6. Oppsummerende analyse og konklusjon
6.1 Oppsummering og analyse av de viktigste funn
As anotações massoréticas do tipo qere–ketiv “escreve-se/lê-se” são orientações de leitura suplementares aos sinais massoréticos, cujo objetivo é orientar a leitura, em voz alta, quando a tradição do texto oral diverge da tradição do texto escrito. Perfazendo, então, duas variantes textuais, uma segundo a tradição escrita e outra, segundo a tradição oral. Existem inúmeros tipos de anotações massoréticas desse gênero, todavia discutem-se apenas aquelas que podem lançar luz à doutrina gramatical de ayy dj.
Em códices como o Códice de Alepo, a variante textual do ketiv “escreve-se”ă sempre está no corpo do texto, enquanto que a variante do qere é apresentada como uma variante textual na marginal do códice. Um exemplo é
, cuja variante do ketiv “escreve-se” é ִ e a variante do qere é , isto é, ִ. É importante observar que o massoreta introduziu os sinais massoréticos da variante textual do qere no ketiv “escreve- se”ă ִ e o leitor precisa projetar os sinais massoréticos do ketiv “escreve-se”ă no
qere349.
Entre outros exemplos de qere–ketiv “lê-se/escreve-se” e que são tratados
ayy djăpodemos citar: (qere) ַ /(ketiv) ַ 350 em 2Sam 3:35351 e ִ / ַ em ִ 2Sam 22:51.
349
Ofer observa que as edições das Bíblias Hebraicas de Guinsburg apresentam o ketiv com sinais massoréticos em nota de rodapé. Segundo Ofer é uma reconstrução inventada por Guinsburg, pois tais variantes nunca foram encontradas com sinais massoréticos na Messorá (OFER, 2008).
350
(NUTT, 5630) p83; (DELGADO, 2004) p158; (OFER, 2009/1) p259. 351
Ofer observa que esse qere–ketiv éăsegundoăoăTalmudeăBabilônicoădeăSan’edrină20a,ăpoisăsegundoăaă
Messorá lê-se e escreve-se ַ ; Qim i sanciona a versão do qere–ketiv segundo o Talmude Babilônico (BIESENTHAL e F. LEBRECHT, 1847) p339.
7.4.1.1.1 Qere–ketiv “ ê-se/escreve- ” de homófonos reais
Dentre as inúmeras anotações massoréticas de qere–ketiv “lê-se/escreve-
se” encontra-se uma classe intrigante, cuja pronúncia das variantes textuais tanto segundo o qere como ketiv é a mesma.
Esse tipo de orientação massorética tende a confundir os leitores com a falsa impressão de que a leitura, em voz alta, da variante do ketiv difere da variante do
qere.
Denomina-se de qere–ketiv de homófonos reais aqueles qere–ketiv compostos por duas variantes textuais homófonas que são reconhecidas como tais pelas tradições judaicas babilônicas, israelenses e tiberiense352.
O caso que exemplifica bem essa classe de homófonos é o das variantes textuais ֹ “não” (ketiv) e ֹ “paraă ele” (qere)353. Membros das comunidades israelenses, tiberienses e babilônicas leem, em voz alta, ambas as variantes como /lo/, apesar do significado ser diferente.
7.4.1.1.2 Qere–ketiv de palavras relativo à tradição
Existe outro tipo de qere–ketiv “lê-se/escreve-se” cuja pronúncia das
variantes textuais tanto segundo o qere como o ketiv é relativa à tradição, isto é, segundo a tradição tiberiense as duas variantes textuais representam duas sequências
352
É importante ressaltar, que neste estudo excluem as tradições iemenitas, pois segundo essas, mesmo os denominados aqui de homófonos reais, na realidade não são homófonos.
353
Como exemplo, cita-se Ex 21:8:
fônicas, enquanto que, segundo a tradição israelense, representam a mesma sequência fônica. Por exemplo, pares do tipo: \ são qere–ketiv “lê-se/escreve-se” apenas segundo as tradições tiberiense (e babilônica), pois segundo a tradição tiberiense o < ְ> seria realizado como /ɔ/ e o < ְ> indicado pelo < > como /o/.
Enquanto que segundo a tradição israelense tanto < ְ> indicado pelo < > como o < ְ> são realizados como /o/.
7.4.1.1.3 Qere–ketiv de palavras compostas
Outro tipo de qere–ketiv “lê-se/escreve-se” é constituído pelas palavras
compostas que podem ser (a) grafadas com uma palavra e lidas como duas; (b) grafadas em duas palavras e lidas como uma; (c) grafadas e lidas como estão escritas.
Uma lista de exemplos de qere–ketiv “lê-se/escreve-se” de palavras
compostas encontra-se no Códice Sasson folio 46 no qual se lê, da direita para esquerda, naăprimeiraăcoluna:ă“essas quinze palavras escrevem-se em uma ]palavra] e lê-se em duas [palavras]”;ă naă segundaă coluna,ă aă formaă comoă oă textoă deveă seră ortografado;ă naă terceira coluna, uma letra ֗ de ketiv em cada linha; na quarta coluna, a localização das palavras representadas com as iniciais do versículo onde se encontram; na quinta coluna, como as sequências de palavras devem ser lidas; e na última coluna, uma letra ֗ de qere.
A instabilidade da grafia das palavras compostas era comum, mesmo em códices de referência. Podem-se citar os seguintes exemplos, nos quais é possível ver que os códices de referência divergiam entre si quanto à ortografia.
Grafia Junto Separado
Códice 0 Texto354 ּ פ ּ ־ פ355 Códice 0 Texto356 ַ ־ ַ Códice 0 Texto357 ־
O próximo exemplo apresenta um caso de variação intrínseca. A expressão idiomática ַ ִיַ “ficouă nervoso”ă queă normalmenteă éă grafadaă emă duasă
354 Num 1:10; 2:20; 7:54, 59; 10:23. 355
De acordo com a lista de versões preparadas por Breuer em (MOSSAD HARAV KOOK, 1988) p40, em Num 7:54 o códice apresenta ּ פ. Nota-se que Breuer não cita as versões admitidas em . Acredita-se que o motivo seja o fato de o Texto Consonantal de , em certos casos, não apresentar uma separação clara entre palavras.
356 IIReis 18:17, 26, 28, 37; 19:4, 8; Is 36:2, 4, 11, 12, 13, 22; 37:4, 8. 357
palavras é excepcionalmente grafada em uma palavra ַ ִיַ “ficouă nervoso”358 no Códice .
Grafia Junto Separado
Códice 0
Texto359 ַ ִיַ ַ ִיַ
7.4.1.1.4 Qere–ketiv onde a superfície vocálica contradiz a superfície consonantal
Outro tipo de qere–ketiv “lê-se/escreve-se” são aqueles cuja leitura
natural do Texto Consonantal induz uma leitura diferente daquela registrada pelos sinais massoréticos (vogais e diacríticos que auxiliam a leitura), semelhante aos métodos talmúdicos de em laMiqra “texto oral é autoritativo”ăe em laMassoret “texto escrito é autoritativo”.
O tipo mais famoso e que de tão famoso deixou de ser registrado nas marginais dos códices é constituído pelo par ִ / ִ .
A Messorá Babilônica360 citada pelo massoreta Shemu el Ben Ya aqov em 361) ( e a Messorá anotada no Códice Sasson1 informam que a ortografia ambiente de ִ é com . Isso é possível ver no trecho extraído do mesmo códice folio 413, no qual se lê: “Onze [vezes grafa-se ִ ]. Todo ִ ‘ela’ [encontrado] na Torá escreve-se ‘ele’ă excetoă [em]ă onze [ocorrências] em que se escreve ִ ‘ela’, e lê-seă [‘ela’]”ă (grifos nossos).
É curioso notar que onze no início da sentença é um sinal mnemotécnico, pois as letras que o compõem são as duas últimas letras de ִ ;
358
Num 12:9. 359
Num 1:10; 2:20; 7:54, 59; 10:23.
360 (OFER, 2001) p392ă“ ִ “ela”ăescreve-se com [excepcionalmente]ăonzeăvezesănaăTorá”,ăemăoutrasă palavras, a grafia ambiente é ִ .
361