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6.1 - Oppsummert kunnskapshull

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dialogal e explicativa e, para Travaglia (2014), também a da injunção. Optamos por deixar, para a próxima seção, a explanação sobre a sequência textual descritiva por se tratar da análise desta pesquisa.

Na seção 2.5 O descritivo: suas categorias e sequências, enfocamos os estudos de Marquesi (2004) que define o descritivo como tipo textual; os estudos de Adam (2011) que tratam o descritivo como sequência textual e, por fim, novamente Marquesi (2012; 2014) que aponta para uma proximidade sobre a abordagem de Adam referente às macrooperações das sequências textuais descritivas e seus estudos sobre as categorias do Descritivo.

2.1 O conceito de texto

A concepção de texto adotada pela Linguística textual, atualmente, entende que todo texto possui sentidos múltiplos, ou seja, não é detentor de um único sentido.

Em As tramas do texto (Koch, 2014), a significação da palavra texto inicialmente aparece como produto (fase transfrástica), depois enquanto processo (fase pragmática). Inicia-se uma reflexão sobre o contexto considerando a situação imediata.

Nota-se que o processamento textual acontece online, numa atividade interacional de construção de sentidos. Existem padrões textuais ou modelos que nos fazem pensar na intencionalidade do texto somado às demais características centrais, como tema, coesão, coerência, aceitabilidade, informatividade, situacionalidade e intertextualidade.

Segundo Koch (2014), o texto, quando considerado estrutura de compreensão como um todo, possui elementos interdependentes, sendo cada um necessário para a compreensão das demais. Para que aconteça o entendimento ou a compreensão textual, faz-se necessário a intervenção de elos cognitivos que possibilitem a progressão do texto, fidelizando o sentido textual. Em outras

palavras, os textos gerenciam a humanidade e, assim, pode ser conceituado como

uma manifestação verbal constituída de elementos linguísticos selecionados e ordenados pelos coenunciadores, durante a atividade verbal, de modo a permitir-lhes, na interação, não apenas a depreensão de conteúdos semânticos, em decorrência da ativação de processos e estratégias de ordem cognitiva, como também a interação (ou atuação) de acordo com práticas socioculturais (KOCH, 2013b, p.27).

Na sequência desta reflexão, precisamos identificar aquilo que os falantes devem acionar, além dos conhecimentos que possuem sobre o sistema e contexto linguístico, necessários para a elaboração do texto, o conhecimento de mundo ou enciclopédico, no dizer de Van Dijk (1992), pois "o sentido não está no texto, mas se constrói a partir dele, no curso de uma interação" (Koch, 2013a, p.30). Além disso, a segmentação, os anúncios de temas e subtemas, as mudanças de tópicos, as reformulações presentes num texto, compõem as mais diversas articulações no nível de análise textual e, por isso, devem ser consideradas na interação.

Koch (2011, p.53) sublinha que "a competência textual de um falante permite [...] averiguar se em um texto predominam sequências de caráter narrativo, descritivo, expositivo / argumentativo".

Constituída a afirmação precedente, trata-se o texto como uma unidade comunicativa e não mais se ele pertence ao sistema (langue) ou ao uso da língua (parole). Ambos são importantes.

Para Coutinho (2003, p. 54), a definição de texto é assumida como texto- em-situação.

Desse ponto de vista, a organização estrutural dos textos deixa de ser um fator imanente: se bem que é estrutura seja inseparável do seu objeto, uma e outro, como a implicação que os une, deixam-se condicionar por fatores cognitivos e comunicacionais ligados à situação concreta (interlocutores envolvidos e respectivas competências cognitivas, tema, objetivos e circunstâncias comunicação, entre outros aspectos). Quer isto dizer que a questão da estruturalidade ultrapassa largamente a mera segmentação de unidades. Trata-se, sobretudo de um trabalho de estruturação e segundo o qual as unidades se delimitam reciprocamente e se ordenam entre si - em função de critérios que são como já disse de ordem cognitiva e comunicacional. Por outras palavras, uma unidade não se constitui pelo fato de ser segmentável: é segmentável pelo contrário, na medida em que se constitui como unidade temática e funcional.

A exposição da autora corrobora o entendimento de que hoje, para a Linguística Textual, o texto é analisado como um evento que ocorre inserido em contextos comunicativos, portanto, expressos pela linguagem. Considera que a ênfase deve ser na relação entre texto e discurso, e não na preocupação em distingui-los de forma tão rígida.

O texto é também considerado como uma (re)construção do mundo “e não uma simples refração e reflexo” (Marcuschi, 2008, p. 72). Assim, o texto pode ser tido como “um tecido estruturado, uma entidade significativa, uma entidade de comunicação e um artefato socio-histórico”(idem).

Fica explícito, dessa forma, que o texto ativa estratégias, expectativas, conhecimentos linguísticos e não linguísticos. Quando se considera o texto como unidade, a referência é, portanto, feita como unidade de sentido.

Seguindo a abordagem de Marcuschi (2008), a produção textual pode ser caracterizada como uma atividade sociointerativa. Apoiando-se nos estudos de Beaugrande (1997 apud Marcuschi, 2008), o autor explica que o texto não é uma simples sequência de palavras escritas ou faladas, mas um evento.

De acordo com os estudos de Bazerman (2011, p.22), cada texto bem sucedido cria para seus leitores um fato social, “[...] ações significativas mediadas pela linguagem, que são realizadas através de formas textuais padronizadas, típicas: os gêneros, que estão sempre relacionados a outros textos e gêneros que ocorrem em circunstâncias afins”.

Essa definição de texto somado à interação social nos faz pensar que tanto os textos de conhecimentos anteriores ao produtor, quanto os que são produzidos a partir de determinada situação fazem parte do universo do texto e do discurso. Ademais, um texto apresenta outras informações:

Uma vez que um texto é povoado por vários objetos apropriados, trazidos adequadamente traduzidos, para seu mundo representado, e completamente responsável por carregar a força total das outras realidades representadas, o texto pode então fazer coisas com esses objetos: pode transformá-los ainda mais através de operações sobre os símbolos; pode agregá-los ou dividi-los; pode mostrar que eles formam um processo ou pode fornecer evidências para uma reivindicação mais geral; pode prever consequências. Dentro de cada gênero, há certas operações apropriadas que o texto pode fazer e há certos domínios de abstrações que são invocados adequadamente para realizar essas operações (Bazerman, 2011, p. 82).

Há uma aproximação de Adam (2011) com os quadros teóricos da Linguística Textual (LT) e da Análise do Discurso (AD), uma vez que o autor concebe o texto como um objeto circuncidado e determinado pelo discurso.

A identificação das condições de produção dos textos, segundo Adam ( 2), engloba a análise do conteúdo temático do texto, ou melhor dizendo, aquilo que se quer informar por meio do texto e que, invariavelmente, deve ser traduzido de uma existência cognitiva (conhecimentos prévios, existentes na mente dos agentes denominados macroestruturas semânticas) para uma existência linguístico-discursiva.

Um texto pode ser construído por meio de “trechos sucessivos que formam subconjuntos em seu interior. O reconhecimento do texto como um todo passa pela percepção de um plano de texto, com suas partes constituídas, ou não, por sequências identificáveis" (Adam, 2011a: 255-6).

Não há textos que se apresentem neutros, pois do ponto de vista de sua composição estrutural, não há textos puros e homogêneos, mas, sim, uma “estrutura de sequências heterogêneas, complexas, na qual podem figurar sequências de tipos diversos, ou uma sequência de tipo dominante” (Adam,1992, p. 11).

Segundo Adam (2011), um texto pode ser composto por um encadeamento de sequências de mesmo tipo ou de tipos diferentes, podendo haver uma “dominante sequencial”, ligada aos gêneros de discurso. Para fazer de um texto um todo configurado, dois tipos de operação são realizados: “o estabelecimento de uma unidade semântica (temática) global, e (pelo menos), um ato de discurso dominante. Unidade temática e unidade ilocucionária determinam a coerência semântico-pragmática global de um texto (ou de uma parte do texto)" (Adam, 2011, p.256).

O entendimento do conceito de texto para o autor abrange um todo (plano textual) e suas partes (sequências textuais). Ao se tratar da análise do texto, portanto, considera-se que a (re)construção de partes – ou segmentos que correspondem ou ultrapassam os níveis do período e da sequência –, é “uma atividade cognitiva fundamental que permite a compreensão de um texto e, para isso, mobiliza todas as informações linguísticas de superfície disponíveis [...]” (idem, p. 263).

Os textos raramente são monossequenciais e se estruturam de modo completo ou parcial por diversas sequências, idênticas ou diferentes. Nesse caso, podemos falar de sucessividade sequencial e de hierarquização ou dominância de sequências. Como a arquitetura de todo e qualquer texto é altamente complexa, validamos o estudo do plano de texto, cuja função primordial é explicitar a estrutura global do texto possibilitando-nos identificar elementos importantes para a sua compreensão e produção.

2.2 Tipos e gêneros textuais

Não temos como dizer algo que não seja categorizado em algum tipo textual. O dizer é “tipificante. Seja falando/ouvindo ou escrevendo/lendo, nada é dito sem ser por meio de textos e cada texto é de uma categoria, que sempre será adequada à interação em uma situação social também típica" (Travaglia, 2014, p.1).

Todos sabemos que diversos estudiosos se dedicam a pensar e propor categorias para uma melhor compreensão de tipos e gêneros textuais.

Nos estudos de Travaglia (2007, p.98), as tipologias sugerem arquétipos, tipos efetivos e quase sempre "os tipos são caracterizados/identificados pela recorrência de traços de conteúdo, de forma (estruturais e da superfície linguística), de estilo, de propriedades discursivas". Para o autor, o discurso é considerado como a própria atividade comunicativa [...] regulada por uma exterioridade sócio-histórica-ideológica, e o texto, como o resultado desta atividade comunicativa (idem, p.99).

Não há dúvida de que a linha teórica segue para uma relação entre o processamento e o uso do texto, ou seja, ele não é aleatório.

Travaglia (2014, p.2) designa a categoria de texto como "qualquer classificação que uma sociedade e cultura dê a um texto, tipologizando-o". A 'categoria de texto' identifica uma classe de textos que têm uma dada caracterização, isto é, um conjunto de características comuns em termos de conteúdo, estrutura composicional, estilo (características linguísticas),

funções/objetivos, condições de produção, mas distintas das características de outras categorias de texto, o que permite diferenciá-las.

As categorias de texto, segundo o autor, possuem classes que são identificadas por 'tipelementos' de quatro naturezas distintas: tipo, subtipo, gênero e espécie. Sua proposta da escrita 'tipelemento' tem a intenção de ser um termo genérico para os elementos tipológicos básicos elencados anteriormente.

Para o estudo de tipos textuais, é importante esclarecer que, de acordo com o autor, "o tipo é identificado e se caracteriza por instaurar um modo de interação, uma maneira de interlocução segundo perspectivas que podem variar constituindo critérios para o estabelecimento de tipologias diferentes" (Travaglia, 2014, p.4). Assim, são apresentadas oito tipologias:

Tipologia 1: texto descritivo, dissertativo, injuntivo, narrativo.

Tipologia 2: texto argumentativo stricto sensu e argumentativo não-stricto sensu.

Tipologia 3: texto preditivo e não preditivo.

Tipologia 4: texto do mundo comentado e do mundo narrado. Tipologia 5: texto lírico, épico/narrativo e dramático.

Tipologia 6: texto humorístico e não-humorístico. Tipologia 7: texto literário e não literário.

Tipologia 8: texto factual e ficcional.

Para esta pesquisa, recortaremos a Tipologia 1 com enfoque no texto descritivo. O objetivo do enunciador, na descrição, é o que se quer caracterizar, dizer como é.

Travaglia (2007) relaciona o tipo descritivo com seu conteúdo e assim o caracteriza:

a) na descrição objetiva – a localização, as características e componentes ou partes do objeto sem outras interferências de quem diz – e na descrição subjetiva – as informações da descrição objetiva, porém fundida a uma expressão dos sentimentos, afetividade e estados psicológicos daquele que diz;

b) na descrição estática – diz-se como são objetos e seres – e na dinâmica – caracterização de movimentos, eventos.

são dados pela perspectiva do produtor de texto em relação ao objeto do dizer (aquilo que se fala) quanto ao fazer/acontecer ou quanto ao conhecer/saber e sua inserção no tempo e/no espaço ou não. [...] Representam, portanto, habilidades linguístico-discursivas básicas, fundamentais, que todos precisam dominar para construir, compor textos (Travaglia, 2014, p.4).

Embora o descritivo entre na formação ou composição de muitos gêneros, são raros aqueles em que o tipo descritivo exerça o papel de necessário e dominante.

Geralmente, o conteúdo temático “refere ao que pode ser dito em uma dada categoria de texto, à natureza do que se espera encontrar dito em um dado tipo, gênero ou espécie de texto, o que obviamente tem de estar ligado a um tipo de informação" (Travaglia, 2007, p.43). Ao pensarmos a estrutura composicional, "o primeiro critério a lembrar é a superestrutura, de importância fundamental na caracterização de categorias de texto" (idem, p.48).

A não distinção dos tipelementos e o “desconhecimento das relações entre eles, de nosso ponto de vista, cria incoerências e repetições desnecessárias, ou mesmo apresentação de características de uma categoria, quando na verdade ela é outra" (Travaglia, 2014, p. 13-4). Essa afirmação, então, leva-nos a acreditar que o tipo pode ser identificado e, consequentemente instaura um modo de interação ou de interlocução.

A categoria de espécies (Travaglia, 2014) é definida pela forma, pelo conteúdo ou pelos dois, ao mesmo tempo, mudando, apenas as formas.

Agora podemos aprofundar o conceito de gênero, que retomando os estudos de Travaglia (2007), pode ser caracterizado por exercer uma função sociocomunicativa específica.

Gêneros são instrumentos, ferramentas para a ação social numa ação já tipificada, ou seja, na sociedade, existem os gêneros e não os tipos. Quando dizemos gênero descritivo, narrativo, dissertativo, é porque o tipo é dominante. "Os gêneros são a natureza das categorias de texto que efetivamente existem e circulam nas sociedades e culturas, pois os tipos, subtipos e espécies compõem os gêneros e só aparecem neles" (Travaglia, 2014, p.12-3).

Os gêneros são definidos como instrumentos de ação social pela linguagem, portanto, estabelecem ou também definem um modo de como agir na

sociedade. Em sua composição, Travaglia (2007, p. 1.299) afirma que os tipos podem:

a) se cruzar - vários tipos de tipologias distintas são realizados no mesmo texto;

b) se conjugar - vários tipos de uma mesma tipologia aparecem constituindo um texto, com relações hierárquicas entre si ou simplesmente lado a lado;

c) se intercambiar - em uma situação de interação de uma dada natureza, em que se estabelece um modo de interação específico, a interação é preferencialmente realizável por uma dada categoria de texto que é própria desse modo de interação, mas se dá por meio de uma outra categoria.

Desse modo, também pode-se refletir que os gêneros, talvez, entrem na composição de outros gêneros.

Para Bazerman (2011, p.63), entretanto, "o gênero, uma vez estabelecido, torna-se um ambiente estruturado para a escrita e para a leitura [...]". E, prossegue: "O gênero parece ser um mecanismo constitutivo na formação, manutenção e realização da sociedade, da cultura, da psicologia, da imaginação, da consciência, da personalidade e do conhecimento [...]" (idem, p. 65). Pode-se afirmar, então, que os gêneros marcam situações sociais específicas e são heterogêneos, por isso não dá para entendermos o conceito de gênero apenas com base num conjunto de traços textuais – assim como o conhecimento muda, também as situações e os gêneros sofrem alterações.

Os processos de percepção, compreensão, o uso criativo da comunicação e as adaptações às mudanças no decorrer do tempo, fazem com que possamos entender os gêneros como fenômenos de reconhecimento psicossocial (Cf. Bazerman, 2011).

Os estudos do autor apontam para uma expansão conceitual de gênero que está além da forma textual. Por isso, na tentativa de configurá-los no processo de interação em organizações, papéis e atividades mais amplas, Bazerman (2011, p.33) apresenta uma caracterização dividida em "conjunto de gêneros, sistema de gêneros e sistema de atividades".

• Um conjunto de gêneros é a coleção de tipos de textos que uma pessoa num determinado papel tende a produzir;

• Um sistema de gêneros compreende os diversos conjuntos de gêneros utilizados por pessoas que trabalham juntas de uma forma organizada, e também as relações padronizadas que se estabelecem na produção, circulação e uso desses documentos.

• Um sistema de atividades deve ser visto em relação a um sistema de gêneros, isso significa focalizar o que as pessoas fazem e como os textos ajudam as pessoas a fazê-lo.

Essa abordagem amplia a análise textual ao propor o gênero a esses grupos maiores de gêneros, do qual faz parte.

Marcuschi (2008, p.154) constitui a noção de gênero textual baseando-se na tese central de que é “impossível não se comunicar verbalmente por algum gênero, assim como é impossível não se comunicar verbalmente por algum texto. Isto porque toda a manifestação verbal se dá sempre por meio de textos realizados em algum gênero". Assim, o estudo dos gêneros indica o funcionamento da sociedade.

Por não serem estáticos, limitados, os gêneros devem ser distinguidos por meio de critérios também funcionais e não só linguísticos.

Na busca de uma síntese para conceituar os gêneros, Marcuschi (2008, p.159) diz que são entidades dinâmicas, históricas, sociais, situadas, comunicativas, orientadas para fins específicos, ligadas a determinadas comunidades discursivas, ligadas a domínios discursivos, recorrentes e estabilizadas em formatos mais ou menos claros. Para nominá-los, foram usados diversos critérios:

1. Forma estrutural

2. Propósito comunicativo 3. Conteúdo

4. Meio de transmissão 5. Papeis dos interlocutores

6. Contexto situacional (idem, p.164).

Certamente, uma verificação dos termos e/ou conceitos apresentados sobre tipos e gêneros textuais, denotam perspectivas epistemológicas que contribuem para um entendimento da composição geral ou panorama que compõem os textos.

2.3 Planos de texto

Segundo Adam (2011), os planos de texto são a estrutura composicional do texto. Há um princípio de organização que possibilita concretizar no desenvolvimento da textualidade, tanto as intenções de produção quanto a distribuição da informação, numa relação das partes do texto com o seu todo.

Os planos de texto podem ser mais ou menos marcados, mais ou menos visíveis e legíveis, seja pela segmentação, pelos anúncios de temas e subtemas, pelas mudanças de tópico e reformulações, pela articulação dos organizadores textuais. No entanto, em textos não narrativos, o principal indicador do plano de texto seria a mudança de tópico, destacando-se que, no caso de textos explicativos, “o papel estruturante dos organizadores e dos conectores é determinante” (Adam, 20 , p.278).

Assim como os gêneros para Adam, os planos de texto fazem parte dos conhecimentos que adquirimos socialmente, com o uso da língua, e nós os construímos ou reconstruímos na produção e na interação.

A (re)construção de partes ou segmentos que correspondem ou ultrapassam os níveis do período e da sequência é uma atividade cognitiva fundamental que permite a compreensão de um texto e, para isso, mobiliza todas as informações linguísticas de superfície disponíveis [...] (Adam, 2011, p. 263).

A base de composição estrutural (plano de texto) possui indicadores de categorização sequencial. Existe "entre o período e o plano de texto, um nível que chamaremos de sequencial" (Adam, 2011, p.107). Os planos de texto são classificados em convencional ou ocasional. Podemos dizer que aqueles fixados pela história dos gêneros recebem o nome de plano de texto convencional. Os que não se encaixam na definição anterior, são os ocasionais.

Existem os planos de texto fixos, como por exemplo, em dissertações, verbetes de dicionários, receitas culinárias, e, mais recorrentemente, os planos de texto ocasionais, a partir das decisões do produtor textual no momento da escrita.

Dificilmente um determinado gênero de texto se encaixará em uma única tipologia. Por isso, compreendemos que, mesmo havendo uma predominância sequencial, de acordo com Adam (2011), a unidade de sentido de um texto se

dará no plano de texto, ou seja, nas relações que são estabelecidas entre as sequências e a sua predominância sobre outras sequências no todo organizacional.

Entender essa estrutura permite-nos constatar que essa organização é que nos faz reconhecer que nos encontramos diante de um texto e não de um amontoado de frases.

Também para a explanação sobre planos de texto, apoiamo-nos nos estudos de Coutinho (2003) e Cabral (2013).

De acordo com Coutinho (2003, p. 55), não podemos reduzir o entendimento de plano de texto a uma possível segmentação de caráter apenas formal. Para a autora, "a questão da estruturalidade ultrapassa largamente a mera segmentação de unidades" [...]. O caráter estrutural [...] aparece como um processo - uma estruturação - que se pode reconstituir através de marcas inscritas na superfície do texto".

Com esses apontamentos, a autora trata o texto numa ótica comunicacional (texto-em-situação), podendo, assim, verificar que o reconhecimento do plano de compreensão textual realizado pelo interlocutor/leitor, se dará no processo de compreensão dos mesmos, ou seja, é um trabalho de estruturação.

Para Cabral (2013, p. 247), um plano de texto é percebido como um princípio organizador.

Extrair de um texto um plano de ação, que esteja na base da sua organização global, auxilia a construção dos sentidos por parte do leitor, na medida em que lhe permite estabelecer coerência entre as partes do

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