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presidente da

Capes:

“Vamos fazer

esse mestrado

juntos, e você

precisa nos

ajudar.” O

Abílio disse

que ajudava…

doenças tropicais, recursos pesqueiros; estamos urdindo oito ou nove mestrados, alguns já mais avançados, projetos já mais acabados. E agora estamos indo para a área de pesquisa, ou seja, como fazer gru- pos de pesquisa comuns.

Como isso funciona na prática?

Só na área de educação que é um pouco complicado, o resto é simples. Por exemplo, temos uma linha de educação ribeirinha, que é muito séria, porque junta arquitetura, sociologia, educação. E a Federal não compartilha muito dessa idéia de parceria na área da pedagogia. Mas vai dar para integrar, porque estamos começando a fazer seminá- rios com os pesquisadores para um conhecer o que o outro está fazen- do. Porque não conhecem. As cabeças estão unidas; os corpos se unirão.

E interessa à Universidade Federal do Pará esse tipo de parceria?

Acho que interessa, sim; interessa para a Amazônia. O gran- de gancho é que não temos que trabalhar para as instituições, mas para a comunidade! Este é o meu discurso, o discurso do Alex e dos demais também. E isto funciona.

Nos projetos institucionais da Unama chama a atenção o vasto emprego de duas expressões:

desenvolvimento da biodiversidade e novas tecnologias. O que está sendo feito de concreto nesse sentido?

A Unama participa da Universidade Virtual Brasileira. Jun- tamos dez instituições, entre universidades e centros universitários, e criamos em São Paulo a Rede Brasileira de Educação a Distância S/C Ltda. — tudo particular. Assumimos o compromisso de criar o Institu- to UVB, Instituto Universidade Virtual Brasileira. O MEC já participou, o ministro assistiu ao lançamento. A idéia central é utilizar a Inter- net; meus parceiros do Sul acreditam na Internet, mas no Pará exis- tem 23 municípios que não têm nem luz! Se eu quiser fazer alguma coisa, tem que ser à base do velho e tradicional correio. No Sul, eles têm dificuldade de entender isso.

Temos lançado mão de novas tecnologias também para con- tornar o problema da titulação docente. Fiz com a USP um sistema de vi- deoconferência,portanto absolutamente interativo,em que os doutores de contabilidade da USP dão aula para os meus professores aqui, num mestrado, sob o patrocínio do Conselho Federal de Contabilidade, que inclusive apóia financeiramente esta iniciativa. Ou seja, o mestrado não é da Unama, é da USP, mas basicamente por videoconferência. Quando vi que o sistema funcionava, decidi adotá-lo em Santarém e Macapá.

A Unama atua nessas localidades?

Não, lá funcionam as Faculdades Integradas do Tapajós e a Associação Amapaense de Ensino e Cultura, com o Ceap, em Macapá. Ambas são mantidas pelas mesmas mantenedoras da Unama, a Aspec e a Sociedade Civil Colégio Moderno, embora com outras denomina- ções e outros cadastros fazendários. Em Macapá, funcionam os cur- sos de administração, economia, contadoria e direito. Em Santarém, os cursos de administração, economia, direito, enfermagem, ciências contábeis e ciências biológicas. Ganhamos do Exército uma área de 77 hectares só para fazer pesquisa em ciências biológicas — na verda- de, pagamos um aluguel simbólico de 200 reais por mês, porque o Exército não pode doar a terra.

O curso de ciências biológicas de Santarém se dedica à questão da biodiversidade?

Estamos começando por ali. Queríamos ter feito alguma coi- sa em Belém, mas não deu certo porque, como temos a área de saú- de, as ciências biológicas se voltaram para a área de saúde; o grupo não se entendeu ainda neste campo, mas está avançando.

O sistema de videoconferência foi estendido a outras atividades acadêmicas?

Sim, não só para Santarém e Macapá, mas também para o

campus Senador Lemos, que temos aqui em Belém, e para o campus

Quintino, que é da Sociedade Civil Colégio Moderno. Inaugurei o sis- tema com uma conferência do Cláudio de Moura Castro, porque che-

guei à conclusão de que não adianta fazer aula inaugural de ano leti- vo para aluno; aluno não vem. Reuni os professores e, pelo sistema de videoconferência, o Cláudio de Moura Castro falou para todo mundo ao mesmo tempo e respondeu a perguntas dos professores nos diver- sos campi. É uma coisa muito bonita, porque a grande dificuldade de Santarém e Macapá, obviamente, é a qualificação do corpo docente. Aí meu professor vai para a sala de videoconferência e dá aula para Santarém. Ele aprende mais e os alunos, muito mais ainda.

Agora estamos fazendo seis cursos de graduação, com o Ins- tituto Universidade Virtual Brasileira, que está em processo de auto- rização no MEC. Estes cursos serão dados pela Internet. Criamos um núcleo de educação a distância, para aprender a trabalhar com webde- sign em pedagogia; há um pequeno grupo que está se esmerando, porque ninguém conhece direito essa área de web, ainda; é uma lin- guagem nova em que é preciso manter a afetividade, para que o alu- no não desista, porque quem aprende pela web é autodidata mesmo. O importante é que, para a Unama, ser membro do Instituto Universidade Virtual Brasileira é estar na linha de ponta da tecnolo- gia. Eu posso implantar um curso para qualquer município com al- guém que tenha um computador lá, coisa que não pode ser feita de outra forma, porque no local não há professor, não há livro, nada. Com esse sistema de ensino a distância, seja através de videoconferência ou da Internet, está garantido pelo menos um corpo de professores- instrutores de boa qualidade. A Unama se amazoniza bastante com isso. Essa metodologia é essencial para a realidade amazônica, e tam- bém para o interior do Brasil.

Como será operacionalizado esse sistema de ensino a distância?

Vou explicar. Digamos que dez camaradas queiram fazer o curso de administração do IUVB em determinado município do esta- do do Maranhão. Como eles se inscrevem? Como fazem o processo seletivo, já que é curso de graduação e tem que ter processo seletivo? Estou criando a figura do franchising: uma instituição na capital, por exemplo, pode ser conveniada com o Instituto. Eles vão a essa insti-

Com esse