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A estruturação tectônica do Bloco Rio Apa é consequência de processos orogênicos ectasianos/caliminianos resultantes de esforços compressivos que promoveram o desenvolvimento de estruturas tectônicas que podem ser agrupadas em pelo menos seis fases de deformação.

Os dados estruturais obtidos sugerem que as deformações mais expressivas se desenvolveram em níveis estruturais inferiores, em condições de fácies anfibolito, proporcionando considerável encurtamento crustal. Considerando a análise desses dados foi possível estabelecer a arquitetura estrutural e caracterizar na área três domínios lito-estruturais com distintas características tectônicas (Figura 2.13).

- 36 - Figura 0.13. Domínios estruturais do Bloco Rio Apa e seção esquemática E-W no Bloco Rio Apa.

Domínio 1 - Abrange a área de ocorrência das rochas do embasamento orosiriano/riaciano composto por gnaisses do Complexo Porto Murtinho (Figura 2.13). Mostra registro da deformação mais antiga e é caracterizada por deformação de caráter dúctil, gerada a partir de esforços compressivos E-W em níveis crustais inferiores em fácies anfibolito, com desenvolvimento da fase Dn caracterizada pela geração do bandamento gnáissico (Sn), nas rochas

deste complexo (Figura 2.17 a). A fase Dn+1 promoveu o desenvolvimento de dobras fechadas a

isoclinais desenhadas pelo bandamento gnáissico, mostrando foliação plano axial subvertical, com atitudes em torno de 080°/70° (Sn+1), dobras com eixos sub-horizotais a inclinados Lb1 10°-

50°/355°. Constata-se localmente transposição das bandas gnáissicas (Figura 2.14). A deformação Dn+2 é responsável pela geração de foliação de baixo ângulo (Sn+2 078°/ 25°), com

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vergência para W, que corresponde ao reflexo da deformação regional identificada como D2 no

Domínio 3 (Figura 2.13).

Figura 0.14. Transposição de bandas gnáissicas.

Domínio 2 - Encontrado no âmbito das rochas graníticas da Suíte Alumiador com destaque para o batólito Alumiador, rochas vulcânicas da Formação Serra da Bocaina e Intrusão Gabro-Anortosítica Serra da Alegria e em pequenos corpos graníticos e sub-vulcânicos e intrusivos nas rochas do embasamento do Complexo Porto Murtinho (Figura 2.13). Este domínio é caracterizado por uma tectônica predominantemente rúptil marcada pelo desenvolvimento de falhas e/ou fraturas de direções N25°W, N15°E e N65°E e, subordinadamente, N80°E (Figura 2.17b), com evidências de que estas rochas foram afetadas fracamente pela deformação de baixo ângulo, marcada por falhamentos sub-horizontais. Nas bordas do batólito Alumiador, observa-se a presença de protomilonitos e milonitos resultantes de deformação dúctil, com desenvolvimento de foliação milonítica.

Domínio 3 - Abrange extensa área na porção oriental do Bloco Rio Apa, onde predomina tectônica dúctil de baixo ângulo, cujos efeitos deformacionais imprimiram uma deformação milonítica intensa nas rochas do Grupo Alto Tererê e do Complexo Rio Apa, metamorfisadas em fácies anfibolito, com retrometamorfismo em fácies xisto verde (Figura 2.13). São identificadas três fases deformacionais progressivas D1 .D2 e D3 resultantes de regime compressivo com

desenvolvimento de sistema de cavalgamento de baixo ângulo de direção submeridiana, com inflexão para NE, caracterizado por empurrões com transporte para oeste e subordinadas zonas de cisalhamento transcorrentes NW e EW (Figura 2.15).

Ainda fazem parte deste domínio uma série de corpos de granitos estaterianos do Complexo Rio Apa e os gnaisses e granitos da Província Passo Bravo, além de rochas metassedimentares pertencentes aos grupos Amolar e San Luiz, no Paraguai Wiens (1984)

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Observa-se aumento da deformação em direção a oeste, produzindo estruturas dúcteis de baixo ângulo, texturas variadas e predominância de deformação milonítica e formação de rampas frontais. Estas deformações são marcadas por dobras inversas e recumbentes com superfícies axiais exibindo mergulhos variáveis, predominando o baixo ângulo.

Figura 0.15. Esboço estrutural e principais eventos deformacionais identificados nas rochas do domínio III, Complexo Rio Apa, Grupo Alto Tererê.

A fase D1 compreende o estágio inicial das deformações observadas na porção oriental do

Bloco Rio Apa. Ocorre de forma localizada e é caracterizada por foliação do tipo xistosidade S1

100°/35°, plano axial de dobras recumbentes marcada pela orientação de minerais placóides e prismáticos, sendo transposta pela deformação D2. São encontradas principalmente nas rochas do

Complexo Rio Apa e em xistos e quartzitos dos grupos Alto Tererê e Amolar. Este último ainda preservando estruturas sedimentares primárias e o acamamento sedimentar (So//S1) (Figura

2.17c).

Os dados de campo sugerem que pelo menos parte dos granitos do Complexo Rio Apa foram colocados durante este evento tectônico contracional, isto é, constituem granitos sin- orogênicos.

A fase D2 é a mais expressiva, caracterizada pela geração de foliação milonítica (S2)

115°/35° plano axial das dobras D2, produzindo texturas variadas e predominância de

deformação dúctil de baixo ângulo e transposição das foliações anteriores (Figura 2.17d, e). As dobras D2 são assimétricas, recumbentes, exibindo lineação de eixo de dobra (Lb2) 30°/15° a

25°/180°, associadas a zonas de cisalhamento dúctil, com desenvolvimento de zonas de cisalhamento com indicadores cinemáticos do tipo foliação S/C, porfiroclastos rotacionados e com sombras de pressão. A lineação de estiramento mineral (Lx2) 090°/28° a 105°/30° é

representada principalmente por quartzo estirado, orientação de cristais de muscovita e de anfibólios, ocorrendo de forma expressiva e apresentando caimento em baixo ângulo para leste. Nos gnaisses e granitos do Complexo Rio Apa é caracterizada por bandamento gnáissico

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milonítico com os porfiroclastos de feldspato potássico e plagioclásio estirados e rotacionados ao longo dos planos de foliação principal (Figura 2.16).

Figura 0.16. Estereogramas da foliação S2 e da lineação de estiramento Lx2.

A deformação da fase D2 foi acomodada através de dobras e zonas de cisalhamento com

desenvolvimento de rampas de cavalgamento frontais, promovendo arranjo tectônico- metamórfico responsável pelo expressivo encurtamento com deformação e metamorfismo M2 da

área, associada a sistema de nappes de direção geral N-S, com inflexão para nordeste e transporte de massa de E para W.

Na porção sudeste da área ocorrem retro-empurrões com foliação média (S2r) 245°/15° e

lineação de estiramento (Lxr) 270°/15°, exibindo movimentação para E-NE, associados a zonas

de cisalhamento transcorrentes/transpressivas de direção (Zc) N35°E, com desenvolvimento de foliação subvertical, direção em torno de (Sc) 120°/80° e lineação de estiramento sub-horizontal

(Lx3) 210°/15° com movimentação dextral.

Constatou-se também neste domínio a ocorrência de xistos anteriormente atribuídos ao Grupo Alto Tererê, resultantes de processos de cisalhamento D2, em zonas de intensa

deformação, em rochas gnáissicas do Complexo Rio Apa, responsáveis pela transformação de biotita gnaisses graníticos em muscovita xistos e milonitos.

A fase D2 constitui o principal episódio deformacional metamórfico, regional, responsável pela

deformação mais intensa. Encontra-se impresso em todas as unidades, principalmente nas rochas do Grupo Alto Tererê e do Complexo Rio Apa. É marcada por foliação milonítica em fácies anfibolito, localmente com a presença da associação biotita, silimanita e monazita, sugerindo metamorfismo de médio a alto grau. Em xistos e anfibolitos do Grupo Alto Tererê, encontra-se

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paragênese de quartzo, clorita, muscovita e sericita, que marca possível retro-metamorfismo para a fácies xisto verde.

Figura 0.17. Estruturas deformacionais do Bloco Rio Apa. (a) Foliação vertical Sn gnaisse do Complexo Porto

Murtinho; (b) fraturas subverticais e de baixo ângulo em rochas vulcânicas, Formação Serra da Bocaina; (c) dobra D1 em quartzito Alto Tererê; (d) dobras D2 em anfibolito do Grupo Alto Tererê; (e) foliação S/C em anfibolito do

Grupo Alto Tererê; (f) dobras abertas D3 em quartzito do grupo Alto Tererê; (g) falha reversa em gnaisse do

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A fase D3 é caracterizada por ondulação suave da foliação S2//S1, com desenvolvimento

de dobras abertas, com lineação de eixo de dobra Lb3 105°/10°, sem apresentar alteração nas

paragêneses metamórficas pré-formadas (Figura 2.15).

Associado a esta fase ainda constata-se o desenvolvimento de sistema de falhas e fraturas conjugadas, de direções N30°W, N40°E e E-W, muitas vezes preenchidas por veios de quartzo, pegmatitos e diques básicos (Figura 2.17f, g). Esta tectônica rúptil é bem evidenciada no Domínio 2, embora ocorra nos outros domínios, possivelmente associadas a eventos tardios em nível crustal mais raso (Figura 2.13).

Relacionado às fases finais de relaxamento ocorrem na área pequenas falhas e fraturas extensionais de direção predominante NS/70°E, encontradas nos gnaisses do Complexo Rio Apa, possivelmente relacionadas à fase de implantação da bacia precursora da Faixa Paraguai. (Figura. 2.17h).

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