• No results found

Oppsummering og drøfting

muligheter trusler

5.0 Oppsummering og drøfting

causa do frio, já faz parte da cultura. Lá deu certo o ensino a distância. No Brasil, o aluno que mora em frente à praia vai fazer esse curso?

Temos também o problema do acesso à Internet. Recente- mente, uma pessoa veio nos propor que vendêssemos o curso, o com- putador, o acesso ao provedor, tudo junto. Vai ser um desafio. Agora, segundo as estatísticas, as pessoas têm necessidade de se preparar de forma mais aprofundada para a nova realidade do mercado de trabalho, onde se exige uma formação mais forte. Então, acredito que teremos alunos.

Na sua opinião, qual é a função da universidade hoje em dia, independentemente de ser pública ou particular? Bom, na década de 1970, quando comecei, as universidades

Universidade

Anhembi Morumbi Gabriel Mário Rodrigues

No Canadá,

por exemplo,

as pessoas

ficam em casa

durante seis

meses por ano,

por causa do

frio, já faz

parte da

cultura. Lá deu

certo o ensino

a distância. No

Brasil, o aluno

que mora em

frente à praia

vai fazer esse

curso?

Havia o problema dos excedentes, que gerou o surgimento da escola particular de ensino superior. Os governos militares perceberam o problema e deram oportunidade a que as faculdades particulares se desenvolvessem.10E mais: a mulher voltou a estudar. E voltou com tal força que hoje domina o sistema universitário — há mais mulheres do que homens na universidade.

Atualmente, são pessoas de classe E que estão entrando nas universidades. As escolas públicas estão formando um contingente bem expressivo, de modo que a universidade não é mais de elite, e sim uma universidade mais democrática. Essa é uma diferença mui- to grande, a democratização do acesso à universidade.

Mas esse aluno da classe E, ou quase, pode pagar a universidade particular?

Não pode. É um desafio que, tanto o governo quanto as uni- versidades, vão ter que enfrentar. O empresário educacional nunca se preocupou com o Financiamento Estudantil, o Crédito Educativo, por- que ele tinha os alunos pagando. Agora, há muita inadimplência. Tanto que o Semesp está criando uma fundação para financiar estu- dantes. Vamos dar 10% das vagas para o sistema e vamos receber da- qui a cinco anos. Se a economia for bem, e acredita-se que vá, tudo dará certo. Sabemos que há uma experiência no Rio Grande do Sul, que não é um sistema de financiamento, mas um sistema de cobrança feito pela própria universidade; o índice de inadimplência ficou em 8%.

Nesse caso, seria uma iniciativa das mantenedoras, ou seja, o ensino privado financiando o ensino privado? Isso mesmo. Se nós, com o tempo, soubermos escolher as pes- soas, por meio da análise de histórico pessoal e familiar, poderemos compatibilizar a necessidade de estudo com um perfil de bom pagador.

10 Até a Reforma Universi- tária (Lei n. 5.540, de 1968), o ingresso nas universidades era feito através de concurso vestibular com caráter eliminatório. Na década de 1960, com o aumento substancial da demanda por ensino superior, o número de candidatos aprovados freqüente- mente ultrapassava a disponibilidade de va- gas, gerando enormes contingentes de candi- datos que, mesmo aprovados no concurso, não podiam matricular- se: eram os “excedentes”. A questão dos exceden- tes logo transformou-se em uma das principais bandeiras do movimen- to estudantil em sua luta por reformulações no ensino superior e foi largamente explorada pela imprensa. Diante deste quadro, a gestão de Jarbas Passarinho à frente do Ministério da Educação (1971-1974), autorizou a abertura de inúmeras instituições particulares de ensino superior que pudessem suprir a demanda cada vez maior de concluintes do curso secundário. Ver DHBB e Carlos Benedito Martins. Ensino superior brasileiro: transforma- ções e perspectivas. São Paulo, Brasiliense, 1988.

Na sua Universidade, o senhor é presidente da

mantenedora e reitor da mantida. Como é esta relação? O ideal seria existir mais autonomia. Na Anhembi Morumbi existe uma relativa autonomia acadêmica, mas a parte de desenvol- vimento, de fazer a universidade crescer, desejando ou não, sempre coube a mim. Agora, há uma coisa muito importante, sobre a qual precisamos falar. Como já conversamos, o ensino superior particular começou a crescer na década de 1970, com pessoas que tinham, em média, de 30 a 40 anos. Basta fazer as contas para concluir que os pioneiros, os grandes criadores das instituições, inclusive eu, já estão com 70 anos. Então, têm que entrar na fase da sucessão. Qual é a solução? A profissionalização, porque nem sempre os sucessores têm experiência. Quando vier a profissionalização, a própria universidade vai precisar criar forças para se desenvolver; assim, a autonomia aca- dêmica vai aparecer com mais ênfase. Teremos à frente anos de grande turbulência para quem não estiver preparado. E vejo muita gente nessa situação.

Na sua opinião, as universidades públicas são menos vulneráveis à má gestão do que as particulares, que têm as famílias interferindo em sua administração?

É uma boa pergunta. Realmente, as universidades públicas têm uma permanência maior, e o governo está atento para que as coisas dêem certo. Além disso, a universidade pública conta com um corpo permanente, que zela por sua sobrevivência e qualidade. O rei- tor, por sua vez, é sempre fiscalizado pela comunidade acadêmica. Nada disso acontece nas particulares.

Tudo vai depender de a família ou o grupo gestor perceber essas coisas. Agora, se não der certo, o que vai acontecer? A família vai vender, vai passar a universidade para outro. Há grupos de outros países interessados nesse mercado.

Num dos últimos números da revista Exame, saiu na capa o Walfrido Mares Guia, do Grupo Pitágoras, de Belo Horizonte. O título da reportagem é “O meganegócio da educação”, e o texto afirma que

Universidade

Anhembi Morumbi Gabriel Mário Rodrigues

O ideal seria