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autores

CELSO, Affonso (Conde de Ouro Preto). Porque me ufano do meu paiz: right or wrong, my country. Rio de Janeiro: Laemmert & C. – Editores, 1901.

Vocabulário do estado de coisas que hoje conota-

mos por diversi- dade

Tema em que esse vocabulário aparece

associado Contexto de uso das fontes históricas

Cruzamento - Raça “É hoje verdade geralmente aceita que, para a formação do

povo brasileiro, concorreram três elementos: o selvagem americano, o negro africano e o português. Do cruzamento das três raças resultou o mestiço que constitui mais de metade da nossa população” (Celso, 1901: 77).

“[...] No Brasil, não há antagonismos entre as partes que o compõem. Cimenta-as, ao contrário, forte solidariedade. O Brasil é perfeitamente homogêneo, material e moralmente, pelo lado social e pelo lado étnico, pois nele se cruzam e se fundem todas as raças. Lucraremos, sem exceção, em permanecer um vasto conjunto intimamente ligado e compacto” (Celso, 1901: 250).

Diferente - Clima “Na primeira, cujas regiões mais quentes são Pará e

Amazonas, não reina o calor que se imagina, em razão de se acharem junto ao equador. Na mesma latitude encontram-se lugares de clima diferente. Pará e Amazonas excedem em tudo as outras regiões tropicais do mundo, quais a Índia, a Polinésia, parte da África” (Celso, 1901: 70).

Diversas - Natureza

- Manifestações do belo (natureza)

“Não é monótona a selva brasileira. Cada árvore exibe fisionomia própria, extrema-se das vizinhas: circunspetas ou graciosas, leves ou maciças, frágeis ou atléticas. Conforme reflexão de ilustre viajante, as matas brasileiras, únicas tão compactas que se lhes poderia caminhar por cima, representam a democracia livre das plantas, democracia cuja existência consiste na luta incessante pela liberdade, pelo ar, pela luz. Preside a essa democracia perfeita igualdade. Não há família que monopolize uma zona, com exclusão de outras famílias ou grupos. Espécies as mais diversas medram conjuntamente, fraternizam, enleiam-se. Daí a variedade na unidade, múltiplas e diversas manifestações do belo” (Celso, 1901: 40).

Diversidade - Frutas

- Panoramas (natureza) “Em 1624, relata Simão Estácio da Silveira que a excelência do Brasil consiste em muitas cousas notórias. A primeira no

ameníssimo céu e salubérrimo ar, de que goza, aonde sempre é verão e sempre está o campo e arvoredo verde, cargado de infinita diversidade de frutas, cujos nomes, sabores, feições, excedem a toda declaração humana” (Celso, 1901: 18).

“Nas matas virgens do Brasil – que ocupam espaço igual ao de vastos Estados –, reside um dos espetáculos mais augustos da criação. Sobrelevam o oceano em mistério, em diversidade de panoramas, em excesso de vida, em magnificência que, ao mesmo tempo, acabrunham a inteligência humana e a arrebatam, acentuando-lhe a idéia das forças superiores regedoras do planeta” (Celso, 1901: 35).

“A essa grande vantagem da baía fluminense, acrescem a sua vastidão, segurança, profundidade de ancoradouro, movimento de embarcações, inesgotável abundância de preciosas espécies de peixes, e, principalmente, a diversidade e formosura dos panoramas apresentados por suas ilhas, enseadas, promontórios, montanhas e várzeas marginais, vestidas de riquíssima vegetação” (Celso, 1901: 44).

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Diverso - Clima “Um país assim está em condições de se tornar o celeiro do

mundo. Há nele, em climas diversos, vastas pastagens, fartamente regadas, às quais se adaptam todas as raças de animais úteis. Já importante, a indústria pastoril destina-se a abastecer a Europa, pois é susceptível de desenvolvimento extraordinário” (Celso, 1901: 59-60).

Fusão - Raça “– Resulta a sua população da fusão de três dignas e

valorosas raças” (Celso, 1901: 244).

“[...] No Brasil, não há antagonismos entre as partes que o compõem. Cimenta-as, ao contrário, forte solidariedade. O Brasil é perfeitamente homogêneo, material e moralmente, pelo lado social e pelo lado étnico, pois nele se cruzam e se fundem todas as raças. Lucraremos, sem exceção, em permanecer um vasto conjunto intimamente ligado e compacto” (Celso, 1901: 250).

Variado - Natureza “Dentro do enorme perímetro brasileiro, encontra-se tudo o

que de pitoresco e grandioso oferece a terra. Ainda mais: encontra-se, em matéria de panorama, tudo o que ardente imaginação possa fantasiar. E os espetáculos são tão variados quanto magníficos” (Celso, 1901: 15).

Variedade - Impressões - Na unidade - De aspectos (natureza) - Animais - Natureza

“Alexandre de Humboldt coloca a majestade e a calma das nossas noites tropicais entre os maiores gozos proporcionados pelas cenas da natureza; exalta a indizível lindeza das nossas palmeiras, cujos penachos formam às vezes uma floresta sobre outra floresta; assegura que a zona vizinha ao equador é a parte da superfície do planeta, onde, em menor extensão, se despertam mais numerosas variedades de impressões, ostentando quer a terra quer o céu todos os seus multíplices esplendores” (Celso, 1901: 19).

“Não é monótona a selva brasileira. Cada árvore exibe fisionomia própria, extrema-se das vizinhas: circunspetas ou graciosas, leves ou maciças, frágeis ou atléticas. Conforme reflexão de ilustre viajante, as matas brasileiras, únicas tão compactas que se lhes poderia caminhar por cima, representam a democracia livre das plantas, democracia cuja existência consiste na luta incessante pela liberdade, pelo ar, pela luz. Preside a essa democracia perfeita igualdade. Não há família que monopolize uma zona, com exclusão de outras famílias ou grupos. Espécies as mais diversas medram conjuntamente, fraternizam, enleiam-se. Daí a variedade na unidade, múltiplas e diversas manifestações do belo” (Celso, 1901: 40).

“Fértil em incalculáveis riquezas, oferece o Amazonas indizível variedade de aspectos, revelando constantemente amplitude, força e majestade infinitas” (Celso, 1901: 25). “No seu percurso de milhares de quilômetros, nunca deixa o Amazonas de ser prodigiosamente opulento em peixes – duas vezes mais que o Mediterrâneo. Contam-se milhares de espécies peculiares a ele, muitas descobertas por Agassiz, as quais mudam de aspecto conforme as paragens. A par do peixe-boi e do peixe elétrico, miríades de camarões microscópicos, tão saborosos como os comuns. Pulula a vida ali. Habitam as florestas das ilhas e margens, florestas

formadas de preciosíssimas madeiras, populações

inumeráveis de insetos, répteis, mamíferos, maravilhosos pela variedade, originalidade e beleza das formas, brilho e cor. Centenas de famílias de pássaros alegram a solidão. Enumeram-se duas vezes mais classes de borboletas do que em toda a Europa” (Celso, 1901: 28).

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Variedade - Impressões

- Na unidade

- De aspectos (natureza) - Animais

- Natureza

“Porém Paulo Afonso oferece mais selvagem poesia e maior variedade de aspectos do que o Niagara” (Celso, 1901: 32). “A princípio, o olhar não distingue formas precisas na selva ingente, porém massas espessas, esboços de torres, muralhas, trincheiras, abóbadas, pirâmides, colunas de

verdura, formadas de árvores enormes, troncos

aglomerados, lianas entrelaçadas – plantas em baixo, em cima, dos lados, florestas sobre florestas, sucessão interminável de folhagens. Depois, pouco a pouco, de surpresa em surpresa, vislumbra a portentosa variedade de contornos, dimensões, cores –; configurações brutais ou

mimosas, fantásticas ou grotescas, risonhas ou

ameaçadoras” (Celso, 1901: 36).

Variegado - Matizes (cor das águas)

- Colorido (orquídeas) “Tortuosos estes; retilíneos aqueles; série de lagos, terceiros; correndo uns sem obstáculos; constituindo-se

outros de sucessivas escadas de cachoeiras; ora de marcha vertiginosa, ora lentos, ora de correnteza apenas perceptível; revelando-se aqui apáticos e indolentes; além, impetuosos e tumultuários; desenvolvendo-se de meandro em meandro; formando remoinhos espumejantes, remansos, torrentes; ostentando águas de variegados matizes: brancas, amareladas, cerúleas, negras, transparentes. A uns o Amazonas acolhe-os propício, absorvendo-os, misturando- se logo com eles” (Celso, 1901: 26-27).

“Reparai agora nas orquídeas, de brilhantes e variegados coloridos, com desenhos simétricos que parecem traçados por artista caprichoso em veludo, seda, metais foscos ou polidos” (Celso, 1901: 38).

MACEDO, Joaquim Manoel de. Lições de historia do Brasil: para uso nas escolas de instrucção primaria. Edição revista e actualizada por Olavo Bilac. Rio de Janeiro: Garnier, 1905. (Primeira edição de 1864).

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Variedade - Clima

- Produções “O reino mineral disputa em opulência com o vegetal e animal; a uberdade das terras não pode ser excedida pelas

mais fecundas de outras regiões, e a extensão do país oferece uma variedade de climas, a que corresponde uma infinita variedade de produções” (Macedo, 1905: 41).

MARTIUS, Carl Friedrich Phillip von. Como se deve escrever a história do Brasil. In: –– ––––. O estado do direito entre os autóctones do Brasil. Tradução de Alberto Löfgren. Revisão de A. C. Miranda Azevedo. Belo Horizonte: Itatiaia. São Paulo: Edusp, 1982. (Transcrito da Revista Trimestral de História e Geografia ou Jornal do Instituto

Histórico e Geográfico Brasileiro, n. 24, jan. 1845.)

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Fusão - Língua “Como documento mais geral e mais significativo deve ser

considerada a língua dos índios. Pesquisas nesta atualmente tão pouco cultivada esfera não podem jamais ser suficientemente recomendadas, e tanto mais que as línguas americanas não cessam de achar-se continuamente em uma certa fusão, de sorte que algumas delas em breve estarão inteiramente extintas. Muito há que dizer sobre este objeto: mas como devo supor que poucos historiógrafos brasileiros se ocuparão com estudos lingüísticos, deixo à parte este assunto; aproveito porém esta ocasião de exprimir o meu desejo que o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro designasse alguns lingüistas para a redação de dicionários e observações gramaticais sobre estas línguas, determinando que estes Srs. fossem ter com os mesmos índios. Neste respeito seria muito para desejar que se investigassem especialmente as radicais da língua tupi e dos seus dialéticos, desde o guarani, nas margens do rio da Prata, até o arino e guez sobre o Amazonas: que para tal dicionário brasileiro servisse de modelo o vocabulário que a Imperatriz Catarina mandou esboçar para as línguas asiáticas, e que afinal e principalmente se coligissem em primeiro lugar todos os vocábulos que referem a objetos naturais, determinações legais, (de direito) ou vestígios de relações sociais” (Martius, 1982: 92 – grifos do autor).

Cruzar - Raça “Tanto a história dos povos quanto a dos indivíduos nos

mostram que o gênio da História (do mundo), que conduz o gênero humano por caminhos, cuja sabedoria sempre devemos reconhecer, não poucas vezes lança mão de cruzar as raças para alcançar os mais sublimes fins na ordem do mundo. Quem poderá negar que a nação inglesa deve sua energia, sua firmeza e perseverança a essa mescla dos povos céltico, dinamarquês, romano, anglo- saxão e normando!” (Martius, 1982: 88).

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Diferente

Diferenças - Clima - Solo

- Produtos naturais - Agricultura - Indústria - Costumes - Usos e precisões - Partes do país - Raça

“Aqui se apresenta uma grande dificuldade em conseqüência da grande extensão do território brasileiro, da imensa variedade no que diz respeito à natureza que nos rodeia, aos costumes e usos e à composição da população de tão disparatados elementos. Assim como a província do Pará tem clima inteiramente diferente, outro solo, outros produtos naturais, outra agricultura, indústria, outros costumes, usos e precisões, do que a província do Rio Grande do Sul; assim acontece igualmente com as províncias da Bahia, Pernambuco e Minas. Em uma predomina quase exclusivamente a raça branca, descendente dos portugueses; na outra tem maior mistura com os índios; em uma terceira manifesta-se a importância da raça africana; em quanto influía de um modo especial sobre os costumes e o estado da civilização em geral. O autor, que dirigisse com preferência as suas vistas sobre uma destas circunstâncias, corria perigo de não escrever uma história do Brasil, mas sim uma série de histórias especiais de cada uma das províncias. Um outro porém, que não desse a necessária atenção a estas particularidades, corria o risco de não acertar com este tom local que é indispensável onde se trata de despertar no leitor um vivo interesse, e dar às suas descrições aquela energia plástica, imprimir-lhe aquele fogo, que tanto admiramos nos grandes historiadores” (Martius: 1982: 104-105).

“Para evitar este conflito, parece necessário que em primeiro lugar seja em épocas, judiciosamente determinadas, representando o estado do país em geral, conforme o que tenha de particular em suas relações com a mãe pátria e as mais partes do mundo; e que, passando logo para aquelas partes do país que essencialmente diferem, seja realçado em cada uma delas o que houver de verdadeiramente importante e significativo para a história. Procedendo assim, não se devia certamente principiar de novo em cada província; mas omitir, pelo contrário, tudo aquilo que em todas, mais ou menos, se repetiu. Portanto, deviam ser tratadas conjuntamente aquelas porções do país que, por analogia da sua natureza física, pertencem uma às outras. Assim, por exemplo, converge a história das províncias de S. Paulo, Minas, Goiás e Mato Grosso; a do Maranhão se liga à do Pará, e à roda dos acontecimentos de Pernambuco formam um grupo natural os do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. Enfim, a história de Sergipe, Alagoas e Porto Seguro, não será senão a da Bahia” (Martius, 1982: 105). “No que diz respeito aos leitores em geral, deverá lembrar- se em primeiro lugar que não excitará nenhum interesse vivo, nem lhes poderá desenvolver as relações mais íntimas do país, sem serem precedidos os fatos históricos por descrição das particularidades locais da natureza. Tratando o seu assunto, segundo este sistema, o que já admiramos no pai da história, Heródoto, encontrará muitas ocasiões para pinturas encantadoras da natureza. Elas imprimirão a sua obra um atrativo particular para os habitantes das diferentes partes do país, porque nestas diversas descrições locais reconhecerão a sua própria habitação, e se encontrarão, por assim dizer, a si mesmos. Desta sorte ganhará o livro em variedades e riqueza de fatos e muito especialmente em interesse para o leitor europeu” (Martius, 1982: 106).

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Diferente

Diferenças - Clima - Solo

- Produtos naturais - Agricultura - Indústria - Costumes - Usos e precisões - Partes do país - Raça

“[...] Quão diferente é o Pará de Minas! Uma outra natureza, outros homens, outras precisões e paixões, e por conseguinte outras conjecturas históricas” (Martius, 1982: 105).

“Pode-se dizer que cada uma das raças compete, segundo sua índole inata, segundo as circunstâncias debaixo das quais ela vive e se desenvolve, um movimento histórico característico e particular. Portanto, vendo nós um povo novo nascer e desenvolver-se da reunião e contato de tão diferentes raças humanas, podemos avançar que a sua história se deverá desenvolver segundo uma lei particular das forças diagonais” (Martius, 1982: 87).

Disparatados elementos

- Composição da população “Aqui se apresenta uma grande dificuldade em

conseqüência da grande extensão do território brasileiro, da imensa variedade no que diz respeito à natureza que nos rodeia, aos costumes e usos e à composição da população de tão disparatados elementos. Assim como a província do Pará tem clima inteiramente diferente, outro solo, outros produtos naturais, outra agricultura, indústria, outros costumes, usos e precisões, do que a província do Rio Grande do Sul; assim acontece igualmente com as províncias da Bahia, Pernambuco e Minas. Em uma predomina quase exclusivamente a raça branca, descendente dos portugueses; na outra tem maior mistura com os índios; em uma terceira manifesta-se a importância da raça africana; em quanto influía de um modo especial sobre os costumes e o estado da civilização em geral. O autor, que dirigisse com preferência as suas vistas sobre uma destas circunstâncias, corria perigo de não escrever uma história do Brasil, mas sim uma série de histórias especiais de cada uma das províncias. Um outro porém, que não desse a necessária atenção a estas particularidades, corria o risco de não acertar com este tom local que é indispensável onde se trata de despertar no leitor um vivo interesse, e dar às suas descrições aquela energia plástica, imprimir-lhe aquele fogo, que tanto admiramos nos grandes historiadores” (Martius: 1982: 104-105).

Diversidade - Fontes

- País “Esta diversidade não é suficientemente reconhecida no Brasil, porque há poucos brasileiros que tenham visitado

todo o país; por isso formam idéias muito errôneas sobre circunstâncias locais, fato este que sem dúvida alguma muito concorre para que as perturbações políticas em algumas províncias só se podiam apagar depois de longo tempo” (Martius, 1982: 105-106).

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Elementos de

natureza diversa - Partes do país - Descrições locais

- Raça

“[...] Enquanto não poucas vezes acontecerá que os estrangeiros tentem semear a cizânia entre os interesses das diversas partes do país, para assim, conforme ao divide et impera, obter maior influência nos negócios do estado; deve o historiador patriótico aproveitar toda e qualquer ocasião a fim de mostrar que todas as Províncias do Império por lei orgânica se pertencem mutuamente, que seu próprio adiantamento se pode ser mais garantido pela mais íntima união entre elas” (Martius, 1982: 106 – grifos do autor). “No que diz respeito aos leitores em geral, deverá lembrar- se em primeiro lugar que não excitará nenhum interesse vivo, nem lhes poderá desenvolver as relações mais íntimas do país, sem serem precedidos os fatos históricos por descrição das particularidades locais da natureza. Tratando o seu assunto, segundo este sistema, o que já admiramos no pai da história, Heródoto, encontrará muitas ocasiões para pinturas encantadoras da natureza. Elas imprimirão a sua obra um atrativo particular para os habitantes das diferentes partes do país, porque nestas diversas descrições locais reconhecerão a sua própria habitação, e se encontrarão, por assim dizer, a si mesmos. Desta sorte ganhará o livro em variedades e riqueza de fatos e muito especialmente em interesse para o leitor europeu” (Martius, 1982: 106).

“São porém estes elementos de natureza muito diversa, tendo para a formação do homem convergida de um modo particular três raças, a saber: a de cor de cobre, ou americana, a branca ou caucasiana, e, enfim, a preta ou etiópica” (Martius, 1982: 87).

Mescla - Raça

- Nação “[...] Do encontro, da mescla das relações mútuas e mudanças dessas três raças, formou-se a atual população,

cuja história, por isso mesmo, tem um cunho muito particular” (Martius, 1982: 87).

“Jamais nos será permitido duvidar que a vontade da providência predestinou ao Brasil esta mescla. O sangue português, em um poderoso rio, deverá absorver os pequenos confluentes das raças índia e etiópica. Na classe baixa tem lugar esta mescla, e como em todos os países se formam as classes superiores dos elementos das inferiores, e por meio delas se vivificam e fortalecem, assim se prepara atualmente na última classe da população brasileira essa mescla de raças, que daí a séculos influirá poderosamente sobre as classes elevadas, e lhes comunicará aquela atividade histórica para a qual o Império do Brasil é chamado” (Martius, 1982: 88).

“Nunca portanto o historiador da Terra de Santa Cruz há de perder de vista que sua tarefa abrange os mais grandiosos elementos; que não lhe compete tão somente descrever o desenvolvimento de um só povo, circunscrito em estreitos limites, mas sim de uma nação cuja crise e mescla atuais pertencem à história universal, que ainda se acha no meio do seu desenvolvimento superior. Possa ele não reconhecer em tão singular conjunção de diferentes elementos algum acontecimento desfavorável, mas sim a conjuntura mais feliz e mais importante no sentido da mais pura filantropia. Nos pontos principais a história do Brasil será sempre a história de um ramo de portugueses; mas se ela aspirar a ser

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