5 Analyse: årsaksforklaringer til etisk handel i Helse Sør-‐Øst
5.1.3 Oppsummering av funn som kan ses i lys av det instrumentelle/rasjonelle perspektivet
Nas relações sociais existem níveis diferentes de atuação entre indivíduos, considerando-se os papéis, os valores e as expectativas em relação à atuação dos mesmos. A hierarquia surge como um sistema de valores diferenciadores dos indivíduos dentro da sociedade em que atuam. Em uma organização, essa estrutura hierárquica é visível pela conjugação de cargos e responsabilidades organizados de forma estruturada, com atribuições e poderes diferentes.
Nas organizações, pode-se dizer que cada camada de cargos pode apresentar uma forma de vestimenta, comportamento e linguagem que é o resumo da expressão dos
indivíduos que a compõem. Nesse sistema hierarquizado, percebe-se que a noção de poder e de influência também se estrutura de acordo com os papéis desempenhados socialmente nas organizações. O líder tem posição hierárquica maior que alguém que trabalha na operação e o seu nível de influência também é mais elevado, ou seja, possui mais autoridade e maior noção de dominação pela obediência necessária dentro da estrutura organizacional. Quanto maior a posição na escala da estrutura organizacional, maior a dominação, poder de decisão e influência na própria decisão.
Essa noção de hierarquia lembra o conceito de poder e dominação nas relações sociais. Para tanto, elucidam-se os conceitos apresentados por Weber (2012, p. 33):
Poder significa toda probabilidade de impor a própria vontade numa relação social, mesmo contra resistências, seja qual for o fundamento dessa probabilidade. Dominação é a probabilidade de encontrar obediência a uma ordem de determinado conteúdo, entre determinadas pessoas indicáveis; Disciplina é a probabilidade de encontrar obediência pronta, automática e esquemática a uma ordem, entre uma pluralidade indicável de pessoas, em virtude de atividades treinadas.
A estrutura hierárquica enseja uma estrutura de dominação pela maior probabilidade de obediência à ordem que se apresenta. Weber (2012, p. 140) relaciona a dominação com “legitimação”, ou seja, essa probabilidade é conhecida como legítima, e, nesse sentido, o outro apresenta três tipos de dominação: “legal”, “tradicional” e “carismático”. Nas relações entre líder e liderados é possível observar os três tipos de dominação. Pelo fato de os líderes aqui pesquisados ocuparem cargos de gestão, obrigatoriamente o grupo de liderados deve seguir e obedecer à ordem de quem está acima, o que caracterizaria a existência de “dominação legal”. O tipo de dominação definido como “carismático” é outro tipo possível de identificação de dominação nas relações entre líder e liderado. Para Weber (2012, p. 141), a dominação carismática está relacionada “à veneração de uma santidade ou do caráter exemplar de uma pessoa e das ordens por estas reveladas ou criadas”. O carisma e seus efeitos são fontes de sujeição pessoal, podendo ser a característica “inspiradora” da liderança. O líder, sendo um exemplo, pode fazer com que o liderado o atenda por identificação pessoal. Então, o seu carisma preserva-se mediante a sua demonstração nas práticas e diálogos e é reforçado pela obediência do outro. Em relação ao tipo de “dominação tradicional”, em que a dominação acontece pela tradição, pode-se dizer que há uma relação com a tradição do cuidar, exercido prioritariamente pela medicina. Como a empresa aqui pesquisada é constituída sob a
forma de cooperativa de trabalho médico, há uma provocação interna constante para o cuidado entre as equipes, com as equipes, com o cliente e com o médico cooperado.
E quando uma pessoa emerge como líder? Sztompka (2005, p. 450), tratando da “formação do herói”, afirma que “para ser um líder, um indivíduo deve ter seguidores. Para tornar-se um profeta, deve ter féis. Para um escritor ser famoso, deve ter leitores”, e, com essas exemplificações, o autor afirma que “para contar na sociedade, a grandeza deve ser pública, não privada”. Considerando-se o papel da sociedade em reconhecer ou não a reivindicação do agente em ser “herói”, as pessoas podem nascer com talentos que serão desenvolvidos, mas só desempenharão essa função à medida que a sociedade as reconheça dessa forma. Do mesmo modo, se, para contar na história precisa ser “público” e reconhecido pela sociedade, para contar no contexto organizacional, a característica da liderança também precisa ser pública, aceita e reconhecida pelos liderados e pela organização.
Brandão (1985, p.8) faz uma reflexão sobre as diferenças entre as etnias e as formas de dominação através do ato de civilizar o nativo à cultura vigente. Então, para que uma pessoa seja reconhecida como alguém no exercício da liderança, essa pessoa deve possuir determinadas características comuns ao meio ou parecer com o que é admirado no contexto organizacional.
Essa aceitação ou “seleção social” de quem é reconhecido em sua “grandeza” pode acontecer a partir de diferentes critérios, ou seja, essa legitimação pode ser dada por diferentes fatores, conforme o contexto em que esse talento é demonstrado. Com a definição de Edward Shils, Sztompka apresenta o fator do “carisma pessoal”, considerando-o o primeiro e mais geral critério de seleção:
Carisma é a qualidade que se atribui a pessoas, ações, papéis, instituições, símbolos e objetos materiais por sua suposta conexão com poderes ordenadores “decisivos”, “vitais”, “fundamentais”. Essa suposta conexão com os elementos mais “importantes” do universo e da vida humana é vista como uma qualidade ou estado de ser, a qual se manifesta na postura, no comportamento e nas ações dos indivíduos; é vista também como inerente a certos papéis e coletividades, (SHILS, 1968, p. 386 apud SZTOMPKA 2005, p.453)
Considerando-se que se existe o exercício de “dominação” há, consequentemente, uma relação de autoridade, também há uma relação de hierarquia. Essas relações hierárquicas de autoridade podem ser formais, “através da estrutura de cargos de uma organização; ou
informais, pelo acesso a oportunidades diferentes”. O quanto essa relação pode ser nociva e direcionada para uma causa específica, ou seja, “egocêntrica” e não visando o bem de todos, no sentido “altruísta”, varia de acordo com quem conduz a ação. Quando se fala em hierarquia, se está falando sobre uma ideia de cadeia de comando, de diferenciação de indivíduos em estratos diferentes. “Dominação” está relacionada à subordinação ou à autoridade de um indivíduo por outro sujeito, o que pode se apresentar com mais facilidade em relações em que há uma estratificação das funções sociais hierarquicamente organizadas.
Gastaldo (2008, p. 150), utilizando conceitos de Goffman, afirma que para que uma situação de dominação se estabeleça é necessário, antes disso, estabelecer em que situação o sujeito se encontra, ou seja, qual é a realidade percebida pelos participantes. “É um processo a partir do qual se atribui sentido ao contexto vivido, da resposta que cada pessoa dá à seguinte pergunta: O que está acontecendo aqui, agora?” (GASTALDO, 2008, p. 150). A partir da compreensão da situação, as pessoas direcionarão suas ações de acordo com o seu entendimento. Quando se fala em realidade percebida é possível compreender que podem existir níveis ou enquadramentos de realidade diferentes, conforme a pessoa que responde a pergunta acima.
2 AS “MUDANÇAS SOCIAIS” E SEUS IMPACTOS NA NOÇÃO DE PESSOA E