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2.1. PARADIGMA

Para a concretização da presente investigação, o método aplicado é o qualitativo de tipo fenomenológico, mediante o qual os investigadores objetivam “compreender um fenómeno,

23 Informação disponível em http://www.scment.pt/

para extrair dele a essência do ponto de vista daqueles que vivem ou viveram a experiência”, sendo cada indivíduo um elemento de referência (Rousseau & Saillant, 1996/1999:148) De acordo com as referidas autoras, na investigação qualitativa destacam-se cinco métodos de recolha de dados, nomeadamente, a entrevista, a observação participante, o diário, a gravação, o vídeo.

2.2. TIPO DE ESTUDO

No que concerne ao tipo de estudo, considerou-se que o mais adequado para explorar a problemática em questão, seria o estudo de caso, o qual “consiste numa investigação aprofundada de um indivíduo, de uma família, de um grupo ou de uma organização”, sendo a sua aplicação relevante “para responder às interrogações sobre um acontecimento ou um fenómeno contemporâneo sobre o qual existe pouco ou nenhum controlo” (Yin, 1994, cit. por Duhamel & Fortin, 1996/1999:164), e “para verificar uma teoria, estudar um caso que é reconhecido como especial e único (…), explicar relações de causalidade entre a evolução de um fenómeno e uma intervenção” (Duhamel & Fortin, 1996/1999:164).

De acordo com Duhamel & Fortin (1996/1999), este tipo de estudo pode basear-se em documentos, na observação ou na entrevista, de modo a que seja possível compreender a problemática estudada e posteriormente descrever a sua complexidade.

2.3. MÉTODOS DE RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS

Os instrumentos de recolha de dados selecionados para a realização da presente investigação foram a observação estruturada/sistemática e a entrevista semidiretiva, cujos guiões, de elaboração própria, se encontram em anexo (15 e 16, respetivamente).

A opção pelo método de observação justifica-se pelo facto de o mesmo constituir “frequentemente o meio privilegiado de medir comportamentos humanos ou conhecimentos”, sendo de esclarecer que através da observação estruturada é possível “observar e (…) descrever, de forma sistemática, comportamentos e acontecimentos que dizem respeito ao problema de investigação” (Fortin, Côté & Filion, 2006/2009:371).

Neste sentido, importa mencionar que mediante a observação pretendeu-se atingir dois dos objetivos específicos definidos para a realização desta investigação, nomeadamente:

caraterizar o modo de operacionalização da interdisciplinaridade desenvolvido pela equipa e individualmente por cada profissional; e identificar os estilos comunicacionais prevalecentes no seio da equipa, particularmente da que participa nas reuniões multidisciplinares. De forma a alcançar o primeiro objetivo, foram estabelecidos como focos principais da observação quatro atividades da equipa multidisciplinar: os acolhimentos; o planeamento de cuidados; reuniões familiares; e as reuniões multidisciplinares. Ainda assim, relativamente a cada atividade procurou-se aferir o contexto físico onde eram realizadas; os recursos materiais necessários e utilizados; e os sujeitos participantes em cada uma. No que concerne ao segundo objetivo acima descrito, o respetivo foco principal foram as reuniões multidisciplinares, nas quais se procurou identificar o estilo comunicacional de cada um dos profissionais presentes nessa atividade e, posteriormente, o mais comum na equipa.

A observação direta na UMDR da UCCI Manuel Fanha Vieira - Provedor decorreu entre os dias 21 de julho de 2015 e 3 de setembro do mesmo ano, sendo de referir que a permanência na Unidade foi pontual e não diária, de acordo com a agenda pessoal e a ocorrência das atividades. Durante este período foi possível observar 10 acolhimentos; 18 planeamentos de cuidados (de utentes com alta efetivada e dos utentes cujo acolhimento foi alvo da observação); 3 reuniões familiares; e 5 reuniões multidisciplinares. Nestes momentos de observação foram anotadas num diário pessoal, informações consideradas necessárias para descrever e compreender cada atividade e para identificar o estilo de comunicação característico de cada profissional, sendo possível verificar estas descrições no capítulo seguinte, no qual são apresentados os resultados da investigação.

No que concerne à entrevista, Fortin, Grenier & Nadeau (1996/1999: 245;246), descrevem-na como o “modo particular de comunicação verbal, que se estabelece entre o investigador e os participantes com o objetivo de colher dados relativos às questões da investigação formuladas”, através do qual, como referem Quivy & Campenhoudt (1995/2005: 192), é possível obter “informações e elementos de reflexão muito ricos e matizados”,.

No que concerne especificamente à entrevista semidiretiva, a mesma é constituída por um número restrito de questões relativamente abertas que servem de orientação para o investigador, no encaminhamento da entrevista. A formulação das perguntas e a ordem pela qual são colocadas ao entrevistado podem não ser as mesmas das registadas no guião, pois neste tipo de entrevista, o entrevistado tem a possibilidade de responder abertamente, da forma e pela ordem que entender, sendo o investigador responsável “por reencaminhar a

entrevista para os objetivos (…) e por colocar as perguntas às quais o entrevistado não chega por si próprio no momento mais apropriado e de forma tão natural quanto possível”, sempre que o discurso do entrevistado se desvie do assunto central (Quivy & Campenhoudt, 1995/2005:192).

Contudo, este instrumento de recolha de dados também apresenta algumas desvantagens como: “o tempo necessário para a entrevista e o seu custo elevado”; o facto de a amostra ser mais limitada por causa dos custos acrescidos; e a maior dificuldade em codificar e analisar os dados recolhidos, pois requer bastante tempo (Fortin, Grenier & Nadeau, 1996/1999:249). O guião de entrevista executado é constituído por 19 questões, organizadas por 9 dimensões temáticas – definidas no sentido de alcançar os objetivos inicialmente propostos para a realização da investigação –, designadamente: “Perceção sobre a interdisciplinaridade”;

“Perceção sobre a interdisciplinaridade no cuidar”; “Perceção sobre a interdisciplinaridade na recuperação dos utentes”; “Perceção sobre a interdisciplinaridade vs. desempenho individual”; “Perceção sobre a comunicação no cuidar”; “Perceção sobre o estilo comunicacional mais adequado no cuidar”; “Perceção sobre a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados”; “Perceção sobre a operacionalização da interdisciplinaridade na RNCCI”; e “Perceção sobre o desempenho individual”.

A realização das entrevistas foi efetuada no mesmo período da observação, entre os dias 21 de julho e 3 de setembro de 2015, pontualmente, consoante o seu agendamento com os profissionais. A duração média das entrevistas foi de aproximadamente 31 minutos, tendo-se denotado uma grande discrepância de tempo entre algumas, dada a flexibilidade do instrumento aplicado. Para a concretização das mesmas foram necessários alguns recursos como os guiões das entrevistas (que incluem o questionário de caraterização sociográfica dos entrevistados) e um gravador de voz.

Após a efetivação das entrevistas, procedeu-se à sua audição e transcrição integrais, e posteriormente à respetiva análise de conteúdo pelo processo de categorização, pois este método permite uma melhor interpretação e compreensão do conteúdo dos relatos dos entrevistados face às temáticas abordadas, particularmente acerca da Interdisciplinaridade no

cuidar.

A análise de conteúdo é definida por Bardin (2015: 44) como

“Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter por procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo

que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens”.

A autora refere que quando se procura codificar a informação através da análise de conteúdo, torna-se necessário proceder à categorização da mesma, processo que permite “fornecer, por condensação, uma representação simplificada dos dados em bruto” (Bardin, 2015: 147). Segundo Bardin (2015: 145), “as categorias são rubricas ou classes, as quais reúnem um grupo de elementos (unidades de registo, no caso da análise de conteúdo) sob um título genérico, agrupamento esse efectuado em razão das caraterísticas comuns destes elementos”. Esclarecendo, cada unidade de registo consiste na “unidade de significação a codificar e corresponde ao segmento de conteúdo a considerar como unidade de base, visando a categorização e a contagem frequencial” (Bardin, 2015: 130), ou seja, dizem respeito aos «fragmentos» do conteúdo geral das entrevistas que conduzem à categorização.

Neste sentido, a partir dos excertos (palavras ou frases) das entrevistas realizadas, foram identificadas as categorias e subcategorias relativas a cada uma das 9 dimensões temáticas da entrevista e, ainda, a outra dimensão que tivera sido acrescentada após a transcrição das entrevistas, designadamente: “Perceção sobre o desempenho individual e grupal”.

Por fim, importa referir que à medida que cada entrevista era analisada, procedia-se à transcrição das unidades de registo para quadros de análise, o que permitiu a organização dos dados em categorias e subcategorias, como é possível verificar no capítulo seguinte.

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