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OPPSUMMERING, KONKLUSJON OG VIDERE ARBEID

Nesta subcategoria, constatamos que das sete professoras entrevistadas, foram relatados 11 casos de crianças hospitalizadas e que foram consideradas alfabetizadas durante o seu período de internação. Os relatos classificados como experiências de sucesso na alfabetização na classe hospitalar correspondem a seis professoras entrevistadas (85,7%). Sendo assim, apenas uma professora

(14,3%) afirma não ter passado pela experiência de alfabetizar em classe hospitalar, mas que ao longo das intervenções para a aquisição da leitura e da escrita percebeu avanços em relação à hipótese de escrita da criança. A professora considera para a análise sobre a fase da escrita, das autoras Ferreiro e Teberosky (1986).

Eu percebi vários avanços, claro, mas assim, de chegar não alfabetizado e sair alfabetizado, não tive essa experiência até porque eles ficam um período curto aqui. Chegam a ficar no máximo uns dois meses aproximadamente. Desta forma, eu não tive realmente a experiência de passar por todo esse processo, de chegar não alfabetizado e sair alfabetizado, mas percebi grandes avanços. Por exemplo, crianças que estavam com uma escrita classificada como silábica com valor sonoro e depois em outra sondagem serem classificadas como alfabéticas, mas que ainda apresentavam muitos erros ortográficos (Professora Célia).

Das professoras que alfabetizaram em classe hospitalar, constatamos que o período de intervenção para ocorrer o ensino da Linguagem escrita, variou bastante, de três meses a um ano, mas em todos os relatos descritos, destacaram que o atendimento individual com ênfase nas dificuldades da criança hospitalizada, garantiu o sucesso na aprendizagem. As professoras justificam o enorme investimento para que as crianças pudessem aprender a ler e a escrever, nos motivos que seguem, a conquista pela autonomia para que a criança possa ler no leito o que mais lhe interessar e para que a criança possa atingir autonomia na leitura por conta de uma necessidade de ministrar a sua medicação. Como por exemplo, na história descrita por uma das professoras, de um adolescente que sofre com o abandono da família, após o diagnóstico da doença e que deve atingir essa habilidade para que possa ministrar com autonomia seus remédios, principalmente, após a alta hospitalar.

Houve o caso de um menino de 14 anos de idade, que hoje provavelmente deve estar na escola, pois já está transplantado, mas que chegou ao hospital com uma questão de abandono familiar, uma situação horrível, pois com 14 anos, não sabia escrever o nome dele. E ficou internado, durante oito meses. Então aqui ele, aprendeu a escrever o nome dele e toda a concepção da escrita. Como trabalhamos de modo individual com a criança no leito, conseguimos identificar a dificuldade. Depois, de um trabalho diário conseguimos que ele saísse produzindo textos simples e lendo com autonomia. Até porque precisávamos disso. Ele precisava ter autonomia para poder cuidar de si mesmo já que a família não estava cuidando dele. Então ele tinha que saber ler as receitas, saber a

quantidade de remédio. Fizemos um investimento enorme diariamente até ele conseguir fazer essas coisas (Professora Kelly).

Um número significativo das professoras pesquisadas aponta como causa para os problemas na aprendizagem das crianças, as sucessivas internações que ocorrem para o tratamento da enfermidade, bem como, as faltas constantes à escola desde o conhecimento da doença. Com isso, grande parte das crianças e adolescentes internados apresentam dificuldades na competência leitora e escritora, quando não apresentam total desconhecimento da linguagem escrita. Nas avaliações diagnósticas realizadas pelas professoras algumas crianças apresentam uma escrita com traços desordenados, bem característicos da criança que ainda não desenvolveu uma escrita formal e a consciência do uso de letras para representar à escrita.

Temos uma criança com 10 anos, no setor da nefrologia, com escrita de garatuja que usa fraldas e o fato de usar fraldas a afastou muito da escola, pois sofria discriminação. Faz seis horas por dia de hemodiálise, por seis dias da semana- por conta da imunodeficiência não pode fazer transplante e se encontra sem previsão de alta. Pode permanecer internada a vida toda (Professora Patrícia).

Diante das afirmações, foi possível perceber a importância do atendimento pedagógico hospitalar, principalmente no contexto da alfabetização, no atendimento de crianças com dificuldades na aquisição da escrita, para que possam atingir a aprendizagem da linguagem escrita e com isso, contribuir para a superação das dificuldades e, principalmente, para com o retorno à classe regular, além do resgate da autoestima da criança.

Cabe ressaltar, que grande parte das atividades oferecidas para o ensino da Linguagem escrita, pelas professoras participantes dessa pesquisa que atuam na classe hospitalar, se apresentam como jogos e/ou exercícios metafonológicos, isto é, com o trabalho de identificação e manipulação de sons, o que propicia uma reflexão sobre a estrutura da língua. Tais exercícios contribuem de modo significativo, para a compreensão da correspondência grafema-fonema, pois existe uma preocupação constante em ensinar-lhe as letras e o que elas representam. Mesmo as professoras desconhecendo os benefícios apontados pelas pesquisas da área da Psicologia Cognitiva da Leitura, em relação ao

trabalho de associar as atividades metafonológicas com a aprendizagem da linguagem escrita, acredita-se que essas conseguiram atingir uma parte dos alunos atendidos em classe hospitalar, por meio dessas situações, quando garantiram à criança condições para apreciar e refletir sobre a estrutura fonológica da língua.

Morais (2013) afirma que, a partir do momento em que a criança compreendeu o princípio alfabético e conhece um número razoável de correspondências, ela deve ser levada a ler pequenos textos que lhe permitam exercer seus conhecimentos e inferir outros por aprendizagem explícita. A aprendizagem explícita é tão poderosa que, depois dos fundamentos do código ortográfico ter sido aprendido, a intensa prática da leitura de diferentes textos pode consolidar a aprendizagem de padrões ortográficos.

Neste sentido, a função do professor alfabetizador deverá ser o de organizar uma progressão de atividades metafonológicas que favoreçam a aprendizagem da linguagem escrita e, portanto é muito importante que este tenha um conhecimento preciso e profundo do código ortográfico do português (MORAIS, 2013).