Pais que viam a escola como uma possibilidade de os filhos virem a ter a ascensão social,

de mudar de vida, de ter uma vida melhor.

Considera, porque meu pai e minha mãe tinham muito daquela coisa assim, tinha que ter estudo. A gente é pobre e até um caminho para gente ter futuro era pelos estudos. (PE10).

Meu pai: “olha cara, estude para você não ficar na graxa o dia inteiro que nem eu!”. A educação implicaria um processo de inclusão social, quem sabe até em termos econômicos. (PG13).

Para o meu pai era fundamental. Porque é o caminho, o melhor caminho para você conseguir se estabelecer, conseguir fazer suas próprias escolhas. Se

você tem uma boa formação você consegue fazer escolhas, se você não tem, você é escolhido, é algo mais ou menos por aí. Se você quer trabalhar com dignidade, se você quer ter uma vida digna, estudar é o melhor caminho. De herança não ia dar para viver! (risos). (PI18).

2) Pais que consideravam importante dar educação para os filhos, acreditando ser este o único legado que poderiam deixar a eles.

O meu pai [...] investia muito nos estudos para nós, comprava tudo quanto era livro de vendedor que passava na porta. Ele é meu ídolo nessa área em função de, ele teve dezesseis irmãos e ele é muito revoltado com o pai “por que o pai teve tantos filhos e não deu educação para os filhos?”. [...] E ele falava isso para o pai dele, que quando ele se casasse não queria ter esse número de filhos para poder dar educação para os filhos, isso que ele contava para a gente. (PE11).

E tem uma coisa que meus pais sempre falaram que a única coisa que eles podiam deixar para gente era educação, que as outras coisas não. [...] Graças à Deus eles puderam dar mais que educação (risos), mas é um discurso de família mesmo, o que a gente pode oferecer para você é a possibilidade de estudar, que é o que vocês vão levar. (PE12).

3) Pais que, ao mesmo tempo, incentivavam os filhos a estudar e também a ingressar no mercado de trabalho para contribuir com a renda da casa, devido à baixa condição socioeconômica da família.

Eles consideravam importante até certo ponto, porque assim que tivesse corpo para trabalhar tinha que trabalhar, porque éramos pobres e tinha que ter mais renda. (MP07).

Mas meu pai e minha mãe sempre valorizaram muito a escola, sempre deram força para que a gente estudasse. Mas todos nós também começamos a trabalhar cedo e o fato de ter que trabalhar cedo, trabalhar e estudar, nem todos os irmãos estudaram, alguns pararam de estudar. (DI03).

4) Pais que elogiavam os avanços dos filhos e participavam ativamente de sua vida acadêmica incentivando-os, parabenizando-os por suas conquistas.

Sempre! Sempre! Sempre! Sempre foi considerada importante! Qualquer coisinha que acontecesse positiva, qualquer conquista era motivo de festa e é até hoje, é motivo de comemoração. O meu pai sempre viajou, sempre trabalhou fora, da minha mãe avisar no telefone, dele chamar, de me dar parabéns, que beleza, que lindo! Sempre teve isso. (DI01).

De maneira geral, os progenitores dos entrevistados desta pesquisa participavam de sua vida escolar e uma das formas de fazê-lo era o acompanhamento das tarefas de casa, das notas, das reuniões escolares:

Estavam sempre olhando dever de casa, auxiliando com as pesquisas, por exemplo, meu pai dava aula de Matemática e quando eu tinha alguma dúvida

eu ia perguntar, queria saber o que eu estava fazendo ou não, comprava livros, isso incentiva bastante também, ia à reunião na escola e gente acaba vendo que ele estava interessado na formação. (MP08).

Participavam! Olhavam, principalmente meu pai, o que estava fazendo, se estava indo tudo certo, se eu tinha dever, se não tinha, se eu estava correspondendo, enfim, cobrando. (PI18).

Quando mais novo, minha mãe, mesmo com pouco estudo, me ajudava a fazer os exercícios tipo, cobrado tabuada, essas coisas. Tomava tabuada de mim e se soubesse que alguma coisa estava errada, falava que estava errado, e sempre acontecia. (PE10).

Sim, chamada oral e tudo. [...] Tomava ponto, diariamente. [...]Então, eu era cobrado. Matemática naquela época, 1970, era tabuada. Geografia e História, era ponto, era questionário, era tudo isso e isso porque meus pais tinham, no caso o meu pai, que tinha muito a questão da chamada oral, que tinha até a quarta série. (ES04).

[...] participação em aula, olhar boletim. Eu morria de medo de mostrar porque as notas não eram boas (risos). [...] Meu pai chamava quando não ia bem. (PE12).

Minha mãe freqüentava as reuniões e só para saber o que o professor tinha para falar. Nunca precisou ficar junto, porque a gente fazia tarefa, então ela já sabia disso. (MP07).

Em casa a minha mãe me punha para estudar tabuada, de castigo mesmo. Ela falava “vai fazer seu dever!”. Como ela não sabia ensinar, algumas coisas ela sabia outras não, eu tinha que me virar sozinha. [...] E meu pai, como sempre quis muito ajudar, ele ajudava muito na sopa escolar com carne, osso, não sei o que. [...] Isso aí ajudava muito as crianças, porque precisavam, então as nossas sopas eram fartas de carne [...]. (PE11).

Consideramos importante ressaltar a presença dos pais participando do processo de aprendizagem escolar dos filhos, visto que cultural e historicamente essa era, até pouco tempo, uma função delegada às mães. Dessa forma, os docentes também comentaram sobre a forma de participação delas, que a nosso ver se apresenta como diferente daquela vista pelos pais: nestes a postura era mais de cobrança por resultados e desempenho, enquanto as mães eram mais participativas na escola e mais incentivadoras da permanência dos filhos na instituição escolar.

Por outro lado, contrariamente a esses progenitores, encontramos aqueles que delegam ao filho a responsabilidade por sua manutenção e sucesso na escola, cabendo a estes a escolha pelo caminho a seguir em sua carreira acadêmica.

Naquela época acho que todo pai achava que era importante, tem que ir para a escola. Só que eles, se eu falasse “não vou à escola!’”, não era uma coisa que para eles chocava, “você tem que ir não!”, muito pelo contrário, eles me puxavam para trás. Então, eu acho que para eles não, C., era bom, eu lembro,

eles sempre falavam que não tinham que se preocupar comigo, me tinham como uma filha perfeita, ideal, e isto pesa até hoje. (ES06).

Tal atitude pode contribuir para o desenvolvimento da autonomia por parte do filho, mas pode também sugerir para ele certa despreocupação e descaso familiar com sua vida escolar. Essa ausência de expectativas dos pais tende a se refletir no desempenho acadêmico nesse contexto e/ou mesmo na vida pessoal e profissional futura dos seus filhos.

Em outro trecho da entrevista, a docente ES06 apresenta as atitudes de sua família diante de seu desejo em prosseguir com os estudos.