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5 Strafferettslig håndtering

5.3 Oppsummering og diskusjon

Fonte: Acervo pessoal

Fotografia: Sandra Nívia Soares de Oliveira

Outros elementos são apresentados por Martinho Gomes de Souza, autual mestre da marujada.

Eu mesmo, eu puxo a música, o piloto acerta a fila, eu chamo o ração lá (aponta) de lá ele tá no fundo, eu chamo ele vem, eu chamo o ração, ai ele reponde, senhor patrão, ai eu falo pra ele parece que já tão pronto, ai ele diga pronto estamos nessa luta pronto pra tudo, ai ele fala pra mim, ai eu torno retornar pra ele, assim como nos estamos proto nessa última etapa pra tudo, ai eu posso bancar estremece o chão e o próprio terreno, ai eu digo vamos forte, ai todo mundo bate o pé no chão, ai eu pergunto que tal piloto? Foi boa, se não prestou ele diga, chama de novo ai, se não saiu bom tem que repetir até sair o barulho do pé, é uma batida única, e o careta ele sai investigando, ninguém pode encostar na fila, criança, adulto. Desde da coroa182, ele não pode deixar ninguém , ele veste de couro, igual aquela careta nós faz de

182 É uma formação de areia que fica no Rio São Francisco, localizada acima da comunidade do Mangal de onde as embarcações partem trazendo os marujos.

papelão e tal, ai ele não deixa ninguém encostar, quando nos tiver ali, o período que nos tiver na marujada, é uma proteção, não deixa ninguém encostar, quem for lá ele mete o relho, e o direito que nós damos é esse quem achar ruim, quem quiser ir trocar ideia com ele bater nele, ai todo mundo é a favor dele, ai nós tira aquela pessoa, ó você não presta, não é da comunidade, se você for da comunidade nascido e criado aqui, então você não tá aceitando os direitos que a gente tem, então a marujada é isso.183

A marujada é considerada o ponto alto de qualquer festejo religioso. Sua realização implica como dissemos na mobilização de recursos para alimentar e dar de beber aos marujos como também um tempo razoável de ensaios com despesas de cachaça, chamada “a boa” que deve correr solta ou pelo menos com bastante generosidade.

A marujada só sai na alvorada do dia da festa. O circuito é iniciado com uma volta no porto próximo a Mangal, situado nos limites da fazenda Barro Vermelho, deste porto os marujos saem de canoa, são amarradas duas canoas uma ao lado da outra, podendo haver vários desses conjuntos a depender do número de marujos. Os marujos seguem de pé, uns com as mãos sobre os ombros dos outros, formando uma corrente de braços que deve dar equilíbrio às canoas, os tocadores que não podem se apoiar, são seguros pelos outros, os moradores acompanham a procissão fluvial e soltam fogos saudando os marujos. Desembarcados no porto os marujos seguem em direção a igreja para saudar a imagem de Nossa Senhora do Rosário, e os outros santos, a única que tem canto em sua homenagem é a padroeira, eis um trecho dos versos a ela dedicado.

Oh minha Virgem do Rosário que aqui hoje é Vosso dia. Aqui está “quem lhe festeja com amor e alegria.

Outros versos da marujada parecem se referir ao tempo do cativeiro, como este que segue:

Vamos remar ó marujo Ó menino você era cativo rema com muito chibão184 Daqueles do cativeiro

Vejo a chegada do porto O gado corria pro mato da cidade de Bandão E ele pro tabuleiro.

183 Martinho Gomes de Souza, 58 anos, atual mestre dos marujos, morador de Mangal/Barro Vermelho, entrevista concedida em 19 de março de 2013.

Nos versos podemos observar a relação com a labuta cotidiana com o gado, elemento significativo e histórico para o domínio do território e para a presença negra na região do Médio São Francisco.

Falando sobre o encerramento da marujada, que ocorre no dia nove de outubro. Pela manhã, dia seguinte da festa de Nossa Senhora do Rosário, dona Lídia aponta para os elementos que constituem essa forma de despedida dos marujos.

Depois da reza o marujeiro dança, termina jantar, ai eles vão descansar ai no outro dia, os marujeiros vai descansar e as mulher pega o samba, no outro dia eles vão começar de novo que é a despedida, no outro dia, no dia nove vai ter a despedida dos marujeiros. A despedida ocorre aqui mesmo, eles roda a casa do juiz, vai na casa de cada um, quando termina de ir nas casas ali é a despedida né, ai reúne lá na casa do festeiro e despede, e agora pronto terminou, dia nove terminou.185

No ano de 2013 não teve a marujada, mesmo assim os moradores de Mangal não deixam de homenagiar sua padroeira Nossa Senhora do Rosário, fazem o novenário e no dia 08 de outubro, logo no clarear do dia, iniciam a alvorada, com um cortejo que circula pelas ruas e casas, onde tocam e cantam músicas para a padroeira, ao passarenm pelas casas colhem flores que vão ser colocadas na cumeeira da casa do festeiro, subistituindo as que tinham sido colocadas no ano anterior, que já secas vão ser recolhidas. O cortejo chega à casa do festeiro onde é servido um bom e farto café. Falando um pouco sobre essas homenagens Clene Farias comenta:

na alvorada cantamos uma musiquinha, que alegra os moradores e ao mesmo tempo homenageia Nossa Senhora do Rosário.

To feliz, eu to feliz como eu a mais ninguém To feliz, eu to feliz como eu a mais ninguém

Louvor a Nossa Senhora do Rosário até pro ano que vem Louvor a Nossa Senhora do Rosário até pro ano que vem Nossa Senhora do Rosário padroeira do lugar

Nossa Senhora do Rosário padroeira do lugar Nos ajuda a nós vencer essa batalha real Nos ajuda a nós vencer essa batalha real (Vai repetindo o refrão e tirando outros versos). Seca, seca laranjeira onde o lírio bota flor.

Seca, seca laranjeira onde o lírio bota flor. Onde os passarinhos cantam a aleluia do Senhor. Onde os passarinhos cantam a aleluia do Senhor.186