Nesta seção é discutida a distribuição temporal de títulos de doutorado em diferentes regiões, considerando o ano de conclusão. A Figura 4.15 apresenta a distribuição dos títulos obtidos por década, considerando tanto títulos obtidos no Brasil quanto no exterior. A maioria dos pesquisadores se formou entre as
17 Três das instituições localizadas em São Paulo e financiadas pelo governo estadual aparecem
no Top 10 do ranking QS de Universidades da América Latina de 2014 (http://www.topuniversities.com/university-rankings/latin-american-university-rankings/2014.
18 O mesmo ranking QS possui 17 instituições do Sul e Sudeste no Top 20 de Artigos por Corpo
Docente, considerando somente instituições brasileiras.
4.3 DISTRIBUIÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DOS TÍTULOS DE DOUTORADO
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décadas de 1990 e 2000. Perceba que a fração dos doutorados obtidos no exterior decresce de forma bastante expressiva a cada década. Essa porcentagem era de 63% na década de 1960, 48% na década de 1970, 39% na década de 1980, 27% na década de 1990, chegando a apenas 14% na década de 2000. Esses números mostram como a comunidade científica brasileira amadureceu com o tempo. A tendência observada está alinhada a programas e bolsas governamentais em vigor entre 1950 e 1980, que estimularam pesquisadores a estudarem no exterior. Em paralelo, nos anos 60, uma lei promovia a expansão do número de programas de pós-graduação a fim de empregar pesquisadores formados fora do país e assim atender às necessidades do país (Balbachevsky, 2011; Balbachevsky, 2013).
Figura 4.15. PhDs concedidos por década
Focando nas regiões do Brasil, a Figura 4.9 mostra que as instituições localizadas em São Paulo são responsáveis por uma grande porcentagem dos doutorados obtidos no Brasil nas últimas décadas. No entanto, a importância das outras regiões do Brasil vem aumentando recentemente. Considerando que nossos dados refletem somente os pesquisadores INCT, a figura mostra que a porcentagem de pesquisadores nos principais grupos de pesquisa brasileiros vindo de outras partes do Brasil vem aumentando ao longo dos anos. Considerando o crescimento absoluto do número de doutorados concedidos por
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 1960 1970 1980 1990 2000 # Gr ad uad os Década Exterior Brasil Proporção Exterior/Brasil CAPÍTULO 4. ANÁLISES
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instituições brasileiras, a figura mostra na década de 1980 um crescimento na região Sudeste, e a partir de 1990 um crescimento nas instituições do Sul e Nordeste. Isso mostra a tendência de descentralização conforme as instituições distribuídas pelo país amadurecem. Os números das décadas de 1950 e 1960 são muito baixos, não chegando a 25 pesquisadores formados contando as duas décadas.
Figura 4.16. Títulos de PhD por década - Nacional
No total, existem 1.225 pesquisadores em nosso conjunto de dados que obtiveram seu doutorado no exterior. Como se pode perceber na Figura 4.10, a América do Norte (mais especificamente os Estados Unidos) possui uma participação grande, mas doutorados obtidos na Europa se tornaram predominantes a partir da década de 1980. É interessante notar o número pequeno de pesquisadores que estudaram em instituições da América Latina. Seria de se esperar que brasileiros fossem estudar em países cuja língua é próxima ao português ou que estão geograficamente próximos, mas esse não é o caso. Nem mesmo Portugal atrai muitos pesquisadores: o país formou apenas 6 dos 1.225 pesquisadores. Um fato similar também é observado em Portugal,
0 200 400 600 800 1000 1200 50s 60s 1970 1980 1990 2000 2010 # Do u to re s Década São Paulo Sudeste Sul Nordeste Norte Centro Oeste
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onde somente 4% dos projetos de pesquisa concedidos no país são atribuídos a pessoas originárias de países falantes de português (Heitor et al., 2014).
Figura 4.17. Títulos de PhD por década - Internacional
Um gráfico de distribuição interativo similar aos gráficos exibidos na Figura 4.9 e Figura 4.10, também foi desenvolvido como parte do trabalho e pode ser acessado pelo link19. Esse gráfico exibe os títulos de doutorado por ano e o usuário pode filtrar a informação por país, estado ou cidade. O que nota-se de diferente no gráfico interativo é que apesar de ocorrer uma descentralização com o tempo, a importância relativa de cada região praticamente não muda. Ou seja, ao longo de todos os anos São Paulo é o estado que forma mais pesquisadores, seguido do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O mesmo acontece ao analisar as cidades do estado de SP. A cidade de São Paulo é a que mais forma pesquisadores, com Campinas em segundo lugar. Acontece que o número de pesquisadores formados em cada lugar pode até mudar, mas o ranking dos locais que mais formam não muda, ou varia pouco. A Figura 4.11 mostra alguns exemplos de telas geradas pelo gráfico interativo.
19 https://aqui.io/scatter 0 50 100 150 200 250 300 350 400 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 # Do u to re s Década América do Norte Europa América Latina Outros CAPÍTULO 4. ANÁLISES
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(a)
(b)
(c)
Figura 4.18. Títulos PhD por ano e país (a), estado (b), cidade (c)
As figuras 4.19 até 4.24 mostram mapas que indicam o movimento dos pesquisadores a cada década. Se antes era possível ver facilmente o aumento do número de pesquisadores pelas décadas, agora passa a ser possível ver a
CAPÍTULO 4. ANÁLISES
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descentralização. Com o passar dos anos, o número e o local das instituições de destino aumenta. Embora essa variação possa ser atribuída simplesmente ao crescimento do número de pesquisadores, pode-se perceber que não é esse o caso. Comparando as décadas de 1970 e 2010, que possuem um número de pesquisadores similar, vemos como a década de 2010 possui uma variedade de instituições maior que na década de 1970.
Figura 4.19. Segmentos de trajetória: década de 1960
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Figura 4.21. Segmentos de trajetória: década de 1980
Figura 4.22. Segmentos de trajetória: década de 1990
Figura 4.23. Segmentos de trajetória: década de 2000
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Figura 4.24. Segmentos de trajetória: década de 2010
Em suma, os dados do CiênciaBrasil mostram que a maioria dos pesquisadores membros de INCTs obtiveram seus doutorados no Brasil, e que a porcentagem de doutorados obtidos fora parece diminuir com o tempo. A Europa recebe a maior parte desses pesquisadores, mas uma grande parte também vai para os EUA.