5.3 Delområde Moskog – Fardal
5.3.6 Oppsummering – verdi- og konsekvensvurderinger søndre del
A adaptação dos pentecostais ao contexto social brasileiro deu-se em um processo lento, pois foram necessários mais de 40 anos para que os grupos sofressem algumas mudanças em seus conceitos sociais e métodos evangelísticos. Porém, é importante destacar que, não foram somente os movimentos religiosos, como também os pentecostais, que pouco se desenvolveram na primeira metade do século passado. Nesse período, o Brasil teve seu desenvolvimento comprometido causado pela instabilidade na política nacional e pelas duas guerras mundiais, que de maneira direta acabaram afetando o crescimento social e econômico do país. 58 Entretanto, alguns fatores colaboraram para que a segunda metade do século XX fosse marcada por significativas mudanças no cenário religioso brasileiro e promoveram o envolvimento dos pentecostais na mídia de massas e na política. Entre eles estão: a) O êxodo rural; b) A construção da nova identidade social dos migrantes; c) O uso do rádio como instrumento de divulgação de ideais políticos partidários.
a) Êxodo rural brasileiro
58 A república estabelecida no fim do século XIX ainda não tinha conseguido se estabilizar quando ocorreu a
Primeira Guerra Mundial, seguida no Brasil pela Revolução de 1930, com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder através do golpe de 1937 e quase 20 anos sob a regência do presidente gaúcho.
A partir dos anos 40, o Brasil presenciou o início do êxodo de parte da população que saiu do campo e migrou para os grandes centros, principalmente para as regiões sul e sudeste do país, que estavam em franca expansão industrial e demandavam mão-de-obra sem especialização, abundante e barata. A falta de perspectiva no trabalho agrícola e as oportunidades de emprego nas grandes cidades levaram várias famílias de camponeses a abandonar sua terra natal, em busca do “eldorado” metropolitano. Os ex-trabalhadores rurais encontravam, sobretudo nas indústrias e construções civis, emprego com renda garantida. Acrescentando-se a este fato a carência de trabalho no campo com a queda nas exportações de produtos agrícolas, como o café, que empregava boa parte dos trabalhadores rurais notadamente do interior dos estados do sudeste e sul do Brasil, como Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná e o aumento da pobreza e falta de perspectivas econômicas dos habitantes do “polígono da seca”, situado na região nordeste (CHEROBIM, 1986, p. 31 ss).
Os retirantes camponeses, que migraram para as metrópoles, tiveram alteradas suas características profissionais, entretanto, alguns hábitos e culturas interioranas continuaram fazendo parte de seus comportamentos nos centros urbanos. Entre elas, estava o modelo de participação nas disputas políticas. O que não quer dizer que se tratava de pessoas politizadas, mas de grupos sociais que se envolviam na defesa do candidato de sua preferência, como forma de competição e de manutenção dos laços comunitários. O comportamento político da sociedade interiorana era caracterizado por relações sociais familiares e de compadres, onde o engajamento na política e nas relações sociais fazia parte da cultura regional, ou seja, apesar da falta de esclarecimento político por parte da população os grupos participavam das campanhas eleitorais como um evento social daquele vilarejo. Embora nem sempre aquela comunidade tivesse alguma relação igualitária com os aspirantes a cargos eletivos, ela votava nos candidatos que fossem conhecidos dos moradores do vilarejo ou, mesmo que desconhecido, mas que recebesse o apoio político de um compadre que o conhecia e consecutivamente o apoiava. Assim, a adesão a uma candidatura nem sempre era resultado de uma consciência política, mas de uma afinidade social baseada nas amizades e nas trocas de favores. Mendonça diz que havia uma relação de dependência nas comunidades rurais do início do século XX, tanto no âmbito social como político, pois o convívio e a sobrevivência eram possíveis mediante uma troca constante de favores e lealdade política entre os fazendeiros e sitiantes (MENDONÇA, 1995, p. 124 ss).
Na medida em que a sociedade rural desloca-se para os grandes centros urbanos, ela não encontra nas cidades a estrutura mínima necessária para viver de maneira digna. Este fato leva os retirantes a morarem nas periferias. Foi em um reduto paulistano, com estas características, que a mensagem religiosa dos pentecostais ecoou. Tratava-se de trabalhadores migrantes do interior dos estados do sudeste, do norte e do nordeste do país, e imigrantes italianos, para quem faltava uma nova referência social e religiosa, além da carência de atenção por parte dos governantes e da igreja católica. Os pregadores pentecostais foram os que mais se aproximaram deles, até porque muitos desses pregadores eram membros da mesma comunidade e migrantes como eles. Mendonça afirma que o rápido crescimento da cidade, sem a estrutura pública adequada, resultou na transformação dos cortiços em favelas e o aumento da pobreza urbana tornou-se ambiente adequado para a proliferação de grupos pentecostais de cura divina. (MENDONÇA, 1997, p.157-8). Essa mesma camada da população estava desassistida pela igreja católica que não conseguia atender a demanda de fiéis que crescia diariamente, oriundos da roça, que passavam a habitar na periferia de metrópoles como São Paulo, porque apesar do maior número de sacerdotes estarem nos grandes centros, eles não era em número suficiente para a demanda. (QUEIROZ, 1976, p. 74-5)
Com a conversão dessa população de migração, do catolicismo e das crenças e práticas das religiões afro-brasileiras 59 para o pentecostalismo, ocorreu uma significativa mudança, não apenas no comportamento considerado pelos pentecostais como “mundano”, mas também com afastamento dos integrantes dos grupos religiosos da política. Como tudo que os pentecostais consideravam profano e, portanto pecado, a participação dos membros do referido movimento religioso, em campanhas eleitorais, fosse como candidato ou ativista, eram rechaçadas pelos líderes. O que resultou em um distanciamento deles do cenário político. (FRESTON, 1993, p. 88)
c) O uso do rádio para fins políticos partidários
59 Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística são classificadas como “religiões afro-
brasileiras” aquelas cujas matrizes são de origem africanas herdadas dos escravos, tais como: Candomblé, Umbanda e outras.
Na esfera da política nacional, em 24 de agosto de 1954, chegou ao fim a “Era Vargas”, com o suicídio do Presidente da República que ficou conhecido como o “pai dos pobres”, que durante quase vinte anos no poder fez do rádio o principal instrumento para propagação de seus ideais e divulgação das ações governamentais, dando sustentação ao seu governo. Em seu último mandato, Getúlio Vargas usou o rádio como instrumento de promoção pessoal e para divulgar as ações do seu governo, como também recebeu críticas da oposição através do mesmo meio de comunicação que o favorecia. (BAUMWORCEL, 2004, p. 2 ss) 60
Ortriwano diz que desde o dia em que foram emitidas as primeiras ondas de rádio, em 1922, no Rio de Janeiro, por ocasião da comemoração do Centenário da Independência, até hoje, o rádio tem servido de instrumento para a promoção política. “Não há candidato que não se interesse em participar de programas em emissoras radiofônicas em todas as cidades por onde passam as comitivas eleitorais” (ORTRIWANO, 2003, p. 68)
2. A CONTRIBUIÇÃO DO RÁDIO NA CONSTRUÇÃO DA IMAGEM DE UM