A seguir, formulamos as considerações finais deste trabalho, considerando seu objetivo inicial, quanto ao estudo de metodologia para o uso de ferramentas computacionais no ensino de Engenharia de Tráfego – MESET e seu objetivo específico, a aplicação da MESET ao software Synchro/SimTraffic.
Neste trabalho procurou-se estudar uma metodologia para seleção de ferramentas de análise de tráfego para utilização no ensino de Engenharia de Tráfego. O assunto, após os estudos, análises e pesquisas efetuadas revelou-se como extenso e complexo.
Com a crescente expansão dos aglomerados urbanos, onde a racionalização dos espaços para busca de maior capacidade e segurança viária são utilizados como alternativa à execução de obras de infra-estrutura, nem sempre possíveis em função de custos financeiros e da disponibilidade da ocupação urbana existente, a Engenharia de Tráfego é cada vez mais utilizada para adequar o volume de tráfego sempre crescente aos espaços disponíveis. E, com a complexidade do problema, as soluções no escopo da Engenharia de Tráfego demandam, cada vez mais, o seu desenvolvimento como ciência e recursos tecnológicos avançados, possibilitando respostas mais precisas em curtos períodos de tempo, uma vez que o fenômeno tráfego é muito dinâmico.
O papel do Engenheiro de Tráfego, portanto, cresce em importância nas funções desempenhadas no âmbito da Engenharia Urbana.
A formação dos futuros profissionais engenheiros em relação a esta área exige, portanto, a atualização das ferramentas de ensino, para acompanhamento à demanda do futuro mercado de trabalho, a ser suprida pelas universidades brasileiras. Nesse sentido, o uso de softwares para o ensino de Engenharia de Tráfego faz-se necessário para o aprimoramento na formação dos alunos, visando uma preparação mais próxima ao futuro ambiente de trabalho. Como agravante da situação atual, a respeito do ensino de Engenharia de Tráfego, em algumas universidades pesquisadas, observou-se que, a Engenharia de Tráfego como disciplina nem sempre consta do currículo principal de formação do graduando em Engenharia.
Quanto ao uso de softwares em geral, como ferramentas no ensino de Engenharia, autores da literatura consultada apontam sua utilização como eficaz ferramenta coadjuvante em alcance de critérios pedagógicos que realmente visam a construção de um conhecimento atual e dinâmico, conforme apresentado no capitulo 3.
No entanto, a dificuldade na escolha dos softwares mais adequados para a Engenharia de Tráfego cresce, na medida em que a grande maioria dos softwares comerciais disponíveis no mercado foi desenvolvida em outros países, para o atendimento de situações freqüentemente diversas das apresentadas pelo trânsito no Brasil.
Observou-se ainda pelo levantamento bibliográfico que, mesmo o grau de desenvolvimento de ferramentas computacionais e as experiências de sua utilização em outros países encontram-se em patamar superior ao brasileiro, inclusive no ensino, com a utilização de softwares para Engenharia de Tráfego nos cursos de graduação em Engenharia já consolidado em laboratórios adequados. No entanto, as próprias condições financeiras e recursos das universidades brasileiras podem ser apontadas como fortes limitadores à utilização de vários tipos de softwares para uso no ensino.
Embora a lista de quesitos constantes no Método USDOT para a seleção de ferramentas para análise de tráfego, com origem norte-americana, tenha sido o ponto de partida para este estudo de metodologia, constituiu um referencial importante e confiável, dada sua autoria. Sua adequação aos objetivos deste trabalho foi efetuada tendo como referência a pesquisa realizada com os professores que atuam no ensino da disciplina Engenharia de Tráfego em universidades brasileiras.
As características das diversas categorias de ferramentas computacionais, referentes ao seu desempenho para cada tipo de tarefa, constantes do Método USDOT, embora constituam as sugeridas para uso na MESET, são passíveis de atualização, na medida que novos estudos, mais completos e atualizados, sejam desenvolvidos.
Em relação a esta pesquisa efetuada com os professores, foram muitas as dificuldades encontradas; dentre estas, as próprias páginas eletrônicas das
universidades brasileiras, em sua maioria não disponibilizando informações objetivas a respeito das disciplinas oferecidas nos cursos de Engenharia, conteúdos programáticos e respectivo corpo docente.
Dessa forma, os problemas encontrados na identificação dos professores desta disciplina, Engenharia de Tráfego, interferiram diretamente no índice de questionários respondidos na pesquisa realizada quanto à importância dos quesitos de análise na utilização de softwares para o ensino; entretanto, foi considerado satisfatório o resultado obtido na pesquisa efetuada, uma vez que muitas das principais universidades brasileiras retornaram o questionário.
Outra dificuldade encontrada pode ser mencionada quanto à análise dos resultados apresentados, referentes à inexistência de referenciais balizadores para a definição dos quesitos mais importantes para o ensino. Estes intervalos sinalizadores para este tipo de análise, quanto à importância relativa de cada quesito, poderiam ser considerados, em futuras pesquisas, como ponto de partida inicial no desenvolvimento de estudos mais completos e detalhados, onde um questionamento mais direcionado aos tópicos e objetivos da matéria a ser ensinada, produziria resultados mais próximos quanto ao tipo de software a ser utilizado.
Na pesquisa realizada, as questões apresentadas aos professores foram formuladas visando o ensino da disciplina em geral, o que produziu um resultado muito genérico em relação às categorias de softwares mais adequadas. Efetuados direcionamentos para situações mais específicas de análise – projeto, planejamento, ou operação, os resultados apontam para diferentes categorias de ferramentas computacionais. Conclui-se, portanto, que, as análises devem considerar especificamente tópicos da disciplina para obter resultados mais precisos.
Na aplicação dos formulários produzidos nesta metodologia estudada para o software Synchro/SimTraffic, obteve-se uma determinada pontuação para esta ferramenta. Embora o resultado prático, obtido com a aplicação do software Synchro/SimTraffic no ensino na UFSCar, tenha sido amplamente satisfatório, no índice de aprendizagem e motivação dos alunos para o desenvolvimento e resolução de problemas, outros softwares de características similares poderiam ser pesquisados nos mesmos moldes, para a comparação dos resultados obtidos nessa tabela.
Observa-se que, em pesquisas futuras, será importante também considerar que a avaliação efetuada com o Synchro/SimTraffic utilizou sua versão “demo”, com limitações inerentes a este tipo de versão, mas também com as vantagens de ser disponibilizada gratuitamente.
Como não foram abordados outros tipos de análises em relação aos softwares para tráfego e transporte em especial, relacionados aos processos de validação e calibração dessas ferramentas, sugere-se ainda, que os estudos futuros referentes a estes processos, incluam em suas avaliações também aspectos referentes ao ensino.
Uma diversidade maior de softwares necessitará ser alvo de pesquisa e avaliação, segundo uma ótica de ensino para a disciplina Engenharia de Tráfego, considerando principalmente a dinâmica da evolução e desenvolvimento dos softwares que se apresenta atualmente. Conforme relatado neste trabalho, o fator custo não constitui necessariamente um impedimento à utilização de ferramentas computacionais, em se usando softwares em versão demo ou livre.
Os quesitos e critérios propostos deste estudo são apresentados como passo inicial para o prosseguimento quanto à utilização e pesquisa de outros softwares para o ensino de Engenharia de Tráfego, aplicados aos mais diversos tópicos abrangidos por esta disciplina.
Sugere-se, portanto, que, a exemplo do efetuado com o software Synchro/SimTraffic, outros softwares sejam também verificados e estudados para que, nas universidades brasileiras o uso de ferramentas computacionais em Engenharia de Tráfego venha a se constituir uma rotina, para implementação à formação dos alunos, futuros profissionais engenheiros, que terão a árdua tarefa de organizar o cada vez mais problemático e inseguro tráfego das cidades e rodovias brasileiras.