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Os pesquisadores que procuraram estabelecer relação entre a organização curricular em ciclos numa perspectiva política considerados em nossa leitura foram: Edilamar da Silva Brandini, Darvim Nunes de Carvalho, Maria Cristina Moraes de Carvalho, Sinara Sant”Anna, Adriana da Costa, Leila Nívea Bruzzi Kling David, Andréa Rangel Farias, Cláudia de Oliveira Fernandes, Valéria Milena Röhrich Ferreira, Wagner Luiz Figueiredo, Gilse Helena Magalhães Fortes, Rosana Cristina Carvalho Fraiz, Rosani Jungles Gonçalves, Márcia Aparecida Jacomini, Maria Luzia Casali Martau, Maria Augusta Peixoto Mundim, Simone do Rocio Pereira Neves, Irailde Correia de Souza Oliveira, Ney Cristina Monteiro de Oliveira, Viviane Gualter Peixoto, Luiza Rodrigues Pereira, Maria Célia Barros Virgolino Pinto, Márcia Marin Rédua, Andréa Maria Rua Rodriguez, Josiane Gonçalves Santos, Marinete Padilha dos Santos, Tânia Regina Lobato Santos, Maria Aparecida da Silva, Cláudia Caldeira Soares, Wilna

Mello de Souza, Florence Rodrigues Valadares, Juarez Melgaço Valadares, Nelize de Araújo Vargas, Neide Fernandes Monteiro Veras e, por fim, Maria Augusta da Silva Ximenes – que realizaram pesquisas com essa temática direta ou indiretamente associada.

Realizando um estudo de caso, Brandini (2011) procurou analisar a política presente na organização curricular em ciclos em uma escola da rede estadual de Juara- MT no anseio de se aproximar mais da realidade pedagógica da escola pesquisada, investigando segundo o autor a seguinte questão: como essa escola organiza e desenvolve a política pedagógica dos ciclos? Associou levantamento documental, bem como ouviu os docentes do estabelecimento de ensino escolhido para o desenvolvimento do estudo.

Carvalho (2003), investigando a organização curricular em ciclos, mas centrando sua análise na questão da progressão continuada, teve como objeto de sua pesquisa demonstrar como ocorreu a implantação da organização em ciclos na cidade São Paulo que necessitaria, segundo a pesquisadora, de reformulações tais como: definição de objetivos, plano curricular e, principalmente, sistema de avaliação que não ocorrendo desencadeou o fenômeno que denominou de “analfabeto escolarizado”.

Analisando duas escolas que optaram por se organizarem em ciclos na rede de ensino de Juiz de Fora por meio de estudos de caso do tipo etnográfico, Carvalho (2002) procurou entender a abordagem da cultura organizacional de cada uma delas a fim de compreender a cultura organizacional dessas instituições de ensino que permitiu a análise da gênese e da sua dinâmica cultural, auxiliando na identificação das concepções de ciclo que perpassavam a prática pedagógica, bem como coletou informações sobre esse tipo de organização escolar em ciclos no interior de políticas públicas.

Celistre (2002), por meio de relatos orais, teve como objeto da sua pesquisa documentar a história sócio-política e cultural dos ciclos de formação nas escolas públicas estaduais do Ceará, relacionando os diferentes posicionamentos das pessoas que a idealizaram, implementaram e que vivem em seu cotidiano.

Não investigando especificamente a organização em ciclos, Costa (2004) analisou como se deu a participação dos docentes que atuavam na rede pública municipal da cidade de Blumenau, no processo de discussão e implementação da política educacional denominada Escola Sem Fronteiras, no período de 1997 a 2003, que englobou várias decisões sobre a criação e extinção do Colegiado Consultivo, a constituição da Política de Formação Permanente dos Docentes, como também o

processo de discussão e implantação dos Ciclos de Formação Humana como opção de organização curricular.

Em contraposição à Costa (2004) estabelecendo uma relação de investigação direta com a questão da organização em ciclos, David (2003) relata a compreensão dos professores da rede quanto à organização curricular em ciclos no que diz respeito à forma como tal sistema foi implantado nas escolas da rede municipal de educação de Niterói – RJ - e quanto à participação desses profissionais no processo de elaboração de tal proposta estabelecendo relações entre as proposições oficiais e as práticas concretas desenvolvidas nessas instituições de ensino.

Farias (2002) em sua dissertação de mestrado teve como seu objeto de estudo relatar a cultura de instituições escolares que optaram pelo sistema de organização por ciclos de formação indicando qual o nível de adesão dos docentes e também como as práticas pedagógicas se materializavam com a introdução dessa proposta de organização curricular, argumentando que essas práticas se diferenciam nas unidades escolares.

A tese de doutorado de Fernandes (2003) procurou compreender quais os efeitos e impactos que a organização curricular em ciclos promove com relação às práticas da gestão, organização e funcionamento do estabelecimento escolar, bem como nas próprias práticas pedagógicas dos docentes. Para alcançar esse objetivo a pesquisa desenvolve-se por meio de análise documental, revisão de literatura, análise dos questionários dirigidos a docentes com os resultados do SAEB 2001 e coleta de dados em campo realizado a partir de observações, entrevistas e aplicação de questionário em uma unidade escolar da rede municipal de ensino de Niterói/RJ.

Ferreira (2001) também investigou como uma escola do Ciclo Básico de Alfabetização da rede pública estadual do Paraná re-elaborou as suas práticas pedagógicas fundamentadas na interpretação que a própria unidade ensino tinha sobre essa proposta de organização curricular que teria como centrais bases a intenção de estender o tempo para a alfabetização, eliminar a repetência, alterar significativamente a prática de sala de aula e atender alunos com dificuldades de aprendizagem. A pesquisadora argumentou que as práticas pedagógicas - mesmo com a introdução da organização em ciclos - permaneceram com uma lógica de ensino seriado e homogêneo.

Segundo Figueiredo (2002) a organização curricular em Ciclos de Formação exige um entendimento de escola diferente para o ensino fundamental, com o objetivo de garantir o acesso e a permanência do aluno no decorrer de todo o processo de escolarização, propondo uma organização do currículo de acordo com suas fases de

desenvolvimento. Desse modo, o pesquisador teve como objetivo de seu trabalho investigar o processo de apropriação do projeto "Escola para o Século XXI" tanto pelos profissionais da educação como dos pais dos alunos da Rede Municipal de Ensino de Goiânia, identificando e comparando o que o autor denominou de discurso do "mundo oficial" e discursos do "mundo real", o que exigiu do pesquisador a coleta de dados documentais e entrevistas realizadas com docentes, diretores, coordenadores pedagógicos, alunos e pais de alunos de quatro unidades escolares que formavam desde a sua implantação o projeto "Escola para o Século XXI".

Realizando um estudo de caso de caráter etnográfico, Fortes (2000) teceu como objetivo de sua investigação analisar o processo da experiência da implantação do ensino organizado por ciclos na Escola Municipal Vila Monte Cristo de Porto Alegre - primeira a adotar esse sistema em 1995 – levando em consideração a proposta político- pedagógica da mesma, associada, segundo a autora, a uma pedagogia progressista.

Fraiz (2006) argumenta que a partir da década de noventa surgem as propostas de alteração na organização dos espaços e tempos escolares como estratégia metodológica com o objetivo de se levar em consideração os ciclos de desenvolvimento ou formação humano. Em função dessa realidade, a pesquisadora buscou descrever e analisar a implantação da organização escolar em ciclos de formação na Rede Municipal de Araraquara no período de 2001 a 2005.

Também procurando compreender as consequências da implantação de um regime curricular organizado em ciclos, Gonçalves (2002) teve como objeto de investigação da sua dissertação de mestrado, caracterizar a implantação da proposta "Escola sem Fronteiras” na Rede Pública Municipal de Blumenau, mais especificamente no 3º Ciclo de Formação, coletando para tanto relatos orais dos professores que trabalham no 3º Ciclo e Formação das Escolas Leoberto Leal e Quintino Bocaiúva, do Município de Blumenau.

Jacomini (2002), também investigando o tema da organização curricular em ciclos, realizou um estudo teórico e de campo na rede municipal da cidade de São Paulo no período de 1992 a 2001 tendo como objetivos verificar se os educadores municipais se apropriaram ou não da organização do ensino em ciclos e analisar como se deu o processo de incorporação desses profissionais cuja resposta se apresentou como negativa em virtude da ausência das condições necessárias para que os ciclos funcionem tal como proposto, o que resultou no que a autora denominou de “pedagogia do possível” que seria o que ela compreende como sendo uma mistura de ciclos e séries.

A pesquisa de Martau (2006) que não investiga diretamente a questão da organização curricular em ciclos, mas procura compreender o projeto Escola Cidadã na EMEF Senadora Alberto Pasqualini no período de 1998 a 2004 que possuía um regime de progressão continuada, uma das características centrais do sistema organizado em ciclos.

Mundim (2002) em sua dissertação de mestrado teve como objeto da investigação compreender como se deu a implantação dos ciclos de formação na rede municipal de ensino de Goiânia vinculado ao Projeto Escola para o Século XXI, desenvolvido no período de 1997 a 2000 enfocando três eixos - os processos de gestão, de descentralização e de participação na implantação desse tipo de organização escolar-, evidenciando resultados que apontaram uma grande diferença entre a proposta de implantação e como a mesma se materializou nas unidades escolares com uma diretriz política de reformas educacionais discutidas e empreendidas no país durante a década de noventa.

Também preocupada em investigar como ocorreu a implantação do sistema curricular ciclado, Neves (2005) pesquisa a introdução da Proposta dos Ciclos de Aprendizagem, mas na rede municipal de ensino na cidade de Ponta Grossa no Paraná durante o período de 2001 a 2004 em virtude de um alto índice já verificado de fracasso escolar em relação à promoção dos alunos. O estudo evidenciou uma grande dificuldade das unidades de ensino em lidarem com a questão da flexibilização na organização dos tempos e dos espaços escolares.

Por meio de um estudo de caso, Oliveira (2004) analisou, em específico, a primeira escola da rede pública estadual de Alagoas a implantar o sistema curricular organizado em ciclos, investigando como os ciclos de formação podem ser uma opção para mudanças nas práticas escolares transformando o cotidiano escolar por meio dos significados que os sujeitos envolvidos constroem.

Peixoto (2008) procurou analisar o processo de implantação dos ciclos, em contraposição aos trabalhos já mencionados, averiguando a perspectiva da gestão que propõe a mudança, no caso específico da Rede Municipal de Educação de Niterói/RJ. Assim sendo, a pesquisadora buscou investigar os procedimentos adotados nas Secretarias de Educação que estabeleceram a transição da organização curricular seriada para o sistema “ciclado”, para além das propostas oficiais elaboradas em gabinetes, mas principalmente por meio da relação que se estabelece com os profissionais da escola no período de 2005 a 2007, anunciando nas suas análises que a gestão conseguiu, ainda que

minimamente, um relacionamento mais democrático, coletivo e dialógico, tanto no que concerne à introdução da estrutura em ciclos, quanto no que diz respeito à relação que se estabeleceu entre as unidades escolares e o órgão central de gestão educacional do Município.

A dissertação de Pereira (2004) investigou a implantação dos Ciclos no Ensino Fundamental nas Escolas da Rede Estadual de Mato Grosso do Sul, no período de 1998 a 2002, buscando em uma perspectiva macro-sociológica estabelecer relações entre a proposta sul-mato-grossense dos ciclos e a Política Educacional Nacional. Para isso, a pesquisadora realizou coleta de dados bibliográficos e análise documental, numa perspectiva histórica considerando o contexto, social, político e econômico dos anos noventa. O mesmo interesse, tipos de dados coletados e co-relações com a política educacional nacional foram realizados por Santos (2005), investigando a implantação da organização em ciclos, mas analisando a política educacional da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba.

Também procurando investigar sobre a implantação da organização em ciclos em substituição à organização curricular seriada, Rédua (2003) optou por analisar essa substituição em uma das escolas da rede municipal da cidade de São Paulo onde o currículo organizado por ciclos foi introduzido em 1992, enfocando a prática pedagógica dos docentes com o objetivo de entender como essas se organizavam no interior da unidade escolar investigada.

Rodriguez (2002), considerando as perspectivas de docentes e alunos entrevistados na escola municipal de ensino fundamental Grande Oriente do Rio Grande do Sul, localizada no bairro Rubem Berta em Porto Alegre, bem como as publicações da Secretaria Municipal de Educação acerca da nova proposta e reportagens de jornais, buscou entender como se efetivou a implantação da organização em ciclos nessa unidade escolar auxiliando na compreensão sobre o ensino por ciclos de formação em Porto Alegre.

A dissertação de Santos (2008) teve como lócus da pesquisa o município de Contagem, situado em Minas Gerais. Nessa investigação a pesquisadora realizou um estudo sobre a introdução da organização escolar em ciclos de formação humana no município citado, durante o período de 1998 – ano do primeiro ciclo implantado - até o ano de 2006, ano que o primeiro ciclo é concluído. Para tanto, a pesquisadora realizou levantamento bibliográfico, análise documental, e entrevistas com participantes e gestores do município pesquisado. Na compreensão de que toda política educacional

não se apresenta separada das práticas pedagógicas, Santos (2008) buscou identificar os processos necessários para a implantação dos ciclos como organização curricular, bem como examinar os adotados pela instituição analisada.

Tendo como método de análise o materialismo histórico dialético, Silva (2006) procurou investigar se a implantação dos ciclos nos períodos de 1997-2000 e 2001 a 2004 - período em que o prefeito Cássio Taniguchi assumiu a prefeitura de Curitiba -, como opção de organização curricular, estaria atendendo aos interesses da classe trabalhadora ou da classe dominante.

Realizando um estudo de caso de abordagem etnográfica em uma escola municipal tendo como sujeitos participantes um grupo de docentes do 3º ciclo de formação, a pesquisa de Soares (2000) coletou dados durante o ano de 1998, de abril a dezembro, utilizando instrumentos metodológicos, tais como: a observação, a entrevista e a análise documental com a finalidade de investigar o processo de apropriação da escola plural pelos docentes da rede municipal de ensino de Belo Horizonte - MG e identificar os significados que sujeitos pesquisados atribuem a essa proposta político- pedagógica.

Souza (2007) procurou identificar os efeitos da política de implantação dos ciclos na rede Municipal de Educação de São João de Meriti, no período de 1998 a 2004, na dinâmica da escola, na formação continuada dos professores e no sucesso escolar dos estudantes, por meio do acompanhamento dos índices de matrícula, distorção série-idade, evasão e retenção escolar.

Investigando o projeto denominado “Escola para o século XXI” implantado em 1998 em quarenta unidades de ensino da rede municipal de Goiânia, Valadares (2002) em sua dissertação de mestrado procurou analisar a proposta pedagógica que fundamentava o já citado projeto que se organizava em subprojetos de Aceleração da Aprendizagem, bem como na implantação dos Ciclos de Formação, entrevistando, para tanto, cinco docentes de educação física que atuavam no projeto buscando entender as percepções desses profissionais.

Valadares (2002) também tratando, ainda que indiretamente, da organização em ciclos, buscou em sua tese de doutorado investigar a Proposta “Escola Plural”, implantada na cidade de Belo Horizonte em 1995 na perspectiva de seus gestores, entrevistando um total de vinte e cinco gestores com a finalidade de contribuir com esses profissionais do sistema público de ensino na compreensão das dificuldades inerentes às reformas educacionais. Essa pesquisa tanto levou em consideração as

modificações na prática pedagógica dos docentes, quanto ao entendimento que os gestores possuíam sobre esses profissionais.

Através de um estudo de caso, levando em consideração o relato de pais, professores, técnicos da Secretaria de Educação e coordenadores pedagógicos, o estudo de Vargas (2002) propôs-se a analisar a experiência pedagógica de aprendizagem em ciclos realizada no município de Costa Rica/MS, concluindo que a organização curricular em ciclos pode auxiliar na superação do fracasso escolar com a condição de vir acompanhada de transformações no encaminhamento didático pedagógico realizado pelo professor.

Veras (2007) avaliou o ensino fundamental no Estado de Ceará na modalidade ciclo de formação investigando as taxas de matrícula por idade, o rendimento escolar e a distorção idade-série procurando identificar por meio desses dados se a educação cearense estaria passando por um melhora em virtude da implantação da organização curricular em ciclos.

Possuindo como temática a questão da organização curricular em ciclos, Ximenes (2006) procurou analisar, por meio dos relatos dos diretores, pedagogos e docentes, a experiência de implantação do Ciclo Inicial do Ensino Fundamental (CIEF): Escola Bem Cedinho em Manaus que foi introduzido em parte das escolas da rede estadual de ensino do Amazonas de 2001 a 2003.

E, por fim, temos os trabalhos de Oliveira (2000), Pinto (2006) e Santos (2003) que em diferentes perspectivas buscaram compreender a experiência da “Escola Cabana”, localizada no município de Belém/PA, no que diz respeito à sua política, às suas práticas pedagógicas e à sua organização de tempo e espaço escolar.