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A questão de projetos não nasce, pelo menos aqui (na PUC-SP), em relação à Faculdade de Educação, com o PEC-FU no ano de 2000. Ela começa a existir em 1997, na Vice-Reitoria Acadêmica, quando teve um projeto de capacitação de professores e de supervisores da educação no âmbito do município, e de outro projeto de capacitação em informática aplicada à educação, os quais diretamente relacionados à Faculdade de Educação.

A captação de tais projetos nasce no sentido de políticas públicas e do uso de novas tecnologias para o aperfeiçoamento da escola pública, ora do âmbito municipal ora do âmbito estadual. Ao se trazerem esses projetos, que envolviam – Português, Matemática, História e Geografia, também são agregadas ao Programa de Educação: Currículo uma professora com competências na área de informática e novas tecnologias. Para o desenvolvimento inicial, ganhou-se um laboratório de aproximadamente 21 computadores que foram os embriões aqui na Faculdade de Educação para tais políticas em 1997. Isso fez com que se trouxessem recursos para a Universidade e ficou evidenciado que isso também deu visibilidade e começou a consolidar a Faculdade de Educação também como coordenadora de projetos. Foi tranqüilo, não! Foi um período de muitas exigências, apesar do óbvio, se fosse ao nível da educação, teria que estar sob a coordenação da Faculdade de Educação apesar de todo mundo achar que sabe sobre educação, e que podem gestar projetos de educação.

Apesar de conhecimentos específicos para a gestão de projetos, a Universidade necessita proporcionar o suporte administrativo adequado para o desenvolvimento dos mesmos, com melhor infra-estrutura de pessoas, de recursos humanos e também de espaço físico, onde o empenho do gestor é grande para solucionar as diversas variáveis. Não é fácil.

À época do PEC-FU (ano 2.000), já como Diretora da Faculdade de Educação, para os Projetos do PEC, as Coordenações não foram exclusivamente por indicação, e sim, por editais, que não deixa de ser uma precaução e transparência de tal processo. O PEC-FU foi bom para a Universidade, para a rede, para as pessoas que trabalharam num projeto inovador, que trouxe recursos e deu uma sacudida nos professores daqui da faculdade no sentido de rever seus conteúdos e suas metodologias, onde muitos não sabiam mexer com as novas tecnologias e começaram a fazer cursos. Dos dois lados houve ganhos: tanto a Universidade ganhou muito com essa convivência com os professores da rede, como também ganhou a rede, e aprendemos (aqui na Faculdade de Educação) a trabalhar com projetos interinstitucionais.

Não é fácil ser Coordenador de um Projeto como o PEC em função da necessidade de articulação, e que muitos requisitos são necessários, além do domínio da pedagogia, e que a visão administrativa é importante, pois é relevante tal gestor ter essa mescla do pedagógico, do administrativo e forçosamente do financeiro, ainda mais em ocorrências situacionais, como ocorreu na PUC-SP em virtude da crise financeira que passou a Instituição, sendo a parte financeira predominante. Essa administração não é fácil, pois além de gerenciar todas as questões pontuais, não podia deixar de se garantir o overhead financeiro para a Instituição, mesmo que a comunidade estivesse ciente para os ganhos qualitativos de produção acadêmica, projeção da Instituição e capacitação em serviço.

Não dá para só pensar na qualidade, ter o olhar focado, se não tem condição financeira. Esse fator foi refletido na versão da semana presencial, que não teve o glamour da primeira versão em virtude da falta de dinheiro. A Universidade talvez pudesse se relacionar diretamente com o MEC e a FDE, uma vez que não se podem avaliar ganhos com a intermediação de terceiros nesse processo.

A Universidade ainda não vai atrás dos Projetos Especiais, não tendo especificamente um setor ou uma fundação de apoio que analisasse o mercado educacional e enxergasse esses desafios e oportunidades, sendo que aqui na PUC-SP, tal trabalho em boa parte é desenvolvido pela ARII por enquanto, sendo que a quase totalidade dos Projetos Especiais acabam se apresentando à Universidade.

Com relação ao PEC, acredita que se deveu à Educação da PUC-SP ser referência, das quais também fizeram parte desse contexto a USP, a UNESP e a UNICAMP, sendo que a Unicamp saiu já no primeiro projeto e a UNESP saiu na questão do PEC - Municípios, ficando somente a PUC-SP e a USP. Na PUC-SP, o Curso de Pedagogia é um dos mais antigos, desde 1940, atualmente com 68 anos, onde várias pessoas que por aqui passaram contribuíram com políticas públicas e na construção dessa projeção.

Não se tem clareza de como será o desenvolvimento do projeto. Ele é construído no processo, no qual a PUC-SP tem essa característica e qualidade, de saber lidar com a pluralidade, heterogeneidade e com a diversidade. Uma das características é que o gestor tem que ser ousado e não ter medo de correr riscos, que saiba trabalhar sem garantia de condições para o seu desenvolvimento, além de ter compromisso, saber fazer coisas diferentes, com uma avaliação contínua, em que as pessoas na coordenação, apesar de suas características individuais e das divergências existentes, se completem.

Ao escolher alguém para a coordenação de tais projetos, o critério foi que essa pessoa tivesse conhecimento da área, professora qualificada, que tivesse compromisso com o trabalho, pessoa honesta, com esse histórico. Poderia até ter limitação em aspectos tecnológicos, porém, é importante ter alguém neste perfil colaborando na coordenação e com suporte em áreas em que não domina.

Ao assumirem projetos, os envolvidos se modificam, buscam competências, estudam, partem para a formação contínua.

Em suma, a princípio, nem as Universidades estão muito preparadas para essa questão de Projetos Especiais, mas se empenham em tal desenvolvimento, apesar de que, em muitos casos, mesmo as políticas públicas não trazem explicitamente os objetivos e todas as variáveis pertinentes quando apresentam a solicitação de tais Projetos Especiais.

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