Tendo percebido no início da PES que as crianças da sala vermelha, de um JI privado da
região de Leiria, não brincavam com materiais naturais, nem tinham acesso a eles dentro
da sala de atividades, pensou-se que seria interessante disponibilizar diferentes materiais
naturais, para que elas brincassem.
Definido o interesse investigativo, selecionaram-se os participantes e solicitou-se a
autorização aos respetivos encarregados de educação e à educadora cooperante do grupo
de crianças. Com a anuência de todos, pensou-se na questão de investigação e nos
objetivos que orientariam o ensaio investigativo.
Ainda antes de iniciar a recolha dos dados, pensou-se no local e no período do dia para a
realização do ensaio. Assim, definiu-se que aconteceria num dos momentos de
brincadeira livre das crianças, no período da tarde, entre as 14h00 e as 15h00, no gabinete
da secretaria (Fotografias 39, 40 e 41), uma vez que era necessário recorrer a um ambiente
calmo, sereno e neutro que permitisse a concentração das crianças para as propostas de
exploração que não fosse alvo de constantes interrupções por parte de outras crianças e/ou
adultos da instituição.
Fotografia 39 - Gabinete da secretaria onde ocorreu o ensaio
Fotografia 40 - Vista lateral do espaço onde ocorreu o ensaio
Fotografia 41 - Vista frontal do espaço onde ocorreu o ensaio
A recolha dos dados aconteceria em quatro semanas (com início a 16 de maio de 2016 e
término a 8 de junho de 2016), três dias por semana (segunda, terça e quarta-feira). No
primeiro dia, na primeira semana da realização do ensaio, a sequência das participações
dos intervenientes aconteceu tendo em conta a disponibilidade dos mesmos, mantendo-
se a mesma ordem até ao fim da recolha de dados. Assim, a Luana foi sempre a primeira
a explorar os materiais, o Marco sempre o segundo e o Artur foi sempre o terceiro.
Na definição do processo de recolha de dados, definiu-se que os materiais naturais a
utilizar no ensaio investigativo deveriam ser objetos que as crianças pudessem conhecer
e aos quais pudessem ter acesso no seu quotidiano. Assim, escolheram-se folhas de
plantas (primeira semana), sementes (segunda semana), frutos (terceira semana) e
legumes (quarta e última semana), conforme Quadro 8 (ver fotografias dos objetos
naturais utilizados no ensaio investigativo – Anexo 22).
Quadro 8 - Datas das semanas de exploração por tipo de material natural
Tipo de material natural Datas da semana de exploração
Folhas de plantas 16 de maio a 18 de maio de 2016 Sementes 23 de maio a 15 de maio de 2016 Frutos 30 de maio a 1 de junho de 2016 Legumes 6 de junho a 8 de junho de 2016
Durante todas as segundas-feiras do processo de recolha de dados, os participantes
exploravam livremente os materiais disponibilizados (folhas de plantas, sementes, frutos
e legumes). Após a indicação ao participante que teria terminado a sua exploração, a
investigadora realizou uma entrevista semiestruturada (ver guião da entrevista
semiestruturada – Anexo 20) a cada participante. Em todas as terças-feiras, os
participantes foram desafiados a realizar uma exploração orientada (ver critérios
definidos em cada exploração orientada – Anexo 21). Em todas as quartas-feiras, os três
participantes em simultâneo, realizaram a exploração orientada. Esta proposta de
exploração dos materiais teve como intenção o diálogo e a discussão entre as crianças
sobre as diferentes formas de exploração dos materiais naturais.
Na primeira semana, foram utilizados 14 tipos de folhas de plantas diferentes, com 8
folhas de cada tipo; na segunda semana foram utilizados 10 tipos de sementes, com 5
sementes por tipo, e nas últimas duas semanas foram utilizados 10 tipos de frutos e
legumes, com 2 frutos ou legumes por tipo, conforme Quadro 9.
Quadro 9 - Lista dos objetos por tipo de material utilizados em cada exploração
Tipo de material Descrição dos objetos Folhas de
plantas
8 folhas de figueira; 8 folhas de ameixieira; 8 folhas de amoreira; 8 folhas de magnólia, folha persistente; 8 folhas de magnólia, folha caduca; 8 folhas de azevinho; 8 folhas de laranjeira; 8 folhas de roseira; 8 folhas de crisântemo; 8 folhas de peónia; 8 folhas de coroa imperial; 8 folhas de verdura; 8 folhas de oliveira; 8 folhas de orquídea.
Sementes 5 sementes de feijão encarnado; 5 sementes de feijão de sopa; 5 sementes de feijão frade; 5 sementes de ervilha; 5 sementes de fava; 5 sementes de milho; 5 sementes de tremoço; 5 sementes de girassol; 5 sementes de abóbora; 5 sementes de grão.
Frutos 2 limões; 2 limas; 2 peras verdes; 2 peras amarelas; 2 laranjas; 2 kiwis; 2 maçãs vermelhas; 2 maçãs verde; 2 bananas verdes; 2 bananas amarelas.
Legumes 2 curgetes; 2 pepinos; 2 cebolas; 2 cenouras; 2 vagens de feijão verde; 2 vagens de fava; 2 batatas; 2 beterrabas; 2 nabos amarelos; 2 nabos.
Tudo planificado e definido, procedeu-se ao início do ensaio investigativo com a recolha
de dados através de registo audiovisual e da realização de entrevistas semiestruturadas
aos participantes em cada semana. Antes do seu início, houve uma pequena conversa com
cada um dos participantes de modo a convidá-los a participar no ensaio investigativo.
Com a sua anuência, deu-se início ao estudo, preparando-se o local (retiraram-se alguns
móveis do lugar), colocando-se a câmara fotográfica em sítio estratégico e a caixa com
os materiais no centro do local de exploração. Assim que cada participante chegava à sala,
havia um momento em que se apresentava o material e se dava indicações do que se podia
fazer com ele. Abrindo a caixa e despejando os objetos de forma aleatória no chão à frente
do participante, cada um explorou os materiais como quis. É de referir que na terceira e
quarta semanas, tendo em conta que os materiais eram frutos e legumes, foram colocados
cuidadosamente no chão, de forma aleatória.
Numa fase seguinte, passou-se à transcrição de todos os vídeos recolhidos. Em síntese,
foram concretizadas quatro explorações livres por cada participante (com exceção do
Marco, que faltou num dia); quatro explorações orientadas individuais por cada
participante (com exceção do Artur que não estava no JI no momento da exploração);
uma exploração orientada com dois dos participantes em simultâneo e uma exploração
orientada com os três participantes em simultâneo, perfazendo um total de 10
explorações, conforme Quadro 10. Não foi possível realizar duas das explorações
orientadas com os três participantes em simultâneo, devido a incompatibilidade com uma
atividade proposta pela instituição e devido a um problema com a máquina de filmar,
realizando-se a exploração orientada individual, na quarta-feira em vez de ser na terça-
feira.
Quadro 10 - Concretização das explorações por participante
Tipo de exploração Dia da semana Participantes Materiais
Exploração livre Segunda-feira Luana, Marco e Artur
Folhas de plantas Exploração orientada Terça-feira Luana e Marco
Exploração orientada Quarta-feira Luana e Marco
Exploração livre Segunda-feira Luana e Artur
Sementes Exploração orientada Terça-feira Luana, Marco e Artur
Exploração orientada Quarta-feira Luana, Marco e Artur Exploração livre Segunda-feira Luana e Artur
Frutos Exploração orientada Terça-feira Luana, Marco e Artur
Exploração livre Segunda-feira Luana, Marco e Artur
Legumes Exploração orientada Quarta-feira Luana, Marco e Artur