Cientes de que detalhes da vida e obra reichianas permanecem ainda bastante desconhecidos, procuramos neste item destacar o quanto Reich tem sido pesquisado no Brasil e no mundo.
No que se refere à introdução de Reich no Brasil, Albertini relata detalhadamente em seu artigo “Wilhelm Reich: percurso histórico e inserção do pensamento no Brasil”, de 2011, os “importantes autores que contribuíram para a inserção das ideias reichianas” no país, entre os quais: Selma Ciornai, José Ângelo Gaiarsa, Roberto Freire, Ralph Viana, Romeu Costa, Pethö Sandor e Federico Navarro (ALBERTINI, 2011, p. 171).
Entretanto, Matthiesen (2002, [p. 5]) justifica que, embora o interesse “[...] acerca da obra de Reich tenha aumentado nos últimos tempos, ainda é muito pouco o que dela se conhece”.
A autora nota, nos últimos tempos, um crescente aumento de dissertações e teses voltadas à investigação da obra reichiana no Brasil, “fato que contribui não apenas para a sistematização das idéias no campo reichano, mas para a recuperação do rigor científico neste campo” (MATTHIESEN, 2002, [p. 5]).
Este aumento de pesquisadores em nível acadêmico no universo científico brasileiro revela uma mudança de rumo em relação à inserção das ideias de Reich no Brasil (MATTHIESEN, 2007). Ou seja:
[...] De uma introdução embalada pelo clima anárquico e contestador da contracultura, mais voltado para a prática de vivências emocionais do que para a formalização conceitual, caminhou-se, progressivamente, para uma preocupação com a sistematização e a problematização do pensamento reichiano (ALBERTINI, 2011, p. 172).
No que diz respeito ao conhecimento sobre Reich existente hoje no país, a maior parte está vinculada à forma como foi aqui introduzido e aos textos encontrados em “língua portuguesa” (MATTHIESEN, 2002, [p. 5]).
Por mais que se tenham boas intenções, as traduções da obra reichiana, tornaram as informações disponíveis contestáveis (MATTHIESEN, 2007; ALBERTINI, 2011), pois, muitas vezes, ficamos em dúvida se o tradutor expressou seu entendimento, sua própria interpretação, ou se expôs aquilo que Reich realmente queria dizer.
Porém, por outro lado, o aumento de novas traduções, o número de estudiosos, de pesquisas realizadas e divulgadas sobre Reich no Brasil, tem tornado o acesso inicial aos aspectos relacionados à sua vida e obra, menos confusos e, portanto, mais fáceis para aqueles que pretendem conhecê-lo.
Garcia (2002, p. 18) ressalta que ainda que tenha aumentado a procura por referências que dizem respeito ao Reich, no final do século passado, muito pouco de seus textos foram “editados e traduzidos”, mostrando que, “mesmo para aqueles que se interessam por suas ideias, é muito difícil obter informações mais aprofundadas” sobre Reich.
Buscando, mais uma vez, auxílio das Tecnologias da Informação e Comunicação, recorremos ao Google Tendências - Google Trends - uma ferramenta do Google que permite identificar as pesquisas que os internautas têm feito acerca de um determinado termo (palavra). Tal ferramenta permite a visualização das principais e mais crescentes consultas sobre qualquer assunto, filtrando-se os resultados por países e estados, período de tempo, categoria e fontes de busca (ROSA, 2015).
Acessando ao Google Tendências e buscando o interesse em pesquisas utilizando os termos “Wilhelm Reich”, “Pensamento reichiano” e “Terapia reichiana”, descobrimos, curiosamente, que - utilizando estes termos - a frequência de pesquisas tem diminuído com o passar do tempo.
Conforme mostram os dados do Google Tendências relacionados às pesquisas utilizando os termos antes mencionados, nota-se que, ainda que se tenha
diminuído a quantidade de pesquisas realizadas no Brasil de 2010 (aproximadamente) para cá, elas se mantiveram de uma maneira relativamente frequente de 2013 em diante, como mostra o Gráfico 1:
Gráfico 1- Interesse em pesquisas sobre Wilhelm Reich no Brasil, utilizando
os termos: “Wilhelm Reich”, “Pensamento reichiano” e “Terapia reichiana”, entre 2005 e 2015.
Fonte: Google Tendências.
Especificando as pesquisas realizadas de acordo com certas regiões do país, temos os seguintes dados (Gráfico 2):
Gráfico 2 - Interesse regional em pesquisas sobre Wilhelm Reich, utilizando
os termos: “Wilhelm Reich”, “Pensamento reichiano” e “Terapia reichiana”, realizadas no Brasil.
Fonte: Google Tendências.
De acordo com o Google Tendências, “os números representam o volume de pesquisa em relação ao ponto mais alto do mapa, que é sempre 100”. Assim, o local que realiza o maior número de pesquisas - embora não se mencione quantas - recebe o número 100 e as demais localidades recebem, por meio da proporção feita em cima do “volume” (quantidade) de pesquisas realizadas por elas, as demais numerações.
Esse é um outro indicativo do quanto estas pesquisas têm sido realizadas no Brasil, que embora seja diferente ao que foi apontado por Albertini (2011) e Matthiesen (2007), complementa os relatos das dificuldades encontradas por renomados autores brasileiros com relação as suas pesquisas sobre este autor, pois, diminuindo-se a quantidade de pesquisas realizadas, diminui-se a quatidade de dados a serem encontrados.
Dessa forma, exemplificamos, por meio do Gráfico 3, as pesquisas realizadas mundialmente (por meio de sites de busca associados ao Google), utilizando esses termos, quais sejam: “Wilhelm Reich”, “Pensamento reichiano” e “Terapia reichiana”, nos últimos dez anos:
Gráfico 3 - Interesse em pesquisas sobre Wilhelm Reich, utilizando os
termos: “Wilhelm Reich”, “Pensamento reichiano” e “Terapia reichiana”, entre 2005 e 2015.
Fonte: Google Tendências.
Outro gráfico disponibilizado pelo mesmo site refere-se à quantidade de pesquisas realizadas também sobre Wilhelm Reich em outros países. No Gráfico 4, é possível verificarmos, conforme o “volume” de pesquisas realizadas (Google Tendências), exemplos do quanto Reich tem sido pesquisado em diferentes países:
Gráfico 4 - Interesse pela pesquisa sobre Wilhelm Reich, utilizando os
termos: “Wilhelm Reich”, “Pensamento reichiano” e “Terapia reichiana”, em diferentes países.
Fonte: Google Tendências.
Contudo, lembramos que existem “n” outros sites de busca não mencionados nesta pesquisa e pelo site do Google, por onde pessoas, tanto do Brasil como de outros países, podem estar realizando as suas pesquisas. Esclarecemos que optamos por expor estes dados, inicialmente pela curiosidade que apresentam diante dos apontamentos de Albertini (2011) e Matthiesen (2007), embora estes - em especial a segunda - estivessem referindo-se, fundamentalmente, ao universo acadêmico. Além disso, consideramos interessante apresentar esse sistema de busca, dado que este consiste em uma ferramenta tecnológica bastante utilizada na busca por diversas pesquisas há anos.