8. Resepsjonshistorien
8.1. Oppussing av Lunde kirke
Num primeiro momento, considerou-se importante compreender de que forma a amostra do presente estudo se posiciona quanto às principais variáveis (insatisfação corporal, ansiedade, depressão, satisfação com o suporte social e autoestima global), explorando-se assim o ajustamento psicossocial dos participantes com LVM (cf. Tabela 2).
Tabela 2. Distribuição de frequências das variáveis insatisfação corporal, ansiedade, depressão, satisfação
com o suporte social e autoestima global.
Insatisfação Corporal
Ansiedade Depressão Satisfação com o Suporte Social Autoestima Global n 53 53 53 53 52 Média 7.83 0.78 1.01 54.21 47.13 Desvio Padrão 7.02 0.76 0.84 12.93 9.81 Mínimo 0 0 0 16 21 Máximo 28 3 4 74 60
No que diz respeito à insatisfação corporal a pontuação pode variar entre os 0 e os 30 pontos, sendo a média dos participantes de 7.83 (DP = 7.02), o que revela valores ligeiros2 de insatisfação corporal. Importa, ainda, realçar que alguns participantes apresentaram valores bastantes significativos de insatisfação corporal (max. = 28). Comparando estes valores com os obtidos noutras populações clínicas que utilizaram o mesmo instrumento de avaliação, compreende-se que os lesionados vértebro medulares apresentam valores similares a uma amostra com doentes amputados [M = 8.48, t (52) = -.67, p > .05] (Silva,
no prelo), de mulheres com fibromialgia [M = 9.19, t (52) = -1.41, p > .05] (Azevedo,
2013) e de mulheres com diagnóstico de infertilidade [M = 8.07, t (52) = -.25, p > .05] (Antunes, no prelo). Ainda assim, apesar dos valores obtidos pelos participantes do estudo serem baixos, estes indicam a presença de alguma insatisfação corporal, o que vai ao encontro dos estudos analisados anteriormente que referem a existência de uma alteração da imagem corporal (Alves & Duarte, 2010; Campos, Avoglia, Souza, Custódio & Gianelli, 2008; Galhordas, 2006; Gama, 2009; Kettl et al., 1991; Moin, Duvdevany & Mazor, 2009; Romeo, Wanlass & Arenas, 1993; Taleporos & McCabe, 2001, 2005; Woodbury & Trieschmann, 1978).
Relativamente à ansiedade e depressão, os valores podem variar entre os 0 e os 4 pontos. Como tal, neste estudo, constataram-se valores baixos de ansiedade (M = 0.78, DP = 0.76) e depressão (M = 1.01, DP = 0.84), o que indica a pouca prevalência destes sintomas na presente amostra. De facto, os valores de ansiedade e depressão obtidos no presente estudo não diferem de uma amostra da população geral [Ansiedade M = 0.94, t (52) = -1.55, p > .05; Depressão M = 0.89, t (52) = 0.98, p > .05] (Canavarro, 2007), mas são significativamente inferiores a uma amostra de pessoas com perturbações emocionais [Ansiedade M = 1.75, t (52) = -9.30, p < .001; Depressão M = 1.83, t (52) = -7.12, p < .001] (Canavarro, 2007). Assim, compreende-se que estes resultados contrariam o que vários estudos têm vindo a evidenciar (Fechio, Pacheco, Kaihami & Alves, 2009; Ferreira, 2012; Galhordas, 2006; Galhordas & Lima, 2004; Magalhães, 2005), quando revelam que a presença de ansiedade e depressão é comum no quadro de uma lesão vértebro-medular. Estes valores podem dever-se ao facto da população da presente investigação evidenciar um tempo médio de diagnóstico da lesão de 23.64 anos (DP = 13.75). Ou seja, a maioria dos estudos analisados anteriormente referem que há, de facto, sintomas de ansiedade e
2
Nas variáveis em que não foi possível o acesso aos valores médios obtidos pela população em geral, sempre que se faz referência a valores baixos, ligeiros ou elevados, tomou-se como ponto médio de referência o ponto médio de cada uma das escalas analisadas (média matemática).
depressão, principalmente no período posterior à ocorrência ou diagnóstico da lesão, apesar de a investigação não ser clara quanto à sua presença e estabilidade após vários anos de diagnóstico (Cardoso, 2003). Assim, os baixos níveis de sintomas no presente estudo podem estar associados ao tempo decorrido desde o diagnóstico da lesão até ao momento atual, permitindo um reajustamento e adaptação à sua nova condição (Cardoso, 2003).
Quanto à satisfação com o suporte social percebido, compreende-se que os participantes se consideram satisfeitos com o seu suporte social evidenciando pontuações médias de 54.21 (DP = 12.94) num total de 75 pontos. Tendo em conta os vários fatores que compõem esta escala, nomeadamente a satisfação com os amigos (M = 18.83, DP = 5.5), com a intimidade (M = 11.17, DP = 3.08), com a família (M = 12.09, DP = 3.34) e com as atividades sociais (M = 5.85, DP = 2.78), também se verificam valores bastante elevados. De notar que os vários fatores têm valores máximos diferentes da escala original, mediante os itens considerados em cada fator (ibidem. Capítulo 2.2. Instrumentos). Comparando estes resultados com outras amostras clínicas em que o mesmo instrumento de avaliação foi utilizado, verifica-se que os mesmos são próximos dos obtidos com uma amostra de pessoas com diagnóstico de doença oncológica [Escala global M = 57.12, t (52) = -1.64, p > .05] (Santos, Ribeiro & Lopes, 2003). Alguns estudos (Fechio, Pacheco, Kaihami & Alves, 2009; Ferreira, 2012; Galhordas, 2006; Galhordas & Lima, 2004; Oliveira, 2000) têm-se debruçado sobre a importância do suporte social para um melhor ajustamento dos lesionados vértebro medulares. A maioria considera esta variável como sendo um mediador fundamental para o bem-estar destes indivíduos, “amortecendo” assim o impacto emocional desta lesão e influenciando o prognóstico clínico (Alves & Duarte, 2010; Oliveira, 2000). Além disso, entendem que numa fase inicial os próprios lesionados tendem a isolar-se como uma forma de proteção, necessitando e socorrendo-se mais do suporte social numa fase posterior, sentindo-se mais satisfeitos com o mesmo (Fechio, Pacheco, Kaihami & Alves, 2009; Galhordas & Lima, 2004; Oliveira, 2000). Os resultados encontrados nesta amostra vão ao encontro destes estudos, já que, considerando o tempo médio que decorreu desde o diagnóstico da lesão nestes participantes (M = 23.64, DP = 13.75), estes estarão numa fase em que a procura do suporte social será mais elevada, bem como a sua satisfação com o suporte social percebido.
No que concerne à autoestima, verificou-se que os participantes revelam uma boa autoestima global, evidenciando pontuações médias de 47.13 (DP = 9.81), num máximo de 60 pontos. Ainda assim, importa salientar que existem alguns participantes com valores bastante baixos de autoestima global (max. = 21). Não se tem conhecimento de
investigações em que esta dimensão tenha sido analisada em participantes com LVM com recurso a esta escala, ainda assim comparando o valor aqui obtido com estudos com outras populações clínicas constata-se que estes valores não diferem de uma amostra com amputados [M = 48.46, t (51) = -.97, p > .05] (Silva, no prelo). De facto, um estudo de revisão da literatura (Galhordas & Lima, 2003) menciona que, com o surgimento da LVM, são frequentes os distúrbios emocionais, salientando a baixa autoestima como um aspeto comum. De igual forma, num estudo qualitativo, Galhordas (2006) salienta que é frequente a auto-desvalorização dos indivíduos, após a ocorrência de uma LVM. Oliveira (2000) é mais cauteloso, levantando apenas a possibilidade de a ocorrência de danos físicos ocasionar baixa autoestima. Deste modo, os resultados encontrados neste estudo contrariam a investigação desenvolvida até ao momento, revelando que, tal como no caso da sintomatologia depressiva e ansiogénica, apesar do forte impacto psicológico que uma lesão vertebro medular acarreta, o mesmo não implica necessariamente um “ataque” à autoestima e poderá estar bastante associado ao tempo decorrido da lesão. Para além disso, não temos acesso aos níveis de autoestima, depressão, ansiedade e satisfação corporal antes da ocorrência da lesão, o que nos indicaria, de facto, se houve, ou não mudança
Em suma, tendo em conta a hipótese inicialmente levantada (H1), que postulava que os participantes apresentariam níveis mais elevados de depressão, ansiedade, insatisfação corporal, tal como uma baixa autoestima e valores moderados de satisfação com o suporte social percebido (Alves & Duarte, 2010; Campos, Avoglia, Souza, Custódio & Gianelli, 2008; Fechio, Pacheco, Kaihami & Alves, 2009; Galhordas, 2006; Galhordas & Lima, 2004; Gama, 2009; Kettl et al., 1991; Magalhães, 2005; Oliveira, 2000; Romeo, Wanlass & Arenas, 1993; Taleporos e McCabe, 2005; Woodbury & Trieschmann, 1978), constata- se que esta foi parcialmente comprovada, salientando-se alguma insatisfação com a imagem corporal, tal como valores positivos de satisfação com o suporte social percebido.