5 Partnerskap, distrikt og rollen som utviklingsaktør
6.5 Oppsummering og forbedringsforslag
Nesse sentido, antes de passarmos à caracterização do sector do mobiliário e para melhor o entendermos, é necessário analisar a fileira dos produtos florestais. Esta fileira distribui-se em três grandes pólos: o da madeira, o da cortiça e o da pasta de papel. No âmbito desta tese apenas iremos abordar o primeiro.
“É inquestionável a importância das indústrias da Fileira de Madeira no contexto da economia nacional, na criação de emprego e na fixação das pessoas nas regiões mais desfavorecidas” (AIMMP,
2009, pg. 2). Esta fileira representa 5% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) total da economia Portuguesa, 4% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e 14% do PIB Industrial. Ainda segundo a AIMMP (2009), a floresta é um dos maiores empregadores existindo cerca de 260 000 postos de trabalho, directos e indirectos, o que significa 5% do emprego industrial, um número que, no entanto, tem vindo a decrescer nos últimos anos. Esta fileira representa 11% do total das
Contributos para uma Metodologia de Design Sustentável Aplicada à Indústria do Mobiliário: O Caso Português 72
exportações nacionais e, no somatório dos seus sectores, apresenta um saldo positivo na balança comercial de 250 milhões de Euros.
Devido à sua proximidade com a terra é uma fileira que tem a sua implantação distribuída por todo o país e com grande ênfase nas zonas rurais, onde o seu contributo ao desenvolvimento é fundamental. A área florestal tem vindo a crescer. Segundo o último Inventário Florestal Nacional (IFN5) (AFN, 2010), a área florestal cresceu 3% e representa cerca de um terço da área país, ou seja, um pouco mais que 3 milhões de hectares, tal como expresso na tabela 4. Desta área, mais de metade está disponível para o fornecimento de madeira, 3/4 são classificados como semi-naturais e 1/4 como plantações (CSIL, 2007). Segundo este estudo, a floresta portuguesa apresenta a maior taxa de propriedade privada da Europa (90%).
A silvicultura destinada à indústria da madeira é maioritariamente composta por resinosas, enquanto que o fornecimento de madeira proveniente de folhosas recorre mais às importações, nomeadamente de madeira tropical.
USO DO SOLO ÁREA (ha)
Floresta 3.458.557
Matos 1.926.630
Águas interiores 161.653
Agricultura 2.929.544
Outros usos 432.050
ESPÉCIE DOMINANTE ÁREA (ha)
pinheiro-bravo 885.019 eucaliptos 739.515 sobreiro 715.922 azinheira 412.878 carvalhos 150.020 pinheiro-manso 130.386 castanheiro 30.029 acácias 4.098 outras folhosas 82.383 outras resinosas 25.099
Não é só em termos económicos e sociais que esta fileira é importante, também relativamente aos seus atributos ambientais apresenta-se da maior relevância.
“Do ponto de vista ambiental, é decisiva a contribuição do sector florestal para a conservação da natureza e para o equilíbrio do ambiente, designadamente em matéria de promoção da biodiversidade,
Tabela 4 – Área de uso dos solos em Portugal Continental (adaptado da Tabela 101 do IFN5)
Tabela 5 – Áreas dos povoamentos florestais por espécie de árvore dominante em Portugal Continental (adaptado da Tabela 106 do IFN5)
de defesa contra a erosão, de correcção dos regimes hídricos e da qualidade do ar e da água (AEP, 2008,pg.3).
A floresta e a sua fileira apresentam-se como um dos principais mecanismos de combate às alterações climáticas através do armazenamento de carbono. Por cada m3 de madeira que cresce nas florestas, através do efeito da fotossíntese, as florestas absorvem 1 tonelada de CO2 e libertam 0,7 toneladas de O2 (CEIBOIS, 2007b). Outro aspecto importante é que as florestas geridas são mais eficientes do que as florestas que são deixadas no estado natural, pois as árvores mais jovens, de crescimento vigoroso, absorvem mais CO2 do que as árvores maduras que acabarão por morrer e apodrecer, retornando o seu conteúdo de CO2 para a atmosfera. Segundo o IFN5 o valor de carbono equivalente armazenado na nossa floresta será próximo dos 280 000 k ton, conforme tabela 6. O CO2 armazenado num metro cúbico de madeira continua a ser mantido fora da atmosfera ao longo da vida de um produto de madeira e, posteriormente, através da reutilização e reciclagem (por exemplo, como painéis de madeira reconstituída), sendo finalmente devolvida à atmosfera através da incineração ou de decomposição (CEIBOIS, 2007b).
Se considerarmos que a vida média dos produtos à base de madeira pode ir até aos 75 anos é fácil verificar que esta longa durabilidade é um factor importante para se conseguir aumentar a eficiência energética (através da redução da taxa de renovação do material) e combater o aquecimento global (funcionando como reservatórios de carbono).
ESPÉCIE CO2 EQUIVALENTE TOTAL k ton pinheiro-bravo 91.098 eucaliptos 66.462 sobreiro 64.029 azinheira 19.564 carvalhos 11.966 pinheiro-manso 9.763 castanheiro 4.413 acácias 1.313 outras folhosas 9.147 outras resinosas 1.766 TOTAL 279.519 Contexto Internacional
Deve-se, no entanto, fazer a distinção entre florestas tropicais e temperadas. As primeiras têm visto a sua área reduzida ao longo das últimas décadas por razões ligadas ao crescimento populacional e às pressões que tal fenómeno causa, como criação de gado, agricultura e, em alguns locais, até a própria indústria madeireira (Magin, 2002). Mas tal como se tem visto nas florestas temperadas,
Contributos para uma Metodologia de Design Sustentável Aplicada à Indústria do Mobiliário: O Caso Português 74
nomeadamente nas europeias, a criação de valor para as florestas pelo uso da sua madeira é um factor muito importante para a sua preservação e até um factor de desenvolvimento humano desde que a isso seja associada uma gestão sustentável, algo que ainda não é frequente nos países em desenvolvimento.
No contexto europeu a situação é, portanto, completamente diferente. A cobertura florestal, apesar de ter neste momento cerca de 40% da área original (Magin, 2002, pg. 7), tem, nos últimos anos, aumentado regularmente e “apenas 64% do crescimento anual é colhido” (CEIBOIS, 2007b, pg. 17), o que significa que a quantidade de madeira disponível na Europa está a crescer de forma contínua e que é necessário importar apenas menos de 10% da madeira utilizada (Reid et al., 2004), valor esse que, tal como em Portugal, está associado a espécies tropicais. Significa também que se pode aumentar o consumo de madeira europeia para que as florestas não fiquem fragilizadas devido a pestes, fogos e degradação (CEIBOIS, 2007b).
“A indústria da madeira é um grande empregador na União Europeia, mais de 2,7 milhões de empregos” (CEIBOIS, 2007b, pg. 70). Tal como em Portugal é uma indústria que contribui muito para o desenvolvimento rural, estando muitas vezes localizada em regiões remotas onde se torna no principal foco de emprego e desenvolvimento. É uma fileira bastante diversificada que abrange um vasto leque de actividades, desde a serração, painéis derivados de madeira, paletes e embalagens, carpintaria até ao mobiliário e que é composta principalmente por pequenas e médias empresas (PME), excepção feita para o sector dos painéis onde existe uma maior concentração. “O número total de empresas da indústria madeira da UE 25 é estimado em 131 000” (CEIBOIS, 2007b, pg. 70). Caracterização sumária
A fileira da madeira em Portugal pode ser dividida em 4 sectores: serração, painéis, carpintaria e mobiliário.
O sector das serrações, segundo dados da AIMMP (2009) emprega cerca de 4.000 trabalhadores distribuídos por 540 PME. As serrações espalham-se pelo território nacional, mas são mais numerosas nos distritos com maior concentração florestal.
“A fileira de madeira de serração tem vindo a assistir a um fenómeno de concentração, com o desaparecimento de pequenas serrações. As estatísticas apontam para que entre 1998 e 2005 o número de serrações tenha diminuído, mantendo-se, no entanto, o volume de vendas (...)” (AEP, 2008, pg.4). SECTOR Nº EMPRESAS Nº TRABALHADORES VOL. VENDAS (MILHÕES €) IMPORTAÇÕES (MILHÕES €) EXPORTAÇÕES (MILHÕES €) Serração 540 4000 358 156 169 Painéis 40 1650 393 140 152 Carpintaria 1900 10000 342 79 105 Mobiliário 2600 30000 887 487 713 TOTAL ~ 5050 ~ 50000 1980 862 1139
O sector dos painéis é, ao invés dos restantes, bastante concentrado existindo principalmente empresas de média e grande dimensão, com projecção internacional. Tal como é possível verificar na tabela 7, este sector consegue alcançar uma maior produtividade e adição de valor, tendo um volume de vendas superior ao sector da serração com menor recursos humanos.
O sector da carpintaria é o mais heterogéneo, contendo empresas familiares e empresas de maior incorporação tecnológica. Apresenta um elevado número de trabalhadores e empresas, normalmente de pequena e média dimensão, que se situam nos distritos de litoral centro e norte. Uma característica comum a estes sub-sectores da madeira e do mobiliário são os processos de fabrico que compreendem várias operações que podem ser, genericamente, agrupadas em cinco tipos: (1) preparação da matéria prima (preparo); (2) tratamento (ou impregnação); (3) maquinagem; (4) montagem; (5) acabamento (Figueiredo et al., 2000).