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O modelo de mediação de John Haynes considera que a mediação é a condução das negociações por um terceiro, o mediador, que ajuda os participantes de uma situação conflitiva a encontrarem soluções mutuamente aceitáveis, de maneira que permita a continuidade da relação (Haynes & Marodin, 1996).

alguns estágios, sendo descritos pelos autores Haynes e Marodin (1996), que podem ser assim compreendidos:

a) Identificando o problema: As negociações somente podem ser realizadas

quando os mediandos reconhecem a existência do conflito, concordando sobre a necessidade de resolvê-lo, se comprometendo ativamente em um procedimento designado à autocomposição.

b) Escolhendo o Método: Uma vez que os mediandos concordam em resolver

o conflito, necessitam decidir sobre qual o método adequado. A escolha da mediação é geralmente baseada em um dos quatro aspectos seguintes: i. A

mediação é não adversarial, e a opção por essa escolha tem em consideração

que essa abordagem trabalha na perspectiva de manutenção de vínculos; ii. A

mediação é privativa, sendo realizada num ambiente de privacidade e

confidencialidade; iii. A mediação é mais econômica, tanto do ponto de vista financeiro, quanto do ponto de vista emocional, uma vez que os mediandos estarão inseridos num contexto colaborativo; iv A mediação é mais rápida, pois está baseada num procedimento informal, sendo que o tempo do transcurso da mediação, é o tempo dos mediandos para resolutividade do conflito.

c) Selecionando o Mediador: A escolha do mediador, e sua respectiva

vinculação com os mediandos, é fator fundamental para o transcorrer da mediação. Como as mediações familiares estão envoltas em conflitos em busca de significação e sentido na vida dos mediandos, é necessário que o mediador faça um adequado acolhimento, sabendo respeitar e compreender todos os mecanismos que estarão presentes durante o procedimento.

clarificar as questões da mediação, conhecendo as posições de cada um. Antes deste momento inicial na mediação, dificilmente os mediandos haviam pensando sobre a perspectiva do outro, concentrando-se em fazer as suas próprias reivindicações. Neste estágio, rompe-se um padrão anterior de comportamento, pois através da comunicação os mediandos vão expondo suas visões sobre o conflito, e passarão a ouvir as intenções do outro, iniciando um procedimento colaborativo.

e) Definindo o Problema: Usando as informações que foram compartilhadas,

o mediador auxiliará numa definição mútua do problema, identificando um interesse em comum entre os mediandos, que será o foco para o desenvolvimento de opções e resolutividade do conflito.

f) Desenvolvendo Opções: Nesse estágio da mediação, após os mediandos

concordarem com a definição do problema, e a identificação de interesses em comum, o mediador irá fazer uma abordagem que as auxilie a desenvolverem opções que sejam mútuas. Muitas vezes em conflitos familiares, os mediandos não conseguem criar opções para resolução, ficando num movimento recursivo de ataque e defesa. Através da mediação, o mediador auxiliará os mediandos a expandirem o leque de opções por meio de brainstorming (tempestade de ideias). No primeiro estágio de geração de ideias, o objetivo é listar cada ideia concebível, sem avaliá-la no momento. Uma vez listadas todas as ideias, o mediador ira auxiliar os mediandos a pensarem sobre elas, categorizando-as em altamente possível, possível,

improvável e impossível.

g) Redefinido Posições: Todos os mediandos iniciam o procedimento de

normalmente está vinculado a questões emocionais subjacentes. Quando essas posições iniciais forem traduzidas sob forma de interesses em comum, os mediandos começam a fazer movimentos no sentido de escolherem o que é mais benéfico para ambos, num movimento construtivo.

h) Barganhando: Nesta fase o mediador auxilia os mediandos a negociarem

sobre a escolha de soluções para o conflito, sendo aceitável por todos. Os mediandos somente podem barganhar quando dispõem de i. todos os fatos;

ii. uma definição mútua do problema; iii. uma série de opções para resolver o

problema e, iv. uma ou mais opções como objetivo principal.

i) Redigindo o acordo: Por fim, quando os mediandos chegam num

entendimento comum, o mediador poderá redigir o acordo final, que em mediação é denominado Termo de Entendimento. Alguns mediandos optam que o acordo seja apenas verbal, sendo opção deles querem o termo por escrito.

Levando-se em consideração todos os estágios acima descritos, pode-se considerar que a mediação é constituída através de um processo global, formando um ciclo da mediação. Esse ciclo é repetido várias vezes, dentro do amplo procedimento da mediação, até serem lidadas e abarcadas todas as questões trazidas pelos mediandos. Como forma exemplificativa, os autores Haynes e Marodin (1996, p. 17), ilustram o procedimento da mediação conforme a figura que segue (cf. Figura 4).

Figura 4. Ciclos do Procedimento de Mediação

Problema Escolha do Método Escolha do Mediador Busca de Dados Desenvolvimento de Opções Redefinição de Posições Barganha TE 14 Ciclo de Mediação Procedimento de Mediação 14 TE – Termo de Entendimento.

O modelo de John Haynes trás algumas ferramentas para serem utilizadas durante o procedimento de mediação, sendo elas a i. Normalização: consiste na habilidade do mediador em normalizar o conflito trazido pelos mediandos, pois a maioria adotará uma postura de tentativa de convencimento do mediador que a sua situação é única e sua singularidade justifica a posição assumida. O mediador redefinirá a singularidade de cada definição do problema, normalizando a situação. ii.

Mutualização: as pessoas envolvidas em conflito geralmente enquadram o problema de

modo que culpabilizam o outro, evitando responsabilidades pessoais. A mutualização é uma ferramenta que auxilia a romper esse paradigma, tendo-se em consideração que ambos são parte do conflito, cada qual com as suas responsabilidades. Quando assumimos uma posição sobre o conflito, raramente pensamos sobre a perspectiva do outro, e as estratégias de normalização e mutualização auxiliam a olhar para a situação sob outra perspectiva, ajudando a ter um distanciamento das posições iniciais, abrindo- se espaço para uma construção conjunta. iii. Resumindo: o mediador move a sessão de mediação através do resumir. O processo de sumarizar clarifica as expectativas dos mediandos, e é uma oportunidade deles ouvirem o que estão trazendo para a mediação, através da perspectiva de um terceiro, o mediador. iv. Enfoque no Futuro: o foco da mediação não é ficar adstrita às circunstâncias do passado, mas reorganizar as questões para uma perspectiva de futuro. O mediador, através desta ferramenta, muda o discurso dos mediandos do foco do passado, para o foco do que desejam, pois esperança, renovação, mudança e soluções estão no futuro (Haynes & Marodin, 1996).