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Oppsummering og overordnede vurderinger

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47 ♀ 17 Rel. heterossexual casado Tem esposa e namorado Contador 2º grau técnico

REYNALDO 44 ♀ 11 Adoção, 3 anos Sim, há 5 a,

não co-habita

Gerente RH Superior

Procedimento

Utilizamos três estratégias metodológicas para a obtenção dos resultados desta pesquisa: a entrevista individual, a entrevista em grupo e os depoimentos espontâneos trocados pelo e-group (entre outubro e dezembro de 2007). Não houve nenhuma distinção para empreender nossa análise, todos os participantes constam indistintamente do Quadro 1 acima.

O recrutamento, tanto para as entrevistas individuais como para as de grupo, foi por indicação – bola de neve – de pessoas conhecidas. Os homens pais, após indicados, foram contatados por telefone e se dispuseram para ao menos dois encontros, sendo estes marcados no local de sua maior conveniência e comodidade, visando a resguardar a privacidade das informações. Não houve nenhuma dificuldade para encontrarmos os participantes e para que estes aderissem aceitando nosso convite, tanto para a entrevista individual quanto para o grupo; ao contrário, ficaram interessados no estudo, sendo que os primeiros a serem entrevistados foram indicando os demais para que formássemos o grupo. O período de realização das entrevistas individuais e de grupo durou quatro meses.

O e-group não teve necessariamente um recrutamento, foi formado a partir de nossa intervenção como pesquisadora, e por iniciativa de alguns dos participantes das entrevistas individuais e de grupo. Além dos onze homens entrevistados, outros seis aderiram a esse e-

group e passaram a trocar experiências, questionamentos, fazendo considerações

espontâneas acerca do nosso problema de investigação. Decidimos, então, considerar seus relatos à medida que enriqueciam nossa discussão, apesar de não ter sido nossa intenção inicial.

O objetivo da investigação foi explicado já pelo telefone e foi agendado o encontro para a entrevista individual ou de grupo. Todos manifestaram muito interesse em participar e colaborar, dizendo que isso os ajudaria também a refletir sobre sua vivência. Todos também concordaram com a gravação em fita cassete, apesar de no início terem se sentido

inibidos com isso. Posteriormente, no decorrer da entrevista, relaxaram e se envolveram intensamente com os debates que travaram em torno de nossa proposta.

Todos os dezessete participantes deste estudo foram assegurados de nosso compromisso como pesquisadores e estão sendo por nós acompanhados até hoje (novembro de 2008) nas questões que se referem ao foco deste estudo, isto é, a revelação para os filhos, seja no grupo presencial de pais que vêm se encontrando mensalmente em nosso consultório, desde seu início, há mais de um ano (agosto de 2007), ou pelo e-group.

Dois dos participantes do e-group não realizaram nenhum encontro presencial porque moram em outros estados, mas forneceram seus relatos espontâneos e informações solicitadas por intermédio de e-mail e carta (enviando o termo de compromisso e consentimento assinado). Como os relatos foram espontâneos, fizemos apenas alguma pergunta complementar direta esclarecedora sobre sua história de vida, seguindo aquele mesmo roteiro dos demais participantes das entrevistas que são descritas a seguir.

As entrevistas individuais de profundidade duraram, em média, de uma hora e meia a três horas; foram realizadas em nosso consultório ou na residência dos participantes, conforme a preferência destes. No momento do encontro objetivamos a princípio um clima agradável que visava a descontrair e a preparar o ambiente de nossa conversa, retomando os objetivos da pesquisa; finalizamos a entrevista quando observamos que o conteúdo estava se repetindo, ou que, de alguma forma, não seria necessário aprofundar mais outras informações.

Após o encerramento da entrevista, demos continência ao participante, cuidando para que ele não ficasse emocionalmente exposto ou fragilizado, já que estamos cientes de que o teor de nosso encontro promove a mobilização de sentimentos, pensamentos e idéias que podem tanto ter uma conotação dolorosa, pela tomada de consciência, como podem ser uma oportunidade de ampliação da vivência deles.

Tanto as entrevistas individuais como as de grupo tiveram como foco os mesmos temas centrais:

1. dados de identificação: a) do homem (idade do pai, nome, profissão); b). idade dos(as) filhos(as); c). origem da paternidade (adoção, relação heterossexual e mãe da criança); d).presença/ausência de companheiro. 2. relacionamentos;

3. desenvolvimento da parentalidade;

Quadro 2 – Temas

Relacionamentos Desenvolvimento da

parentalidade

Revelação e dinâmica de segredos

Namoros, amigos, família de origem e constituída.

Desafios ao longo do

tempo, desde criança até hoje.

Soluções

Origem

Semelhanças e diferenças do

cuidado recebido X cuidado dado.

O desafio de seus pais e o seu próprio

Como pensa (e se pensa) quando conversar com filhos sobre sua

homoafetividade. Com quem pensa que deve falar.

Não falar, porquê. Dificuldades, principais desafios, soluções

encontradas .

Durante as entrevistas individuais solicitamos a cada participante que primeiro nos contasse de forma mais livre o que considerava importante em sua vida como pai que mantém um relacionamento homoafetivo. Partimos da experiência deles como filhos até a construção da vivência como homens e pais (os estressores e os facilitadores) e, nesse construir, como foi se configurando sua orientação homoafetiva e sobre a decisão ou não da revelação, para que/quem, porque/quando e como (Quadro 2, acima).

A entrevista em grupo durou cerca de duas horas. O agendamento foi relativamente fácil, e contamos com a ajuda de dois dos participantes da entrevista individual que estavam interessados em novo encontro e em estar com outros homens também pais com vivência homoafetiva, com quem pudessem conversar. Tivemos ainda como facilitador as indicações de amigos. Assim como a entrevista individual, a entrevista em grupo aconteceu em nosso consultório e possibilitou a gravação do encontro, já que é local neutro e privativo.

Foi oferecido desde o início um lanche em uma mesa à parte, do qual todos puderam se servir à vontade, o que auxiliou para o alívio da tensão inicial que geralmente surge nos encontros dessa natureza, com pessoas que não se conhecem, que são solicitadas a expor seus sentimentos e intimidade, e cujos relatos no grupo estão sendo gravados. No início deixamos nosso objetivo claro, ou seja, conversar sobre o que significa “ser homossexual e ser pai”, como lidam com o segredo sobre isso e a revelação aos filhos.

Para facilitar o desenrolar da entrevista com o grupo utilizamos uma dinâmica24 que serviu de disparador temático. Propusemos como tarefa a elaboração conjunta de um livro sobre esse tema – a revelação para os filhos – e cada um dos integrantes, incluindo os dois moderadores, foi responsável por escrever um capítulo, a conclusão e a epígrafe de cada parte desse livro.

Foram distribuídos canetas e papel colorido para a execução dessa tarefa. A folha (cada uma de uma cor) foi passada para o vizinho da esquerda que escreveu um título de um capítulo que supostamente desejaria ser o autor; após escrever o título, devolveu a folha para seu dono, à sua direita, que, por sua vez, a passa para seu vizinho da direita e escreve o conteúdo, em apenas um parágrafo, daquele capítulo; novamente a folha é passada para o próximo integrante à direita deste último que finaliza escrevendo o epílogo. A folha retorna para o primeiro integrante que a passou.

Os integrantes discutiram e justificaram suas escolhas a cada momento que escreviam algo na folha. Depois de cada um ler para os demais o conteúdo das folhas, com o título do capítulo, conteúdo e epílogo, escolheram qual a seqüência dos capítulos para finalmente dar o título do livro. O grupo foi encerrado depois de cerca de duas horas de gravação. Como produto final da discussão, ficamos com as falas gravadas, além das folhas manuscritas utilizadas na dinâmica. Não tivemos nenhuma pergunta direta, pois a dinâmica permitiu que o produto final fosse sendo uma obra em conjunto do próprio grupo; todas as dúvidas acerca do tema eram dirimidas no momento em que iam surgindo, no decorrer da dinâmica.

Essa dinâmica foi bastante pertinente e facilitadora da comunicação dos integrantes. Enriqueceu a entrevista em grupo e atingiu seu propósito; eles puderam conversar sobre um tema comum, todos puderam emitir sua opinião, dar sua sugestão e colocar sua posição quando esta divergia das demais. Foi um encontro muito rico que marcou a relação de seus participantes.

24

A elaboração da dinâmica foi sugestão de nossa orientadora, Rosane Mantilla de Souza, que por sua vez a credita a Rodolfo Bohoslavsky, seu professor de Metodologia Clínica no mestrado em Psicologia Clínica da PUC-SP no ano de 1976.

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