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Optimization by running the PV-loop run in parallel

6.4 Optimization

6.4.3 Optimization by running the PV-loop run in parallel

O anúncio da implantação da Alumar em São Luís, no início da década de 1980, foi marcado por manifestações desfavoráveis por parte de setores da sociedade civil argumentando que o empreendimento seria nocivo ao meio ambiente e gerador de desequilíbrios sociais, devido à desapropriação de milhares de famílias da área onde seria construído o complexo industrial e a intensificação do fluxo migratório para São Luís. Argumentavam, também, que os melhores postos de trabalho não seriam ocupados, em sua maioria, por maranhenses.

Um outro segmento da sociedade local criou uma série de expectativas, percebendo aquele projeto como promotor de desenvolvimento econômico para a região, induzindo à industrialização no Estado, aumentando o recolhimento de impostos e, sobretudo gerando emprego e renda para a população de São Luís.

A geração de empregos foi umas das principais promessas feitas tanto pela Alcoa quanto por seus apoiadores locais, constituído principalmente por empresários, políticos e os governantes da época. Campanhas publicitárias foram feitas na imprensa nacional com o seguinte anúncio: “Maranhense, volte para casa, o Maranhão tem praia, camarão e agora

também empregos”. Numa clara alusão às críticas sobre a possibilidade de ocupação dos melhores postos de trabalho por não maranhenses.

Figura 1: Material de divulgação do Programa Maranhense volte para casa em 1980.

Fonte: Ayala, 2007.

Com o início da construção da fábrica, milhares de pessoas dirigiram-se ao canteiro de obras em busca de trabalho, número que chegou a 15 mil em novembro de 1983. Entretanto, tratava-se de empregos temporários em empresas terceirizadas que precisavam cumprir um rígido cronograma de execução, sob a coordenação de técnicos e engenheiros vindos de outros países e regiões do Brasil.

Em 1984 foi dado inicio à produção da Alumar. Para esse momento, era necessária a contratação de funcionários voltados para a operação e manutenção dos equipamentos. Como o Maranhão não tinha experiência nesse ramo industrial, foram implantados programas de capacitação destinados principalmente para a manutenção industrial (eletricistas e mecânicos).

O pessoal da manutenção era recrutado diretamente nas escolas de ensino técnico, sendo formadas turmas pela própria empresa e encaminhados para o CTA (Centro de Treinamento da Alumar), num prédio próximo à fábrica, onde lhes eram repassados

conhecimento específicos sobre o funcionamento de uma indústria de alumínio, através do Programa de Formação para a Manutenção (PFM).

De acordo com Costa (2006), o recrutamento de pessoal para a operação, se dava mediante divulgação em anúncios de rádio, tendo como exigência de escolaridade para esses cargos o primeiro grau completo. Contudo, analfabetos também foram recrutados, nesse primeiro momento, para esse tipo de trabalho.

Para os operadores, não havia um programa específico de formação, as pessoas eram selecionadas pela sua experiência com trabalhos pesados e de acordo com o seu porte físico, como explica um ex-funcionário da Alumar que trabalhou com recrutamento de operadores nesse período:

a fábrica contratava exigindo pessoas com experiências profissionais e como a gente não tinha operadores aqui formados, eram os caras que tinham experiência com trabalhos que exigiam mais esforço físico: pedreiro, auxiliar de serviços gerais, esse era um perfil que era muito característico de quem ia pra produção, como operador, se ele tinha habilidade, se ele tinha vivido alguma experiência com trabalhos pesados, essa era um característica que a gente considerava pra ele ir pra operador, naquele período. (Entrevista concedida em 28/07/2006)

Um outro funcionário daquele período, que trabalhava no setor de Recursos Humanos da empresa, comenta que muitas expectativas foram criadas com a abertura de vagas de trabalho, com caravana de pessoas colocando-se à porta da empresa em busca de vagas:

Era um período de encantamento das pessoas, porque elas vão vir como pra uma frente pioneira e o local tendia a criar essas expectativas, as pessoas vinham pra Alumar, porque pensavam assim: lá vou ficar rico, vou melhorar de vida, trabalhando numa multinacional. Na realidade, não sei até que ponto isso é verdadeiro. Aqui é uma região onde não existe esse mercado, daí, o processo de formação, de industrialização, e também formação de pessoas, começa a se estabelecer a partir de então. Mas nesse primeiro momento, eles estão fazendo uma captação de pessoas que estão interessadas em trabalhar no ritmo desse complexo. Eu lembro que no inicio todos os dias tinha muita gente aqui na porta, parecia coisa assim de Serra Pelada, aquela coisa, de onde tem o ouro? Então vinha muita gente de fora mesmo, caravanas trazendo pessoas para trabalhar aqui. E eles ficavam perguntando assim: a gata vai fichar, que era a empresa, né? Tá fichando? tá fichando?, Então quando tinha 40 vagas, por exemplo, pra operador de redução, então tinha o apontador, que escolhia: você, você, você e você. Apontando a partir do porte físico, se selecionava 80 pessoas, aí você ia explicar daí o que era o serviço, quais as atribuições e o processo de seleção basicamente era assim, entrava analfabeto porque o que se via no processo de seleção era se o cara era forte, tenha vigor, que goste de trabalhar, e contava muito aquela história: trabalhou aonde? Ah eu trabalhei num projeto não sei aonde, eu vim de Serra Pelada. Ah então tu é acostumado a trabalhar, então tu vai pra tal lugar, lá tem que fazer isso, isso e isso. A partir do momento em que se fazia esse tipo de seleção, então o funcionário começava logo a trabalhar, claro que essa necessidade de aprimoramento sempre existiu, mas naquele momento foi meio assim. (Entrevista concedida em 08/05/2006)

Essa situação se aproxima daquilo que Singer (1979), comenta em relação à demanda por força de trabalho, afirmando que, do ponto de vista do capital, a disponibilidade de força

de trabalho, seria o principal limite à sua expansão. Portanto, quando o capital penetra em regiões que estão organizadas em outros modos de produção que não o capitalista, e a partir do avanço deste, os outros modos de produção vão sendo, em parte, destruídos e, em outra parte, reorganizados, de tal modo que dele se desprende um fluxo de gente, que vai alimentar a oferta de mão-de-obra no mercado capitalista de trabalho. (SINGER, 1979:109)

Assim, numa situação de “frente pioneira”, como o apresentado à época pela Alumar, o capitalismo atuou destruindo outras formas de produção que vão lhe abastecer de força de trabalho. Nesse primeiro momento, teríamos a absorção de trabalhadores oriundos de formas de produção não-capitalistas rurais (agricultura familiar, garimpo) ou de produções urbanas informais (construção civil).

Mas num segundo momento, marcado pela renovação industrial: “a composição orgânica do capital aumenta, a demanda por força de trabalho se reduz e a renda se concentra consideravelmente” (SINGER, 1979:107), conforme perceberemos no próximo tópico.